Índia prepara chegada do submarino nuclear INS Chakra III sob novo contrato de leasing com a Rússia
A Marinha Indiana está prestes a incorporar um novo submarino nuclear de ataque da classe Akula — o K-391 “Bratsk” — sob um contrato renovado de leasing com a Rússia, marcando um reforço significativo de suas capacidades em águas profundas diante da crescente tensão no Indo-Pacífico.
Detalhes do leasing e modernização
O submarino K-391 “Bratsk” será entregue à Marinha Indiana entre 2026 e 2027, após passar por um extenso processo de modernização para o padrão “971M (Akula-4)”. Após a entrada em serviço, será designado como INS Chakra III.
O contrato inicial, assinado em 2019 por cerca de US$ 3 bilhões, previa o aluguel da embarcação por 10 anos, com reformas abrangentes e integração de sistemas indianos de sensores e comunicações.
As reformas, conduzidas em estaleiros russos, envolvem praticamente todos os subsistemas da embarcação — desde sistemas de navegação e combate até hidroacústica de última geração, periscópios aprimorados, suíte de guerra eletrônica, reativação do reator e revisão da planta propulsora.
Função estratégica e relevância operacional
Com o INS Chakra III, a Índia visa fortalecer sua postura submarina de ataque (SSN), essencial diante da crescente presença naval chinesa e do fortalecimento das marinhas de países aliados da China na região, como o Paquistão.
O submarino será parte do núcleo da força de dissuasão subaquática da Índia até que suas plataformas nucleares domésticas — como os programas de SSBN/SSN — estejam plenamente operacionais.
Além disso, o leasing acelera a capacidade de projeção de poder em águas profundas, dando à Marinha Indiana uma opção de resposta rápida e flexível para operações de vigilância, dissuasão e combate no Oceano Índico e nas áreas do Indo-Pacífico.
Contexto e desafios
Embora o leasing de SSNs russos já seja uma prática antiga — a Índia operou anteriormente o INS Chakra e o INS Chakra II —, o histórico demonstra dificuldades operacionais e de manutenção, além da dependência de suporte técnico externo.
Fontes recentes indicam que a entrega do novo submarino sofreu atrasos — a data original prevista para 2025 foi postergada, em parte pelos impactos da guerra na Ucrânia nas cadeias de abastecimento russas e pela complexidade das reformas e adaptações.
Apesar disso, o leasing continua sendo visto como uma “solução de contingência” até que os projetos de submarinos nucleares próprios da Índia — ainda em desenvolvimento — estejam prontos para operar.■
| Classe e tipo | Submarino da classe Akula |
|---|---|
| Deslocamento | 8.140–14.700 t em superfície 12.770 t submerso |
| Comprimento | 110,3 m máximo |
| Boca | 13,6 m |
| Calado | 9,7 m |
| Propulsão | 1 reator nuclear de água pressurizada OK-650B/OK-650M de 190 MW (HEU ≤ 45%) 1 turbina a vapor OK-7 de 43.000 hp (32 MW) 2 turbogeradores OK-2 produzindo 2 MW 1 hélice de sete pás 2 propulsores elétricos retráteis OK-300 para manobras silenciosas em baixa velocidade a 5 nós (9,3 km/h; 5,8 mph) |
| Velocidade | 10 nós (19 km/h; 12 mph) em superfície 28–35 nós (52–65 km/h; 32–40 mph) submerso |
| Autonomia | 100 dias |
| Profundidade de teste | 480 m (1.570 pés) |
| Tripulação | 73 |
| Sensores e sistemas de processamento | Suíte ativa/passiva MGK-500 ou 540 Sonares de flanco (flank arrays) Sonar de arrasto rebocado Pelamida Sonar de detecção de minas MG-70 |
| Guerra eletrônica e iscas | Bukhta ESM/ECM Iscas de simulação de ruído MG-74 Korund (lançadas de tubos externos) Receptor de interceptação de sonar MT-70 IFF Nikhrom-M |
| Armamento | 4 × tubos lança-torpedos de 533 mm (28 torpedos) e 4 × tubos lança-torpedos de 650 mm (12 torpedos) 1–3 × lançadores de mísseis superfície-ar Igla-M disparados a partir do mastro (uso apenas em superfície) Mísseis de cruzeiro Granat, atualmente Kalibr |
| Observações | Radar de busca de superfície Chiblis Sistema de navegação Medvyeditsa-945 Comunicações via satélite Molniya-M Comunicações submarinas MGK-80 Antenas de comunicações Tsunami, Kiparis, Anis, Sintez e Kora Antena VLF rebocada Paravan Sistema de direção de combate Vspletsk |


Sera que seria interresante para a MB se a France fizese um leasing desse tipo para o Brasil… um SSN classe Rubis por 10 anos! para treinar nosso marinheiros?
