Rússia acelera planos para base naval no Sudão e amplia disputa estratégica no Mar Vermelho
A criação de uma base naval russa no Sudão, às margens do Mar Vermelho, é um dos movimentos geopolíticos mais relevantes de Moscou fora do espaço pós-soviético. Se concretizada, essa instalação colocará a Rússia em uma posição privilegiada sobre uma das principais artérias marítimas do mundo, ampliará seu alcance militar para a África e o Oriente Médio e reduzirá a liberdade operacional dos Estados Unidos no corredor que liga o Mar Vermelho, o Canal de Suez e o Mediterrâneo Oriental. O projeto visa transformar Port Sudan em um ponto de apoio permanente para operações navais, inteligência, logística e projeção de poder, ao mesmo tempo em que consolida uma presença russa em águas quentes com acesso direto ao Oceano Índico.
Para Moscou, o Mar Vermelho tem importância estratégica porque concentra entre 12% e 15% do comércio global. Controlar ou monitorar esse tráfego significa ter influência sobre rotas essenciais para a Europa e a Ásia. Além disso, uma base russa nessa área permite acompanhar os movimentos das frotas americanas e da OTAN, dificultar deslocamentos em caso de crise e criar novas pressões sobre rotas vitais para o Ocidente. A instalação também serviria como ponto de apoio para operações militares e diplomáticas russas na África, inclusive para atividades associadas ao antigo grupo Wagner — agora reorganizado sob estruturas do Ministério da Defesa russo — e para redes de extração de ouro usadas para driblar sanções.
O esforço russo para garantir o acesso a Port Sudan começou ainda em 2017, quando o então presidente Omar al-Bashir buscava apoio político e militar de Moscou. As negociações avançaram até 2020 e resultaram em um acordo preliminar de 25 anos, que permitiria a presença de até 300 militares russos e o atracamento simultâneo de quatro navios, inclusive com propulsão nuclear. No entanto, a queda do regime em 2019, a instabilidade política e a crescente pressão diplomática dos Estados Unidos, dos países do Golfo e do Egito impediram a ratificação do acordo. Mais tarde, a guerra civil entre as forças armadas sudanesas (SAF) e os paramilitares das RSF criou um ambiente em que Moscou passou a negociar com ambos os lados, buscando manter todas as opções abertas.

Hoje, a Rússia ainda vê Port Sudan como peça central de sua estratégia na África e no Oceano Índico, apesar de obstáculos significativos. A guerra civil dificulta qualquer compromisso formal e os atores regionais — especialmente Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — têm fortes reservas em relação à presença militar russa no Mar Vermelho. Ao mesmo tempo, a China, que já possui uma base naval em Djibouti, demonstra desconforto com a possibilidade de um competidor próximo. Ainda assim, Moscou continua pressionando porque enxerga a instalação como uma oportunidade histórica para desafiar o domínio naval americano, fortalecer a parceria com o Irã e consolidar uma rede de pontos de apoio em território africano.
Para os Estados Unidos, o avanço russo representa um dilema estratégico. Washington conta com forte presença militar em Djibouti, mas carece de influência direta sobre o Sudão. A falta de uma estratégia para o Mar Vermelho e as dificuldades para acompanhar os desdobramentos da guerra civil abriram espaço para a ação russa. Além disso, os EUA precisam conciliar a competição com a China, que também opera na região e protege suas rotas comerciais, enquanto tentam impedir que Moscou estabeleça uma posição permanente.
A situação mostra que o Mar Vermelho deixou de ser uma periferia estratégica e passou a ser um ponto de disputa central entre grandes potências. Uma base russa em Port Sudan complicaria operações americanas, ampliaria a capacidade russa de projeção militar e diplomática, e apoiaria redes logísticas usadas para evasão de sanções. Para os EUA, evitar esse cenário exige elevar os custos políticos e econômicos para qualquer facção sudanesa que facilite a construção da base, fortalecer a coordenação com Egito e países do Golfo, oferecer alternativas de segurança e investimento ao Sudão e, se necessário, impor limites militares e de monitoramento caso a instalação venha a existir.
