Royal Navy encerra presença permanente no Oriente Médio com retorno do último navio ao Reino Unido

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HMS_Middleton_(M34)_(Portsmouth)

HMS Middleton (M34)

A Royal Navy está encerrando sua presença naval permanente no Oriente Médio após o último navio destacado na região iniciar o retorno ao Reino Unido, marcando o fim de um destacamento contínuo que durou mais de quatro décadas.

O navio-varredor HMS Middleton, atualmente a única embarcação da Marinha Real britânica ainda baseada em Bahrein, já iniciou sua viagem de volta a Portsmouth, deixando a base naval de HMS Juffair sem navio de combate em serviço pela primeira vez desde 1980.

A medida ocorre após a desativação da fragata HMS Lancaster no final de 2025, que até então operava como navio destacado na região do Golfo. Com o descomissionamento no Bahrein, a capacidade de presença imperial britânica no estratégico estreito do Golfo Pérsico foi progressivamente reduzida.

Fontes do setor apontam que a retirada não necessariamente representa uma mudança de política, mas sim reflete a atual escassez de fragatas e de capacidade naval disponível no Reino Unido em 2026, devido a uma série de descomissionamentos e atrasos na entrega de novas embarcações. Ainda não há cronograma definido para o retorno das unidades permanentes à região.

Gráfico: The Telegraph

A base HMS Juffair, que abrigou navios britânicos de forma contínua desde o início da década de 1980, continuará a operar como ponto de apoio, com um oficial sênior ainda presente, mas sem nenhuma força naval sob seu comando habitual.

Analistas militares afirmam que a ausência de navios de combate da Royal Navy no Golfo pode limitar a capacidade do Reino Unido de reagir rapidamente a crises no Oriente Médio, especialmente em um momento de tensões regionais persistentes. A decisão ocorre em um contexto em que a Marinha britânica tem priorizado desdobramentos em outras regiões, incluindo o Pacífico e o Indo-Pacífico, como parte de uma reconfiguração estratégica de seus compromissos globais.

O retorno do HMS Middleton ao Reino Unido ainda este ano vai simbolizar não apenas o fim de uma era na presença naval britânica no Golfo, mas também destaca os desafios de capacidade enfrentados pelas Forças Armadas do Reino Unido enquanto aguardam a entrada em serviço de novas fragatas da classe Type 31, cuja primeira unidade só está prevista para 2027.■


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Lucena

Como está a capacidade da MB com relação a contra medidas navais ? … principalmente agora que os mares do sul está sendo assombrada por bucaneiros meliantes do norte.
.
O Brasil com relação a seu poder naval, deve olhar mais com carinho e pensar mais seriamente em submarinos …principalmente em contra medidas a submarinos e minas .

Danieljr

Está como sempre foi, 0, nada.

Marcelo

Foi o Estados Unidos mudar a estratégia de abandonar a guerra pelo mundo e focar na América do Sul onde tem muita riqueza e nenhuma proteção ,os ingleses na mesma hora mudou a estratégia e abandonou o Oriente médio e já começou a refazer o planejamento para sua frota de navios e desativando aos monte navios antigos caro $$ de operar.
Vai navegar só com navios novos.

Danieljr

Para o “ocidente”, vai ficar difícil manter rotas marítimas abertas no oriente médio pensando a médio/longo prazo. Quando irromper algum conflito por lá ou mesmo na Ásia, vão tentar fechar canais, atrapalhar a navegação e o suprimento de petróleo. Na minha visão, o que os EUA estão fazendo na Venezuela é trazer um antigo fornecedor aos negócios, como era antigamente, razão pela qual a Venezuela tem F-16 A/B e baterias antiaéreas equipadas com canhões gatling 20mm dos EUA: proteger os poços de petróleo dos MiG cubanos. Com uma boa reserva a disposição no Atlântico, o fornecimento está garantido e protegido… Read more »

Fábio Mayer

Na prática, é basicamente o fim da gloriosa Royal Navy!