Tanto este quanto o submarino anterior foram transferidos após grande investimento por parte da Índia, caso contrário não haveria “leasing” e os russos simplesmente teriam
descartado ambos.
.
Os dois submarinos remanescentes da classe Rubis, necessitariam de um último “reabastecimento do reator” para durar outros 7 anos, além de uma revitalização
e independente da França concordar ou não o Brasil não estaria disposto a pagar milhões de euros pela obra.
Seria interessante discutir estas parcerias estratégicas que estão ocorrendo nos países da periferia, e que pretendem se tornar potências militares relevantes nas suas respectivas áreas de influência: 3 casos : Índia, Paquistão e o Br. A Índia abraça a parceria com a Rússia, o Paquistão com a China e o Br com parceiros europeus da UE/ Otan. Há vantagens e desvantagens em cada um deles. No caso do Br, a parceria se espalha para cada ramo das FAs : A FAB com a Suécia, o EB com a Itália e a MB com a França/ Alemanha. De comum, o fato… Read more »
A “Índia” não “abraça” parceria com ninguém especificamente, e aproximou-se mais dos EUA, mas, recentemente são os franceses que tem estado mais por lá, não apenas pelos caças, mas, submarinos convencionais. . Não colocaria o Brasil na mesma prateleira que Índia e Paquistão, ambas possuem armas atômicas e são potenciais adversários, mas, só a Índia tem folego para tornar-se uma “potência” e o Paquistão tem recebido “ajuda” também dos EUA. . Não entendo porque a “França é um caso a parte” continua sendo parte importante da OTAN e na minha opinião se está apostando demais em rupturas mesmo o Trump… Read more »
A França saiu da OTAN em 1966 durante o governo Degaulle e retornou em 2008 no governo Sarcozy . Sempre teve uma posição critica em relação à influência dos EUA sobre ela. Por isto disse que é um caso à parte. No caso do Br, não fazer parte das potências nucleares, é na verdade uma opção política, já que domina todo ciclo da produção de urânio enriquecido, e poderia ter um arsenal nuclear, se houvesse uma decisão política.
Não, Paulo. Em 1966 a França se retirou do comando unificado da OTAN, buscando maior independência e as críticas que você já mencionou à liderança Americana, mas nunca deixou de fazer parte ativa na Aliança. Esse compromisso foi renovado ao longo dos anos, tanto por Miterrand, quanto Chirac e por aí vai. Com Sarkozy a França retornou ao comando unificado.
De Gaule sempre, sempre, sempre tentou manter o máximo de papel de protagonismo da França, até mesmo quando era o líder Francês no exílio durante a Segunda Guerra Mundial.
