Porta-aviões histórico USS Yorktown conclui remoção de poluentes após operação de US$ 31,6 milhões em Charleston
O USS Yorktown no Patriots Point, em Charleston, na Carolina do Sul - Foto: Alexandre Galante
Charleston, Carolina do Sul — O lendário porta-aviões USS Yorktown, uma das joias da frota norte-americana da Segunda Guerra Mundial e marco histórico nacional, está oficialmente livre dos resíduos tóxicos que ameaçavam sua integridade e o meio ambiente no Charleston Harbor. A operação, descrita por autoridades estaduais como uma “tarefa hercúlea”, levou dois anos e custou US$ 31,6 milhões.
A iniciativa foi resultado de uma ordem executiva emitida em 2022 pelo governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, após especialistas alertarem que décadas de corrosão no casco haviam transformado o navio em uma “bomba-relógio ambiental”. No interior da embarcação acumulavam-se milhões de litros de combustível residual, óleo contaminado, água tóxica e toneladas de amianto.
Dois milhões de galões de resíduos removidos
Ao longo da limpeza, equipes especializadas conseguiram extrair cerca de dois milhões de galões de substâncias perigosas — incluindo óleos, combustíveis residuais e águas contaminadas — além de nove toneladas de amianto, substância altamente cancerígena.
O trabalho foi dividido em duas fases:
- Fase I: remoção e descarte seguro de 569 mil galões de água oleosa, 8,88 toneladas de lama contaminada, limpeza de 18 tanques e quatro compartimentos, desidratação de 47 tanques e transferência interna de mais de 90 mil galões de água doce. Também foram retiradas 4,5 toneladas de amianto.
- Fase II: retirada de 1,4 milhão de galões de combustível remanescente e o restante do amianto, conduzida pelas empresas Hepaco LLC, Shipwright e Isla Maritime.
McMaster afirmou que a operação evitou uma catástrofe ambiental que poderia devastar marismas, estuários, a vida marinha e impactar setores econômicos vitais para a região. “O USS Yorktown era uma bomba-relógio ambiental, com o risco aumentando a cada ano; agora foi desativado com segurança”, declarou o governador.
Um gigante da história naval dos EUA

Comissionado em 1943, o USS Yorktown é um dos 24 porta-aviões da classe Essex, construídos durante a Segunda Guerra Mundial. Produzido em tempo recorde — apenas 16 meses — no estaleiro de Newport News, o navio inicialmente se chamaria Bonhomme Richard, mas recebeu o nome Yorktown em homenagem ao porta-aviões CV-5, afundado na Batalha de Midway.
Conhecido como a “Fighting Lady”, o porta-aviões participou intensamente da campanha do Pacífico entre 1943 e 1945. No pós-guerra, foi convertido em porta-aviões de ataque, ganhou um convés angulado em 1955 e serviu na Guerra do Vietnã. Em 1968, ganhou destaque mundial ao recuperar a cápsula e a tripulação da missão Apollo 8, a primeira a orbitar a Lua.
Descomissionado em 1970, o Yorktown foi doado ao estado da Carolina do Sul em 1975 e convertido em navio-museu. Hoje, é administrado pela Patriots Point Development Authority e recebe mais de 300 mil visitantes por ano.
Com a remoção dos poluentes concluída, o navio está novamente seguro para o público e preservado para futuras gerações — um tributo vivo ao legado naval dos Estados Unidos.■


Eu tive oportunidade de visitar o irmão dele, o USS Intrepid que é um museu em Nova York. Ele passou pelas mesmas reformas, ganhou convés angulado, catapultas e cabos de parada e serviu no Vietnã.
No Vietnã era tão quente que a tripulação cortava as chapas para abrir mais escotilhas improvisadas e melhorar a ventilação a bordo. Eles deixaram algumas e demonstram isso no museu.
Visitei o Intrepid também. Pra quem for a NY, não deixe de ir. Imperdível pra quem se interessa por aviação naval
Além do navio com seu convoo abarrotado de aeronaves históricas e o ônibus espacial Enterprise, você ainda visita o USS Growler, um submarino convencional que levava mísseis nucleares (ele tinha que emergir para lançar os mísseis, era um sistema bem complicado) e tem um Concorde ex Brittish Airways no píer que você também pode visitar. Eu passei praticamente um dia inteiro nesse museu.
Enquanto isso em terras brasilis :: vegonha do governo fhc:
https://youtu.be/rTW8mLWrWt8?si=vFsxxyX_hTJF3vCU
Não que faça muita diferença, mas, o “Intrepid” foi modernizado de forma mais extensa
que o “Yorktown”.
.
Uma das diferenças que deu ao modelo em metal que tenho uma beleza a mais é o elevador dianteiro que no “Intrepid” é mais longo e tem a forma de um pentágono enquanto o do “Yorktown” é de formato comum de um quadrilátero.
