Destróieres Type 42 na Armada Argentina: o fim da história
O ARA Hercules na Grã-Bretanha, sem as cúpulas que cobrem as antenas de radar 909
Os dois destróieres da classe Sheffield operados pela Armada Argentina foram os únicos do seu tipo utilizados fora da Royal Navy. A recente desativação do ARA Hércules marcou o fim dessa classe no mundo
Por Santiago Rivas
www.pucara.org
A Armada Argentina contou por mais de 40 anos com dois destróieres Type 42 Classe Sheffield, denominados ARA “Santísima Trinidad” (D-2) e ARA “Hércules” (originalmente D-28, depois D-1 e B-52).
O início da classe Tipo 42 na Argentina
Em 1º de março de 1969, a Armada Argentina assinou um contrato para a aquisição de um destróier Type 42 a ser construído pelo estaleiro Vickers Ltd, em Barrow-in-Furness, bem como para o fornecimento de tecnologia e materiais necessários para a construção de outro navio similar nos Astilleros y Fábricas Navales del Estado (AFNE, hoje Astillero Río Santiago).
O contrato foi aprovado em 15 de abril daquele ano pelo decreto nº 7796. O navio a ser construído na Grã-Bretanha seria o número dois da classe e foi batizado como ARA “Hércules” (D-28), enquanto o fabricado na Argentina recebeu o nome ARA “Santísima Trinidad” (D-29). Dessa forma, a Argentina se tornaria, depois do Reino Unido, o único país do mundo a construir e operar navios do Tipo 42, equipados com o então moderno míssil antiaéreo de longo alcance Sea Dart.
Em 18 de maio de 1970, o contrato foi finalmente aprovado, mas os trabalhos se atrasaram quando, prestes a ser lançado ao mar o primeiro navio da série, o HMS “Sheffield” (D80), no início de 1971, ocorreu um incêndio no estaleiro Vickers que causou danos importantes na popa da embarcação. Como a Rainha da Inglaterra visitaria o local poucos dias depois para a cerimônia de batismo, as autoridades navais argentinas permitiram que a popa do “Hércules”, então em construção, fosse instalada no “Sheffield”.


Ninguém imaginaria que, onze anos depois, a Guerra das Malvinas os colocaria frente a frente, tendo como resultado o afundamento deste último após o impacto de um míssil AM-39 Exocet lançado por um avião Super Étendard do Comando da Aviação Naval Argentina, em 4 de maio de 1982. Além disso, este não seria o último grave incidente envolvendo navios dessa classe, já que, durante a mesma guerra, também foi afundado o HMS “Coventry”, em 25 de maio, por bombas convencionais lançadas por um Douglas A-4B Skyhawk da Força Aérea Argentina, enquanto o HMS “Glasgow” foi posto fora de combate pelos Skyhawk em 12 de maio.
Por fim, a quilha do ARA “Hércules” foi batida em 10 de junho de 1971 e ele foi lançado ao mar em 20 de outubro de 1972, sendo aceito pela Armada Argentina em 10 de maio de 1976 e oficialmente incorporado em 12 de julho do mesmo ano. Embora durante os testes tenha recebido a designação D-28, esta foi posteriormente alterada para D-1. O navio partiu de Portsmouth após o seu alistamento, chegando a Buenos Aires em 28 de junho de 1977, após escalas em Las Palmas e no Rio de Janeiro, e posteriormente chegou à Base Naval Puerto Belgrano, que seria sua base em toda a carreira operacional, em 17 de setembro, integrando a Frota do Mar dois dias depois. Em 5 de novembro, iniciou seus primeiros exercícios com o restante da frota.
O ARA “Hércules” representou um enorme salto nas capacidades da Armada Argentina, sendo o primeiro navio incorporado projetado para lançar mísseis, além de acrescentar importantíssimas capacidades antiaéreas para a proteção dos demais navios da frota, tanto pelo seu radar Tipo 965 de vigilância e os dois Tipo 909 de controle de tiro, quanto pelo seu sistema de mísseis antiaéreos Sea Dart de 40 km de alcance, associados aos radares 909, formando o denominado GWS-30. O navio podia transportar até 22 mísseis em sua baía de armas na proa.

Embora os Type 42 britânicos fossem navios principalmente antiaéreos, na Argentina decidiu-se que também cumpririam missões antissuperfície, de modo que, no início da década de 1980, o ARA “Hércules” recebeu dois lançadores de mísseis MM38 Exocet no teto do hangar. Pouco tempo depois, no entanto, o navio foi modificado: retiraram-se os dois botes (um de cada bordo) e seus turcos, ampliando-se o primeiro convés à altura da chaminé para a instalação de dois lançadores de cada lado. No caso do “Santísima Trinidad”, desde o projeto não foram instalados botes, o que teria permitido a colocação de quatro Exocet de maneira semelhante ao seu navio-irmão — algo que nunca ocorreu.
