Marinha dos EUA revela novos detalhes sobre o programa de fragatas FF(X) durante painel em Surface Navy 2026

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FFG(X) - 2

A Marinha dos Estados Unidos apresentou novidades sobre o programa FF(X) — sua nova classe de fragatas — durante o painel Future Fleet na conferência Surface Navy 2026. O evento foi moderado por Chris Miller, diretor executivo da Naval Sea Systems Command (NAVSEA), e contou com a participação do Contra-Almirante Derek Trinque, diretor de Surface Warfare (N96) da Marinha americana.

O painel detalhou a evolução do programa FF(X) como parte da estratégia naval para apoiar uma frota mais ágil, rápida e numerosa, que complemente os navios de grande porte existentes e atenda às necessidades operacionais globais da Marinha.

Novo patamar de fragatas leves

O FF(X) representa uma grande mudança  em relação ao programa de fragatas Constellation FFG-62, que vinha enfrentando atrasos e custos crescentes. O projeto FF(X) adotará uma filosofia mais focada na velocidade de produção e na versatilidade operacional, com base no casco dos cutters da classe Legend da Guarda Costeira dos EUA, já comprovados em serviço.

Segundo Trinque, o FF(X) não é simplesmente uma réplica do modelo anterior de fragata de alta complexidade, mas uma plataforma modular, ágil e de rápido emprego, projetada para preencher o “lado leve” da força de superfície em desenvolvimento. Isso permitirá maior flexibilidade em missões variadas, desde a escolta até operações distribuídas em cenários internacionais.

Arte digital de 大包CG da FFG-62 e FF(X) com VLS incluído 

Características e cronograma

O novo design baseia-se no casco do National Security Cutter (NSC), ampliando sua capacidade por meio de sistemas militares adaptados especificamente às fragatas FF(X).

O navio contará com um armamento diversificado, composto por um canhão principal de 57 mm, um canhão auxiliar de 30 mm, um lançador Mk-49 equipado com 21 mísseis Rolling Airframe Missile (RAM) e um espaço modular na popa capaz de transportar até 16 mísseis Naval Strike Missile, 48 mísseis Hellfire ou outros sistemas de armas acondicionados em contêineres. A guerra eletrônica será assegurada por dois conjuntos SLQ-32 (V)6, complementados por dois lançadores de despistamento Nulka, destinados à autoproteção do navio.

Está prevista a construção de entre 50 e 65 navios, distribuídos em diferentes lotes (flights), o que permitirá a incorporação gradual de melhorias ao longo do ciclo de produção da classe.

Embora ainda não estejam definidos quais aprimoramentos serão adotados no futuro, permanecem em estudo possibilidades, como a integração de células de lançamento vertical (VLS) e a modernização de sensores e de sistemas de combate à medida que o programa evoluir.

A Marinha dos EUA pretende lançar a primeira fragata FF(X) até 2028, seguindo a decisão de cancelar a classe Constellation e de acelerar a entrega de unidades mais acessíveis e produzíveis em maior número.

Contexto estratégico

O programa FF(X) faz parte de uma estratégia mais ampla da Marinha dos EUA para enfrentar novos desafios navais, reduzindo lacunas decorrentes da desativação das fragatas FFG-7 e do problemático programa LCS, atendendo à necessidade de maior projeção de poder em múltiplos teatros.■


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Dagor Dagorath

Por qual motivo a USN não aproveitou o projeto da F-100 espanhola na Classe Constellation? É um desenho já integrado ao sistema AEGIS, não parecia necessitar de grandes modificações como a FREMM italiana.

Alemberg Domingos

Por um motivo óbvio, os EUA não faz navios em outros países. Quanto ao sistema empregado os EUA não mandam o pacote completo, só o básico.

Dalton

A “F-100” – que seria construída nos EUA pela General Dynamics – foi uma das participantes da competição, mas, perdeu para a “FREMM”.

