Caça F-18 abatido por engano: relatório revela falhas graves a bordo do USS Gettysburg
USS Gettysburg (CG-64)
A Marinha dos Estados Unidos divulgou novos detalhes sobre o episódio em que o cruzador USS Gettysburg derrubou acidentalmente um caça F/A-18F Super Hornet e quase atingiu um segundo, durante operações de combate no Mar Vermelho, em dezembro de 2024.
O relatório de investigação, publicado nesta quinta-feira, descreve uma sucessão de falhas técnicas, problemas de coordenação e decisões equivocadas que culminaram no incidente de fogo amigo em uma das missões mais intensas da Marinha desde a Segunda Guerra Mundial.
O ataque inesperado
O Super Hornet, configurado como avião-tanque, se aproximava para pouso no porta-aviões USS Harry S. Truman quando a tripulação avistou um míssil Standard-2 vindo do Gettysburg. Inicialmente, a equipe acreditou tratar-se de uma interceptação contra drones ou mísseis Houthi, lançados contra o grupo-tarefa. Mas o míssil alterou sua trajetória e avançou diretamente contra o caça.
Sem saber que o Gettysburg havia identificado sua aeronave como um míssil de cruzeiro inimigo, piloto e oficial de sistemas ejetaram segundos antes do impacto. O caça explodiu no ar.
Instantes depois, um segundo Super Hornet que se preparava para pouso também foi engajado. A tripulação acelerou em pós-combustão e escapou por pouco: o míssil passou a poucos metros antes de cair no mar.

Problemas acumulados
A investigação aponta uma combinação de fatores:
- integração insuficiente entre o Gettysburg e o grupo-aeronaval: o cruzador operou com a força apenas 15% do tempo nos 45 dias anteriores;
- falhas em procedimentos e comunicação, incluindo ordens de cessar-fogo ignoradas ou não ouvidas;
- confusão no centro de informações de combate do navio, com interpretação errada da ameaça;
- sensores degradados no momento crítico;

O radar SPY-1 teve cobertura reduzida devido ao pouso de um helicóptero, enquanto a aeronave E-2D de alerta antecipado apresentava dificuldade de detecção.
Além disso, sistemas cruciais estavam instáveis:
- o Link 16, rede tática que compartilha dados entre navios e aeronaves, sofreu múltiplas interrupções;
- o sistema IFF, que distingue aeronaves amigas de inimigas, estava com falhas intermitentes;
Segundo o relatório, os operadores que estavam de serviço não sabiam que o IFF não estava funcionando corretamente.
Falhas sistêmicas
Os problemas identificados no Gettysburg também apareceram em outras unidades que participaram das operações intensas contra os Houthis.
A Marinha afirma já ter investido mais de US$ 55 milhões para corrigir deficiências no sistema de combate Aegis, incluindo atualizações de software. Também foram implementadas 15 iniciativas de retreinamento para equipes de combate.
Comando responsabilizado
Apesar de fatores externos e técnicos, a investigação conclui que a decisão de disparar foi equivocada. O comandante do Gettysburg, o capitão Justin Hodges, apresentava baixa consciência situacional e não recebeu suporte adequado de sua equipe.
Hodges foi afastado pouco mais de um mês depois e substituído por outro oficial. Os nomes dos responsáveis e eventuais punições foram ocultados nos relatórios públicos. Em coletiva, autoridades afirmaram que “ações de responsabilização foram tomadas”, mas que não veem obrigação de divulgá-las.
Operação sob pressão
O incidente ocorreu sete dias após a entrada no Mar Vermelho e poucas horas após o grupo-tarefa lançar seu primeiro ataque contra alvos Houthi no Iêmen. A resposta do grupo rebelde foi mais rápida e intensa que o esperado, com múltiplos drones e mísseis antinavio contra a frota.
O contexto de combate, a tensão constante e a falha de integração entre navios contribuíram para a escalada de erros.
Conclusão
O episódio evidenciado no relatório revela vulnerabilidades preocupantes:
- sensores essenciais apresentaram mau funcionamento
- procedimentos de identificação foram negligenciados
- decisões críticas foram tomadas com dados incompletos
- tripulações operavam sob pressão extrema
Embora nenhum tripulante tenha sido morto, a perda de um caça e o risco de um segundo ataque evidenciam desafios significativos enfrentados pela Marinha em cenários de guerra moderna, onde saturação de sensores, interoperabilidade e tomada de decisão rápida podem significar a diferença entre sucesso e desastre.■
FONTE: tmz.com

Esse cenário, nessas condições, vai ser estudado e treinado várias e várias vezes, pelo visto. Foi uma cagada épica.