Quando ocorreu a crise com o Chile em dezembro de 1978 na região do Canal de Beagle, o ARA “Hércules” foi destacado junto com o porta-aviões ARA “25 de Mayo” dentro do Grupo de Tarefas 2, para apoiar as forças que ocupariam as ilhas Lennox, Nueva e Picton, que estavam em disputa. Porém, a operação foi cancelada graças à intervenção papal no final daquele mês.

Durante a construção do ARA “Santísima Trinidad” (designado D-2), em 22 de agosto de 1975, enquanto estava em fase de alistamento no Astillero Río Santiago, um especialista em mergulho e explosivos pertencente ao Grupo Especial de Combate da organização terrorista Montoneros — que naquela época atuava intensamente no país — aproximou-se do cais do estaleiro em uma operação subaquática e fixou em um pilar do cais de alistamento uma carga de 80 kg de gelamon. A carga foi detonada a menos de um metro do costado de boreste, provocando uma ruptura de seis metros de comprimento por três de altura, que fez com que o navio afundasse.
Embora tenha sido reflutuado e posteriormente concluído, os danos foram tão severos que suas capacidades ficaram sensivelmente comprometidas durante toda a sua carreira operacional. Isso atrasou a conclusão do navio, que só iniciou as provas de mar em 29 de novembro de 1980 e, após concluídas, em 1º de abril de 1981 partiu da Base Naval Puerto Belgrano rumo à Base Naval de Portsmouth, na Inglaterra, para a calibração de seus sensores e sistemas de armas, realizando escalas no Rio de Janeiro e em Puerto de la Luz.
Lá foi possível ver o ARA “Santísima Trinidad” atracado ao lado do seu navio-irmão HMS Newcastle e, durante os testes, foram realizados disparos com seu armamento, incluindo o lançamento de um míssil Sea Dart. Concluídos com sucesso, em 28 de novembro daquele ano, zarpou de volta para a Argentina, chegando a Puerto Belgrano em 21 de dezembro.

Tipo 42 argentinos na Guerra das Malvinas
Devido à capacidade interna e às boas prestações dos destróieres dessa classe, o ARA “Santísima Trinidad” (D-2) foi utilizado para transportar e desembarcar nas Malvinas cerca de 100 homens da Agrupação de Comandos Anfíbios da Infantaria de Marinha, antes da meia-noite de 1º de abril de 1982, para realizar o ataque ao quartel dos Royal Marines em Moody Brook e à Casa do Governador, como primeiras ações da recuperação das ilhas, que se concretizaria no dia seguinte. Depois de desembarcar o pessoal em botes, o navio permaneceu na área para fornecer fogo naval de apoio caso fosse necessário às unidades desembarcadas. Isso foi o início da “Operação Rosário”, que tinha como objetivo a recuperação das Ilhas Malvinas, alcançada sem causar baixas inglesas, conforme havia sido planejado.
Por sua vez, o ARA “Hércules” permaneceu próximo às ilhas, iniciando às 4h00 da manhã de 2 de abril suas operações, começando o reconhecimento de Puerto Groussac às 4h35. Concluído esse reconhecimento sem encontrar atividade inimiga, foi informado que a área estava livre para a entrada da corveta ARA Drummond, seguida do navio de desembarque ARA “Cabo San Antonio”, com o grosso da força de desembarque.


O ARA “Santísima Trinidad” integrava a Força-Tarefa 40.3 junto ao seu navio-irmão ARA “Hércules” e às corvetas ARA “Drummond” e ARA “Granville”. Durante as operações de 1º e 2 de maio, quando se planejava realizar um ataque contra a frota britânica, ambos os navios escoltaram o porta-aviões ARA “25 de Mayo” e estiveram perto de abater um avião britânico Sea Harrier que se aproximou da força-tarefa na noite de 1º para 2 de maio, enquanto seguia um avião Grumman S-2E Tracker que realizava reconhecimento em busca da frota britânica. O Sea Harrier foi iluminado pelo radar de controle de tiro do sistema Sea Dart do ARA “Hércules”, o que levou seu piloto a se afastar imediatamente.
A partir de 16 de abril, passou a integrar o Grupo de Tarefas 79.1, escoltando o porta-aviões, embora no início de maio tenha sido obrigado a retornar à sua base habitual devido a avarias em um eixo de hélice. Depois de reparado, integrou o Grupo de Tarefas 79.2, composto pelo ARA “Hércules”, os destróieres ARA “Seguí” e ARA “Py”, junto ao navio-tanque da YPF “Campo Durán”, que a partir de 12 de maio passou a navegar até o final do conflito pelo litoral Atlântico, de onde poderia ser lançado um ataque surpresa, caso surgisse uma oportunidade — o que nunca aconteceu.

