‘Da Pax Americana à Pax Sinica’: uma perspectiva australiana
Os porta-aviões chineses Liaoning e Shandong operando juntos pela primeira vez, em 30 de outubro de 2024
Ordem Marítima, Equilíbrio Naval e Competição Estratégica no Indo-Pacífico
Reflexões de Nereu*
[Este ensaio é uma atualização de um trabalho submetido ao concurso de ensaios “Rocker” Robertson de 2010, que examinava se vivíamos em um período de Pax Americana]
Introdução
A estabilidade do sistema internacional há muito depende da ordem marítima, sustentada por potências dominantes por meio da supremacia naval e do controle das rotas marítimas. Precedentes históricos, como a Pax Romana e a Pax Britannica, ilustram como mares seguros promoveram paz e prosperidade. Na era moderna, a Pax Americana manteve essas condições por meio da predominância naval dos Estados Unidos.
Os mares funcionam simultaneamente como canais de comércio, espaços de manobra militar e arenas de contestação política. Contudo, a ascensão da República Popular da China como potência marítima agora desafia esse quadro. Orientado pela ênfase de Geoffrey Till no equilíbrio naval e na liberdade de navegação[i], este ensaio argumenta que a expansão da postura naval chinesa próxima à Austrália sinaliza uma transição contestada da Pax Americana para uma possível Pax Sinica. A análise avalia as implicações mais amplas para as alianças de Canberra, a autonomia estratégica e a segurança regional, e considera se esses desenvolvimentos representam uma recalibração natural do comportamento das grandes potências ou um desafio deliberado à soberania australiana.
O Arcabouço de Till: Equilíbrio Naval e Liberdade de Navegação
Till enfatiza o caráter relacional do poder marítimo[ii]; ele argumenta que o mar não é apenas um domínio físico, mas também um meio político no qual o equilíbrio das capacidades navais determina a viabilidade das normas. Ele identifica duas condições que sustentam a ordem marítima:
Equilíbrios Navais Estáveis – Equilíbrio naval não implica necessariamente paridade. Em vez disso, descreve uma situação em que a distribuição de capacidades desencoraja a coerção unilateral e mantém a previsibilidade entre os atores.[iii] A estabilidade nas relações de poder naval gera contenção, reduzindo o risco de escalada.
Liberdade de Navegação – A liberdade de navegação é a expressão prática da abertura dos bens comuns marítimos. Till observa que, embora o direito internacional codifique esse princípio, sua aplicação depende da capacidade naval.[iv] A habilidade de contestar bloqueios, desafiar reivindicações marítimas excessivas e garantir a passagem é, portanto, central para sua preservação.
Na concepção de Till, as marinhas exercem, assim, um papel duplo: são, ao mesmo tempo, garantidoras de segurança e árbitras de acesso. A ordem marítima emerge quando os equilíbrios são percebidos como legítimos e quando a liberdade de navegação é respeitada na prática. Inversamente, a desordem surge quando assimetrias de poder estimulam a coerção ou quando normas de acesso são desafiadas por interpretações restritivas da lei e da soberania. Esse arcabouço fornece a lente por meio da qual a transição da Pax Americana para uma potencial Pax Sinica deve ser compreendida.
Pax Americana e a Ordem Marítima dos EUA

Durante grande parte do século XX e início do século XXI, a Austrália, posicionada na encruzilhada marítima do Indo-Pacífico, foi uma das principais beneficiárias da Pax Americana. O alcance global da Marinha dos Estados Unidos, apoiado por extensas alianças e sustentado pelo princípio normativo de mares abertos, forneceu a base para uma ordem marítima ao mesmo tempo estável e liberal.
A era da Pax Americana pode ser caracterizada pela predominância naval dos EUA e pela institucionalização de normas marítimas. Quatro características principais distinguiram essa ordem:
Superioridade Naval Global – Os grupos de ataque de porta-aviões da Marinha dos EUA, sua frota de submarinos nucleares e a infraestrutura de bases em todo o mundo permitiram projetar poder em todos os oceanos.[v] Essa capacidade dissuadiu competidores de mesmo nível e permitiu que os EUA aplicassem normas marítimas.
Consolidação da Liberdade de Navegação – Por meio de sua liderança nas negociações da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) e da condução regular de Operações de Liberdade de Navegação (FONOPs), os EUA consagraram a liberdade de navegação como uma norma global.[vi]
Sistemas de Aliança – As alianças dos EUA na Europa e na Ásia integraram a segurança marítima a uma arquitetura estratégica mais ampla. No Ásia-Pacífico, alianças bilaterais com Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Austrália proporcionaram ordem regional e ampliaram o alcance da presença naval norte-americana.