Alex Barreto Cypriano

O CNO, almirante Daryl Caudle, um submarinista, avisa que a construção naval distribuída modular das FF(X) (qual o nome da classe, mesmo? Final Fantasy?…) vai propulsar os números de unidades entregues. Modularidade, que não é novidade na construção naval ianque desde a WWII, e que fez milagre na construção de modernos submarinos nucleares, voltou a ser método mágico de aumento de output, prevendo o uso de estaleiros estrangeiros (adivinha de que países?…), inclusive se adotarem sistema métrico de unidades (aposto que boa parte do problema com o redesign da quase saudosa classe Constellation foi a necessidade de transcrever/traduzir um projeto/objeto… Read more »

Alemberg Domingos

Conhecimento é tudo, vc poderia passar esse artigo do Comandante de Operações Navais do EUA? bem interessante a sua matéria, milagre em submarinos modernos, uso de estaleiros estrangeiros, saudosa classe Constellation ( pensava até que era uma nova classe pós o seguimento OPV. sistema métricos (qual), canhão fora do eixo, explique como isso ocorre. Abraços, é bom ter informações de especialistas.

Alex Barreto Cypriano

Olhe este artigo, Alemberg: https://www.twz.com/sea/navys-top-admiral-eyes-modular-construction-to-speed-new-frigate-construction Serei sucinto sobre o que não responde o artigo compartilhado: •SSNs e SSBNs, embarcações complexas e com outfit muito denso, são construídos mais rapidamente com técnicas de construção modular. •saudosa classe Constellation porque ela foi cancelada, mas é uma ironia. •sistema métrico e o sistema inglês de unidades têm diferenças consideráveis nos seus respectivos âmbitos de engenharia mecânica: p.e. um parafuso, a máquina mais simples que existe, de 3/8″ não ajusta num furo pra parafuso M10 não somente pela pequena diferença de diâmetro mas pelo tipo de rosca. •um canhão único costuma ser instalado no… Read more »

Moriah

Exatamente, não faz sentido ter apenas num dos bordos…tem que ser 2 e de baixo ângulo, mais um VLS Mk41 para 32 essm pelo menos.

Alemberg Domingos

Ué, o congresso americano não tinha arvorado esse projeto? uma foi iniciada e 5 contratada, que eu saiba o gato subiu no telhado e vem uma nova classe de maior tonelagem e bem mais armada.

Tutu

Enquanto eles ficam de idas e vindas cada vez mais Types 52, 54 e 55 vão aparecendo no horizonte do Pacífico. Acho que nesse momento mais importante que escolher o melhor é escolher alguma coisa.

Mauricio R.

Que tal uma FFG-7, “long hull” repaginada?

Marcelo Andrade

Pelo contrário, menos e mais barata para ser produzida em maior quantidade

Alemberg Domingos

Acabei de ver que o custo da nova Classe (Trump) de cada unidade será de 22 bilhões de dólares, o custo do Gerald Ford foi de 5,1 bi. https://www.youtube.com/watch?v=Alw1DDAenwY

Alex Barreto Cypriano

Acho que você está confundindo uns fatos, Alemberg. A classe Constellation, FFG-62, foi cancelada (decisão do SecNavy John Phelan) mas ,dizem, vão completar a construção da Constellation, a fragata de mísseis guiados líder da classe (eu não acredito que o farão). A FF(X), que não é fragata de mísseis guiados mas apenas fragata (baseada na -algo problemática- classe Legend de cutters da USCG), viria a ser um substituto menos capaz (e bem mais leve: 4,5 kt contra os 7,5 kt das Constellation) mas bem mais numeroso que as FFG-62 (50 a 65 FF(X) contra 6, reduzidos de 20, FFG-62). De… Read more »

Alemberg Domingos

Acabei de ver um vídeo falando sobre o valor da nova classe Trump. Os EUA tem mão de obra e recursos para construção. O orçamento para defesa começou em 900 bi e já foi para tri. Achei bem demorado o termino da construção, 2028? começou a ser construída em 2024, tá levando o mesmo tempo de construção de um PA.