Depois da guerra

Devido aos danos sofridos pelo ataque terrorista e ao bloqueio britânico após a Guerra das Malvinas, que dificultou muito a obtenção de peças de reposição, em 1989 o ARA “Santísima Trinidad” deixou de navegar, tendo muitas peças retiradas em favor do seu navio-irmão “Hércules”.
Como as capacidades de ambos os navios haviam ficado sensivelmente reduzidas pelo bloqueio britânico e diante da plena operacionalidade dos quatro destróieres do tipo MEKO 360, em 15 de julho de 1994 ambos os navios foram desativados da Primeira Divisão de Destróieres e passaram a depender do Comando Naval Anfíbio, com sede na Base Naval Puerto Belgrano, Bahía Blanca, Província de Buenos Aires.
Enquanto isso, o ARA “Santísima Trinidad” passou à condição de reserva e, em 20 de dezembro de 2004, foi oficialmente retirado de serviço, planejando-se convertê-lo em navio-museu. Contudo, a embarcação acabou ficando em estado de abandono, o que levou a que, em 21 de janeiro de 2013, virasse e afundasse no cais. Em 2015 foi reflutuado e levado ao dique para analisar sua possível recuperação, a qual foi descartada devido ao enorme dano sofrido. Desde então aguarda seu destino final na Base Naval Puerto Belgrano. Enquanto eram consideradas as opções de desmonte ou afundamento para formação de arrecifes artificiais, foram apresentadas ações na justiça solicitando que fosse mantida a ideia de convertê-lo em museu — algo praticamente impossível —, o que acabou retardando a decisão final.
Após passar ao Comando Naval Anfíbio, começou-se a planejar a conversão do ARA “Hércules” em um navio de apoio às operações anfíbias, levando em conta o que havia sido realizado pelo ARA “Santísima Trinidad” na Operação Rosário.
Modificação do ARA “Hércules”

Com a chegada dos mais modernos destróieres da classe MEKO 360 e diante do investimento injustificável em sua modernização — sobretudo considerando a impossibilidade de utilizar os mísseis Sea Dart, cujo último lançamento ocorreu em dezembro de 1992 — somado à antiguidade do navio, a partir de 1999 a Armada Argentina converteu o “Hércules” em um transporte rápido multipropósito (TRHE).
Ele passou a ter capacidade para transportar uma companhia reforçada de fuzileiros navais com todo o seu equipamento, recebeu um convés de voo ampliado para que pudessem operar dois helicópteros do tipo Sea King ou equivalentes, além de um hangar com capacidade para abrigá-los. Para este último ponto, foi necessário remover o radar 909 de popa, embora posteriormente também tenha sido retirado o de proa, instalando-se o posto de comando da Infantaria de Marinha no local onde anteriormente estavam seus equipamentos. Ao deixar de ser considerado destróier, o navio recebeu a designação B-52.
Por razões de intercâmbio comercial e acordos políticos (não por falta de capacidade técnica), após os devidos estudos, foram contratados os trabalhos de modificação do hangar e do convés de voo com o estaleiro ASMAR, em Valparaíso, Chile, que já possuía experiência com a modificação dos destróieres da Classe “County” que o Chile tinha em serviço. Concluídos os trabalhos no ano 2000, a empresa argentina INVAP construiu as portas do hangar e as instalou na Base Naval Puerto Belgrano, enquanto foi modificado o sistema de movimentação convés de voo–hangar para os helicópteros, devido ao fato de os Sea King terem uma configuração de rodas diferente da dos Sea Lynx, para os quais o sistema havia sido originalmente projetado. Assim, o navio retornou ao serviço em 2004.

Posteriormente, em 2009, procedeu-se ao desmonte do sistema de mísseis Sea Dart que, com todo o seu equipamento completo (incluindo recarga e estiva), pesava 60 toneladas; o paiol de mísseis passou então a ser utilizado como alojamento para fuzileiros. Por outro lado, embora estivesse previsto retirar as camas para instalar os contêineres/lançadores dos Exocet, convertendo a área em passarela para os botes infláveis de desembarque Zodiac Mk-3 e Mk-5, isso não foi realizado.
Os botes acabaram sendo instalados mais à ré, com duas gruas manuais para seu arriamento, além de outras gruas à frente da ponte de comando para transportar mais botes, descartando a grua articulada inicialmente planejada, entre outras modificações. No total, podia transportar dois botes por bordo e entre três e seis na proa, além de outros no convés de voo e hangar, caso necessário.