Iran

Embora eles estejam em grande decadência não é pra tanto na minha opinião. Acompanhei esses dias o fórum britânico de guerra naval no Reddit, e eles estavam comentando como é triste ver o estado da Royal Navy atual, mas que em compensação o governo britânico está recriando e reinvestindo em diversos programas que farão o poder naval de Londres voltar a ser uma potência, mas claro, ainda será BEM inferior a China e EUA. Comentaram lá que nos últimos 20 anos a Royal Navy nunca teve tantos projetos promissores reativados, mas ao mesmo tempo que nunca foi tão fraca… 2022… Read more »

Iran

Acho que não é pra focar no Pacífico não, imagino que seja focar no Atlântico, no norte, sobretudo.

Moriah

Eles vão precisar de cada navio no Atlântico Norte

Carlos Campos

Bota a música de velório, Britannia dont rule the waves

Fabio Araujo

Os britânicos estão entregando Diego Garcia para as Ilhas Maurício nesse movimento de diminuir a presença na região, o Trump não gostou e esta reclamando muito por conta da importante base que existe no local.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/20/trump-critica-reino-unido-ceder-arquipelago-ilhas-chagos-oceano-indico.ghtml

Fabio Araujo

Já que os britânicos estão tão bonzinhos será que eles poderiam entregar ao Brasil a Ilha de Ascensão ( Ascension Island ), o Trump não vai gostar pois existe uma importante base conjunta com os EUA, mas ele já esta com raiva mesmo não vai mudar nada.

Paulo

Se a MB quiser realmente aumentar seus meios navais, tem de diversificar os polos de construção. Isto já está em parte ocorrendo . FCTs em SC, NPas Sbrs, Drones Navais, no RJ ( AMRJ, ICL, Tedwise). Precisa criar mais um, provavelmente no N Ne. Poderiam ser meios auxiliares como NTs e NAL por exemplo.Tecnologia pra isto a Engepron tem.

Danieljr

Eles mal tem dinheiro para abastecer e trocar o óleo desses navios. Garanto que, se pudessem, colocariam todas as encomendas em um único complexo estaleiro, para manter minimamente linhas de produção de navio.

curioso

O infográfico na matéria com os destacamentos 2003/2026 é de matar.
Rule Britannia foi pras cucuias.
Até o naviozinho varre-minas que sobrava até agora parece bem velhote nessa foto.

Last edited 27 dias atrás by curioso
Dalton

O ano de 2003 foi atípico – invasão do Iraque – então, independente da Royal Navy
ter sido maior na época, a comparação com 2026 é absurda.

curioso

Valeu o contexto. Pra fazer mais sentido, seria preciso acrescentar números de um ano mais rotineiro — nem o pico da crise de 2003, nem o fim de festa atual.
Bom exemplo de como uma seleção enviesada de pontos pode distorcer uma curva supostamente objetiva.
De toda forma, a diminuição do poder naval britânico na região fica evidente, ainda que numa curva menos precipitada.
Rule Britannia vai pras cucuias com menos deselegância, mas vai.
Obrigado pela correção.

Dalton

Obrigado por ter lido, mas, em suma, ficou muito estranho mostrar esse infográfico quando nem mesmo a US Navy costuma manter tantas unidades na região ainda mais de forma permanente como se costumava com os 4 navios de guerra de minas classe Avenger, por exemplo, retirados de serviço cujo lugar deverá ser ocupado por “LCSs”. . O que os britânicos eram capazes de fazer – válido para qualquer outra nação europeia – era manter uma fragata que eventualmente era substituída por outra e alguns poucos navios menores, nunca houve nada significativo e a retirada desse “navio varredor “não mudará nada.… Read more »

Vila Nova

A grana acabou!
Essa é a verdade!

Afonso Bebiano

Argentinos ansiosos por encrenca em 10… 9… 8…