China inicia grandes exercícios militares ao redor de Taiwan após aprovação de pacote de armas dos EUA

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China Taiwan

Pequim lançou nesta segunda-feira (29) uma série de exercícios militares de grande escala ao redor de Taiwan, elevando ainda mais as tensões na região do Estreito de Taiwan após a recente aprovação de um pacote de ajuda militar de mais de US$ 11 bilhões pelos Estados Unidos a Taipei.

Os exercícios, codinome “Justice Mission 2025”, envolvem unidades do Exército, da Marinha, da Força Aérea e da Força de Mísseis da China, que conduzem manobras de guerra real, incluindo disparos de artilharia e simulações de bloqueio de portos estratégicos da ilha.

Âmbito e intensificação das manobras

Segundo o Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular (PLA), as manobras incluem patrulhas de prontidão de combate marítimo e aéreo, “sequestro conjunto da superioridade abrangente” e ações de deterrência multidimensional ao redor de Taiwan. As zonas de exercício cobrem grandes áreas marítimas e aéreas ao norte, sudeste e leste da ilha.

Reportagens internacionais indicam que os exercícios contam com dezenas de aeronaves, navios de guerra e unidades de mísseis e simulam bloqueios de portos como Keelung e Kaohsiung — importantes centros logísticos taiwaneses.

 

Reações em Taipei e Washington

O governo de Taiwan classificou as manobras como uma provocação unilateral que ameaça a paz e a estabilidade regionais e colocou suas forças armadas em alerta máximo. Autoridades taiwanesas também criticaram a presença das operações em águas que se estendem para dentro de sua zona territorial.

Em Washington, autoridades americanas sustentam que o recente pacote de mais de US$ 11 bilhões em armas e equipamentos para Taiwan — um dos maiores da história das relações militares entre os EUA e a ilha — é destinado a reforçar as capacidades defensivas de Taipei diante de pressões da China.

Impacto no tráfego e na região

Os exercícios militares já causaram alterações significativas no tráfego aéreo e marítimo na região, com centenas de voos sendo redirecionados ou cancelados e navios comerciais evitando áreas de risco.

Especialistas observam que, embora a China classifique as manobras como rotineiras ou defensivas, sua dimensão e proximidade ao território taiwanês representam uma mensagem clara contra o que Pequim considera “interferência externa” e movimentos pró-independência em Taiwan.■


 

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Leandro

Taiwan é uma verdadeira fortaleza flutuante. Tem pouquíssimas praias onde é possível realizar uma invasão anfíbia. General Douglas MacArthur, quando foi o responsável pela invasão do império japonese fala isso. Também diz que seria mais difícil que a invasão da Normandia. A melhor estratégia é dando um cerco marítimo, mas isso muito difícil quando se tem marinhas como a americana ou a japonesa lhe impedindo disso. Para o Japão, Taiwan é questão de segurança nacional, pois 70% de seu comercio de energia passa pelo estreito.

Matheus

O bloqueio naval se faria com barcos do CCG e navios do PLAN atuando coordenadamente. Enquanto a CCG atuaria nas águas mais próximas de Taiwan, libera a PLAN a contestar qualquer força marítima que tente furar esse bloqueio nas águas mais distantes. Além disso, o quão rápido você acha que o PLAN/CCG mobilizaria suas forças comparado com a USN/JMSDF? Eu posso te garantir que velocidade e tempo não estão do lado dos aliados. Além disso, vejo que aqui muita gente desconsidera o quão desvantajoso seja o Pacífico Ocidental para as forças aliadas não só por causa das distâncias em si… Read more »

sub urbano

Vc ta sendo muito otimista. Taiwan não é Okinawa ou a Normandia da segunda guerra. É um país de renda alta, cheio de industrias de ponta, uma economia totalmente dependente das cadeias globais de produção. A ilha não dura 3 meses de cerco. Importam 98% da sua energia (gás natural e carvão). Sem os grandes navios pumpando gás liquefeito e carvão mineral diuturnamente a ilha apaga.

Leandro

Na verdade não, estou sendo bem realista. A referencia a Normandia foi por conta da dificultada da invasão no terreno. Ela aquenta uns 4 meses de bloqueio, se energia nuclear não for adotada. Nesses 4 meses o bloqueio tem que ser aberto. Ela por conta própria não consegue. Tem que ser uma força externa, EUA ou Japão. Como mencionei pro Japão é questão de segurança nacional. Se a China anexar Taiwan poderá cortar as rotas de energia Japonesas.