Em relação ao armamento, manteve o canhão Vickers Mk-8 de 114 mm, os dois canhões Oerlikon Mk II de 20 mm, juntamente com duas metralhadoras Browning M-2 de 12,7 mm nos alerões da ponte. Como armamento antissubmarino, manteve o lançador de cargas de profundidade e previa-se a realocação dos dois montantes triplos de torpedos A/S, o que finalmente não foi feito.

Somada aos quatro lançadores de mísseis MM-38 Exocet, a capacidade de combate antissuperfície foi incrementada quando a Armada Argentina modificou seus helicópteros Agusta AS-61 Sea King para permitir o lançamento de mísseis AM-39 Exocet.
Nos anos seguintes, o navio foi empregado em operações de treinamento e adestramento com a Infantaria de Marinha, embora a operação com os botes fosse extremamente complicada e lenta, evidenciando que não possuía utilidade além de operações especiais e treinamento.
Além disso, sendo o único de sua classe no mundo após a retirada do HMS “Edinburgh” em 2013 e sem que fosse possível obter mais nada do ARA “Santísima Trinidad”, na segunda metade da década passada tornou-se cada vez mais difícil mantê-lo operacional; assim, em 2017 deixou de navegar, passando posteriormente à condição de reserva.
Finalmente, em 2020 decidiu-se sua baixa definitiva, embora isso só tenha sido efetivamente realizado em 22 de março de 2024, aguardando-se agora a decisão sobre o destino final do navio, que poderá ser o desmonte ou seu afundamento.■









Me lembro desses 2 navios atracado um a contrabordo do outro quando atracamos em Puerto Belgrano por ocasião da realização da Fraterno na Argentina.
Nessa época já estava servindo na F44 idos do ano 2000 e ela ainda não estava modernizada. No ano seguinte foi retirada do ciclo operacional para realização PMG/Modfrag ficando cerca de 7 anos inativa.
Os caras ainda querem transformar em museu um navio que afundou duas vezes? Talvez uma sugestão que atenda aos dois seja transformá-lo em um museu submerso: Afundá-lo de forma controlada em um local de águas relativamente rasas que permita a visita por mergulhadores.
Pensei a mesma coisa,
Até reli o texto para ter certeza sobre isso.
Talvez esta seja a razão.. um navio que afunda 2 vezes e volta a flutura merece virar peçar de museu pela resiliência.
E aqui vemos o exemplo da Geopolítica, antes da invasão de 1982 os Britânicos praticamente não se importavam com a disputa da ilha, no qual vendiam até mesmo armas avançadas para os Argentinos.
Havia um negociação diplomática avançada para a retornar as Malvinas para a Argentina. A década de 70 foi caracterizadas pela descolonização britânica.
Sem a guerra, acredito que os argentinos teriam a posse da ilha em poucos anos.
O governo Margaret Thatcher estava passando por uma crise econômica e política e tinha risco até de cair e tinha gente no governo que considerava muito caro manter as Falklands e defendiam entregá-las aos argentinos, para quem desconhece anos depois os ingleses entregaram Hong Kong aos chineses só com negociações diplomáticas, mas a invasão argentina mudou tudo, o governo da Thatcher se fortaleceu, enfrentou e venceu os argentinos e agora depois do sangue derramado fica difícil uma solução diplomática no curto prazo, só muito depois dessa geração que lutou e da geração de seus filhos e netos morrerem é que… Read more »
Hong Kong foi entregue em cumprimento de um tratado havido 100 anos antes, em que a China entregou a posse do lugar por 99 anos. Não tinha negociação nenhuma, a Inglaterra cumpriu o que já estava determinado.
A mesma coisa com Macau. Ambos eram uma “leasing”
Fabio, A décade de 70 foi caracaterizada por um grande movimento de descolonização em todo o mundo, incluindo o sudeste asiático, África, Oceania e América do Sul e Caribe. A posse das Malvinas vinha sendo negociada há bastante tempo pela diplomacia dos dois países e com apoio de outros países, como Brasil e EUA. Era um conseso que os territórios coloniais deveriam se tornar independentes ou incorporados aos países locais. Os militares argentinos fizeram uma lambança. Acredito que as Malvinas serão devolvidas para a Argentina em algum momento incerto no futuro, que vai depender de uma nova configuração de forças… Read more »
A questão é que os territórios coloniais tinham população local que ansiavam por sua independência, eram povos que no passado já foram independentes, viveram no local ao longo da história por séculos ou até milênios, já no caso das Malvinas não existe e nunca existiu essa população nativa, a população que existe no arquipélago são em sua maioria descendentes de colonos escoceses e o que vai acontecer com eles? Vão ser expulsos e substituídos por argentinos? Vão virar argentinos da noite para o dia? Essa população local que esta lá a quase 200 anos, os primeiros colonos chegaram em 1833,… Read more »
Fica tranquilo, o Brasil não vai ganhar nada nessa nova “onda de descolonização”.
