Marinha dos EUA escolhe navio de desembarque LST-100 do Damen Group para o USMC

Em anúncio no dia 5 de dezembro, a United States Navy (US Navy) e a United States Marine Corps (USMC) confirmaram a seleção do projeto do navio de desembarque LST-100, da empresa holandesa Damen Group, para servir de base ao novo programa de navios de desembarque de média capacidade (Medium Landing Ship – LSM).

Segundo o John C. Phelan, Secretário da Marinha dos EUA, a escolha foi comunicada via vídeo oficial, e representará “um passo decisivo para dotar o Corpo de Fuzileiros Navais com conectores ágeis e sobreviváveis” — especialmente para operações anfíbias em zonas litorâneas contestadas.

O que é o LST-100

O LST-100 é um navio de cerca de 100 metros de comprimento, com deslocamento em torno de 4.000 toneladas, projetado para transportar tropas, veículos e equipamentos. Ele possui rampa de proa para desembarque em praias, rampa de popa para operações em portos, guindaste a bordo e convés para helicópteros — características que garantem flexibilidade logística e capacidade de operar em ambientes sem infraestrutura portuária.

Com alcance estimado em mais de 3.400 milhas náuticas, o navio é capaz de transportar carga significativa e realizar desembarques em regiões remotas, cumprindo missões de mobilidade, logística, apoio anfíbio e implantação rápida de forças em cenários de crise.

 

Por que foi escolhido

Fontes oficiais indicam que o programa de LSM foi reestruturado após sucessivos atrasos e complexidade excessiva em versões anteriores. A opção por um design “off-the-shelf” (prateleira) — já existente no mercado — visou reduzir riscos de desenvolvimento, agilizar a produção e garantir rapidez no reabastecimento da frota.

Para os fuzileiros navais, o LST-100 preenche uma lacuna crítica entre os grandes navios anfíbios modernos e as pequenas lanchas de desembarque, combinando mobilidade, autonomia e versatilidade em operações distribuídas, especialmente em ambientes costeiros ou em mar aberto com infraestrutura limitada.

O plano atual prevê a construção de até 35 unidades da classe LSM baseada no LST-100 — com os primeiros exemplares da nova classe devendo começar a ser entregues antes do fim da década. A construção será realizada por estaleiros dos EUA, a partir do projeto básico fornecido pela Damen.

A estratégia representa uma mudança no modelo naval dos EUA: ao priorizar navios menores, mais baratos e de entrada rápida em serviço, a US Navy e o USMC buscam maior agilidade, dispersão e resiliência para futuras operações anfíbias, especialmente no Indo-Pacífico — onde a geografia e a dispersão insular impõem novos desafios para a projeção de força.■


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Camargoer.

Excelente escolha

Agora é só mudar o projeto, mudar o desenho da torre de sensores, mudar o tamanho, mudar o sistema de propulsão, revisar a capacidade de carga, mudar o sistema de controle e integrar outros sistemas de armas e de comunicação.

Alex Barreto Cypriano

Se mudar muito vai ser outro navio – como vimos nas tristes fragatas Constellation. Aliás, conforme lemos no artigo de Trevichik pro TWZ, (aqui: https://www.twz.com/sea/this-will-be-the-navys-new-medium-landing-ship ) parece que é exatamente o que vai acontecer com o LSM sob a estratégia de non-developmental build-to-print approach: novamente pegam (compram os direitos de) um design europeu, métrico, de marinha regional e vão tentar adapta-lo ao padrão imperial/inglês (polegadas e pés) e ao Buy American Act e padrões de sobrevivencialidade de marinha global (a USNavy). Não bastam Phelan, Smith e Caudle co-estrelando o anúncio porque sabemos que a treta (diferença de requerimentos prioritários entre… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano

Vou me corrigir grafando corretamente o nome do articulista do TWZ: (Joseph) Trevithick. Desculpem o descuido.

José Gregório

Bem por aí.

J R

Pensei o mesmo, vão querer mudar tanta coisa, que no fim, vão gastar rios de dinheiro pra ter um navio menos capaz.

Dalton

Trata-se de um navio mais simples para tarefa mais simples, então, não haverá muita mudança, diferente de um combatente de superfície como uma grande fragata que seria adotado com base em uma italiana para uso principalmente no Pacífico.
.
Na década de 1990, 12 caça minas da classe Osprey foram entregues à US Navy baseados na classe italiana Lerici , poucas modificações foram necessárias e 6 deles
continuam ativos em 3 marinhas, então já houve pelo menos um precedente.

Alex Barreto Cypriano

O erro já vem de cima, da fala de Phelan que inverte os números:
“Secretary Phelan says in today’s video. ‘Last month, with the concurrence of the Commandant [of the Marine Corps] and the Chief of Naval Operations, I approved the LSM design selection [of] the LST-100 landing ship transport, a roughly 4,000-ton ship with a range of more than 3,400 nautical miles (…)”.
O correto, segundo a Damen, é 3.400 toneladas e mais de 4.000 milhas náuticas de alcance.
I have a bad feeling about It.