Matheus

Taiwan não aguenta nem 31 dias de bloqueio, a energia será um dos menores problemas de escassez na ilha.

Hamom

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Míssil antinavio YJ-20 – lançado de um Type 055

Bosco

Esse míssil não entra na classificação de “assassino de porta-aviões” já que é muito pequeno. Por caber nos lançadores verticais não deve pesar mais que umas 3 t . Sua ogiva, levando-se em consideração ter velocidade hipersônica e o grande alcance (1000 km) deve ser reduzida, provavelmente na casa de 100 kg. Seu homólogo americano é o SM-6 com 1,5 t, ogiva de 67 kg, velocidade de Mach 4 e alcance contra alvos na superfície de 500 km. Além desse tem o SM-2 Block IIIC com 890 kg, ogiva de 67 kg, velocidade de Mach 3.5 e alcance contra alvos… Read more »

Last edited 1 mês atrás by joseboscojr
Hamom

Na velocidade de aproximação final de mach10, se atingir o alvo, dependendo da ogiva mesmo sem explodir causará danos graves ao navio, energia cinética…

Um porta-aviões não é nada fácil de “assassinar “/ afundar, mas não é tão difícil de ser incapacitado de seguir operando com suas aeronaves.

Bosco

Foi relatado Mach 9. rssss
Se for verdade, com certeza o impacto seria compatível com uma explosão de cerca de 1 t de TNT.
Mas eu ainda estou querendo saber como os chineses resolveram o problema do plasma interferindo no radar na ponta de um míssil a baixa altitude a Mach 9.

Last edited 1 mês atrás by joseboscojr
Hamom

Somente os militares chineses sabem com exatidão os parâmetros técnicos. Quanto a mim, só sei que nada sei…

Last edited 1 mês atrás by Hamom
Bosco

Pois os chineses vivem alardeando seus avanços tecnológicos mas nunca os vi falarem dessa solução, então, eu sigo a explicação que é a mais simples: eles mentem quando dizem que seu míssil atinge o alvo a velocidade hipersônicas (> Mach 5).
Ou então o míssil atinge mesmo o alvo a velocidades hipersônicas mas não alvos móveis (navios).
As duas características juntas não é possível e até que eles provem que o fazem eu vou continuar desacreditando neles como fiz com os russos e se comprovou na realidade.

Bosco

Na verdade, nunca são os chineses que divulgam o desempenho de suas armas. Sempre e misteriosamente são estimativas ou da mídia ocidental ou do Departamento da Guerra dos EUA, geralmente , sem citar o responsável mas de forma genérica.

Hamom

Bem, os chineses repercutem até pra consumo do público interno as especulações ocidentais e as noticiam tipo: a publicação tal ou “no ocidente”. foi estimado isto e aquilo…mas na maioria das vezes não fornecem suas próprias informações oficiais.

Mas dados sensíveis são igualmente mantidos em segredo nos EUA, Israel, Europa…não é muito diferente, só mudam os métodos de comunicação pública, não se engane.

Bosco

Só de curiosidade, os americanos têm um míssil hipersônico em operação (Dark Eagle) , um provavelmente em operação (AGM-183) e um em desenvolvimento (HACM). Dois do tipo “boost-glide” e um do tipo “HCM” (míssil de cruzeiro hipersônico). Todos atingirão seus alvos a velocidade hipersônica mas nenhum terá capacidade antinavio. Todos são contra alvos fixos/estáticos, portanto, sem seekers que possam ser bloqueados pelo plasma. Alguns outros que atingem velocidade hipersônica em algum momento da trajetória , como o PrSM Inc II e o SM-6 Block IB, terão capacidade antinavio mas como são do tipo “semibalísticos” (aliás, como o YJ-20), muito provavelmente… Read more »

Hamom

Como vc se sabe se os EUA não conseguiram travar num alvo em movimento com um míssil em velocidade supersônica?