As Falklands/Malvinas, Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul podem ficar com a Argentina.
Pois é.
Considerando que o Brasil não possui colônias nem disputa territórios, o pais talvez participe como mediador em um processo de independência da Guiana Francesa, por exemplo.
Isso nem quer dizer que seja bom ou ruim para o Brasil, mas pode ser que a descoberta das reservas de petróleo naquela região sejam suficientes para desencadear um processo de independência.
Sobre as Malvinas, meu interesse é apenas especulativo porque acho improvável que eu esteja vivo quando os dois países retomarem com seriedade a devolução das ilhas.
Uma pitada de verdadeiro conhecimento, pra apagar as suposições/invenções feitas pra manchar a imagem de uma grande líder.
Aliás, por motivos geoestrategicos, além de autodeterminação, NUNCA as Falklands passariam pra Argentina.
Para comparação, a população de Hong Kong não era considerada britânica como os kelpers.
Mesmo assim não é economicamente viável, a distância é proibitiva, não tem motivos lógicos e sensatos para as Falklands permanecerem com os ingleses, simplesmente não faz sentido, acho que eles tinham que engolir esse orgulho besta, os ingleses são inteligentes demais pra continuar com essas ilhas tão sem sentido prático.
Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, território britânico do Oceano Índico (nem nome direito tem o negócio), entre outros exemplos. Economicamente viável? Distância Proibitiva? Pros Britânicos? Quando eles se preocuparam com isso?
Quando eram ricos, do os de meio mundo e de uma Royal Navy maior e mais forte do que os principais competidores somados, podiam simular despreocupação.
Hoje não podem mais.
Mas tem importância estratégicas, as ilhas que os ingleses possuem permitem a eles se precisar colocar tropas em regiões sensíveis em seus territórios e em suas bases e não falo só das Falklands e Geórgia do Sul mas no mundo eles tem Ilhas no Atlântico Sul, Oceano Índico e Pacífico e alguma dessas ilhas possuem bases conjuntas com os EUA como a Ilha de Diego Garcia no Oceano Índico e Ilha de Ascensão (Ascension Island) no Atlântico Sul entre o Brasil e a África!
Tem petroleo lá, e ninguém vai querer sair do UK mesmo estando acabado se comparado ao que ja foi, e entrar na Argentina que desde a década de 30 passada, está ladeira a baixo
Carlos.
Eu acho muito difícil explorar o petróleo na região em torno das Malvinas. O desevolvimento tecnológico tem sido usado para promover a exploração em regiões profundas e quentes, como no pré-sal brasileiro e nas regiões equatoriais, como na costa da Guiana
O problema das Mavinas é uma questão ufanista britânica que só vai ser resolvida no futudo, muito fututo, e que ocorra uma nova correlação de forças internacionais que privilegiem um processo de descolonização, como aconteceu na década de 70.
A longo prazo, acredito que as Malvinas serão argentinas.
Olá Fabio. Voce tem razão. Além do panorama interno, o mundo passava por um processo acelerado de descolonização. Havia um consenso que era necessário reverter a colonizaçao europeia na África, na Oceania, no Sudeste Asiático e as colônias remanescentes na América do Sul e Caribe. Os militares argentinos fizeram uma grande bogagem, ignorando o trabalho diplomático de décadas em torno da posse das Malvinas. Existem inúmeros motivos para criticar os miltiares argentinos. Assassinatos, tortura, desaparecimentos, sequestros de bebẽs… são as acusações mais graves. Depois vem o próprio crime de golpe de estado. Em terceito, coloco a guerra de agressão contra… Read more »
Infelizmente, não tem razão nenhuma.
Margaret continuou resolvendo os problemas q toda nação tem, 10 anos de PM…
Diferente de Hong Kong, não há e nem havia tratado de devolução, até pq não é entendido pelos britânicos como um dia tendo sido Argentina.
Além disso, o povo de HK se identifica com HK.
Os kelpers, com o RU.
Ora João.. Eu nada falei de Hong Kong. Falei do processo de descolonização que aceonteceu no mundo nas décadas de 70 e 80 na África, como por exemplo Angorla, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique.. que eu lembro eram colônias portuguesas, além de Timor na Oceania junto com Fiji, Papua, Ilhas Salomão que eram colônias de outros países europeus., . Acho que teve o ZImbabue no mesmo período. No Caribe teve a independẽncia das Bahamas, Granada, Antigua-Barbuda… e outras, além do Suriname na América do Sul. Acho que é possível dizer que o Vietnã também consolidou seu processo de independẽncia na década… Read more »
É como o Império Romano tardio armando um foederati que lhe reivindica mais terras no território imperial.
