H-16 Cananeia - Baia de Guanabara 2025-11-11 copy

 


Nome Indicativo Construtor Casco Batimento de quilha Lançamento Incorporação
Cananéia H 16 INACE 626 xx/xx/2013 24/06/2013 23/09/2025

Deslocamento (t): 126,2 (padrão); 174,8t (carregado) (IO-Caract. gerais)
Dimensões (m): comprimento 25,92; boca 7,15; calado 2,27 (2,72 carregado); pontal 3,83 (IO-Caract. gerais) (INACE)
Propulsão: 2 Motores Diesel MDT 430M Megatech 410 HP; 2 caixas redutoras DMT 200H-G (3,43:1); 2 hélices de 1080mm (IO-propulsão)
Velocidade (nós): 9,5
Autonomia/raio de ação:  de 10 a 15 dias de mar (IO-Bpq Alpha Delphini)/ 1395 milhas náuticas
Tripulação: 6 tripulantes e 24 passageiros (IO-especificações técnicas) 8 tripulantes e 10 pesquisadores embarcados ou 22 em atividades diárias (IO-USP vídeo)
Armamento: (ausente)
Sensores: equipamentos de comunicação (1 Rádio principal de transmissão SSB/HF, potência de saída: 100W; 2 Rádios secundários de transmissão VHF/FM, potência de saída: 25W) e navegação (1 Agulha magnética; 1 Ecobatímetro; 1 Indicador de ângulo do leme; 1 Painel de instrumentos dos MCP; 1 Radar; 1 Navegador por satélites GPS; 1 Epirb; 1 Transponder) (IO-especificações técnicas)
Equipamentos adicionais: Guindaste telescópico EP932-RG, acionamento hidráulico e capacidade de carga 820 kgf, alcance máximo 10m; 2 Guinchos de pesca GHN05CT1E1FAS1CL2MT3GC, acionamento hidráulico; 1 guincho hidrográfico GHN01AT1CL1MT3GC, acionamento hidráulico; 1 guincho científico de acionamento hidráulico A-frame: 1 A-frame de ré de acionamento hidráulico com capacidade de 3t carga; 01 A-frame lateral de acionamento hidráulico com capacidade de 1t carga; 1 unidade eletro-hidráulica UEH 2x25x120x180 A2 B1, para alimentação do guincho de pesca e hidrográfico com vazão máxima 120 LPM e pressão máxima 180 bar; 1 unidade eletro-hidráulica UEH 20x40x180 A2 B1 C12 para alimentação do guindaste e guincho de âncora com vazão máxima 37 LPM e pressão máxima 180 bar (IO- instrumentação)

Histórico

Com a interrupção das operações do navio Professor W. Besnard, causada por um incêndio a bordo no ano de 2008, o Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (IO-USP) teve boa parte dos seus estudos oceanográficos limitados. A fim de superar esse entrave, os pesquisadores do IO-USP submeteram quase que ao mesmo tempo as propostas de aquisição de duas embarcações à FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Os navios, batizados como Alpha Crucis e Alpha Delphini, eram projetos de embarcações que se complementavam. (Agência FPESP)

O Alpha Crucis (nome da estrela que representa o estado de São Paulo na bandeira do Brasil) foi adquirido usado nos Estados Unidos. Originalmente batizado com o nome Moana Wave, ele pertenceu à Universidade do Havaí e foi posteriormente adquirido por uma empresa de Seattle que o alugou para a NOAA (agência federal norte-americana para meteorologia, oceanos, atmosfera e clima). (Revista FAPESP195)

Depois da aquisição do Alpha Crucis, o IO-USP concentrou-se no projeto da unidade menor, o Barco de Pesquisa (B.Pq.) Alpha Delphini. A ideia era ter uma embarcação com autonomia e capacidade de pesquisa intermediária entre as pequenas embarcações e os navios oceanográficos, e que cobrisse a plataforma continental. (Agência FAPESP)

O estaleiro INACE – Industria Naval do Ceará S/A foi escolhido para projetar e construir a embarcação. Apesar de até então não ter experiência na construção de embarcações para fins de pesquisa oceanográfica, INACE foi selecionado pela sua tradição (mais de 40 anos no ramo) e por ter construído navios offshore para a Petrobras e unidades para a Marinha do Brasil. (Agência FAPESP). Com a experiência adquirida na construção do Alpha Delphini o estaleiro INACE foi capaz de construir outras três embarcações semelhantes: Ciências do Mar I para a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o e Ciências do Mar II para a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o Ciências do Mar III para Universidade Federal Fluminense (UFF) (IG-UFF) e o Prof. Luiz Carlos para a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O custo total de aquisição foi de R$ 6 milhões, sendo que a FAPESP destinou R$ 4,4 milhões para a construção da embarcação e o restante – motores e uma série de equipamentos científicos – foi financiado pela própria USP. (Revista FAPESP211). Com casco de aço e superestrutura de alumínio, (IO-USP vídeo) o Alpha Delphini levou um ano e sete meses para ser construído. À exceção dos sistemas de navegação e do sistema eletrônico, a maior parte dos componentes – como os dois motores a diesel, os geradores e a máquina de leme – é nacional. (Agência FAPESP)

Primeiro barco oceanográfico inteiramente construído no Brasil, a viagem inaugural do Alpha Delphini incluiu a realização de pesquisas científicas no litoral de Pernambuco, entre a ilha de Itamaracá e o arquipélago de Fernando de Noronha, com participação da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).(Agência FAPESP) A embarcação de pesquisa chegou ao porto de Santos em 12 de agosto de 2013 e ficou atracada no Armazém número 8.