Globalização Econômica – Rotas marítimas seguras sustentaram a expansão do comércio global e das cadeias de suprimento. A ordem marítima da Pax Americana facilitou uma era de globalização sem precedentes, beneficiando tanto aliados quanto rivais.[vii]
Os anos 1990, talvez o ponto mais alto da Pax Americana, foram marcados pela unipolaridade dos EUA; ilustrativamente, o comentário do presidente Bill Clinton em 1993 — “Onde está o porta-aviões mais próximo?”[2] — tornou-se emblemático do papel central da Marinha dos EUA na política externa americana como instrumento de projeção de poder, dissuasão e estabilidade global. No contexto da Pax Americana, a frase encapsula a lógica estratégica que sustentava a liderança global dos EUA. Em momentos de incerteza, presidentes sucessivos recorriam instintivamente ao poder naval como o meio mais flexível e confiável de gestão de crises.
A capacidade de agir sem medo de contestação marítima reforçou a percepção de que a hegemonia americana era, ao mesmo tempo, natural e duradoura. A Marinha dos EUA tornou-se sinônimo da capacidade americana de intervir em todo o mundo, característica essencial da Pax Americana. Como observa Mearsheimer, o “poder de retenção da água”[viii] torna a dominância marítima crucial para estados hegemônicos, e a frota de porta-aviões dos EUA superou essa barreira ao estender seu poder aéreo globalmente. A pergunta casual de um presidente revela que, mesmo nos mais altos níveis, o porta-aviões era visto como o instrumento padrão da liderança geopolítica norte-americana.
A Austrália prosperou sob essa ordem. Como aliada dos EUA, desfrutou de proteção contra disputas navais entre grandes potências em sua região imediata, garantindo rotas de comércio marítimo seguras. A previsibilidade da predominância norte-americana permitiu que sucessivos governos australianos destinassem menos recursos à defesa marítima do que de outra forma seria necessário, possibilitando investimentos seletivos em capacidades como submarinos e vigilância, enquanto confiavam no “guarda-chuva” dos EUA para uma estabilidade mais ampla.
A Ascensão da PLA Navy e a Perspectiva de uma Pax Sinica

Diferentemente da Pax Americana, que sustentava a liberdade de navegação como uma norma universal, o surgimento da República Popular da China (RPC) como grande potência marítima — e os primeiros sinais de uma Pax Sinica — traz o risco de privilegiar acesso seletivo e arranjos hierárquicos. Nesta ordem, a China poderia condicionar o acesso a rotas marítimas ou a cooperação regional à conformidade política, minando a universalidade da abertura marítima concebida pelos formuladores da UNCLOS.
A rápida modernização da Marinha do Exército de Libertação do Povo (PLA Navy) alterou a dinâmica da ordem marítima no Indo-Pacífico. Em duas décadas, a China transformou-se de uma força de defesa costeira em uma marinha de águas azuis. Atualmente, possui a maior frota do mundo, com navios incluindo porta-aviões, submarinos nucleares e a diesel, combatentes de superfície avançados e plataformas anfíbias.[ix]
À medida que a PLA Navy expande seu foco para além dos mares próximos e passa a incorporar operações expedicionárias no Oceano Índico, no Pacífico Sul e além, Pequim promove uma visão alternativa de ordem marítima — uma que privilegia a soberania, restringe o acesso e contesta, de forma crescente, a universalidade da liberdade de navegação.
Essa expansão sugere os contornos de uma potencial Pax Sinica:
Operações Expedicionárias: A PLA Navy tem conduzido desdobramentos em mares distantes, patrulhas antipirataria no Golfo de Áden, exercícios conjuntos com a Rússia e visitas a portos na África e na Oceania.[x] Suas operações recentes próximas à Austrália, durante as eleições federais de 2025, destacam a disposição de ampliar seu alcance a regiões historicamente dominadas por marinhas ocidentais.
Redefinição da Ordem Marítima: A China promove uma visão da lei marítima centrada na soberania, reivindicando extensas áreas no Mar do Sul da China e impondo restrições à atividade militar estrangeira em sua Zona Econômica Exclusiva.[xi] Essa interpretação contrasta com o modelo de acesso aberto sob a Pax Americana.
Rota da Seda Marítima: Projetos de infraestrutura sob a Iniciativa Cinturão e Rota incluem instalações portuárias no Oceano Índico e no Pacífico Sul. Muitas são de uso dual, capazes de apoiar tanto o comércio quanto as futuras operações logísticas da PLA Navy.[xii]
Sinalização Estratégica: Operações de presença no Pacífico Sul servem não apenas ao treinamento operacional, mas também à sinalização política. Elas comunicam à Austrália e aos EUA que Pequim pode exercer influência até mesmo em regiões anteriormente consideradas seguras sob a predominância ocidental.[xiii]
A dependência da Pax Americana na dominância naval está dando lugar a uma ordem marítima mais contestada, levantando a possibilidade de uma Pax Sinica emergente. Combinada com o substancial investimento chinês em capacidades de negação de área/antiacesso e com a evolução de sua própria força aeronaval [xiv], Pequim agora desafia a suposição de que porta-aviões americanos podem operar sem contestação, especialmente no Pacífico Ocidental. Como resultado, “Onde está o porta-aviões mais próximo?” já não é suficiente como pergunta isolada na gestão de crises dos EUA; talvez agora precise incluir uma pergunta suplementar: “…e onde estão os porta-aviões da PLA Navy?”
