FA-18 lançando LRASM

F/A-18F lançando LRASM

Um relatório da Govini de 2024 alerta que a base industrial de defesa dos Estados Unidos pode não estar preparada para sustentar um conflito prolongado contra a China, destacando vulnerabilidades críticas na produção, nas cadeias de suprimentos e nos estoques de munições.

Intitulado “Numbers Matter: Defense Acquisition, U.S. Production Capacity, and Deterring China“, o estudo afirma que, em guerras modernas, a capacidade de produzir e repor armamentos em grande escala é decisiva para a vitória. Segundo o documento, a estrutura industrial americana atual é uma “sombra encolhida” do que já foi, com estoques insuficientes e capacidade limitada de expansão rápida.

Dependência preocupante da China

Um dos pontos mais sensíveis identificados é a crescente dependência dos EUA em relação a fornecedores chineses. Dados apresentados no relatório indicam que o número de fornecedores chineses nas cadeias de suprimento militares dos EUA quadruplicou entre 2005 e 2020.

O problema é particularmente grave no setor de microeletrônica. Mais de 40% dos semicondutores que sustentam sistemas e infraestruturas do Departamento de Defesa dependem de fornecedores chineses, segundo análise baseada na plataforma Ark.ai. Esses componentes estão presentes em praticamente todos os sistemas de armas modernos, do bombardeiro B-2 ao míssil Patriot.

Produção de munições sob pressão

O relatório usa a guerra na Ucrânia como exemplo das limitações industriais dos EUA. Nos primeiros três meses do conflito, Washington enviou cerca de 7.000 mísseis Javelin — aproximadamente um terço do estoque dos EUA — enquanto a produção anual era de apenas 2.100 unidades.

Situação semelhante ocorre com munições de artilharia: enquanto a Ucrânia disparava até 7.000 projéteis por dia, a produção americana no início da guerra era de apenas 14.000 a 15.000 por mês, com expansão gradual prevista.

Para um eventual conflito no Indo-Pacífico, o estudo alerta que os EUA precisariam principalmente de armas de longo alcance — como LRASM, JASSM, NSM, Tomahawk e Harpoon — cujos estoques são classificados, mas considerados “grosseiramente inadequados” diante da ameaça chinesa.

Simulações indicam que os principais estoques de mísseis americanos poderiam se esgotar em apenas uma semana de combate em um cenário de invasão de Taiwan.

Desvantagem naval crescente

No domínio marítimo, o relatório destaca a vantagem quantitativa da China. Pequim já possui uma marinha maior que a dos EUA, com pelo menos 340 navios e projeção de chegar a 440 até 2030.

Enquanto isso, os Estados Unidos contam com menos de 300 navios e apenas cinco estaleiros capazes de construir grandes navios de guerra, todos operando próximos do limite. Em contraste, a China dispõe de 17 estaleiros militares e domina a construção naval comercial global.

Recomendações estratégicas

O relatório propõe uma série de medidas para restaurar a capacidade dissuasória americana, entre elas:

  • multiplicar por cinco as compras de mísseis de médio e longo alcance;
  • dobrar o financiamento anual para navios de superfície e submarinos;
  • criar um fundo de US$ 10 bilhões para estocar componentes críticos;
  • ampliar o uso de software e inteligência artificial na aquisição de defesa.

Segundo os autores, sem uma expansão significativa da base industrial e dos estoques de armamentos, a capacidade dos Estados Unidos de dissuadir a China — especialmente no Indo-Pacífico — pode continuar se deteriorando.■


 



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27 Comentários
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Artemis

70% do que eles importam da china são feitos por empresas americanas instaladas lá , o empresariado buscando lucro fácil e é de tudo ,; palitos de centros , pilhas , pratos , tecidos, peças de carros , carros , lâmpadas , eletroeletrônicos , só faltam importar carne maturada oriundas de bois Angus exportados vivos e abatidos na China!