Dalton

Alemberg, o “Gerald Ford” teve a quilha batida em novembro de 2009 e foi
incorporado – incompleto, mas capaz de ao menos treinar novos pilotos e manter a proficiência de veteranos – em julho de 2017 e o segundo da classe levará mais tempo ainda.

Abner

Dalton o que acha da classe de nova fragata americana?
É menos ou mais capaz que classes parecidas ?

Dalton

Menos capaz, porém, é preciso analisar o que a US Navy precisa como serão empregadas e que apoio terão do restante do arsenal dos EUA, inclusive embarcações e aeronaves não tripuladas. . Números importam: uma regra básica diz que para cada navio pronto para missão, outro estará em manutenção e outro em treinamento, ainda mais da forma como a US Navy emprega suas unidades durante meses a fio com poucas “paradas” em águas distantes. . Para um exercício de poucas semanas, próximo de “casa” é até fácil reunir um monte de “meios”, não significando necessariamente que todos estarão no mesmo… Read more »

Marcelo Andrade

Alguém acordou na US Navy!!! Só falta agora acabar com esse monstro do BBX!

Tutu

A Tamandaré quando e se receber os Mansup ER será um conjunto melhor.

Assustador a falta de capacidade ASW.

Luís Henrique

16 NSM
21 mísseis antiaéreos do sistema RAM
contra 4 MANSUP e 12 sea ceptor (antiaéreos).

Tem certeza que a Tamandare terá um conjunto melhor?

Bosco

Vale salientar que o lançador RAM Mk-49 om 21 celulas pode ser recarregado indefinidamente em pleno mar e em 20 minutos.
E realmente o desempenho do RAM Blck II não é muito diferente do Sea Ceptor.

Last edited 27 dias atrás by joseboscojr
Deadeye

Eu não preciso citar que o RAM Blck II tem um range menor sendo essa uma diferença crucial??

Bosco

Na verdade a maior vantagem do CAMM é ser lançado verticalmente e com isso melhor cobrir 360° apesar de ser dito que o RAM em podendo conteirar 270° também possa.
As características diferenciais de ambos:
CAMM tem relativo maior alcance
CAMM tem datalink (que pode ser util contra ameaças distantes de alta velocidade , manobráveis, que cruzam a linha de tiro)
CAMM é lançado verticalmente
CAMM é mais capaz em mau tempo
RAM pode ser recarregado no mar indefinidamente
RAM é menos sensível às ECMs
RAM é mais efetivo contra ameaças furtivas

Igor Rafael

O sistema ram e de curto alcance, diferente dos nossos de médio alcance.

Tecnicamente as Tamandaré tem capacidade de instalação de 8 mísseis anti navios. Eu espero ansioso pelos MANSUP-ER de 200 km de alcance se não me engano, também espero ansioso pelo BrahMos.

Em termos multimissão a Tamandaré e melhor que essa versão primária da FF(X) sem sonar e torpedos leve para auto defesa.

Embora para o porte de fragata de 4000 toneladas, achei incrível a capacidade para 18 mísseis anti navios na popa do FF(X) nas imagens mostradas

Bosco

O NSM pesa a metade do MANSUP e a última versão tem 250 km de alcance além da capacidade de ataque a alvos em terra.

Luís Henrique

O RAM block II belisca 18 km de alcance.
O Sea Ceptor (CAMM) das nossas fragatas chegam em 25 km.

Não é uma diferença significativa.

A diferença mais significativa é que temos somente 12 mísseis antiaéreos e um sistema RAM tem 21 mísseis (quase o DOBRO)
E nós teremos 4 mísseis antinavio e esta Fragata terá 16 (4X mais).