Para a Austrália, esses desenvolvimentos transformam estruturalmente a ordem marítima do Indo-Pacífico e ilustram como a dependência australiana de sua própria “primeira cadeia de ilhas” (isto é, o arquipélago indonésio) já não fornecerá um amortecedor confiável contra tensões regionais ou as crescentes ambições da RPC.

Navegando entre Percepção e Poder – Geopolítica e o Significado Mutável da “Ilha-Mundo”
O enorme peso estrutural da expansão da PLA Navy agora impulsiona um debate mais profundo, centrado não apenas na capacidade da China, mas também em sua intenção, continuidade e consequências estratégicas. Esse debate desafia analistas australianos a distinguir entre mera modernização militar e revisão estratégica fundamental. Duas análises influentes — “How New and Assertive Is China’s New Assertiveness?” de Alastair Iain Johnston[xv] e “The China factor in Australia’s defence strategy and alliance posture” de Euan Graham[xvi] — oferecem perspectivas contrastantes, porém complementares, que moldam as interpretações australianas do comportamento da RPC no contexto de uma Pax Sinica em evolução.
Johnston desafia a suposição popular de que a China passou recentemente por uma mudança comportamental dramática em sua atuação regional. Por meio do exame de padrões empíricos em eventos de crise e de sinais diplomáticos, ele conclui que a aparente “nova assertividade” reflete menos uma transformação na estratégia chinesa do que uma oscilação cíclica historicamente condicionada pela percepção de ameaça e de oportunidade.[xvii] Sob esse ponto de vista, percepções de novidade frequentemente surgem mais de mudanças na forma como atores externos — como a Austrália — interpretam o comportamento da RPC do que de mudanças fundamentais na cultura estratégica chinesa. Assim, a avaliação de ameaças australiana deve basear-se em análises de longo prazo e evitar confundir o crescimento da capacidade com revisionismo ideológico.
Graham, em contraste, enquadra o crescente poder militar e a influência política da China como motores estruturais da estratégia de defesa australiana. Ele enfatiza a importância da expansão do alcance chinês no Sudeste Asiático marítimo e no Pacífico Sul, o emprego de operações coercitivas em “zona cinzenta” e a tensão estratégica imposta à aliança duradoura da Austrália com os Estados Unidos.[xviii] Mesmo que o comportamento estratégico chinês se encaixe em um padrão histórico, seu poder material contemporâneo e sua proximidade aos interesses australianos elevam os riscos de coerção e de dependência estratégica.
Essas análises contemporâneas ecoam teorias geopolíticas mais profundas sobre a relação entre o poder marítimo, o poder terrestre e a ordem regional.
Considerar a Pax Sinica sob o prisma da geopolítica clássica revela implicações mais profundas para a Austrália e o amplo Indo-Pacífico. A famosa tese de Halford Mackinder propôs que a dominação da “Ilha-Mundo” (Eurásia) forneceria a base para a preeminência global, encapsulada na afirmação de que o controle do Heartland moldaria o destino do mundo.[xix] Historicamente, esse modelo situava a Ásia marítima na periferia. Contudo, a Iniciativa Cinturão e Rota da China — que conecta os interiores eurasiáticos às rotas de comércio marítimo — desfaz a distinção entre o poder continental e o oceânico. Essa abordagem estratégica híbrida sugere que a lógica geográfica da Ilha-Mundo pode estar se deslocando para o leste, com o Indo-Pacífico atuando simultaneamente como porta de entrada e como arena para um novo centro de gravidade.
A teoria do Rimland, de Nicholas Spykman, enfatizou a periferia marítima como o verdadeiro determinante do poder global.[xx] Essa visão permanece desconfortavelmente relevante para a Austrália moderna; a disputa que agora se desenrola ao longo do litoral do Indo-Pacífico — do Mar do Sul da China até a Segunda Cadeia de Ilhas — alinha-se de perto com a projeção de Spykman de que os poderes que moldam o Rimland moldam a ordem mundial. A expansão marítima da China e sua presença coercitiva refletem a aplicação prática dessa estratégia.
A assertividade chinesa pode não ser nova em sua origem, mas as forças estruturais que impulsionam a Pax Sinica — fusão continental-marítima, presença regional ampliada e projeção de influência no estratégico Rimland — tornam inevitavelmente novas suas consequências para a Austrália. A tarefa estratégica à frente envolve resistir ao alarmismo sem sucumbir à complacência, preservando a capacidade de ação australiana em meio a uma ordem regional e a uma geografia geopolítica em transformação.
