SSBN INS Arihant

INS Arihant (S2)

A Marinha da Índia deu um passo marcante no fortalecimento de sua dissuasão nuclear marítima com o envio ao mar do quarto submarino nuclear de mísseis balísticos (SSBN) da classe Arihant, designado S4*, para o início de provas de mar.

A embarcação, com cerca de 7.000 toneladas de deslocamento, deixou o cais do Shipbuilding Centre, em Visakhapatnam, na última semana e entrou na fase de testes em alto-mar, um passo fundamental antes do seu comissionamento futuro na frota.

O S4* — às vezes referido simplesmente como “quatro-estrelas” — representa o último submarino da atual geração Arihant e carrega um carregamento robusto de oito mísseis balísticos lançados por submarino (SLBMs) K-4, cada um com alcance superior a 3.500 km, ampliando a capacidade de dissuasão estratégica da Índia sem a necessidade de se aproximar de costas hostis.

A introdução do S4* ocorre no momento em que o programa de submarinos nucleares indianos, iniciado no âmbito do projeto Advanced Technology Vessel (ATV), alcança um novo patamar. O programa já conta com pelo menos duas unidades operacionais: INS Arihant (S2) e INS Arighaat (S3). Outra — INS Aridhaman (S4)— concluiu recentemente os seus próprios ensaios de mar e está prevista para entrar em serviço em 2026.

Os testes de mar podem se estender por cerca de um ano antes da incorporação formal à Marinha, prevista para início de 2027.

A continuidade do programa não apenas reforça a tríade nuclear indiana — integrando forças terrestres, aéreas e marítimas — como também aumenta a capacidade de Nova Déli de manter uma presença estratégica no Oceano Índico e além, em um contexto marcado por disputas regionais e desafios geopolíticos crescentes.

O desenvolvimento do S-4* também atua como ponte tecnológica e operacional para a próxima geração de submarinos da Índia, a classe S5, que está em fase inicial de construção e prevista para introdução na década de 2030.■


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Esteves

O que vem? A classe S5 da Índia nascerá com um objetivo de colocar o país no mesmo patamar estratégico das potências nucleares marítimas, sem buscar paridade com EUA ou Rússia. Isso não seria estratégico. A S5 está pensada para garantir uma segunda retaliação confiável, algo que a classe Arihant ainda cumpre de forma limitada. Qual seria esse inimigo? A S5 será significativamente maior que os submarinos indianos atuais. Com cerca de 13.000–13.500 toneladas submersas, ela se aproxima do deslocamento dos Borei (24.000 t submersos com casco mais volumoso) e supera os Vanguard (15.900 t submersos) e abaixo dos Ohio… Read more »

rui mendes

Que grandes contas!!!!??!!

Renato B.

Falando no assunto, li um livro chamado 2034 descrevendo uma guerra naval entre a China e os EUA com um inusitada participação indiana.

Thrash Metal

Os projetos e desenvolvimento das classes de submarino nuclear da Marinha da Índia é com parceria dos Franceses?

Dalton

A Rússia teve uma grande participação. Só mais recentemente a Índia aproximou-se dos EUA e seus aliados – como a França – no que tange à aquisição de tecnologia, armamento e parcerias, mas, a relação com a Rússia permanece forte.

Kaziranga

Li há bastante tempo que os russos deram uma ajuda na miniaturizacao do reator do primeiro submarino mas os demais, não. Inclusive o reator do terceiro já é maior e mais potente.

BraZil

Principalmente Russa. Praticamente todo o desenvolvimento dessa dissuasão se deve a acordos co ma Rússia. TOT, arrendamento de submarinos, treinamento, doutrina inicial etc. Recentemente é que houve tratativas com o ocidente.

RSmith

nao!

Abymael2

Não sou expert no assunto, mas me parece que a ìndia deu uma grande guinada para o desenvolvimento a partir de Narendra Modi. Assim como a Rússia com Putin e a Turquia com Erdogan. O que me leva a pensar que certas culturas só progridem mesmo quando alguém governa com amplos poderes, quase a famosa mão de ferro. Não sei se é por isso ou quais as razões, mas há muitos exemplos além desses.

Esteves

O que seria “mão de ferro”?

Abymael2

Você entendeu, caríssimo Esteves. Mas então, para melhorar minhas mal traçadas linhas, mudemos então para “governantes autoritários com mais poder concentrado nas suas mãos” do que um país tipicamente democrático, e que ficam no poder por mais tempo, sem a tal alternância.
Aproveito para lhe desejar um ótimo 2026, leio sempre seus comentários.

Esteves

Muitos países democratas aonde existe alternância de poder também deram guinadas no desenvolvimento tecnológico ou sustentaram esse desenvolvimento justamente por serem democráticos.

Ótimo 2026 para ti também.

José Joaquim da Silva Santos

EDITADO:

6 – Mantenha-se o máximo possível no tema da matéria, para o assunto não se desviar para temas totalmente desconectados do foco da discussão.

José Joaquim da Silva Santos

Simplesmente perfeito o ponto ! Me pergunto quanto tempo ainda levaremos pra acordar…

Tem mais um ponto: essas ‘democracias cheirosas’ endeusadas pela mídia estão várias perdendo relevância nesse novo rearranjo geopolítico mundial, França, RU, Alemanha são alguns exemplos.

Last edited 1 mês atrás by José Joaquim da Silva Santos
Vinicius

Democracia é a maior mentira que nos fizeram acreditar… Nós podemos votar, podemos isso, podemos aquilo e a verdade é que não podemos nada! O referendo sobre o desarmamento, em 2005, mostrou muito bem as vantagens da “democracia”.