A França nunca saiu totalmente da OTAN – há muita matéria sobre isso na internet – retornando aí sim totalmente em 2008 e a França tinha e tem todo direito de ter uma posição crítica, mas, na hora do “vamos ver” ambas as nações irão apoiar-se e há por exemplo uma excelente integração entre as marinhas. . Ainda acho que você superestima a capacidade militar brasileira e também o grau de percepção de ameaça ,simplesmente porque não há nem haverá aumento do orçamento significativo, não se trata apenas de “decisão política” e sim que aqui o governo tem que prestar… Read more »
Jamais aconteceria, sobretudo por veto dos EUA (que sempre sabotou nosso Programa Niclear – a última via Lava Jato com a prisão encomendada pelo Departamento de Justiça do Vice-Almirante Othon – já amplamente documentada).
Boa análise!
Sério mesmo que está colocando a responsabilidade da falta de uma política de Estado em defesa, com recursos continuados para programas estratégicos, na Lava Jato, que investigou crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, etc?
A culpa é de todo mundo, “menos do corrupto de estimação”.
A Lava Jato foi uma operação política e geopolítica; já amplamente documentada; destruiu a engenharia pesada e estaleiros nacionais, conscientemente. Suas práticas foram de tal maneira ilegais e criminosas que estão, como era óbvio (alguns casos tão explícitos que são matéria de introdução a curso de Direito), tornando nulos inúmeros processos. Além, é claro, da ampla corrupção no seio da operação (diárias, delações direcionadas a escritórios específicos, apropriação ilegal de recursos públicos, etc). Esses processos estão correndo. Em suma: nunca foi contra corrupção, era um projeto político contra o país. Nos EUA, que são os agentes externos dessa operação, para… Read more »
Escrevi uma resposta mas ainda não foi publicada. O que escrevi acima está amplamente documentado. Foi encomenda do Departamento de Justiça e Estado dos EUA contra nosso Programa Nuclear (que sempre foram contra e tenataram – e tentam – sabotar de todas as formas).
Eles nunca vão aceitar isso pq o brasileiro médio tem uma tara por “combate a corrupção” quase como se fosse uma folclore infantil. Então tu pode fazer qualquer merda, se tu justificar que foi pra combater “corrupção” o olho do brasileiro médio chega a brilhar vislumbrando o futuro fantasioso.
O curioso do “combate a corrupção” de alguns é que ele ficam bem, bem relativo para defender seu espectro político…
Leasing de submarino nuclear é a primeira vez que ouço !! 🤔👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Interessante entre países aliados e a expertise que se adquire.
Já faz muito tempo que Rússia e ìndia tem esses acordos estratégicos.
Esse submarino deve ter sido usado ate o osso pelos russos.
Por isso a demora na modernização dele.
Uns poucos anos atrás um site russo – entre outros – publicou que este submarino estava
em situação irrecuperável e seria descartado e não fosse o dinheiro investido nele pela Índia, já teria sido pois a Rússia não desejava ou não podia investir nele por conta de um orçamento limitado.
Questão de prioridade, nos de propulsão nuclear: Classes Yasen e Borei.
Esse submarino foi descomissionaod na Marinha Russa; para Índia é um “atalho”, para treinamento e dissuasão paliativa até que resolvam os prioblemas críticos de desenvolvimento da Classe Arihant (ainda longe de capacidade operacional plena).
A marinha russa por mais estranho que pareça não tem tantos submarinos assim
os dois da classe Sierra II por exemplo correm o risco de acabar na mesma situação que os 2 Sierra I – indisponíveis durante anos para finalmente serem descartados – e vários estão indisponíveis, então, independente de “novos” revitalizar “antigos” é importante como os EUA estão fazendo com alguns “Los Angeles” para estender a vida deles.
.
Escrito isso, pelo que compreendi este submarino em particular – se de fato for entregue – não poderá ser usado em combate apenas para treinamento e alguma
transferência de tecnologia.
Os antigos estão sendo substituídos por outros muitos mais capazes; e a Rússia não precisa de tantos quanto a antiga VMF que operava globalmente.