A emergente Pax Sinica apresenta à Austrália um duplo desafio estratégico: enquanto a análise de Johnston sugere continuidade no comportamento assertivo da China, vendo-o como um padrão histórico e não uma mudança repentina, a perspectiva de Graham destaca o impacto revolucionário de seu poder material e da mudança estrutural de poder sobre o panorama de segurança australiano e sua postura de alianças. Essa convergência entre comportamento persistente e capacidade transformadora é amplificada pelas implicações espaciais e geopolíticas decorrentes das teorias de Mackinder e Spykman, nas quais a expansão simultânea da China por meio da Ilha-Mundo eurasiática (Heartland) e do Indo-Pacífico marítimo (Rimland) cria um poder híbrido que mina profundamente as antigas suposições espaciais da segurança australiana. Assim, a Austrália enfrenta um ambiente em que a forma da assertividade chinesa pode parecer familiar, mas suas consequências — impulsionadas pelo enorme peso estrutural e pelo novo alcance geopolítico — são profundamente desestabilizadoras para a ordem regional.
O Dilema Estratégico da Austrália

As operações de influência não são apenas digitais — também são marítimas. A postura assertiva da PLA Navy colocou a China no centro das eleições australianas de maio de 2025 e, coincidentemente, às vésperas das reuniões AUSMIN Austrália/EUA de dezembro de 2025 — nas quais Defesa e Política Externa (após a divulgação da revisão dos EUA sobre a aquisição de SSN do Pilar Um do AUKUS) eram temas centrais — Pequim sinaliza sua capacidade de pressionar Canberra em questões de segurança e política externa.
A postura expedicionária da PLA Navy próxima à Austrália levanta questões críticas, apresentando uma escolha entre duas interpretações principais:
Recalibração Estratégica: De uma perspectiva realista, as atividades da China podem simplesmente refletir a evolução natural das grandes potências. Historicamente, Estados em ascensão, como Grã-Bretanha, Japão e EUA, expandiram suas operações navais para além das águas costeiras à medida que seus interesses se globalizavam. Sob esse ângulo, os desdobramentos da PLA Navy próximos à Austrália representam uma recalibração, não uma provocação.[xxi]
Desafio Direto à Soberania: Alternativamente, esses desdobramentos podem constituir uma sinalização deliberada destinada a desestabilizar a Austrália. Canberra há muito considera o Pacífico Sul como seu “quintal estratégico”, central para sua identidade de defesa e diplomacia. Operações da PLA Navy nessa região podem ser interpretadas como incursões planejadas para contestar a primazia australiana e testar os compromissos de aliança da Austrália com os EUA.
Ambas as interpretações destacam o princípio de equilíbrio naval de Till. Se os desdobramentos da PLA Navy superarem as capacidades australianas e aliadas, o equilíbrio pode pender, encorajando Pequim a exercer alavancagem coercitiva no entorno estratégico da Austrália. Por outro lado, investimentos sustentados da Austrália em forças navais e parcerias regionais podem manter o equilíbrio, dissuadindo a coerção. A presença da PLA Navy próxima à Austrália não diz respeito apenas a operações navais — trata-se também de uma jogada deliberada de influência, com sua presença assertiva potencialmente moldando os debates de segurança e de política externa australianos.
Os desdobramentos navais são apenas uma faceta da abordagem chinesa; sua “caixa de ferramentas” de influência é igualmente significativa, empregando operações coordenadas de informação, pressão diplomática e sinalização militar estratégica.
- No Mar do Sul da China, Pequim tem utilizado mídia estatal, influência online e mensagens diplomáticas para retratar suas ações como legais e contidas, enquanto enquadra as FONOPs dos EUA e de aliados como desestabilizadoras. Essa narrativa busca deslegitimar a participação externa e reforçar as reivindicações de soberania chinesas.
- À medida que Canberra aprofunda a cooperação de defesa e a assistência aos Estados insulares do Pacífico, Pequim provavelmente intensificará seus próprios esforços. As operações de informação chinesas podem retratar as iniciativas australianas como neocoloniais, destinadas a minar a soberania local.
- A aplicação do “soft power” da RPC — seja por meio da utilização de laços comerciais e de investimento para pressionar Estados do Sudeste Asiático, seja por meio de pressão diplomática visando explorar divisões entre países do Pacífico e assim dificultar consenso em iniciativas de segurança lideradas pela Austrália — tende a se tornar cada vez mais provável, à medida que Pequim busca desencorajar alinhamento com iniciativas de segurança dos EUA ou aliados.[xxii]
Tais táticas complementam os desdobramentos navais ao moldar o ambiente político. Ao semear desconfiança em relação à Austrália, Pequim pode enfraquecer a capacidade de Canberra de formar coalizões, reduzindo, assim, a resiliência regional diante da coerção.
Esse desafio doméstico é agravado por pressões externas sobre a própria estrutura de alianças. A visão de Till sobre a ordem marítima repousa na legitimidade e no consenso, mas esse consenso se fragmenta diante da incerteza quanto ao garantidor da Pax Americana. Um fator estrutural-chave é a persistente expectativa de redistribuição do ônus estratégico dos EUA — frequentemente associada a uma potencial “doutrina Trump” — que pressiona aliados históricos dos EUA a assumirem maior responsabilidade por sua própria segurança. No Indo-Pacífico, isso levanta uma questão crucial: podem as potências regionais manter a boa ordem no mar sem pleno respaldo dos EUA? Se Washington reduzir seus compromissos navais na região, a Austrália e outros atores regionais precisarão se mover rapidamente para preencher a lacuna — caso contrário, a China explorará a incerteza.
