Arleigh Burke destroyers in construction

Uma foto recente dos destróieres da classe Arleigh Burke Flight III Jeremiah Denton (DDG 129), George M. Neal (DDG 131) e Sam Nunn (DDG 133) em vários estágios de construção na divisão de construção naval Ingalls da HII em Pascagoula, Mississippi

A Casa Branca divulgou, em fevereiro de 2026, o documento “America’s Maritime Action Plan”, um amplo plano estratégico destinado a revitalizar a indústria naval e a base industrial marítima dos Estados Unidos. O relatório reconhece que a capacidade de construção naval do país sofreu forte erosão nas últimas décadas e propõe uma série de medidas para recuperar competitividade frente a rivais globais.

Segundo o documento, menos de 1% dos navios comerciais do mundo são atualmente construídos nos Estados Unidos, o que evidencia a perda de participação do país no setor. A administração norte-americana considera que essa dependência externa representa riscos tanto econômicos quanto de segurança nacional.

O plano está estruturado em quatro pilares principais. O primeiro prevê a reconstrução da capacidade de construção naval por meio da modernização de estaleiros, de incentivos financeiros e da criação de zonas de prosperidade marítima para atrair investimentos. O governo também pretende reduzir os gargalos logísticos e fortalecer a cadeia de suprimentos doméstica.

O segundo eixo concentra-se na formação de mão de obra. O texto destaca a necessidade de ampliar o treinamento de marinheiros e de trabalhadores do setor, modernizar a U.S. Merchant Marine Academy e ampliar programas de capacitação técnica. A escassez de profissionais qualificados é apontada como um dos principais entraves ao crescimento da indústria.

Já o terceiro pilar busca proteger a base industrial marítima por meio de reformas nas compras governamentais, fortalecimento das exigências de uso de navios de bandeira americana e medidas comerciais destinadas a enfrentar práticas consideradas desleais de concorrentes estrangeiros.

Por fim, o quarto eixo trata de segurança nacional e resiliência industrial. Entre as prioridades estão o aumento da frota comercial sob bandeira dos EUA, a criação de um Maritime Security Trust Fund, o incentivo a sistemas marítimos autônomos e o reforço da presença americana no Ártico.

O plano enfatiza que a revitalização marítima exige ação coordenada de todo o governo e parceria com aliados e setor privado. Autoridades americanas defendem que, com investimentos estáveis e reformas regulatórias, será possível reconstruir uma base naval capaz de sustentar tanto o comércio quanto as necessidades militares do país.

A iniciativa surge em um momento de crescente competição global no domínio marítimo, especialmente diante da rápida expansão da capacidade de construção naval de potências concorrentes. Para Washington, recuperar a força industrial do setor é considerado um passo essencial para garantir a segurança econômica e a liberdade de ação nos mares nas próximas décadas.

Plano de Ação Marítima dos Estados Unidos (AMAP)

Resumo Executivo

O Plano de Ação Marítima (MAP), estabelecido em fevereiro de 2026, representa uma estratégia abrangente do governo dos Estados Unidos para restaurar a supremacia marítima da nação. Impulsionado pela Ordem Executiva 14269, assinada pelo Presidente Donald J. Trump, o plano visa reverter décadas de declínio industrial, período em que a capacidade de construção naval dos EUA definhou para menos de 1% da produção global.

Os pontos centrais do documento incluem a modernização massiva dos estaleiros, a criação de Zonas de Prosperidade Marítima (MPZs), a reforma profunda da formação de marinheiros e a implementação de novas taxas sobre embarcações construídas no exterior. O objetivo final é criar uma “Era de Ouro Marítima”, garantindo que o comércio internacional e a logística de defesa sejam realizados por navios construídos, tripulados e de bandeira americana, reduzindo a dependência de fornecedores não confiáveis e combatendo as práticas comerciais da República Popular da China (RPC).

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Pilar I: Reconstrução da Capacidade e Competência de Construção Naval

A infraestrutura de construção naval dos EUA é atualmente limitada a apenas oito estaleiros ativos capazes de construir navios com mais de 400 pés. Para enfrentar esse desafio, o MAP propõe:

Modernização de Infraestrutura e Tecnologia

  • Upgrade de Estaleiros: Investimentos em docas secas, guindastes de pórtico, linhas de painéis e sistemas automatizados de movimentação de materiais.
  • Tecnologias Emergentes: Integração de Inteligência Artificial (IA) no design, na manufatura aditiva (impressão 3D) e na realidade aumentada para aumentar a eficiência e reduzir custos.
  • Recapitalização de Estaleiros Públicos: Continuidade do financiamento para as instalações em Norfolk, Portsmouth, Puget Sound, Pearl Harbor e no estaleiro da Guarda Costeira em Baltimore.