Na década de 70 os argentinos já tinham uma capacidade que a MB até hoje não tem: a defesa antiaérea estendida.
A principal preocupação da Argentina era o Chile ! Lembro de 1978 quando os dois países quase entraram em guerra uma professora minha estava lá e depois me mostrou fotos já que sabia do meu interesse comentando que os navios argentinos eram mais numerosos e “melhores” daí o maior interesse em adquirir tal capacidade A/A. . Mesmo assim com apenas duas unidades – a segunda foi incorporada somente em julho de 1981 – com 20 mísseis cada e um radar um tanto quanto defasado na prática significaria a médio prazo, que apenas uma unidade normalmente estaria certificada e como se… Read more »
Os chilenos tem raiva dos argentinos, durante a guerra do Pacífico ( 1879-1883 ) do Chile contra o Peru e a Bolívia a Argentina foi convidada pelos peruanos e bolivianos a se juntar a eles na guerra, os argentinos não embarcaram na guerra, mas aproveitaram a situação para resolver uma disputa de fronteira com o Chile forçando uma negociação e os chilenos para não ter que lutar contra os argentinos assinaram um tratado em 1881 passando a Patagônia para a Argentina e colocando a divisa entre eles na Cordilheira dos Andes e o Chile permaneceu com o ~Estreito de Magalhães… Read more »
Impressionante o retrocesso argentino. Um país que tinha tudo para ser o país mais próspero e desenvolvido da AL vem desabando a olhos vistos. O demente que adora provocar os vizinhos e que hoje ocupa a Casa Rosada é só mais capítulo dessa decadência.
O Javier Milei tem conseguido reinvestir nas forças armadas e esta as modernizando e recuperado parte do poder perdido, ainda não vão voltar a ser uma grande potência militar regional que foram no curto prazo, mas caminham para isso no futuro.
A Argentina está vivendo à base de empréstimos do FMI. Já foram mais de 70 bilhões de dólares só com Milei. É insustentável viver assim. Igual uma pessoa viver pendurada no cheque especial e no cartão de crédito, fazendo dívidas para pagar dívidas. Uma hora explode. Pobre Argentina.
Divida Publica deles vem diminuindo, e dolar devido aos empréstimos tem se mantido estáveis, vc tem que levar em consideração que eles não usam esse dinheiro para fazer obras, gastar com serviços e sim manter o comércio do país ativo, então sua analogia de que é como uma pessoa que vive de dinheiro do cartão não é aplicável, Milei depois que entrou na presidencia enfiou o rabo entre as pernas e pediu prorrogação dos SWAPS com a China…é verdade que a Dívida externa cresceu, mas o governo tem tomado medidas para passar confiança, e o proprio FMI tem elogiado o… Read more »
Olá Carlos. Pois é. Os empréstimos dos FMI são uma ferramenta keynesiana para financiar o comércio exterior. O acordo de BrettonWoods previa que os países pagassem suas importações com os dólares das suas exportações. Para países com superávit ou com comércio equilibrado, isso seria fácil. Paises que com crises cambiais ou que atingissem déficits poderiam recorrer ao FMI para manter o comércio exterior e evitar uma crise mais grave. O empréstidmo do FMI e a indução de um ciclo de recessão seriam suficientes para resolver o problema de um pequeno deficit comercial a curto praźo. Dívida com o FMI é… Read more »
Olá Sequim. Pois é. No início do Sec.XXI, houve um boom no valor das commodities agrículoas, como soja e carne. O Brasil adotou uma política de acúmulo de resevas cambiais, que atinguiram cerca de US$ 360 bilhoes. Este volume de dinheiro serve para o financiamento das importações brasileiras e como uma porta corta-fogo contra ataques especulativos contra a moeda. A Argentina perdeu esta oportundiade devido aquela decisão de dolarizar a economia. Qualquer brasileiro pode guardas moeda estrangeira, mas as operações de pagamento no Brasil são obrigatóriamente em reais. Por isso, os exportadores brasileiros foram pagos em reais, com os dolares… Read more »
Legal é a situação do Brasil com a possibilidade de bater R$ 10 trilhões de reais em dívida pública interna…
A dívida interna é em reais, cuja emissão é monopólio do governo central. O problema da dívida pública interna são as taxas de juros reais de 10% que faz o sei valor explodir, sem que exista qualquer razão técnica para este nível de juros exceto o fato do Bacen ser controlado pelo setor financeiro. A política de juros altos é apenas um mecanismo eficiente encontrado para que setores privilegiados continuem acumulando a riqueza gerada pelo país. Já foi a escravidão, já foi o latifundio, já foi didatura.., agora é a Selic Há uma definição clássica do significado de “ideologia” como… Read more »
A emissão é monopólio do Banco Central. E a diferença disso pra ser de outro lugar é que a solução é emitir mais moeda pra pagar a dívida? A razão dos juros altos foram a alta da inflação. Quando baterem na baixa da meta eles começam a diminuir. Isso é uma razão clássica de teoria econômica BÁSICA ortodoxa. Dizer que não tem justificativa técnica é complicado. Ainda mais apontar que o BC é controlado pelo mercado financeiro quando o indicado pelo governo (bom salientar) costuma votar pela manutenção das taxas altas. Gasto público é o que dá pra mudar, porque… Read more »
Bernardo, A primeira coisa é distinguir dívida pública de gasto público. Muita gente aplica em títulos do tesouro. Fundos de previdência compram títulos do tesouro. Comprar um título do tesouro é uma operação de crédito. A segunda coisa é entender que existem diferentes tipos de gastos públicos. Por exemplo, custeio e folha de pagamento são diferentes de créditos públicos e infraestrutura. Por exemplo, o Plano Safra que financia a plantio é necessário e ele mesmo se paga no ano posterior. Seria uma estupidez reduzir o valor do financiamento agrícola assumindo isso como corte de gastos públicos. Perceba que até mesmo… Read more »
Mas com o governo do amor e a troca do comando do banco central, os financistas continuam controlando a taxa de juros…estou pasmo…
Olá Samuka.