Se os EUA já não puderem garantir sozinhos a estabilidade, respostas multilaterais — como AUKUS e o Quad — podem moldar novas regras, mas interesses nacionais e prioridades concorrentes dificilmente substituirão por completo a lacuna deixada pela Pax Americana. Com expectativas herdadas da era Trump ainda presentes, países como Austrália, Japão e Índia estão expandindo suas capacidades navais. A mudança de política americana pode acelerar um Indo-Pacífico multipolar, no qual a segurança depende de coalizões regionais — não da primazia dos EUA.
Conclusão
Como o ensaio começou examinando o papel histórico da ordem marítima, torna-se evidente que o Indo-Pacífico agora enfrenta uma transição decisiva, exigindo que a Austrália recalibre sua estratégia em resposta à ascensão de uma Pax Sinica. O arcabouço de Till fornece uma lente valiosa para compreender a evolução das dinâmicas marítimas no Indo-Pacífico. Sua ênfase em equilíbrios navais estáveis e na liberdade de navegação evidencia a fragilidade da ordem atual. A presente transição marítima do Indo-Pacífico representa uma profunda mudança estratégica para a Austrália, que passa de uma era de segurança assegurada sob a primazia dos EUA para uma ordem regional contestada. Essa transição exige uma resposta australiana proativa e resiliente, definida pelos três imperativos a seguir:
A Estrutura da Ordem Marítima Está Mudando: A Pax Americana estabelecida, caracterizada pela predominância naval esmagadora dos EUA e pela liberdade universal de navegação, está sendo desafiada por uma estrutura regional emergente. A crescente assertividade da PLA Navy e a ampliação das operações de influência indicam um afastamento do sistema atual rumo a um cenário em que o acesso marítimo e a estabilidade regional podem ser condicionados às preferências estratégicas e políticas de Pequim.
A Austrália Enfrenta Menor Dependência da Primazia dos EUA: A tradicional dependência de Canberra da garantia de segurança dos EUA para manter a ordem no Indo-Pacífico está diminuindo. À medida que os EUA recalibram seus compromissos globais, a Austrália deve assumir maior responsabilidade pela segurança regional. Isso requer investimentos significativos em capacidades navais soberanas e de consciência situacional no domínio marítimo, além da implementação urgente e do aprofundamento da cooperação de defesa com parceiros-chave no Quad, no AUKUS e entre os Estados das Ilhas do Pacífico.
A Austrália Deve Manter Ativamente o Equilíbrio e a Resiliência Marítima: O futuro ambiente de segurança será determinado pela capacidade australiana de dissuadir ativamente a coerção. Isso envolve manter um equilíbrio naval estável frente à PLA-N e, simultaneamente, construir uma resiliência abrangente contra o conjunto de ferramentas de influência da China — especificamente, resistindo à pressão diplomática e contra-atacando operações de informação para salvaguardar a autonomia doméstica e preservar parcerias regionais[xxiii].
Embora o surgimento de uma Pax Sinica — uma ordem regional liderada pela China — possa, aparentemente, oferecer uma forma de estabilidade ao prevenir conflitos e garantir rotas comerciais, essa estabilidade viria a um custo estratégico palpável para a Austrália. Essa nova ordem provavelmente implicaria a aplicação de influência hegemônica, manifestando-se para Canberra como redução da autonomia estratégica, maior vulnerabilidade à coerção econômica e pressão intensificada para alinhar políticas nacionais aos interesses chineses, como já prenunciado pelo uso da postura da PLA Navy para influenciar o discurso político interno australiano.
*Na religião grega, Nereu é o deus do mar, chamado por Homero de “Velho do Mar”, conhecido por sua sabedoria e profecia, considerado gentil e confiável.
Notas
[1] Pax é definida como um período de paz imposto a uma vasta área, como um império ou mesmo o mundo inteiro, pela nação mais poderosa da época, por exemplo, Pax Romana (= a paz imposta por Roma ao seu império).
[2] Em uma declaração feita em 1993 a bordo do USS Theodore Roosevelt, o presidente Clinton afirmou: “Quando se fala de uma crise em Washington, não é por acaso que a primeira pergunta que vem à mente de todos é: ‘Onde está o porta-aviões mais próximo?'”
[i] Geoffrey Till, Seapower: A Guide for the Twenty-First Century, 5th ed. (London: Routledge, 2024), 56–61.
[ii] Till, Seapower, 12–17.
[iii] Till, Seapower, 73–74.
[iv] James Kraska, ‘ 1 .The Law of the Sea Convention: A National Security Success—Global Strategic Mobility through the Rule of Law,’ 1 . George Washington International Law Review 39, no. 3 (2007): 543–557.