Pode ser que tenham conseguido, mas por razões estratégicas, digam que não…

Bosco

Hamom, Há duas formas de se atingir um alvo em movimento com mísseis a partir de grandes distâncias. Uma delas exige um seeker no “míssil”. A outra já foi testada mas não colocada em prática porque preferiram um seeker laser. Fizeram testes com uma JDAM de 500 lb com receptor de DL (que não é padrão) e um alvo em movimento foi rastreado pelo caça lançador que atualizava a posição do alvo em tempo real . Não conseguiram impactos diretos mas como era uma bomba os alvos (veículos de combate) foram neutralizados devido ao grande raio letal. No caso de… Read more »

Last edited 1 mês atrás by joseboscojr
Hamom

Bosco, fica meio chato eu dizer isto aqui para um grande fã da américa, como você… mas é um fato que os EUA ainda estão atrás da Rússia e da China em matéria de tecnologia supersônica. Tanto é que embora esteja muito próximo disto, os EUA ainda não possuem um míssil hipersônico que tenha sido oficialmente implantado em suas forças armadas. Já Rússia (a mais tempo) e China, os tem operacionais há anos… E se os EUA não encontraram uma solução para os “apagões de reentrada” nas comunicações em velocidades como Mach 10, não quer dizer que os chineses não… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Hamom
Bosco

Hamon, Não concordo que os russos já tenham mísseis hipersônicos contra alvos na superfície operacionais e muito menos contra alvos móveis (navios, etc). Os dois que em tese foram divulgados são o Kinzhal e o Zircon. Ambos foram empregados contra os ucranianos , só contra alvos fixos e foi divulgado que não atingem o alvo a velocidade hipersônica e por isso são interceptáveis pelo sistema Patriot. O fato de um míssil atingir um pico de velocidade hipersônica (> Mach 5) em alguma fase da trajetória não o habilita a ser denominado de “hipersônico” . Para isso ele tem que voar… Read more »

Hamom

Alguns Zircon foram interceptados, mas outros atingiram e destruíram sistemas Patriot…

Quanto ao YJ-20, por enquanto não há como sabermos qual é de fato sua velocidade de penetração terminal.

Porém mesmo que seja Mach 10. O YJ-20, assim como qualquer arma não é “infalível” e contra medidas certamente ou já existem ou serão criadas. A disputa “lança versus escudo” continuará…

Last edited 1 mês atrás by Hamom
Bosco

O Zircon foi empregado na Ucrânia mas não contra sistemas Patriot. Quem fez isso foi o Kinzhal.

Hamom

“….um provavelmente em operação (AGM-183) “

” …o AGM-183A ARRW foi cancelado após uma série de fracassos em testes.

Após quase cinco anos de desenvolvimento e testes, a Força Aérea dos Estados Unidos anunciou o cancelamento do programa principal de míssil hipersônico em março de 2023, em meio a um novo fracasso no teste do AGM-183A ARRW no dia 13 de março.

 O modelo era a principal aposta do governo americano na tecnologia hipersônica, com um contrato de US$ 480 milhões (equivalente a US$ 574 milhões em 2023) concedido à Lockheed Martin em 2018″
….

Bosco
Last edited 1 mês atrás by joseboscojr
José Joaquim da Silva Santos

Provavelmente existem outras soluções, chutando aqui: receber atualização final por meios terceiros ou estar completamente cego e usar algoritmos para calcular a posição do alvo, o uso em vários tbm pode complementar a pouca precisão se for o caso. No mar vermelho…bom deixa pra lá.

Bosco

Mísseis muito rápidos não são ideais para atingir alvos que estão em movimentos ainda que sejam do tamanho de um PA. Se imaginarmos que o míssil desce na vertical a Mach 9 e que ele aciona o radar bem do alto (chutando, uns 40.000 metros) para se livrar no plasma, estando a uns 50 km do navio alvo. e depois o radar deixa de funcionar, ele teria cerca de somente 15 segundos para corrigir. Nesse período o PA teria se movido uns 250 metros da última posição aferida. Mesmo o alvo tendo 350 metros de comprimento (e 75 de largura)… Read more »

José Joaquim da Silva Santos

Basta adernar 10 graus para qualquer lado que nenhuma aeronave é lançada ou recolhida, então o vaso torna-se peso-morto.

Bosco

Para fazer um PA americano adernar só se for torpedo, mina ou míssil subsônico que atinge próximo à linha d’água.
Muito difícil um míssil de cruzeiro supersônico ou hipersônico ou um míssil balístico, semibalístico ou “boost-glide” conseguirem isso.