Lúcio Sátiro

Concordo. Na verdade isso é feito só para enganar o povo e fazer todo mundo de trouxa. O povo não manda é em nada.

BraZil

Isso é fato Abymael. O que se convenciona chamar de “Déspotas esclarecidos” são a força motriz de todas as grandes potências. A história nos ensina isso com sobejo. Não adianta ser apenas “déspota” ou apenas “esclarecido”. É preciso uma fina sintonia, para dar certo, por isso mesmo não existe fórmula. Alguns chamam de destino nacional, outros de sorte. Mas os exemplos são vários, desde Ramsés II, passando por Elizabeth I, Pedro o grande, Stalin e chegando aos que vc citou. No Brasil tivemos o Vargas, mas como tudo aqui acaba eternamente em samba, não vingamos. Aliás, somos a pátria do… Read more »

EduardoSP

Acho que se fizer uma estatística histórica, a grande maioria dos países governados com mãos de ferro serviram apenas para um grupo se locupletar. A América Latina, a África, o Oriente Médio e a Ásia estão cheios de exemplos contrários ao que você está sugerindo.

Fabio Araujo

Recentemente o Paquistão lançou um submarino construído na China, agora a Índia lança ao quatro submarinos nuclear feitos localmente!

Joao

Com a capacidade de impor sua vontade a outras potências, a Índia passa a ser realmente uma potência que pode integrar o núcleo permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Abymael2

Esse SSBN indiano parece uma mistura do soviético classe Yankee com aquele SSBN inglês dos anos 80, anterior ao atual, que não recordo o nome agora.
Achei bem legal o desenho, clássico. E a cada versão estão melhorando.

Dalton

Anterior ao “atual” só pode ser a classe Resolution que permaneceu em serviço entre as décadas de 1960 e 1990 portanto “anos 80” também, mas, como essa classe também não tinha os lemes na vela, pessoalmente não acho “parecido” ,acho mais parecido com a classe soviética/russa “Delta” do que a predecessora “Yankee” por causa da maior altura do compartimento de mísseis.

Abymael2

Resolution, essa mesma. Mas você tem razão, sua comparação foi melhor que a minha.

rui mendes

Nos mísseis SLBM ainda existe uma grande diferença, entre um Tridente D5 ou um M-51.3, ou Bulava para os K4 Indianos, no alcance, todos os 3 têm mais do dobro e outros quase o triplo do alcance do K4 e a velocidade de um K4, acho que é Mach 7, enquanto um M-51.3 é de Mach 25, fora os Mirv e ogivas.
Os Russos então ainda é maior a diferença dos seus SLBM.

rui mendes

Os Chineses com os JL-3 estão no mesmo patamar de Rússia e os países nucleares da Nato.

ChinEs

O JL-3 leva 10 Mirvs com alcance de 10.000 Km, similar ao D5 trident e o BULAVA.

rui mendes

E o M-51.3 Francês.

Macgarem

Caraca 4 de uma vez e a gente lutando para 1

ChinEs

O objectivo é a India não perder o poder de paridade com a China, em 2030 a China vai lançar o SSBN Type096 Tang com 16 SLBM JL-3 com um deslocamento de 20 mil Toneladas, a China vai construir 6 unidades, da mesma forma a India planeja lançar 6 SSBN S5 em 2 batchs. O mesmo com o SSGN Type095 Sui com 24 Misseis Hipersonicos YJ20 ou CJ10 com um deslocamento de 10 mil Toneladas, a India vai construir 6 SSGN idênticos aos Chineses.

adriano Madureira

“submarino nuclear de mísseis balísticos (SSBN)”…

Fosse aqui no Brasil, nosso garboso e corajoso almirantado, teria dado um nome mais pacífico, para não incomodar os ouvidos delicados de nossos“aliados” estrangeiros.



YUFERFLLO

e não teria nenhum problema nisso, não importa o que você chame, o que importa é o que ele pode fazer, não importa se você chame uma ogiva nuclear de arma para manter a paz, ela continua sendo uma ogiva nuclear

Dalton

Não adianta, já tentei várias vezes explicar inclusive reproduzindo aqui matérias em inglês de fontes americanas, australianas e britânicas onde lá também referem-se aos próprios submarinos como “Conventionaly Armed Nuclear Submarines, para melhor compreensão do público leigo que é extremamente grande, como aliás, já pude perceber quando em longas filas para visitar navios da marinha brasileira e da US Navy, mas, como minha credibilidade é baixa, será necessário mais alguém. . O acrônimo para submarinos nucleares como o futuro “Álvaro Alberto” de países anglo saxões por exemplo é “SSN” simplesmente submarino nuclear, como o mais novo Virginia o “Idaho” SSN… Read more »

Dom Lazier

Submarino de propulsão nuclear convencionalmente armado com misseis de longo alcance

Dom Lazier

Cara, isso que me quebra, A Índia tem capacidade de aperfeiçoamento de tecnologias e o Brasil não, tipo se o Brasil já tinha capacidade de construir fragatas pra que comprar um novo projeto dos alemães? a mesma coisa com os submarinos.

RODRIGO

Mais duvido que a Índia terá uma GTE igual o nosso…

Em 2025 a Índia ultrapassou o Brasil saneamento básico tambem.
.

Vila Nova

Um sonho ver o Brasil nesse nível de soberania!

Glaucus Lima

Na tríade nuclear indiana, qual a aeronave que lança o míssil nuclear?