[v] Samuel Huntington, ‘ 1 .National Policy and the Transoceanic Navy,’ 1 . U.S. Naval Institute Proceedings (May 1954).
[vi] Raul Pedrozo, ‘ 1 .Preserving Navigational Rights and Freedoms: The Right to Conduct Military Activities in China’s Exclusive Economic Zone,’ 1 . Chinese Journal of International Law 9, no. 1 (2010): 9–29.
[vii] Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers (New York: Vintage, 1987), 514–518
[viii] John J. Mearsheimer, The Tragedy of Great Power Politics (New York: W.W. Norton, 2001), p. 83.
[ix] Ronald O’Rourke, China Naval Modernization: Implications for U.S. Navy Capabilities (Congressional Research Service, 2024).
[x] Andrew Erickson and Ryan Martinson, eds., China’s Maritime Gray Zone Operations (Annapolis: Naval Institute Press, 2019).
[xi] Bill Hayton, The South China Sea: The Struggle for Power in Asia (New Haven: Yale University Press, 2014), 152–156.
[xii] David Brewster, ‘ 1 .China’s Belt and Road Initiative and the South Pacific,’ 1 . Asia Policy 15, no. 3 (2020): 45–72
[xiii] Rory Medcalf, Indo-Pacific Empire (Manchester: Manchester University Press, 2020), 198–202.
[xiv] Andrew Erickson, Chinese Naval Shipbuilding: An Ambitious and Uncertain Course (Annapolis: Naval Institute Press, 2016), pp. 15–20.
[xv] Alastair Iain Johnston; How New and Assertive Is China’s New Assertiveness?. International Security 2013; 37 (4): 7–48
[xvi] Euan Graham, ‘The China factor in Australia’s defence strategy and alliance posture’, in Australia’s American Alliance, ed. Peter J. Dean et al. (Melbourne: Melbourne University Press, 2016), pp. 117–135.
[xvii] Johnston, ibid.
[xviii] Graham, ibid
[xix] Halford J. Mackinder, ‘The Geographical Pivot of History’, The Geographical Journal, 23:4 (1904), pp. 421–437.
[xx] Nicholas J. Spykman, The Geography of the Peace (New York: Harcourt, Brace, 1944).
[xxi] Geoffrey Till, ‘ 1 .The Development of Blue-Water Navies,’ 1 . in Seapower in the Asia-Pacific (London: Routledge, 2013), 117–134.
[xxii] Mark Valencia, ‘ 1 .ASEAN and the South China Sea Disputes: Unity or Fragmentation?’ 1 . Contemporary Southeast Asia 37, no. 1 (2015): 86–111.
[xxiii] Australian Government, Defence Strategic Review (Canberra: Commonwealth of Australia, 2023).
FONTE: Australian Naval Institute (ANI)

Puro lixo este texto. Já começa comum estrondoso erro ao afirmar que o poderio naval estadunidense garante a liberdade de navegação no mundo inteiro, enquanto são os próprios EUA que praticam pirataria no Caribe. Por outro lado afirma que a ascenção do poder naval chinês oferece o risco de seletividade nas navegações, sem uma única evidência neste sentido. Nem terminei de ler porque é um lixo.
Propaganda dos falantes de inglês.
Não chamarei o texto de lixo, mas sobre o ponto que você levantou, também tive o mesmo questionamento:
Se a China é a “fabrica do mundo”, e a “fabrica do mundo” precisa, logicamente, exportar pro mundo, e se quase toda sua produção é “escoada” via marítima, porque diabos a China, supostamente, iria impedir essa liberdade de navegação que tanto a beneficia?
É como dizer que o Brasil, que depende fortemente da exportação de commodities, iria colocar empecilhos pra exportar isso, ou seja, não faz sentido nenhum.
Ela protege ela de ter liberdade e impede os outros.
Já viu a Guarda Costeira chinesa jogando o navio em navios japoneses, ou filipinos ou vietnamitas?
É essa a ideia.
Sim invaindo o mar do sul nas Filipinas, Vietnã, Brunei e Malásia e construindo plataformas/ilhas artificais.
Inocencia é foda
falar como se esses mesmos países não fizessem ou tentam fazer entre si as mesmas coisas que a China faz seria ingenuidade, as mesmas areas que a China disputa com esses países são em sua maioria disputadas por vários países, incluindo os que reclamam da China fazem o mesmo com outros países
Disputa não quer dizer que tenha que ser resolvido na base da força e fora das leis internacionais.
Usar China como exemplo nesse sentido só mostra desconhecimento do que está acontecendo sendo que estão fazendo o mesmo que os EUA fazem.
Sério?
Onde os EUA está abalroando navios e impedindo seu trajeto há anos?
O único lugar q os EUA está apertando é a VNZ… q aliás… a maioria acha correto, pra acabar aquele regime infame….
Das colônias que ainda existem, (sim, existem) quantas a China possui ?
