Guarda Costeira dos EUA bate recorde histórico ao apreender mais de US$ 362 milhões em drogas no Pacífico Leste

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USCG

Miami, EUA — A Guarda Costeira dos Estados Unidos realizou nesta quarta-feira uma das maiores operações antidrogas de sua história, ao descarregar cerca de 49.010 libras (22,2 toneladas) de narcóticos ilícitos no Porto de Everglades, na Flórida. A carga está avaliada em mais de US$ 362 milhões e representa a maior quantidade de cocaína já apreendida por um único navio da Guarda Costeira em uma única patrulha.

O recorde foi alcançado pelo cutter USCGC Stone, cuja tripulação participou de 15 interceptações em águas internacionais do Pacífico Leste — uma rota conhecida por ser uma das mais ativas no tráfico de drogas com destino aos Estados Unidos.

A capitã Anne O’Connell, comandante do USCGC Stone, elogiou o desempenho de sua equipe:

“Estou extremamente orgulhosa do desempenho incrível da tripulação durante esta missão. Esta descarga demonstra nossa postura fortalecida e o sucesso contínuo no combate ao narcoterrorismo e às organizações criminosas transnacionais.”

Operação coordenada e internacional

USCGC Stone

A apreensão contou com o apoio de diversas unidades e agências, incluindo:

  • USCGC Stone
  • Esquadrão Tático de Interdição Aérea da Guarda Costeira (Jacksonville)
  • Joint Interagency Task Force–South
  • Centros de vigilância dos Distritos Sudeste e Sudoeste da Guarda Costeira

Segundo a Guarda Costeira, 80% das drogas destinadas aos EUA são interceptadas no mar, evidenciando o papel central das operações marítimas no combate ao narcotráfico internacional.

A detecção e monitoramento de embarcações suspeitas no Pacífico Leste são conduzidos pela Joint Interagency Task Force–South, baseada em Key West, enquanto a fase de interdição e abordagem é coordenada pelo Distrito Sudoeste da Guarda Costeira, sediado em Alameda, Califórnia.

Operação Pacific Viper

A ação faz parte da Operation Pacific Viper, uma campanha de intensificação das missões antidrogas para impedir o fluxo de cocaína e outros narcóticos vindos da América do Sul para os EUA. Segundo o comunicado, impedir essas cargas reduz significativamente os recursos financeiros de cartéis e organizações criminosas transnacionais, responsáveis também pelo tráfico de fentanil — uma das principais ameaças às comunidades americanas.

As apreensões fornecem provas, testemunhos e inteligência essenciais para iniciativas como a Panama Express (PANEX), liderada pelo HSTF Tampa, que visa identificar e desmantelar organizações criminosas de alto nível por meio de um esforço conjunto de diversas agências federais.

O navio recordista

O USCGC Stone é um dos quatro cutters de segurança nacional da classe Legend, com 418 pés de comprimento, baseados em Charleston, Carolina do Sul. Projetado para missões de longa duração, o navio tem sido peça-chave nas operações de interdição de drogas no hemisfério ocidental.

A Guarda Costeira afirmou que as operações reforçadas continuarão nos próximos meses com o objetivo de proteger o território americano contra o tráfico marítimo de drogas.■


 

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Sulamericano

Ué?! Agora eu não entendi nada…
Então quer dizer que na região costeira deles, os EUA não abrem fogo em cima dos barcos do narcotráfico?

Leandro Costa

Não foi em região costeira deles. Pode ter sido em qualquer ponto entre Colombia e a Califórnia.

Esse é o modus operandi da Guarda Costeira, que quando intercepta embarcações suspeitas, faz abordagens e apreensões. Isso é feito a décadas. Inclusive uma operação assim é estopim para o enredo de um livro do Tom Clancy publicado em 1989.

Sulamericano

Olá Leandro,
Estava sendo sarcástico com relação as outras operações que os EUA levaram a cabo no mar do Caribe. Mas é como você falou no comentário abaixo: é esse tipo de ação que tem de acontecer, dentro da legalidade e do direito internacional.

Renato B.