Realmente, há um problema na composição do Banco Central que é independente de quem seja o presidente. Talvez fosse obrigatório a presença de diretores do setor agrário e do setor industrial na diretoria.
Lembro de Clemenceu afirmando que a guerra é muito importante para ser deixada nas mãos de generais. Creio que a economia é muito importante para ser deixada nas mãos de economistas e banqueiros.
Em matéria de desenvolvimento na AL, foram passados pelo Chile nos últimos 40 anos que hj é o país mais desenvolvido da região, inclusive curiosamente a Argentina foi o único país do mundo moderno que já foi considerado de primeiro mundo e regrediu novamente ao terceiro… Mas ainda é um país bem decente, sendo brutalmente sincero, eles tem uma qualidade de vida média bem melhor que a nossa, eles tem potencial pra serem um baita país, mas as decisões políticas estúpidas ferraram com tudo, nisso somos bem parecidos com eles. Eu gostaria de ver a Argentina poderosa novamente, mas claro,… Read more »
Creia, eu assisto programas de TV argentinos sobre defesa, e os analistas argentinos colocam o Br como exemplo de país que estimula o BID e mantém programas de rearmamento como as FCT e Prosub, por exemplo, inclusive citando o objetivo de construir o SNbr, mas em hipótese alguma mencionam qualquer receio do BR, nem uma necessidade de competir na área militar.
Pessoal acha que é tudo futebol… Brasil x Argentina é o maior clássico do mundo em termos de futebol e essa é uma rivalidade que sempre vai existir.
Mas fora do futebol, ambos os países ganham mais quando trabalham juntos do que quando arrumam problema um contra o outro.
Ola Fernando.. olha, depois do 7×1 do Brasil e Alemanha, eu perdi qualquer ufanismo no futebol. Então, se a Argentina ganhar da seleção por qualquer placar menor que este, acho que está normalidade. ,
Hoje em dia é o Brasil, sem dúvida, o país mais próspero e desenvolvido da AL, pois aliamos desenvolvimento econômico com algum desenvolvimento social. Não estou dizendo que é o ideal. Dá pra avançar muito mais, mas estamos em uma boa trilha.