A China só não tem colônia, pq tomou pau por décadas… ou séculos ….e so agora está se fortalecendo.
Mais um texto que irritou o webcomuna de plantão. Engraçado que o Irã que é apoiado pela China também vive sequestrando navios mas quando os EUA sequestram navios sancionados aí vocês fazem um alarde. E isso é sempre quando se trata de defender uma ditadura qualquer ,nunca muda o roteiro.
O número de embarcações sancionadas sequestradas pelos EUA não chega a 1% do número de embarcações com navegação assegurada pelos EUA e aliados incluindo em áreas contestadas pela China .
Essa gente não tem capacidade de análise.
Tudo dos EUA é ruim e tudo comuna é bom…
O texto tem muitos conceitos e reflexões válidas, mas como tudo provém de uma visão, é claro que a opinião do autor não poderia escapar no desenvolvimento do texto, o que não diminui a análise, mas deixa pontos de desacordo. Pessoalmente, nesse trecho que você citou, eu discordo da análise do autor da matéria.
Acho que o título do texto já induz como seria o conteúdo:
A visão australiana da pax americana sendo substituída pela pax sinica, apesar de que isso não existe.
“Diferentemente da Pax Americana, que sustentava a liberdade de navegação como uma norma universal, o surgimento da República Popular da China (RPC) como grande potência marítima — e os primeiros sinais de uma Pax Sinica — traz o risco de privilegiar acesso seletivo e arranjos hierárquicos. Nesta ordem, a China poderia condicionar o acesso a rotas marítimas ou a cooperação regional à conformidade política, minando a universalidade da abertura marítima concebida pelos formuladores da UNCLOS.” Os americanos são tão imersos em sua propaganda que nem vem à cabeça do autor questionar (ou mesmo mencionar) o fato de que os EUA… Read more »
Exatamente! Comentário lúcido!
Olá André. A discussão pode ir mais longe. Ao final da II Guerra, os EUA lideram uma nova ordem mundial baseado em Instituições e regras, incluindo a ONU, FMI, Banco Mundial e todas as agências internacionais de regulamentação. O tratado de Bretton Woold organizou a estrutura mundical de comércio ao adotar o dolar como moeda internacional de comércio lastreado em ouro. Se pernsarmos em 1944, fazia sentido usar uma moeda física como referência de comércio exterior. A ausẽncia de comunicações instantâneas siginficaria atrasos de minutos ou horas no registro da transação, o que poderia causar enormes prejuízos para o vendedor… Read more »
Oi, mestre Camargoer. O Brasil acabou de receber um ‘tarifaço’ chinês sobre nossas exportações de carne bovina: tarifa geral de 12% mais uma tarifa adicional de 55% sobre o que ultrapassar a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Ano passado exportamos quase 1,5 milhão só pra China. A China aprendeu com Trump e viu que o Brasil não está perfeitamente alinhado. Difícil se equilibrar entre dois monstros em competição: provavelmente, sem o alinhamento inequívoco, venhamos a sofrer novo duplo golpe. E, se alinhados, sofreremos um mais forte golpe simples…
Talvez uma negociação bem feita reduza isso, o Brasil ainda tem a maior cota dentre os países que exportam pra lá. É verdade que o Brasil (ao contrário do que muitos pensam) nunca se alinhou realmente com a China e sempre adotou uma postura cautelosa depois que deixou de se alinhar com os EUA e que esses deixaram de ser os principais parceiros comerciais do Brasil, mas o novo plano quinquenal chinês já está em vigor agora e um dos focos é justamente a autossuficiência.
Ola Alex. Sobre as tarifas comerciais, é (em princípio) uma decisão soberana do importador. As tarifas servem para regular o mercado interno e as relações comerciais com outros países. Suponha um país pré-industrializado que seja produtor de carne. Em um dado momento (para ficarmos no contexto da Trilogia) este país faz uma compra militar substantitava. Uma das possibilidades para garantir a exportação e os pagamentos deste material militar é dar ao comprador um privilégio de isenção de taxas de importação até um determinada cota e taxar as demais imporções de carne de outros países. É importante lembrar que há um… Read more »
Parece-me, salvo engano, que a China quer depender menos da proteína animal brasileira (o que ainda não aconteceu com soja que não é pra consumo humano mas pra alimentação de rebanhos). Segurança alimentar é pra China, corretamente, uma prioridade: haverão de diversificar fornecedores pra ter resiliência a eventuais bloqueios. O Brasil, por seu turno, procurará, certamente, novos compradores – mas está numa situação geopolítica periclitante e já há propaganda de finalidade comprometedora em língua inglesa sobre ‘a rebelião’ brasileira liderando o sul global. Do que falam? Da ficção que vai fundamentar futuras intervenções ‘pacificadoras’… Como eu disse, vai ser o… Read more »
Ótima análise, mestre, o dólar não pode continuar sendo a moeda global e ao mesmo tempo sujeito aos interesses de um país que pode muito bem cometer arbitrariedades que são vistas atualmente, qualquer alternativa ao dólar vai demorar um tempo considerável pra se consolidar, claro, mas é essencial buscar. Existe um certo alívio, no entanto, de ver que o a hegemonia americana não é mais “suprema”.