Acho que o Clancy sequer pensou em continuar algo na linha do Clear and Present Danger porque sabia que era melhor evitar as derrotas. E depois do caso Irã-Contras aposto que preferiu não pesquisar o assunto para não ter que encarar o que ia descobrir

Leandro Costa

É bem possível. Não se vence a guerra contra as drogas. Se bem que o quente do Clancy mesmo era a guerra fria, por assim dizer. Para o Clear and Present Danger ele fez pesquisa indo até a 7ª Div de Inf Leve. Tinha um amigo servindo lá quando ele foi visitar a unidade. Pelo menos o cara fazia a pesquisa dele.

Curiango

Fugindo do tópico. Vcs virão o H da Marinha com aquela empresa de pegar um Ranger Ford e colocar o Max1.2 na caçamba p o fuzileiro dispara? Achei um pita de uma gambiarra . Que deve dar certo mais não precisava de um contrato milionário para fazer esse arranjo vide os guerrilheiros do Oriente Médio com as Hilux

Leandro Costa

Todo mundo faz isso, Curiango

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Last edited 3 meses atrás by Leandro Costa
Leandro Costa

Essas são as ações que queremos sempre ver. Agindo na legalidade, dentro do direito internacional, fazendo apreensões e levando os culpados presos. É só financiar e aumentar o efetivo da USCG. Dá inclusive para usar a grana usada para deslocar os navios de guerra e para o Caribe para isso ao invés dos ataques ilegais.

Essas ações não tem a visibilidade que deveriam ter, mas acontecem de forma regular.

Renato B.

Tá, mas essas ações fazem alguma diferença? Temos décadas de ações desse tipo e o consumo de drogas sequer diminuiu? Como dizia o Milton Friedman uma política publica deve ser medida por seus resultados finais e não por suas intenções. A maior parte do continente americano continua lidando com áreas dominadas pelo tráfico e eventuais tiroteios em disputas por território, nos EUA também.

Leandro Costa

Que faz diferença faz. São menos drogas e, consequentemente menos grana nas mãos dos bandidos. Mas são ações que, isoladamente, não vão ter impacto a longo prazo. E o pior é que simplesmente não se sabe como acabar com essas porcarias e isso também é estudado a anos. Eu não tenho opinião formada, mas acho que aumento no IDH ajudaria MUITO à diminuir bastante o consumo, mas não acho que vamos ficar livres disso nunca, seja em maior ou menor grau.

Ainda assim, é preferível do que não fazer nada.

Renato B.

Em termos de relação custo x benefício a repressão rende muito pouco. Nos anos 80, os EUA e a Colômbia detonaram a maior refinaria dos cartel de Medellin. Também foram destruídas dezenas de toneladas de drogas, isso mal impactou na oferta de drogas nos mercados americanos. As operações, grandes e pequenas, podem render filmes, mortos e arranjos artísticos no capô de viaturas, mas servem justamente para políticos dizerem que estão “fazendo alguma coisa” especialmente aqueles que lucram com isso. Respostas simples para problemas complexos geralmente estão erradas. De países com políticas claras sobre o assunto, os europeus parecem ter tido… Read more »

Leandro Costa

As operações são necessárias. E o custo benefício, no caso de ações como essa da Guarda Costeira, não muda muito. O navio estaria patrulhando a região de qualquer maneira. As forças de segurança devem sempre cumprir o propósito para o qual foram criadas. Caso contrário é o Estado deixando de atuar, cedendo espaço para o crime. Isso é pior que ter um bando de viciados. Porém cabe o Estado e aos legisladores (com muita ajuda da Academia) bolarem ações, legislações, etc., de longo prazo, para que o problema seja efetivamente resolvido. Não é competência das forças de segurança questionarem o… Read more »

Comenteiro

Tem materias até em jornais conservadores mostrando que tem entrado mais drogas nos Estados Unidos pois os agentes do DEA foram transferidos para caça de imigrantes nas grandes cidades.

Renato B.

Possível, isso explica essas ações de ficar explodindo barquinho. Ações espetaculosas para disfarçar a degradação dos resultados. Certos problemas só mudam de endereço. O que acho uma pena, os americanos eram um povo quase obsessivo em procurar indicadores e mensurar resultados. Uma excelente qualidade que não deveria ser perdida.