Incentivos Financeiros e Zonas de Prosperidade

  • Zonas de Prosperidade Marítima (MPZs): Baseadas no conceito de Zonas de Oportunidade, o Secretário de Comércio designará 100 MPZs por 10 anos para atrair capital privado e de aliados para comunidades portuárias.
  • Taxa sobre Navios Estrangeiros: Proposta de taxa de infraestrutura e segurança sobre navios comerciais construídos no exterior que entrem em portos dos EUA. Uma taxa de 1 centavo por quilograma poderia gerar US$ 66 bilhões em 10 anos.
  • Ferramentas de Financiamento: Expansão do Programa de Financiamento de Navios Federais (Título XI) e criação de contas com imposto diferido para estaleiros, modeladas no Fundo de Construção de Capital (CCF).

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Pilar II: Reforma da Educação e Treinamento da Força de Trabalho

O setor enfrenta uma escassez crítica de trabalhadores qualificados e de marinheiros credenciados. As ações propostas são:

  • Modernização da USMMA: Investimento urgente para eliminar o atraso de manutenção na Academia Marítima dos EUA (Kings Point, NY) e aumentar a matrícula de alunos em 20%.
  • Incentivos aos Marinheiros: Criação do Programa de Incentivo ao Marinheiro (MIP) para oferecer assistência financeira direta para treinamento e recrutamento.
  • Transição Militar-para-Marinheiro (M2M): Simplificação do processo para que veteranos militares convertam suas competências em Credenciais de Marinheiro Mercante (MMC).
  • Apoio às Academias Estaduais (SMAs): Revisão do suporte às seis academias estaduais (CA, ME, MA, MI, NY, TX) e à utilização de Navios Multimissão de Segurança Nacional (NSMV) para treinamento.

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Pilar III: Proteção da Base Industrial Marítima (MIB)

O plano busca alinhar incentivos comerciais à segurança nacional por meio de reformas na aquisição e na proteção comercial.

Eficiência em Compras Governamentais

  • Reforma do FAR: Revisão profunda dos Regulamentos de Aquisição Federal para facilitar a compra de soluções comerciais.
  • Modelo de Gerente de Construção de Navios (VCM): Utilização de entidades comerciais para gerenciar a construção de navios governamentais, reduzindo atrasos e custos.
  • Redução de Ordens de Alteração: Limitação drástica de alterações nos designs após o início da produção, para evitar estouros de orçamento.

Medidas de Comércio e Investigação da China

  • Investigação Seção 301: O USTR identificou que as práticas da China nos setores marítimo, logístico e de construção naval são “irrazoáveis e restringem o comércio dos EUA”.
  • Taxa de Manutenção de Portos Terrestres: Implementação de uma taxa de 0,125% sobre o valor da mercadoria nos portos terrestres para equalizar a competição com os portos marítimos.
  • Requisitos de Preferência (USMPR): Exigência de que economias de alto volume de exportação transportem uma porcentagem crescente de carga em navios de bandeira americana.

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Pilar IV: Segurança Nacional, Econômica e Resiliência Industrial

A resiliência da Base Industrial Marítima é considerada fundamental para apoiar uma economia de guerra e garantir rotas comerciais.

Inovações Estratégicas

  • Frota Comercial Estratégica (SCF): Criação de uma frota de navios construídos nos EUA para operação internacional, com suporte financeiro governamental para a construção e a operação.
  • Sistemas Robóticos e Autônomos (RAS): Priorização de sistemas autônomos por serem mais baratos e produzíveis em massa de forma modular. O Plano sugere a designação de áreas na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) para testes rápidos dessas tecnologias.
  • Fundo fiduciário de Segurança Marítima (MSTF): Estabelecimento de um fluxo de financiamento obrigatório e dedicado para apoiar todos os programas do MAP.

Estratégia para o Ártico

Devido ao degelo e ao aumento da atividade de competidores estratégicos, o MAP recomenda:

  • Aumento da presença da Guarda Costeira (USCG) e das capacidades de quebra-gelo polar.
  • Desenvolvimento de infraestrutura em Alasca e na Groenlândia.
  • Proteção de pescas sustentáveis e expansão de atividades no leito marinho para a extração de minerais críticos.