Imagens internas ainda na configuração adotada pelo IO (INACE)

Planos da embarcação na configuração do IO (IO-diagramas)

Doação e incorporação

No dia 26 de agosto de 2025, o Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou a doação do Alpha Delphini para a Marinha do Brasil. A embarcação estava subutilizada e com reduzida demanda de uso, com baixo número de pesquisas desenvolvidas. (OESP 26/8/25)

Ao longo do mês de agosto de 2025 a embarcação passou por um cronograma de adequações no Complexo Naval da Ponta da Armação (Niterói/RJ). Foram realizadas inspeções técnicas, ajustes de padronização e a instalação de sistemas voltados à segurança, comunicações, salvatagem e controle de avarias. O navio também recebeu novos equipamentos e suprimentos de saúde, além da identidade visual da Marinha, com mudanças de nome, numeral e pintura. Essas adaptações permitiram que o navio atenda integralmente às normas e padrões operativos da Força, ampliando sua autonomia para missões em diferentes áreas da costa brasileira. (Agência Marinha)

Menos de um mês após a aprovação da doação, a Marinha do Brasil incorporou o Alpha Delphini e rebatizou-o o Aviso Hidroceanográfico (AvHo) Cananéia (H 16) durante cerimônia de Mostra de Armamento realizada no Complexo Naval da Ponta da Armação, em Niterói (RJ). (Agência Marinha) O AvHo Cananéia passou a integrar o Grupamento de Navios Hidroceanográficos (GNHo) da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).

O nome “Cananéia” homenageia cidade homônima do litoral de São Paulo, onde a DHN imprimiu a primeira carta náutica a ser totalmente produzida no Brasil. Até então, a elaboração ocorria em território nacional, mas a impressão era realizada nos Estados Unidos da América. (Agência Marinha) Já indicativo (H 16) foi herdado no antigo Aviso Hidrográfico Camocim, que deu baixa do serviço ativo no ano de 1991. (NGB)

Cerimônia de mostra de armamento do AvHo Cananéia. FOTO Agência Marinha de Notícias

O Cananéia tem como missão de ampliar o conhecimento sobre o ambiente marítimo, apoiar a atualização de cartas náuticas e contribuir para a sinalização náutica e o balizamento, com o objetivo de garantir a segurança da navegação e a proteção de portos e terminais. O navio poderá ainda atuar em cooperação com a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) e com universidades federais e estaduais, fortalecendo a integração entre pesquisa científica, políticas ambientais e defesa nacional. (Agência Marinha) A doação aconteceu num momento bastante oportuno para a DHN, uma vez que a OM transferiu o NHo Amorim do Valle, (H 35) que realizava atividades de hidrografia, para o 2ºDN, onde foi convertido em navio caça minas.

Subordinação (OM)

Organização Militar Unidade subordinada
GNHo Cananéia

SÉRIE “MEIOS NAVAIS DA MARINHA DO BRASIL”

 

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Burgos

Antigo Alpha Delphini agora AvHo Cananéia 👍
Bons ventos e mares ao recém incorporado “Bode da MB” ⚓️

Dragonfly

Tenho uma curiosidade…
Esses navios de pesquisa navegam com algum tipo de armamento pessoal para tripulantes? Fuzis, pistolas?

Burgos

Somente armamento portátil e bem pouco.
Não posso divulgar os números, mas posso dizer que carrega Pistola/Fuzil e Mtr.
A Escoteria (local aonde guarda o armamento) são bem pequenas 👍

Dragonfly

Obrigado pela resposta, Burgos!

Fabio Araujo

Os navios da MB, mas e os navios das universidades tem permissão para levar armamentos portáteis para defesa contra pirataria?

Burgos

Os de pesquisas civis não sei responder 🤷‍♂️

Vitor Botafogo

Poder naval, caberia uma pesquisa do andamento da construção do Napant Almirante Saldanha. Ele tinha previsão de lançamento agora em 2025 e não se teve mais notícias!

Fabio Araujo

Esses navios de pesquisa podem parecer insignificantes, mas são muitos importantes para a MB e para o Brasil, a MB mantém atuante frota de pesquisa com navios de vários tamanhos, mas as universidades pecam um pouco nessa parte deixando muito das pesquisas para a MB, recentemente o governo federal construiu os navios da classe Ciências do Mar para as universidades visando melhorar as pesquisas marinhas!