O “problema” Leandro é comparar com o que ? Como um NAe e navios acompanhantes de outra nação – e são poucos os existentes – teriam se saído, dadas as mesmas condições ainda mais em uma região relativamente confinada e um tipo novo de ameaça que exige novas técnicas e armas para combater ? . Arrisco responder que pior ou impraticável, dado maior número de aeronaves, geração de surtidas, número de mísseis para defesa, maior capacidade de permanecer meses no mar com poucas visitas a portos amigos entre esse período, etc. . Os NAes da US Navy tem sido intensamente… Read more »
Não há com o que comparar, Dalton. É uma situação nova, mas temo que infelizmente não será a última vez que isso irá acontecer.
A lição é pegar todas as informações possíveis para compor cenários de treinamento, e as outras Marinhas ao redor do Mundo, tem que fazer o mesmo. Treinar variações de cenários assim, situações caóticas que precisam ser desembaralhadas para o cumprimento dos objetivos com o mínimo de perdas possível.
Não vejo outra maneira de proceder, Dalton.
E eles já estão “procedendo” Leandro, só para ter ideia caso não saiba o
USS Gerald Ford – um exemplo – que acabou não sendo necessário no Mar Vermelho além do aperfeiçoamento da doutrina que está passando de NAe para NAe teve pelo menos um de seus Arleigh Burkes de escolta o USS Bainbridge armado com o “Coyote” contra “drones”.
É o avanço inexorável de sempre. Um bom exemplo disso, e tenho certeza de que você já sabe, são os avanços em matéria de controle de avarias após a Batalha do Mar de Coral, que já foram utilizadas na Batalha de Midway e que foram adotadas por toda a USN. Salvo engano em um dos videos do Drachinifel sobre Guadalcanal, ele cita diversas passagens de after-action reports do oficial responsável pelo controle de interceptação e suas consequentes sugestões para melhorias no vetoramento dos caças para interceptarem incursões, etc. Tenho certeza que a prática de constante auto-avaliação continua até os dias… Read more »
Você “teme” por qual motivo ?!? Seria no contexto dos EUA terem dificuldade de projetar seu poder ? Isso pra nós é excelente, é uma lição que poderíamos tirar.
Temo porque isso significa que em algum lugar há um conflito ou guerra acontecendo. Achei que qualquer pessoa pensaria dessa forma, mas infelizmente tem sempre um para relativizar e botar política no meio.
“A paz é o intervalo entre duas guerras” . A guerra sempre haverá, e mais cedo ou mais tarde será a nossa vez. Da onde vc viu política no que escrevi antes ? É apenas realidade.
José, por mais que eu curta o assunto, goste de ficar inteirado e contribuir para o debate, e saiba muito bem do realismo político e histórico contido nele, nunca vou comemorar uma guerra. É sempre uma porcaria. Existe sempre uma esperança em que a gente possa tentar aprender um dia à viver em paz, mesmo que essa esperança seja coisa de 0,0001% do meu ser. Mas está lá. O Brasil já teve N oportunidades em que o foco dos EUA e de outros países se voltou para longe da AL. Última oportunidade foi com o governo George W. Bush (o… Read more »
Complementando o que você disse, o problema é que o Brasil não sabe o que quer. Quer ser líder de onde?? América do Sul?? Latina, se engajar de forma global?? Parece que sempre temos interesses disfuncionais e sem um rumo que pareça lógico.
E em qualquer dessas opções, as F.A precisam ter um certo protagonismo.
Esse é um dos maiores problemas, o Brasil não possui objetivo estratégico de Estado, mais conhecido como “não sabe o que quer” . Outro erro pra mim é que não elegemos os Estados que podem/são ameaças, ao menos em segredo teríamos que fazer isso.
José e Deadeye, eu bato nessa tecla tem anos. Não temos um plano de desenvolvimento de longo prazo, um plano de Estado, apartidário, com metas de desenvolvimento, etc. Ou seja, “não sabemos o que queremos ser quando crescer.” Conforme esses objetivos forem sendo alcançados, a projeção internacional do país cresce naturalmente. E isso faz com que os potenciais adversários apareçam de forma bem mais clara, possibilitando um dimensionamento e, principalmente, direcionamento nas aquisições e desenvolvimentos militares do Brasil. Isso não acontece da noite para o dia. É coisa de décadas, e geralmente é resultado de desenvolvimento econômico. Literalmente o Mundo… Read more »
E novamente complementando. Parece que vamos continuar um bom tempo nesse ciclo….