Sulamericano

A transferência do parque fabril dos EUA para a ásia foi uma consequência das decisões tomada lá nos anos 80 pelo governo do Regan. A ideia era diminuir o tamanho do estado, cortar impostos e aumentar o livre mercado.

O resultado colateral foi a desindustrialização, perda e empregos, concentração de riqueza e diminuição da classe média. Os EUA acabaram por virar uma economia consumo.

Hoje, quando vemos, por exemplo, os EUA preocupados com o declínio da sua indústria naval, o que observamos é uma consequência direta dessas decisões tomadas há mais de 40 anos. 

ChinEs

Se tiver que enfrentar e destruir a China têm que ser antes de 2035, depois vai ficar complicado, o ideal é os EUA destruirem a China agora em 2026, ja decapitaram a liderança Venezuelana, a liderança Iraniana, agora devem tentar a Liderança Chinesa… Mas a China é cautelosa, não ataca Taiwan por nada, mesmo sendo provocada… A China ainda não têm hardware militar suficiente para enfrentar os EUA, talvez em 2035, daqui a 10 anos, se continuarem com o mesmo ritmo de produção de equipamentos militares, até 2035 terão um exercito forte na Asia.

Bosco

Depois de 2035 os EUA terão 100 B-21 e 300 F-47.
Acho que depois de 2035 ficará mais fácil para os States.
Sugiro aos chineses que se quiserem Taiwan na marra que o façam o mais rápido possível. De preferência ainda esse mês.

Bosco

Se os States barrar a China em Taiwan de quebra ele derruba o governo do Ping Pong Lee 3º e liberta aquela população enzumbidecida pelo “regime”.

Fawcett

Isto é se o orçamento não estourar, como ocorreu com as últimas wunderwaffes americanas.

Alexandre Galante

Os B-21 e F-47 terão componentes chineses também? 🙂

ChinEs

Até lá a China vai ter na região da Asia Pacifico o maior exercito de drones, mais navios, mais nukes, mais submarinos, mais misseis hipersonicos, e a capacidade de mobilizar 100 a 200 milhões de combatentes… Fora a maior cadeia logistica da historia.Lembro que eles querem ter a hegemonia até 2049.

Bosco

O problema desse estudo é achar que toda guerra daqui pra frente vai ser igual a da Rússia contra a Ucrânia e que irá se arrastar por anos e anos. Não será! Os EUA não farão uma luta de trincheiras com os chineses e não se esconderão com a bunda de fora como fazem os russos. Pelo contrário, a aviação americana é ponta de lança de toda ação militar americana e não será diferente num hipotético conflito com a China, que se resolverá em pouco tempo. E achar que os americanos adotarão a doutrina russa de ficar troncando mísseis de… Read more »

Felipe

só esqueceu um detalhe…a China tem umas 800 ogivas nucleares

Cicero

Caro Felipe,

Ninguém vai usar armas nucleares. Só sobrou a Coréia do Norte com esta visão. O Irã graças aos céus já foi. Se a China usar o seu arsenal e incinerar os EUA e a Europa, ela vai virar, literalmente, uma poça de vidro, e aí é adeus para todos nós.

Esqueçe este cenário de uso de armas nucleares. Ele é devastador demais para qualquer nação sobreviver.

Abcs

Last edited 7 meses atrás by Cicero
Bosco

Tá! E daí?
Os EUA tem 5000.
A Rússia tem outras 5000 e está levando uma sova da Ucrânia, que ainda não tem nenhuma.
Acho que essas potências militares vão jogar o jogo convencional e não irão brincar de bomba atômica, desde, claro, que não haja risco iminente do extermínio do país, e os países em questão irão se atentar para esse fato.
Tipo assim: enquanto brincarmos dentro da regra não vai estar valendo dedo no olho e chute na virilha.

Vinícius Momesso

Então é por isso que a EUA não ataca a Rússia, pois a mesma não hesitaria em usa-las em caso de uma derrota iminente. Então uma coisa é certa: armas nucleares são mais efetivas que qualquer defesa AA.