Em qual sentido? Desenvolvido em qual sentido? Se for economicamente, talvez sim. No geral, não. Nem em “desenvolvimento social” (que é uma coisa bem geral que não quer dizer muita coisa), porque tem países com níveis de educação melhores (muito melhores); se for desigualdade, o Brasil tem literalmente o pior índice GINI do mundo (empatado, mas é o pior número), nenhum vizinho é pior. Nenhum. Não tem melhor IDH, não tem melhor…. várias coisas. Melhorou, tem muito o que melhorar, mas você viajou aí. Tem uma economia grande, mas a população é imensa também, é importante que se leve isso… Read more »
os hermanos vêm errando feio tem pelo menos 50 anos
A Argentina tinha uma elevada renda per capita e uma balança comercal superavitária em função da exportação de carne (charque) e trigo. Contudo, sua industrialização foi tão tardia quanto a brasileira. 1930 é vista como o evento na história brasileira na qua a burguesia faz a sua revolução, tomando o lugar das velhas elites lativundiárias. No caso argentino, esta transisção de uma elite latifundiária para uma elite burgusa foi parecido a um processo que foi consolidado com Peron. O declínio da Argentina está ligada á sua tardia industrialização, que no Brasil curiosamente marcou a sua ascensão à posição de potência… Read more »
Querem salvar algo do navio tirem alguma coisa para levar para um museu, algo identifique o navio e o represente, pode ser até mesmo mais de um item, o CV-6 Enterprise o porta aviões que lutou desde o início até o fim da Segunda Guerra apesar dos esforços não foi preservado quando descomissionado, era muito caro o fazer, mas peças e acessórios deles foram preservados em museus e no CVN-65 Enterprise. Vigias e outros acessórios de latão do CV-6 foram retirados e incorporados ao porta-aviões nuclear USS Enterprise (CVN-65) e serão transferidos para o futuro CVN-80, mantendo a conexão física. Que… Read more »
Interessante que alguém tenha levantado da poeira do tempo a disputa entre a Argentina e o Chile pelo canal de Beagle em 1978. Eram duas das mais sangrentas ditaduras da AS . Tanto Pinochet como Jorge Rafael Videla fariam Hitler ter espasmos orgâsmicos de felicidade. Eram os monstros malditos da hora. As 2 ditaduras tinham tudo em comum : Eram absolutamente crueis com os opositores, liberais na economia e conservadoras nos costumes e tendo a mesma doentia sanha anti comunista. Poderiam ser irmãs siamesas, mas quase foram à guerra por 3 ilhotas geladas no extremo sul do continente, justamente no… Read more »
Quando Galtieri anunciou a retomada das ilhas, no balcão da Casa Rosada, a multidão entoou o coro:
“Tero Tero Tero…
Hoje os ingleses….
Amanhã os chilenos”
A MB poderia adquirir o ARA Santísima Trinidad e recuperá-lo para usar como navio de treinamento (navio escola). O custo de uma mão de tinta não é elevado. Ainda permitiria aos nossos almirantes “manter a doutrina” (de ferro velho), que é a doutrina primordial da MB desde o século XX, de onde ainda não saímos e nem sairemos tão cedo. E eles ainda insistem no sonho (ou melhor, pesadelo) de construir, operar e manter um submarino nuclear, quando sequer temos um número mínimo suficiente de escoltas.
Há braços
Temos o U-27 Brasil sai mais barato investirem em atualizar e melhorar ele do que comprar um navio usado que já afundou duas vezes e gastar uma grana que não temos e deixar essa grana para comprar navios mais úteis como cargueiros/petroleiros militares ou escoltas que precisamos!
Seria um Foch 2.0. Não, obrigado.
Entre os anos 70 e 80 havia negociações diplomáticas na ONU entre Argentina e Inglaterra sobre uma eventual domínio nas Malvinas. Parece que já haviam acertado um tipo de “parceria”, uma solução que agradaria as partes e que poderia trazer lucros para os dois lados.
A soberania continuaria inglesa mas a Argentina teria preferências e facilidades na exploração comercial e logística de petróleo e pesca. Seria uma espécie de “condomínio” e já havia tratativas de financiamento e créditos para empresas petrolíferas britânicas e argentinas.
Mas aí apareceu um general alcóolatra arrotando mania de grandeza e cuspindo patriotismo….
O Exército e a Força Aérea queriam a invasão a Marinha foi contra tentou primeiro que desistissem da invasão e depois que a adiassem pois em poucos meses pois daria tempo de chegar os Super Étendard e os mísseis Excocets e fora os britânicos dariam baixas em alguns meios navais o que dificultaria a reação britânica, mas foram votos vencidos e entraram na guerra com a marinha despreparada.
Oi Fabio, posso estar enganado…
Mas foi a Marinha que condicionou o apoio a Galtiera assumir a Presidência com a condição de invadir as ilhas.
Eles até podiam gostar da ideia, os argentinos querem as ilhas, mas para eles não era a hora a marinha não estava preparada e eles estavam vendo os sinais de que a marinha britânica por conta da crise econômica iria desativar vários meios, para o pessoal da Marinha aquela não era a hora de invadir!
Eles não apenas gostavam da ideia como condicionaram seu apoio a Galtieri assumir o governo com o comprimido de invadirem as ilhas.
Todo o planejamento e alocação de meios inicial foi feito pela Marinha.
Alte Anaya era o cérebro da operação
Desde de 1950 a marinha argentina tinha planos de invasão das Malvinas que eram constantemente atualizados, e creio que ainda devem ter planos de invasão planejados, eles concordavam e queriam a invasão mas o problema para eles era a data, quando a junta decidiu pela invasão mesmo não concordando com a data a marinha que já tinha os planos da invasão os atualizou e depois os colocou em prática.
exercito e marinha quem confabularam. A Força aérea só soube depois e quase na véspera.
exercito foi bisonho, marinha covarde e quem salvou a honra deles foi a FA