É igual quando fomos pegos de surpresa com a questão do Diesel importado da Rússia.
O próprio Amorim disse que precisamos começar a mapear riscos de importações. Eu pensei: Nós ainda não temos?
Por que para mim isso é o básico.
Essa do diesel eu não entendi muito bem o que vc quis dizer.
Lembra do que falei esses dias que o Maduro não tinha juízo e deveria investir em drones e mísseis balísticos anti-navio ? Pois é, taí, e esse grupo sequer é um Estado, são analfabetos de sandálias apoiados pelo Irã. Mete uma saturação, mesmo que de meios baratos e o caldo entorna.
Para azar de Maduro, ele está próximo demais da USAF, não dá para comparar um solitário NAe e uns poucos combatentes de superfície operando em uma área confinada – Mar Vermelho – sem grandes interesses de escalar o conflito na região nem mesmo meios em número suficiente para apoio. . Os Houthis também foram severamente atingidos na infraestrutura e não conseguiram deter a guerra em Gaza. . A Venezuela é uma situação bem diferente e a menos que tenha um forte “patrocinador” comprometido de fato com o regime todos estes “drones” e “mísseis” que não foram comprados por “falta de… Read more »
Assim como Maduro “está próximo demais da USAF” Miami tbm fica ao alcance de um Shahed…
Ora, quem diria! Sistemas saturados por chineludos.
É brincadeira sua ou desonestidade intelectual mesmo?
Chamar de “chineludos” uns terroristas que têm mísseis balísticos com 2000 km de alcance é meio “exótico”.
Não é por nada. Porem varias pessoas aqui estavam rebaixando os Houthis.
Sim! Os antiamericanos de carteirinha (esquerdolas) no processo de menosprezarem os EUA e seus aliados ( no caso , a Arábia Saudita) inventaram essa de “chineludos”.
Só mais do mesmo. Sempre apoiarão terroristas e ditadores quando não estiverem vendo o Mickey e a Minnie ou vendo a Netflix.
É que Desculpa, no caso da Arábia Saudita não dá para defender, são incompetentes mesmo.
apesar de terem um BM são chineludos sim Bosco, tem uma boa parte deles que lutam de chinelos mesmo, sem equipamento bom,
Chineludos em ação… 🙂

O pior que eu tenho uma sandália assim, é confortável. Ainda mais no calor. Deve ser por isso.
Também pensei nisso.
Aconselho eles a se equiparem melhor caso decidam continuar a afundar navios e atacarem Israel.
nem precisa, todos os ataques que Israel faz, nem o colete mais caro protegeria kkkkkk viram tudo quibe kkkk
Cadê a saturação? a investigação mostrou falhas nos sensores, e não que um ataque de saturação ocasionou o erro
Off-topic, mas:
AIR RAID ON PEARL HARBOUR, THIS IS NOT DRILL!!!
O IFF falhou miseravelmente e o link 16 idem. Mas antes dos meios navais entrarem no TO, estes sistemas não tem de passar por testes intensos e correções/ atualizações de software obrigatoriamente ? Se passaram por testes, e apresentavam falhas mesmo assim, a operação deveria ter sido adiada, até que as falhas fossem corrigidas. Sabia – se que o TO em causa era muito intenso/ congestionado/ com ataques em enxame de drones e misseis, e exigiria o máximo dos sistemas, mesmo porque operariam próximos da saturação. Motivo mais do que suficiente para testar e corrigir as falhas de forma absolutamente… Read more »
Provavel que o comando supôs que os Houtis, por não possuirem sistemas sofisticados de contra medidas eletrônicas/ eletromagneticas, ou despiste, tornaria o serviço mais fácil e menos arriscado para a FT, mesmo que os sistemas não estivessem 100% operacionais. Deu no que deu.