YUFERFLLO

os lançadores verticais chineses são bem grandes se comparado com um MK41, com a maior versão sendo 1,3M maior que o MK41, com o lançador americano mais próximo sendo o MK51

Last edited 1 mês atrás by YUFERFLLO
Bosco

Sim! Eu sei. Por isso coloquei que o peso do míssil deve ser por volta de 3 t.
No Mk-41 não passa muito de 2 t e no Mk-57 não passa de 2,6 t.

Macgarem

China parece que está adotando estratégia da russia de ficar botando pressão.

Daqui a pouco vão estar falando que “taiwan passou a linha vermelha” kkkk

Franz A. Neeracher

Não creio que haverá uma invasão chinesa em Taiwan.

Porém, a China pode invadir e ocupar o arquipélogo de Kinmen, que pertence a Taiwan (olhar o info-gráfico da matéria) que está muito mais perto da China do que de Taiwan….como um teste para ver a reação de Taiwan, dos EUA e demais países.

Last edited 1 mês atrás by Franz A. Neeracher
Matheus

A eventualidade da conquista de Kimmen poderia tornar Taiwan ainda mais incisivo na independência, o que poderia provocar uma reação exagerada de ambos os lados. A China fatia salame, no dia que eventualmente Kimmen cair, será porque a presença do PLA em torno dessa ilha está tão normalizada que a China conquistaria sem disparar um único tiro.

Abymael2

Taiwan se entregará pacificamente no futuro. É um “não-país” e fazer parte da China será um privilégio para eles.

Leandro

Você viaja a terra do nunca!

Abymael2

Nunca diga nunca. E não me leve muito a sério, nem eu faço isso comigo mesmo!

José Joaquim da Silva Santos

Um dia os chineses nacionalistas irão dormir como um país irrelevante e ao acordar serão a maior potência do mundo, é uma questão de tempo.

Bosco

Se for por meio da vontade do povo taiwanese que seja. Se for pela força será uma pena.
Sabemos que toda vez que se implanta o vírus do amor na marra tradicionalmente 10% da população é eliminada. O amor custa caro.

Bosco

Uma maneira de Taiwan se deixar anexar à China é a China deixar de ser uma ditadura comunista.
Olha que ideia boa! Se resolve dois problemas com uma só cajadada.

Abymael2

Mas não era o Brasil a ditadura?
E não era a China que “só se desenvolveu porque virou capitalista”?
Não estou dizendo que você (Bosco) disse isso, mas ao menos sabemos que esse é o discurso da direita brasileira.

Dalton

Para os mais idosos provavelmente. Já tive oportunidade de conhecer duas pessoas de gerações diferentes de Taiwan. A mais idosa quer que Taiwan faça parte da China, já a mais jovem não.
.
Claro que não depende dos “mais jovens” a decisão de entregar-se ou lutar, mas, não há consenso entre a população de que será um privilégio ser governada pelo Partido Comunista Chinês.

Leandro

Então vc conheceu pessoas muito únicas. Pois o consenso é que NÃO querem ser governados pelo partido comunista da china, nem por partido comunista algum, independente da geração. A geração mais velha é saudosa do governo japonês, e não queria que Taiwan tivesse sido separada do Japão. A mais nova quer independência, com aliança ao Japão e ao EUA. Alias, em Taiwan tem vários povos, tem chineses de Fujian (região central, cultura do arroz), chineses norte em Taipei (região norte da china, cultura do trigo). Além de remanescentes dos nativos originais, parentes dos Filipinos. E por fim remanescentes Japoneses que… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Leandro
Dalton

De fato apenas duas pessoas não significam que “metade” queira uma coisa ou outra e como há um número muito maior de pessoas com até 60 anos também acredito que a grande maioria seja contra à anexação pela China.
.
Nesse caso específico que mencionei trata-se de uma senhora de 70 anos que
tem um certo orgulho da China até pelas suas conquistas recentes e outra jovem mulher na faixa dos 35 anos.

Leandro

Muito obrigado por compartilha sua experiência. Acho muito legal quando se tem contato real com as habitantes dos países falados. Tentei deixar minhas palavras o mais leves possíveis, espero que não leve a mal.

Last edited 1 mês atrás by Leandro