Tutu

Sabe o que significa conjunto? Esqueceu que a Tamandaré tem 2 lançadores triplos de torpedos, sonar de casco e Sea Snake. Ou seja, a Tamandaré, diferentemente da FFX, consegue, ainda que não com o melhor desempenho, realizar guerra antissuperfície, antissubmarino e antiaérea. Coisa que a FFX aparentemente não será capaz. Já que capacidade ASW só terá via helicóptero embarcado. E no mérito das diferenças do Sea RAM e Sea Ceptor, a discrepância doutrinária fica evidente. O principal sistema antiaéreo da FFX será um Close-in Self-Defense guiado por IR com 9 – 12km de alcance. O Sea Ceptor usa o CAMM,… Read more »

Bosco

Tutu,
O RAM Block 2 tem alcance de 18 km e é guiado por um seeker duplo IR/ARH.

YUFERFLLO

RAM 15-18km. CAMM 25-60km(baseado em testes feitos)

Last edited 26 dias atrás by YUFERFLLO
Bosco

Não creio que seja tanto para a versão convencional do CAMM.
De modo geral o CAMM teria um alcance uns 7/8 km a mais tendo ambos (CAMM e RAM Block 2) pesos e ogivas semelhantes.

YUFERFLLO

baseado em testes o CAMM normal chegou a 60km, claro com capacidades mais limitadas, tipo em 25km abateria alvos supersônicos e em 60km abateria os drones que já estão em maior uso por exemplo

Luís Henrique

O RAM Block II chega em 18 km, para 25 é uma pequena diferença.

Na guerra contra submarinos ok, Tamandare está melhor, mas essas Fragatas não vão operar sozinhas, e também terão um helicóptero que pode ser um SeaHawk otimizado para guerra sumarina.

Já na guerra contra navios e antiaérea, essa Fragata mesmo sendo “leve” e “mal armada” para eles, terá quase o DOBRO de mísseis antiaéreos e o QUÁDRUPLO de mísseis antinavio.

Bosco

Provavelmente em versões futuras achem um espaço pra pelo menos 1 módulo Mk-41 “tático” com 8 células.
O navio poderia dispor de 32 ESSM/2 empregando os meios atuais, sem precisar de radar faseado ou de radares iluminadores.
O deck onde estão os NSMs pode suportar 2 ou 3 conteiners para Tomahawks e SM-6.
*Só não faço ideia de onde ficará esse canhão único de 30 mm.

Tutu

Para mim, me salta aos olhos a falta de um sonar de casco.

Bosco

Mas a Constellation também não tinha.
Parece que os americanos estão deixando de lado os sonares de casco e os lançadores de torpedos.

Alemberg Domingos

Esse aqui sempre tem, dois conjuntos SLQ-32 (V)6 kkkkk lembro de um amigo que em missão foi tirar uma foto do navio americano e do nada a maquina dele queimou, será que foi jameado? kkkkkkk

Abner

Bosco olhando as capacidadea da classe o que acha em comparação com outras classes de fragatas

Bosco

Abner, Eu acho que a FF-X está de bom tamanho dado o que se espera dela , ainda que acho que deveria ter um sistema de defesa AA de médio alcance (defesa de área curta). Devemos ter em mente que quem carrega o piano na USN são os Arleigh Burkes e estes estão a todo vapor. Na função de escolta um sistema AA de defesa de área curta fará falta. Mas tudo indica que isso poderá ser corrigido no futuro e mesmo a curto prazo, nas unidades iniciais, será possível instalar o sistema de container que poderá suprir alguma deficiência.… Read more »

Tutu

Bosco,

A sensação que me passa é que estão criando uma “escolta” que precisará de “escolta”.

As OHP apesar de mais limitadas que outros meios da US Navy eram navios bem mais polivalentes e ao meu ver “independentes” contra mais tipos de ameaças (vide sua época).

Bosco

Concordo.
Mas ao que tudo indica o projeto vai evoluir.
Como está é realmente sub armado e melhor que os LCS terá uma autonomia muito maior.
Pra compensar terá a possibilidade de instalar os lançadores Mk-70 sem comprometer o convoo.

Burgos

A USN lançou a nova classe de navio: Fragata Costeira 😏