Esteves

Vamos ao cenário. América do Sul. Why? Área onde os EUA executam mais operações anfíbias de baixa intensidade. Grande demanda por “apoio humanitário”, principalmente no Caribe. Próxima dos EUA → custos menores → encaixa no perfil “barato e robusto”. O Comando Sul (SOUTHCOM) e o USMC têm buscado navios mais simples para ações que não exigem um LHD ou LSD. O LST-100 para o USMC será um navio de presença, logística e “ajuda humanitária”, não um combatente de primeira linha. O calado raso (menos de 3 m) permite ao LST-100 encostar em praias ou rampas parcialmente destruídas — onde um… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Mas o cenário declarado não é esse. Claro que pode ser, também. Possivelmente será.

José Gregório

Ou seja, tem focinho de coelho, bigode de coelho, pata de coelho, rabo de coelho, mas é um jacaré?

Alex Barreto Cypriano

Veja um ornitorrinco…

ATR

Excelente para a MB, daqui há uns 40 anos poderá comprar um ou dois navios semi-velhos para nossa esquadra.

Obs.: 35 unidades de um navio de desembarque já é mais do que a frota da MB inteira.

Fábio CDC

O cara fala a pura verdade cristalina e a turma deslaika com vontade…

curioso

A Marinha está anunciando ao mesmo tempo a aposentadoria do NDCC Mattoso Maia, segundo notícia deste site um velho LST classe Newport remanescente do tempo em que a MB e a FAB dependiam de equipamentos americanos de segunda mão para funcionar.

Este holandês-abicador compartilha a sigla com o veterano que se aposenta. Fazem o mesmo trabalho. Quantas gerações de LSTs separam os dois, pergunto aos caros foristas que seguen de perto as àrvores genealógicas de barcos & belonaves?

Last edited 2 meses atrás by curioso
Dalton

O “Mattoso Maia” foi retirado de serviço oficialmente dois anos atrás, porém passou cerca de 10 anos indisponível antes disso em uma tentativa de revive-lo.
.
“Nessa época”, muitas marinhas dependiam dos EUA por conta do grande número de
navios na reserva, os franceses por exemplo adquiriam um “LPD” da US Navy da época da II Guerra e através dele adquiriram conhecimento repassado para os que vieram a ser construídos localmente em pequena quantidade para uso próprio.

Alex Barreto Cypriano

Existem apenas duas gerações (na América) entre os LSTs, landing ship tank, da IIGM, naqueles anos 1.000 deles foram construídos em 20 estaleiros com 650 mil funcionários, levando de 2 e 4 meses entre o Keel laying e o comissionamento, e o novo LST (antes LSM, landing ship medium, e primariamente LAW, light amphibious warship): o LST classe Newport (USNavy, duas variantes) e o LSV (logistic support vessel) classe Frank L. Besson (USArmy, duas variantes). O último LST classe Newport da USN foi descomissionado em 2.002. Dois classe Frank L. Besson, de ambas as variantes, foram empregados numa operação de… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Alex Barreto Cypriano
Alexandre Galante

Valeu pela dica, xará!

Alex Barreto Cypriano

Corrigindo:
1- onde se lê ‘Frank L. Besson’, leia-se ‘Frank S. Besson’;
2- onde se lê ‘eles não podem baixar’ leia-se ‘eles não podem abicar’.
Grato.

Dalton

“Em algum ponto da história os EUA decidiram que os grandes navios anfíbios, tipo LHD-LHA e LPD…” . Você esqueceu Alex de outro “grande navio anfíbio “o tipo “LSD” o primeiro dos quais o USS Ashland – tenho um modelo em metal dele – foi incorporado em 1943 que serviu até 1969 existindo outro com esse nome pertencente a classe Whidbey Island em serviço atualmente. . Então paralelo ao “LST” existiu o “LSD” – o “LPD” viria mais tarde – que não podia “abicar” mas foi julgado extremamente necessário ter um navio com doca para transportar embarcações e veículos anfíbios.… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Sim, mestre Dalton. A MB teve alguns LSD (landing ship dock ou NDD navio desembarque doca) classe Thomaston. A classe Thomaston foi precedida pela classe Casa Grande e foi sucedida pela classe Anchorage (depois dessa vieram os Whidbey Island e Harpers Ferry). A MB também teve alguns LSTs (landing ship tank ou NDCC navio desembarque carro de combate) classes Newport e Round Table (essa, inglesa). Atualmente a MB tem grandes navios anfíbios multi propósito das classes Foudre (o NDM Bahia) e Albion (o futuro NDM Oiapoque).

Alex Barreto Cypriano

Parece que existiram mais duas classes de LST entre a IIGM e os Newport e Frank S. Besson não registrados no texto de Phillips: as classes Terrebone-Parish, do início dos 1950, e De Soto Country, do fim dos 1950. Confira, aqui:
https://www.uslst.org/history
Deixo aqui o registro em correção e complemento a resposta pro curioso.

Last edited 2 meses atrás by Alex Barreto Cypriano
Raphael

Há dois anos, foi publicado um artigo elaborado no Brasil que indicava esta tomada de decisão:
“AN OUTRANKING ELECTRE-BASED MODELING FOR SETTING THE NAVAL CORE COMPONENTS OF AN AMPHIBIOUS TASK FORCE”.
Pode ser encontrado: https://doi.org/10.1590/0101-7438.2023.043.00262058

Aos que tiverem interesse.