Eu ia periodicamente à Big Apple e visitei duas vezes o Intrepid. Foram programas inesquecíveis. Voce pode ver a evolução da arquitetura naval aplicada, considerando pelo menos quatro fases ao longo do tempo; fora, e principalmente, as inúmeras outras atrações tais como um Concorde etc. Quando fui lá pela segunda vez foi para dirimir/consolidar uma questão relacionada à assinatura sonora de submarinos (sim tem uma seção só sobre isso…) pois havia visto algo parecido no British Museum. Mas uma apresentação que considero muito elucidativa refere-se a toda uma extensa explanação a respeito de camuflagens (isto por que o Intrepid foi… Read more »
Prezado mestre DALTON: um tema que sempre me chama muito a atenção refere-se aos sistemas embarcados, compreendendo desde acionamento de lemes, plataformas de canhões, climatização de combate, etc…até alguns mais singelos, como por exemplo, drenagem e esgotamento em emergências. No caso do Intrepid dá para ver muito nitidamentre (acho…) como os sistemas de combate a incêndio evoluiram desde a década de sua entrada entrada em serviço (na SGM) até quando foi transformado em museu, visto que muitas tubulações e outros detalhes não froam removidas (não precisaram ser..). Atualmente tais sistemas são muito mais eficientes e o uso intensivo de sistemas… Read more »
Se livrar de alguns dejetos…
O São Paulo foi para o fundo do Atlântico e deve ter levado muita sujeira junto.
Sim.
Levou muito resíduo.
Muito se fala e causa polêmica o uso de amianto (asbestos). No BRASIL só de caixas d´água e telhas de amianto devemos ter o equivalente a toda a frota marítima do planeta terra; agora é proibido…Quem conhece a mina de Cana Brava, a maior produtora de amianto no Brasil? Quando o povão fala do “perigo do amianto” refere-se basicamente ao enorme risco de alguem inalar fibras oriundas do manuseio deste materrial e que, eventualmente, chegue aos seus pulmões. Um navio naufragado com toneladas de amianto e a centenas metros de profundidade não representa perigo pois não é tóxico.
Dúvida de quem desconhece o assunto, o que causa a contaminação da água que foi retirada?
Penso que a maior parte seja por resíduos de combustíveis e óleos, conforme citado no texto. Um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. Então, penso que, nesse caso, a maior contaminação seja por óleo e combustíveis.
Olá W. Isso depende do local onde esta água se acumulou. O texto comenta que o navio tinha muito resíduo de combustível e lubrificantes. Ainda que aprendemos que líquidos polares e apolares não se misturam, isso é uma simplificação. Outro possibilidade seria supor que esta água toda foi chuva acumulada. Pode ser que esta água ficou armazenada e ficou contaminada por microorganismos. Suponha o acúmulo de fezes de animais ou até mesmo a proliferação de bactérias e outros microorganismos. Também é razoável supor que a água acumulou nas regiões onde estavam os depósitos de amianto ou de outros metais pesados.… Read more »
Uma faxinada no sujão custou US$ 31,6 milhões, melhor não comentar nada com minha faxineira, pra não dar ideia…
O MB já fez uma oferta.
E aqui no Brasil , afundaram o porta aviões São Paulo com todo amianto existente nele, isso eu crime ambiental autorizado pela nossa ministra Marina Silva
Manter a história também cobra o seu preço 😰
Ampliando a foto da matéria percebi que no píer tem um Allen M.Summer aqui na MB foram rebatizados de Classe P o USS Laffey
Por que “Classe P” Burgos ? Não estaria confundindo com os Classe Fletcher o último dos quais o Piauí (D 31) deu baixa em 1989 ?
Foi a redesignação dada pela MB para os CTs na época mesmo sendo composta pelos Fletchers, Allen M. Summer e por último os 2 Gearing que vieram para o Brasil .
No qual eu servi em um, não me lembro na época de outra redesignação dada, todos sem exceção eram chamados de classe P 👍
Grato Burgos, desconhecia isso, apesar de ser estranho, dadas as diferenças existentes incluindo hangar para helicóptero leve em 6 deles, 2 “Gearing” e
4 dos 5 “Sumner”
Sim;
Os Fletchers e um Allen M. Summer não tinha Convoo, se me lembro bem foi o D 34 que veio por último da classe que não foi modernizado 👍
Chamavam de classe P porque os primeiros tinham nomes que começavam com essa letra: Pará, Paraíba, Paraná e Pernambuco.
Também 👍
Por isso que ficou assim “classe P”
Estava confuso. Pensei que era aquele porta-avioes que estaria sendo descontaminado e desmantelado. Só agora me deiu conta que é um navio museu que está sendo reformado
Eu achei interessante ele ainda ter tanto combustível e lubrificantes a bordo.
Achei que entre os navios museus só o USS Missouri fazia isso para o caso de invasão alienígena em Pearl Harbor.
Pois é,
Você levantou um ponto importante.
Talvez o Trump esteja sabendo de algo muito muito aterrador vindo da Nasa para pedir que sejam construídos battleships novos.
Sobre o Yorktown, creio que decidiram economizar quanto transformaram o navio em museu, supondo que ninguém além dos hyppies de woodstock, se preocupavam com questões ambientais.. isso lá em 1975.
Provavelmente, o custo para o governo estadual caso ocorresse um problema seria muito maior que o da reforma do navio.