Pela descrição do evento, no momento dos erros cometidos não havia um ataque dos Houtis. Portanto, apesar da pressão não havia múltiplos alvos. É um cenário novo, mas previsto em treinamento que é o ataque de saturação, que no momento não ocorria. O erros humanos foram basicamente falta de treinamento ou mal feito (os operadores não sabiam que o IFF estava intermitente). Que deve ser corrigido. Mas o que mais me estranhou foi a quantidade de falhas de equipamento. Aegis degradado (55 milhões de dólares para corrigir erros, não para melhorar), sistema IFF, link 16, E2, todos tiveram problemas ao… Read more »
Mesmo assim, nenhum dos 3 Super Hornets foi abatido pelos Houthis – embora haja quem acredite que foram – o último perdido por conta de falha no maquinário de retenção de aviões ocorreu na altura de 7,5 meses de desdobramento quando o “ideal” é de no máximo 7 meses enfatizando ainda mais o desgaste. . Quanto ao “Gettysburg” foi entregue em 2023 após 8 anos de revitalização feita a conta gotas para estender a vida até 2028, possivelmente teria sido melhor um Arleigh Burke IIA mais atualizado, para “Navio Comandante da Defesa Aérea”, como se passou a fazer pela falta… Read more »
Aproveitando o gancho:
Vc viu que o DDG 95 é o segundo AB com o SEWIP BLOCK 3 depois do DDG 91?
O próximo será o DDG 93.
O “93” está quase pronto e o “97” uns poucos meses atrás agora é aguardar
a segunda e mais ambiciosa fase para estas 4 unidades que eventualmente
abrangerá 20 da versão IIA.
Impressionante mesmo, já uma fragata Dinamarquesa, no mesmo cenário e debaixo de ataque Houti, também teve falhas catastróficas de sessores e mísseis, parece o triângulo das Bermudas militar.
Todos falham. Não importa a origem.
Caraca, que cagada federal, brabo foi o piloto do segundo F-18, se não tinha ido de arrasta pra baixo. Imagino que isso deve ter feito alguém perder o posto…
O famoso fogo amigo !!!
e agora ?!
falha do equipamento ?!
falha humana ?!
ou ambos ?!👀🤷♂️
“A resposta do grupo rebelde foi mais rápida e intensa que o esperado, com múltiplos drones e mísseis antinavio contra a frota.”
isso que foi contra um grupo rebelde, agora imagina numa guerra simétrica com saturação e EW .
Foi justamente a ideia de que o TO envolvia um inimigo assimétrico, possivelmente contribuiu com o desastre, porque mesmo que sistemas vitais como IFF e link 16 estivessem com intermitência e falhas recorrentes, foram em frente com as operações. Se o TO envolvesse inimigos simétricos ( China por Ex) jamais entrariam em combate, com estes sistemas apresentando falhas. Prepotência é que chama.
Fizeram toda essa bobagem lutando contra um grupo guerrilheiro??? Imagine o que farão se inventarem de lutar contra os russos ou os chineses… A propósito, pelo menos desta vez não atiraram contra um Airbus civil lotado.
Essa é uma maneira legítima de pensar o ocorrido .
Outra seria estimarmos o tanto de bobagens que a Rússia e a China fariam quando lutarem contra os EUA.
fariam = farão
A bem da verdade já sabemos como os russos se portam sob ataque naval.
Foi uma lambança enorme, e mostra que a USNAVY precisa de uma atualização no treinamento, além de rever seu IFF e Link16 pois atuar com eles falhando vai ter fogo amigo mais vezes. ainda bem que ninguém morreu
Off topic:
Há 84 anos os japoneses atacaram a base naval americana de Pearl Harbor, no Havaí.
Nunca são os adversários, os navy seals nunca perdem.Isso foi os Houtis com um missil ou drone iraniano
Quem quiser acreditar continua.
Mas veja a lista de aeronave perdida contra o houthi, eles já bateram dezenas de meios aéreo e sempre é divulgado como acidente.
Agora me diga tu acha possível o IFF falhar assim?
Se isso acontece na maior e melhor marinha do mundo, contando com mais recursos que o nosso GTE da FAB, imagine o Brasil se metendo em qualquer conflito armado, por mínimo que seja, nossas FFAA não são feitas pra guerra, isso é fato.
Pensei que fogo amigo fosse exclusividade russa.
Uma coisa que admiro nos americanos é a transparência, resiliência e capacidade de superação. Eles analisam os casos, botam os dedos na ferida e usam a transparência para garantir que isso não vá para baixo do pano, como é bem comum em outras forças mundo afora.
Desleixo, incompetência e baixo nível de instrução/treinamento.