O futuro do acordo depende da evolução da guerra civil sudanesa, da atuação das potências regionais e da capacidade de Moscou de sustentar o projeto com recursos limitados devido à guerra na Ucrânia. Mesmo assim, a Rússia não parece disposta a desistir. Para o Kremlin, Port Sudan representa uma oportunidade rara de remodelar o equilíbrio naval global, estender sua influência para a África e criar um ponto de pressão permanente sobre rotas marítimas vitais para o Ocidente. A capacidade dos Estados Unidos de manter liberdade de ação em torno do Canal de Suez dependerá da resposta que der a esse desafio emergente.■


Tá tranquilo. É só para pescadores!
“A Rússia não tem mabições globais…” – Cássia Heller.
Eu acho que ao contrário de outros países a Rússia não quer deixar os adversários correrem livremente por aí .
É jogo pra quem não fica vendo a caravana passar.
O jogo não é para amadores !!!
Pelo que se pode extrair da nova estratégia do Trump, ele abandonou a Africa.
Os EUA nunca ligaram para esse canto do mundo.
Atualmente, a marinha russa é uma marinha de corvetas, dificilmente projeta poder. Sao poucos os meios de superfície modernos, limitados a alguns destroieres e fragatas. O resto sao heranças da URSS.
Têm das melhores frotas submarinas do mundo SSBN’s, SSN’s,SSGN’s e até várias classes de convencionais.
Não é de todo uma marinha de corvetas, até porque as suas 2 classes de fragatas, são muito bem armadas.
se for igual ao exercicito, deve estar caindo aos pedaços.
Heli, faça a lição de casa:
https://www.naval.com.br/blog/2025/01/29/live-comparacao-das-marinhas-dos-eua-china-e-russia/
Boa! O professorado mantendo a linha…
Obrigado Galante. Mas, quando eu escrevi o post, eu tinha em mente a disponibilidade, operacionalidade, e até mesmo a quantidade da frota de superfície. É aquela historia do lençol curto. Lembrei, por exemplo, da situação dos Type 23 e 45 ingleses. Muitos desses navios russos já vao quase nos 40 anos de uso como as Udaloy e Sovremenny e os Slava/Kirov. Uma coisa são as Steregushchy no Mar Negro lançando Kalibir e sendo reabastecidas no porto próximo. Outra é eles viajarem milhares de milhas, o mesmo vale para os navios de assalto anfíbio.
Por acaso para fechar o mar vermelho e preciso um porta-aviões ou cruzador nuclear?
Ali corveta e até exagero, e um ponto de estrangulamento, o objetivo e bloquear a passagem!
Tá, uma corveta contra a 5a Frota?
Meio OFF, mas aproveitando o assunto:
A “quantas anda” aquela base naval russa na Síria?
Não anda.. Não existe mais, se não me engano.
Se não me engano algumas poucas unidades continuam lá. Até onde lembro os Russos estavam negociando com os Sírios…
Deve estar sobrando dinheiro para uma empreitada destas.
Se eles tinham a intenção de enviar Su34 e Mig29, acho que vão precisar repensar pois alguns foram para o saco esses dias, o problema.
Stones.
Drones
O MIG 29 e o SU34 foi o de menos, o que eles perderam de radares na crimeia, vale muito mais que esses caças.
Verdade.
Não vão mais conseguir enxergar nada
Espero que o SBU e drones ucranianos façam uma visita por lá.
Igual o dos russos nas termoelétricas ucranianas.
Levando em conta que eles atacarem bases estratégias na pqp da Sibéria eu realmente não duvido, dizem que os ucranianos auxiliaram os Tuaregs no Zawad do Mali no vareio que o Wagner tomou lá. O auxílio teria sido com inteligência, recon e armas.
Impressionante… a Rússia não abre mão de ser uma super potência, mesmo com o PIB de um pigmeu.
Que voltou a ser a 10 economia do mundo apesar de tudo, aí tira as sanções e vê onde chegam!
PIB maio que do Brasil e Italia. Se atualize
PIB inventado pela Russia
Confiamos.
Reino Unido perdeu o controle do Atlântico! A situação dos arrogantes britânicos está absurdamente péssima, o país não consegue mais sustentar uma marinha de primeira linha. Enquanto isso, Pátria Rússia segue firme com a modernização de sua marinha e expansão de suas bases.
URA!
risos
Devaneios do Sr. Putin
Então vão abandonar Tartous e o Mediterrâneo msm?
Nada que a Mossad não resolva e a Ucrania não envie uns SEABABY !