Reino Unido investe £316 milhões no primeiro laser naval DragonFire após testes contra drones
O Ministério da Defesa do Reino Unido fechou um contrato de £316 milhões com a MBDA UK para avançar no desenvolvimento e na integração do DragonFire, o primeiro sistema de arma a laser de alta potência da Royal Navy. A decisão foi tomada após a tecnologia destruir drones de alta velocidade durante testes recentes — um marco inédito no país.
O acordo prevê que o laser seja instalado em um destróier Tipo 45 dentro de dois anos, acelerando em cinco anos o cronograma original.
Uma alternativa mais barata e eficaz aos mísseis tradicionais
Os navios da classe Daring atualmente utilizam o sistema de mísseis Sea Viper, canhões de 30 mm, armas leves e o sistema Phalanx para defesa aérea. Essas armas têm sido eficazes, como demonstrado recentemente pelo HMS Diamond, que utilizou Sea Vipers e um canhão de 30 mm para neutralizar drones lançados por rebeldes houthis no Mar Vermelho.
O DragonFire, no entanto, oferece vantagens significativas:
- Custo por disparo: cerca de £10, contra mais de £1 milhão de um míssil Sea Viper.
- Extrema precisão, capaz de acertar uma moeda de £1 a um quilômetro de distância.
- Municiamento “infinito”, limitado apenas pela energia disponível.
A arma é considerada uma solução particularmente promissora diante do aumento global de ataques com drones baratos e rápidos.
Testes inéditos: detecção, rastreamento e destruição de drones velozes
Nos testes mais recentes, o DragonFire:
- Detectou drones a longa distância;
- Rastreados em alta velocidade;
- Engajou e destruiu os alvos além do alcance visual.
Foi a primeira vez que um laser britânico demonstrou capacidade completa de “encontrar, rastrear e destruir” aeronaves não tripuladas dessa categoria.
A tecnologia está sendo desenvolvida pela MBDA em parceria com a QinetiQ e a Leonardo, duas das principais empresas de defesa e tecnologia do Reino Unido.
Impacto industrial e liderança europeia
O contrato criará ou manterá cerca de 600 empregos no país. O DragonFire também colocará o Reino Unido na dianteira da Europa — nenhuma outra nação europeia possui um laser de alta potência em serviço operacional.
O diretor-geral da MBDA UK, Chris Allam, classificou o sistema como “revolucionário”. Já o ministro da Defesa para Prontidão e Indústria, Luke Pollard, afirmou:
“O DragonFire colocará a Royal Navy na vanguarda da inovação na OTAN, oferecendo uma capacidade de ponta para defender o Reino Unido e seus aliados nesta nova era de ameaças.”
Próximos passos
O objetivo é integrar o laser inicialmente a um dos destróieres baseados em Portsmouth, antes de expandir seu uso na frota. A Royal Navy vê a tecnologia como essencial para enfrentar o crescente número de ameaças aéreas, especialmente drones rápidos, baratos e numerosos.■


Uma dúvida interessante! Como um laser pode destruir um drone além do alcance visual?
Não sei se ajuda, mas, minha compreensão é que está integrado ao sistema de combate do navio, como por exemplo no USS Preble da classe Arleigh Burke o “laser” está integrado ao “Aegis” beneficiando-se do radar.
Harpia,
“Além do alcance visual” não é o mesmo que NLOS (fora da linha de mira).
“Além do alcance visual ” dentro do contexto deve significr que o alvo não está ao alcance da visão humana, mas em linha reta com o emissor.
Bosco,
Aí sim! Até tinha imaginado algo assim.
Com ajustes finos poderia-se alvejar um drone em Marte. Rsrsrs
mas a distância não faria a energia se dissipar? não lembro se algum sistema laser atual consegue fazer um abate, nem sei quanto o olho humano alcance para obejeto de 2 metros quadrados por exemplo
Tem vídeos na internet do sistema israelense abatendo drones.
Sim, o ar atmosférico faz a energia se dissipar. A solução é aumentar a potência para que atinja o alvo ainda com potência suficiente. Outro problema é que o laser esquenta o ar alterando sua refração e fazendo o laser desviar.
Desde 2003 eu tenho contato com máquinas a laser na indústria e de lá para cá é incrível como essa tecnologia evoluiu. Em 2003 era necessário estação de água gelada para resfriamento dos componentes das máquinas e eram uns trambolhos enormes, com lâmpadas que precisavam ser trocadas a cada x horas etc., hoje as máquinas pesam poucos quilos e podem ficar sobre uma mesa de escritório (máquinas para gravação) e são encontradas facilmente em sites de vendas chineses, por uma fração do valor que custavam anteriormente. Imagino que o laser ainda será amplamente utilizado no meio militar, principalmente como defesa… Read more »
O sistema americano AN/SEQ-3 Laser Weapon System LaWS usava seis lasers comerciais de solda montado em um CIWS Phalanx Vulcan como sistema de mira. Foi testado no USS Ponce. Uma empresa grega chamada Soukos Robotics apresentou o SR-42 Minotaur que deveria usar 62 lasers industriais azul-violeta e teria uma energia de saída de 300 kW. Era um mock-up não funcional montado em um veículo soviético BTR 8×8 que parecia ter saído de um filme de ficção científica de baixo orçamento dos anos 80. Acho que essa arma nunca atingirá o estágio de protótipo e se eu não me engano a empresa… Read more »
Brevemente em nossas Tamandaré!