Se os EUA não respeitassem, com a força q eles têm de projetar poder por céu, mar e terra, a navegação no mundo inteiro seria outra.
Os locais onde os EUA não respeitaram, foi única e simplesmente pelo estado de beligerância causado pelo próprio impedido.
Ou por conflito direto ou por proxys.
Normalmente quem discorda, apoia estes narcoestados ou ditaduras fundamentalistas propagadores de terrorismo.
Não é pq eles escolhem suas arbitrariedades que eles respeitam o tratado, você esquece que eles ainda precisam manter a piada de que são “líderes do Mundo Livre” (muitas aspas aqui). “Os locais onde os EUA não respeitaram, foi única e simplesmente pelo estado de beligerância causado pelo próprio impedido. Ou por conflito direto ou por proxys.” Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ah tá certo, se os EUA fez é pq é o certo né? As vezes saber ler é um fardo. Normalmente quem concorda apoia o país que mais patrocinou ditaduras, incluindo narcoestados, vide Noriega, vide o perdão recente de Trump ao presidente… Read more »
A China jamais deu sinais de querer dominar outros países ou mares. A prosperidade deles dependem das trocas comerciais com todo o mundo. Zero sentido esse texto…
O Mar do Sul da China é claramente um mar de grandes ambições para a RPC/PLA, mas definitivamente é o mesmo que os EUA já fizeram no passado com o Golfo do México/America.
Desculpe pela ignorância, estou aqui para aprender também, e após uma pesquisa rápida nada encontrei, então, o que os EUA fizeram no passado com o “Golfo” ? EUA e México o compartilham, o México inclusive tem direito a uma área maior. . EUA e México já entraram em guerra, há muita polêmica sobre isso, mas, também houve um tempo – durante a Guerra Civil nos EUA – que a França interveio seriamente levando os EUA a enviar tropas no fim de 1865, parte delas comandadas por Custer que sendo um dos meus assuntos preferidos, lembrei, o que fortaleceu a relação… Read more »
O objetivo da China no Mar do Sul da China (MSC) é o mesmo que os Estados Unidos conseguiram estabelecer após o século XIX no Golfo: hegemonia. A tentativa chinesa de transformar o MSC em Mare Nostrum como os americanos conseguiram no Golfo é um reflexo dos mesmos objetivos por caminhos diferentes. No mesmo momento que os EUA despontaram como potência regional capaz de disputar o território das Américas com os europeus, sua história no mundo se orientou pelas estratégias do presidente James Monroe (1817-1825), que no dia 2 de dezembro de 1823 enviou ao Congresso norte-americano a famosa mensagem… Read more »
Só lembrando que a doutrina Monroe não queria proibir o comércio das Américas com o velho continente (coisa que a doutrina Donroe, NSS2025, exige explicitamente em relação a Rússia e China), apenas interditava qualquer tentativa de imposição de interesses europeus via manu militari. Evidentemente, as companhias americanas eram a ponta de lança do poder ianque e, quando obstaculizadas, implantavam postos de metralhadoras, invocavam cantoneiras, ameaçavam invasões, depunham potentados locais, o tal imperialismo que todos conhecem do famoso caso da ação da United Fruit Co na Colômbia no início do XX (o banana massacre, feito pelas forças colombianas contra funcionários grevistas… Read more »
Tá, você escreveu muito sobre os “malvados americanos”, mas, eles proibiram o uso do Golfo pelo México ?.
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Continuo ignorante sobre o que os EUA fizeram ao Golfo do México e os
que me negativaram e que provavelmente sabem, não ajudaram. 🙁
Eu acho que fui bem claro quanto ao contexto simétrico entre China e EUA.
Talvez você relendo duas ou três vezes, consiga interpretar o que eu tentei comentar.
?????????????
Acho q vivemos em mundos diferentes….
O problema do pensador naval é que ele considera a realidade naval como sendo primária e todo o resto derivado – daí a ficção de que marinha hegemonica/imperial proteja as linhas de comunicação do comércio maritimo pelo bem geral e universal da comunidade das nações. É o contrário: a realidade naval é derivada de uma estrutura superior que a estabelece, mantém ou altera: a regulação da ordem nas SLOCs tem caráter universal porque todo o mundo deve operar de acordo com os interesses hegemônicos/imperiais codificados em tratados e regulações. Essa é a essência de toda Pax: manda quem pode, obedece… Read more »
Alex, essa parte do seu post “A China causa abominação no ocidente porque uniu com sucesso duas coisas atrozes que o ocidente sempre lutou pra mitigar: capitalismo selvagem e estado autoritário” é onde eu mais me preocupo. O capitalismo nunca precisou de democracia, sempre precisou de estabilidade. E a China é exemplo disso, eu vejo um mundo mais “cada um por si” nos próximos anos.