Mais capaz não significa poder estar em dois lugares ao mesmo tempo e não estão conseguindo substituir – assim como também não os EUA – os submarinos na base do um por um mesmo nas diminuídas forças de ambas as nações pós guerra fria. . A Rússia gostaria sim de contar com mais submarinos conforme publicado pela mídia própria, nunca li, por exemplo que os novos bastam, tanto que, se tem empenhado recursos para manter os antigos, só que invariavelmente, atrasos tem ocorrido aumentando ainda mais a indisponibilidade. . A Rússia tem 4 Frotas, a do Norte e a do… Read more »
Não foi isso que disse mas quea frota não será tão numerosa quanto foi da VMF, obviamente; a Rússia não tem que fazer patrulhas tão longas em águas azuis.
E sim, os meios novos são muito mais capazes; a Marinhas Russa estabelceu as prioridades de seu processo de modernização e não era substituir os Project 971 (os últimos foram recebidos na segunda metade dos anos 1990). Obviamente serão substituiídos quando concluída a tual fase (os Yasen e Borei são prioridade).
Os EUA também não possuem a mesma quantidade de unidades que já possuíram em 1990, mas, você atribui o fato de haver pouca disponibilidade de submarinos na Rússia pelo simples fato da mesma “não precisar” quando na verdade não há dinheiro nem estaleiro suficiente para atender a demanda seja de unidades novas seja de revitalizar os antigos. . A “wikipedia” em inglês oferece uma boa e confiável imagem da situação atual da força de submarinos russa, com vários “971” indisponíveis por exemplo. . Sempre há “prioridades”, Virginia” e “Columbia” para os EUA e “Borei e Yasen” para a Rússia, atualmente,… Read more »
Os casos da Rússia e EUA são bem diferentes; a Rússia não tem mabições globais e está renovando sua frota de SSBN totalmente. O último Ohio tem quase 30 anos…
Essa é a prioridade absoluta da Marinha Russa; depois de completada vão se concentrar na substituição dos Akula e outros meios (muito mais baratos e menos complexos de fabricar).
Independente de ter ou não “ambições globais” a Rússia tem possíveis adversários e em mais de uma frente o que a obriga a diluir o número de submarinos nucleares entre a Frota do Norte e a do Pacífico e “SSBNs” mesmo corretamente priorizados não são utilizados para missões táticas, o “dia a dia”. . Um novo submarino tático – SSGN/SSN -será incorporado ao longo da próxima década, mas, até lá, quantos “949A” e “971” ainda restarão e quão rapidamente os novos serão entregues ? . Da classe Yasen “apenas” mais 4 serão entregues entre 2026 e 2030 totalizando 9 unidades… Read more »
Pelo contrário, foi pouco usado, porém foi “abandonado”, mais de uma década indisponível primeiro aguardando revitalização, depois sofrendo atraso atrás de atraso quando então
tornou-se economicamente inviável restaura-lo atraindo interesse da Índia que pagaria
para “revive-lo”, mas, não sei em que pé encontra-se o estado atual dele.
Desviando um pouco do tópico, mas ainda dentro dele: há uns anos ventilaram que a Rússia poderia auxiliar o Brasil na miniaturização do reator do Àlvaro Alberto e que alguns setores da MB viam a proposta com bons olhos. Isso foi antes do atoleiro da Ucrânia. Essa história existiu mesmo ou foi barrigada de alguns sites/canais de Defesa?
O leasing permite que a Índia utilize ele em caso de guerra? Contra a China, por exemplo… Essa parte da utilização é bem complexa….
Não permite pelo que li, apenas para treinamento e eventual transferência de alguma tecnologia. A Rússia é aliada da China e esta não gostaria de ver um aliado compactuando
com um possível adversário – a Índia tem armamento de várias procedências – além do mais, antes da China a Índia tem o Paquistão e as preocupações no Mar Arábico onde submarinos podem fazer a diferença daí o Paquistão também estar renovando sua força.
esse subimarino lembra o Alfa do filme a caçada ao Outubro Vermelho…