Cicero

Olá Vinicius, A sua argumentação é falha. A razão porque ambas não se atacam é realmente o medo da destruição que isso iria causar. Imaginado que sejam usadas as 10.000 ogivas que o Bosco disse, isso equivale a mais 30.000 armas nucleares das que foram usadas em Hiroshima (isto se cada uma tiver o desempenho médio de apenas 100kt). Diversas áreas ficaram inabitadas por 20.000 anos ou mais (a civilização humana não tem tudo isso de idade) Então você está certo, a derrota é certa para os dois lados, não importando quem dá o primeiro tiro. Mas daí dizer que… Read more »

Last edited 7 meses atrás by Cicero
Vinícius Momesso

Devaneio? Se a Rússia não tivesse armas nucleares, suas defesas AA de nada adiantariam em impedir uma invasão de seus inimigos, veja o próprio Irã.

Obi-Wan

Concordo no que disse das armas nucleares, disso não há duvidas que o mundo entraria num caos total. Mas descordo de que Ucrânia está batendo na Rússia, primeiro que a Rússia não tem economia para manter uma guerra por 4 anos, se não já estaria falida, se ate os estadunidenses com a economia que tem, já sofre com uma guerra de 4 anos, imagina a da Rússia que menor que a do Brasil, então só existe uma explicação, a Rússia esta cozinhando em banho maria, ate ela ficar no ponto para ser degustada.

curisco

quando os 2 opnentes têm escopeta n~\o vão brigr de canivete. potências nucleares sabem que qualquer conflito direto tende a descambar para guerra nuclear. armas convencionais é para enfrentar nações não nucleares. diga a coragem dos eua em enfrentar qualque um que tenha armas nucleares

João P.

Fanatismo te cegou.

Bosco

Será???

Vinícius Momesso

“…que se resolverá em pouco tempo.”
A favor de quem, meu caro Bosco?

Bosco

Vinícius, Eu acredito que a China sairia perdendo. Queiramos ou não, gostemos ou não, a capacidade militar americana é muito superior a da China na maioria dos quesitos e isso fará diferença. Os chineses podem ter mais mísseis sup-sup de longo alcance, o que é natural dado que os americanos empregam forças expedicionárias e não podem se dar ao luxo de ficar movendo lançadores de mísseis de 20 ou 30 toneladas a torta e a direita nos países dos outros. Os chineses também podem ter uma marinha mais numerosa. Ok! Mas 40 % da economia americana é voltada para a… Read more »

Everton

Acha mesmo que um conflito dos EUA contra a China será resolvido rapidamente? A China é outra escala, muito diferente do Irã ou da Venezuela. Acredita que a US Navy ficará perto da costa chinesa, dentro da primeira cadeia de ilhas? Os chineses criaram uma camada de proteção e negação de área em seu entorno. Seria arriscado demais ficar ali em um cenário de guerra quente. Os EUA, inicialmente, optariam por um ataque a longa distância, ou utilizando bombardeiros furtivos, que seriam alvos dos chineses quando estacionados com seus satélites de vigilância. Seria uma guerra em outro patamar, algo que… Read more »

curisco

reitero: quem tem escopeta não vai brigar de canivete. qualquer cenário de conflito de alta intensidade vai descambar para armagedom nuclear se as potências têm estas armas.

armas convencionais e furtivas são para enfrentar nações não nucleares.

Bosco

Curta duração pra mim são 2 ou 3 meses.
A superioridade chinesa só é no campo de mísseis sup-sup de longo alcance, mas é finita e sem uma ação coordenada com outros meios o emprego desses mísseis é pouco efetivo e os EUA tem meios mais que suficientes para bloquear qualquer ação coordenada chinesa que possa fazer com que os mísseis sup-sup façam diferença.
Não digo que será um passeio mas duvido muito da vitória chinesa.

Cassini

Cara, você está bem covicto mesmo. Quase um advinho. Kkkkkkkk

curisco

tradução: mande mais uns 500bi para nossa industria de defesa