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Ações Desregulatórias e Simplificação

O governo identificou que normas antiquadas sufocam a competitividade. As principais recomendações incluem:

Categoria Ações Propostas
Eliminação de Regras Aumento do limite de dano à propriedade para investigação de acidentes (de US 500 mil para US 2 milhões); remoção de inspeções redundantes em barcaças não tripuladas.
Simplificação de Processos Digitalização completa do Sistema de Entrada e Liberação de Navios do CBP; redução da burocracia do NEPA para projetos de infraestrutura portuária.
Atualização Tecnológica Criação de marcos regulatórios para Navios de Superfície Autônomos (MASS), abordando responsabilidade civil, cibersegurança e padrões de sensores.

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Conclusão e Próximos Passos Legislativos

O Plano de Ação Marítima conclui que a força naval e a capacidade de transporte comercial são indissociáveis. A administração Trump está trabalhando em um pacote legislativo que inclui o SHIPS Act e o Building Ships in America Act de 2025.

Estas propostas buscam consolidar o Fundo Fiduciário de Segurança Marítima e as Zonas de Prosperidade Marítima como pilares permanentes da economia americana. A implementação total do MAP visa restabelecer os EUA como uma potência marítima global, garantindo que “o comércio seja transportado em navios construídos nos EUA, tripulados por americanos e operando sob a bandeira dos Estados Unidos”.■


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Matheus

Segundo o documento, menos de 1% dos navios comerciais do mundo são atualmente construídos nos Estados Unidos, o que evidencia a perda de participação do país no setor. A administração norte-americana considera que essa dependência externa representa riscos tanto econômicos quanto de segurança nacional.

Só um dado interessante: A China State Shipbuilding Corporation produziu mais tonelagem de navios comerciais em 2024 do que a produção total de toda a indústria naval dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial até o presente. E também é notável que a CSSC também constrói navios para a PLAN.

Glaucus Lima

Muito dinheiro público para garantir a industria e o comércio nava americano, incluindo aí proteção de mercado através de tarifas e revitalização e capitalização de empresa ESTATAIS de construção de navios. Estou impressionado, mas não discordo. É um setor estratégico demais para ficar nas mãos apenas da iniciativa privada. Aliás, deu no que deu nos USA.

Marcelo

Eles não tem preço para competir no mercado internacional, não adianta financiamento.
Competir contra China e Coréia do sul é impossível em prazo para entrega e preço .

JuggerBR

Kamarada Trumpinski, quem te viu, quem te vê…

ChinEs

Atualmente competir com a China não é uma tarefa facil, a China têm uma população laboral de 800 a 900 milhões de trabalhadores, capacita anualmente 2 milhões de Engenheiros, os EUA com uma população de 350 milhões sozinhos não conseguem competir com a China, têm que unir forças com os seus tradicionais Aliados com grande capacidade Industrial, os EUA criaram a globalização actual, mas enviaram grande parte da manufatura para a China/Vietname/India, agora os EUA perderam grande parte das Industrias, têm que se unir novamente com a Alemanha, o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Polônia, Romenia, Turquia, França, Italia,… Read more »

Undergound

Bom… a atual administração americana está expulsando todo mundo de lá, inclusive a qualificada, ao mesmo tempo em que agride seus parceiros comerciais e aliados militares.

Jagder

Não é bem assim. A mídia prioriza a exibição dos exemplos negativos. Tenho, pelo menos, uns 15 colegas de profissão morando lá e trabalhando como engenheiros lá, sem problema algum.

Mestre Splinter

Off-Topic: Estreito de Ormuz parcialmente fechado pelo Irã.

andromeda1016

De um jeito ou de outro os gringos irão reviver sua indústria naval, nem que para isso tenham de destruir a indústria naval dos outros. Até isso acontecer a China pode ficar sossegada. Estamos testemunhando o projeto de logo prazo de um país que está se armando para atacar um outro país sem provocação para isso, mas apenas por interesses estratégicos e econômicos. Aposto no prazo de algo em torno de uma geração para que esta eventual guerra ocorra, e até lá será interessnte ver os gringos forjarem a narrativa social necessária para preparar sua população para esta guerra (Hollywood… Read more »

Alexandre Costa

Eles estão forjando essa narrativa faz tempo. Talvez não com muito afinco, mas já estão fazendo sim.

RODRIGO

America por americanos…esse e o lema da campanha e está sendo comprido. O mundo vai tomar um susto na eleição americana de meio de mandato.

jnsns

Never gonna happen

Jeovam Leite

Os Eua sempre pensando neles .

Francisco

e estão errados?

Fernandão

Invés de buscarem ser “líderes” de alguma coisa, que foquem em atualizar suas indústrias para algo que gere bons e pleno emprego para sua população. Só vão acabar gerando problemas para eles e o resto do Mundo, tentando alcançar um passado que não tem mais como se repetir. Ter o mínimo de dignidade e condições mais humanas para o povo já é o bastante. Ninguém lá, a não ser os políticos populistas, ficam com pretensões que vão além disto. O Mundo demanda energias renováveis e limpas, mais preservação, menos poluição e bem estar das pessoas. Há mercado e muito dinheiro… Read more »

Andromeda1016

Dizem que 2/3 das maiores empresas do mundo ou são de propriedade ou são controladas pelos gringos. Eu pessoalmente acredito que essa informação seja verdadeira pois quando estagiei num dos maiores escritórios de advocacia do país e tive acesso ao contrato social das maiores empresas do Brasil, vi com muita surpresa que os donos e controladores destas empresas eram na grande maioria estrangeiros. Corrobora com esta informação a existência das “Big Three” do mercado financeiro dos EUA (Blackrock, Vanguard, State Street Global) que juntas administram mais de 20 trilhões de dólares que são utilizadas para investir em tudo que dá… Read more »

José Rodrigo

Imagina se aplicassem o mesmo plano no Brasil. Nossa….comunismo seria a coisa mais leve. Estado mínimo, não devemos nos meter se não for o básico.
A decadência é grande, a indústria migrou para outros países ficaram as patentes, tecnologia e imprimir dólares. Todo império tem seu fim.

Jacinto

A questão é como, economicamente, a situação se desenha. Na China, a indústria naval é enorme fonte de receita, o que significa que, além de ter uma base industrial naval gigantesca, esta base industrial é geradora de receita e assim ajuda a sustentar economicamente o crescimento da marinha chinesa. Nos EUA, a base industrial naval é muito menor, não consegue gerar o volume de receitas da chinesa e ainda, pelo visto, precisará ser suportada pelo Estado. Ou seja, a indústria naval dos EUA não vai ajudar a sustentar economicamente a sua marinha, dado que ele consome (em vez de gerar)… Read more »

Andromeda1016

Toda atividade industrial gera tributos para o estado Chinês, razão pelo qual o governo promove o excesso de produção para angariar mais tributos, apesar de haver pouca demanda para boa parte dos produtos que fabrica. Isso quer dizer que a produção industrial chinesa está baseado numa bolha promovida por recursos do estado, ou seja, a “pujança” industrial chinesa é uma ilusão e obra de artifício estatal. Há previsão de que a maioria dos estaleiros chineses irão fechar por causa desta bolha.

Matheus

Há previsão de que a maioria dos estaleiros chineses irão fechar por causa desta bolha.

Como a maioria dos estaleiros fecharão se as encomendas até 2028 estão já acertadas? E a maioria desses contratos são com empresas internacionais.

Jacinto

Sei lá quem anda prevendo o fechamento de estaleiros chineses, mas o fato é que 75% dos navios produzidos na China são exportados. E a China produz, em um ano, mais navios que os EUA produziram desde 1945.

General de Sofá
  • Taxa sobre Navios Estrangeiros: Proposta de taxa de infraestrutura e segurança sobre navios comerciais construídos no exterior que entrem em portos dos EUA. Uma taxa de 1 centavo por quilograma poderia gerar US$ 66 bilhões em 10 anos.

Isso pode ser um tiro no pé, e se os príncipais players resolverem taxar navios americanos de volta? Meio mas off, mas tenho a a impressão que na classe Constellation, arrumarumaram uma desculpa para cancelar o projeto e pegar um projeto 100% americano, se quisessem uma návio pra não da problema, era só comprar as FREMM, e não invetar moda.

Jose Pereira

Tenho certeza que há uma grande porcentagem de equipamentos, peças norte americanas sendo vendidas para estaleiros de todo o planeta.
Estados Unidos é um grande player neste segmento.
ótima iniciativa para aumentar o volume de navios construídos , seja no âmbito militar e civil.