Falhas em programa de contramedidas de minas deixam Marinha dos EUA sob pressão no Estreito de Ormuz

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USS Canberra (LCS-30)

USS Canberra (LCS-30)

Segundo artigo do site Hunterbrook, a Marinha dos Estados Unidos pode enfrentar sérias dificuldades caso seja necessário realizar operações de desminagem no Estreito de Ormuz, após a retirada recente de seus tradicionais navios varredores de minas e a substituição por embarcações mais modernas, porém ainda problemáticas, segundo informações discutidas em conferências militares e analisadas por especialistas.

Em janeiro, a US Navy retirou do Golfo Pérsico quatro navios varredores de minas da classe Avenger, embarcações especializadas que haviam patrulhado as rotas marítimas da região por mais de três décadas. Em seu lugar, foram enviados três navios da classe Littoral Combat Ship (LCS) equipados com pacotes de missão para contramedidas de minas (MCM).

Navios especializados substituídos por plataforma multifunção

Teste de choque do casco do caça-minas USS Avenger

Os navios da classe Avenger eram construídos com casco de madeira e fibra de vidro para reduzir assinaturas magnéticas e foram projetados especificamente para localizar e neutralizar minas navais.

Já os LCS, projetados como plataformas modulares multifunção, realizam uma ampla gama de tarefas, incluindo guerra de superfície, emprego de mísseis e operações de interdição marítima, além de missões de contramedidas de minas.

Segundo oficiais da Marinha, essa multiplicidade de funções pode comprometer a especialização necessária às operações de desminagem.

Problemas técnicos no sistema de desminagem

Teste do Programa de Módulos de Missão do Navio de Combate Litorâneo com o lançamento e a recuperação em porto do Veículo de Superfície Não Tripulado durante os testes de integração do Sistema de Varredura de Influência Não Tripulado a bordo do navio de combate litorâneo USS Independence (LCS 2) em San Diego, em 2019

Uma apresentação interna realizada em uma conferência naval no Reino Unido revelou diversas dificuldades operacionais enfrentadas pelo sistema de contramedidas de minas baseado em veículos não tripulados.

Entre os problemas relatados:

  • os veículos sonar não tripulados exigem mais de quatro horas de manutenção antes de cada missão
  • após o lançamento, é necessário cerca de 1,5 hora adicional de calibração
  • em algumas missões, o sonar falhou completamente em registrar dados, sem que a tripulação percebesse durante a operação

Em um exercício pré-desdobramento realizado na costa da Califórnia, um veículo de superfície não tripulado chegou a perder o controle e a se aproximar das águas territoriais do México, sem que pudesse ser recuperado pelo navio-mãe.

Limitações de sensores e equipamentos

AN/AQS-20C Mine-Hunting Sonar

Outro desafio envolve o sistema sonar AQS-20, que precisa passar diretamente sobre cada mina de fundo detectada para confirmar visualmente o objeto por meio de uma câmera.

No entanto, mesmo em águas relativamente claras da Califórnia, a turbidez marinha dificultou a identificação visual. Analistas apontam que as águas do Golfo Pérsico, turvas e agitadas, podem tornar o processo ainda mais complexo.

AQS-20C

A situação é agravada pelo fato de alguns equipamentos críticos do sistema não possuírem redundância. Componentes como guindastes de lançamento, elevadores de plataforma e computadores de teste representam pontos de falha únicos, capazes de interromper toda a missão em caso de avaria.

Desativação da frota Avenger

O navio mercante Seaway Hawk navegando no dia 21 de janeiro, no Golfo Pérsico, transportando os navios de contramedidas de minas da classe Avenger da Marinha dos EUA, USS Devastator, USS Dextrous, USS Gladiator e USS Sentry

Apesar dessas dificuldades, a Marinha norte-americana decidiu desativar os navios da classe Avenger. As quatro unidades baseadas no Bahrein foram oficialmente retiradas de serviço em setembro de 2025 e transportadas de volta aos Estados Unidos em janeiro de 2026.

Atualmente, os navios encontram-se atracados em um estaleiro naval em Filadélfia.

Risco crescente no Estreito de Ormuz

As preocupações surgem em um momento particularmente sensível. Informações recentes indicam que o Irã teria iniciado preparativos para minar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

Estimativas apontam que Teerã pode possuir entre 5.000 e 6.000 minas navais, além de numerosas pequenas embarcações capazes de lançá-las.

Estudos anteriores indicam que uma operação completa de limpeza do estreito poderia exigir até 16 navios especializados em contramedidas a minas, número significativamente superior ao de meios atualmente disponíveis na região.

Com apenas três LCS equipados para guerra de minas no Golfo, especialistas alertam que a Marinha dos Estados Unidos pode enfrentar um cenário operacional complexo caso seja necessário garantir rapidamente a reabertura das rotas marítimas da região.■


 


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Bosco

Em tese a desminagem teria que ser obrigação de todo mundo que quer passar um navio pelo Estreito e não creio que o único que queira sejam os EUA.
Os EUA e Israel estão fazendo o serviço pesado e o mínimo que os outros poderiam fazer seria garantir a limpeza da área.

Palpiteiro

Se minar o Iran não consegue mais exportar petróleo ou receber alimentos. Seria um tiro no próprio pé.

Alexandre Costa

Vamos ver quanto tempo o dólar vai aguentar com esse estreito fechado.

Os EUA são o maior interessado em reabri-lo. Isso sem falar na obrigação moral daqueles que iniciaram essa baderna.

Bosco

Alexandre, A grande mídia sempre aposta no quanto pior, melhor. São os arautos do Apocalipse. Vemos sempre essas previsões pessimistas a cada movimento do Ocidente , principalmente dos EUA, enquanto nada parece acontecer quando outros players da geopolítica mundial fazem suas melecas. Parece que o efeito borboleta só existe quando os EUA age ou quando a Ucrânia age. Me lembro bem das previsões que diziam que a Europa iria congelar com a falta do petróleo russo. rssss Eu queria ter visto essas análises pessimistas antes de 24 de fevereiro de 2022 para alertar o Putin para não invadir a Ucrânia… Read more »

Alexandre Costa

Pode ser pessimismo mesmo, eu concordo. Quando eu comentei “vamos ver quanto tempo o dólar aguenta” não foi no intuito de fazer alguma previsão, apenas que é algo para se observar. Mas que o Trump arrumou uma bela dor de cabeça, isso ele arrumou. E voltando ao seu comentário inicial, eu acho que nenhum país além de EUA e Israel deveria mover um dedo para tentar reabrir o estreito. Isso é obrigação dos dois de se entenderem com o Irã, seja lá por qual meios eles vão conseguir. Algo me diz que os EUA vão se enfiar em um atoleiro,… Read more »

Bosco

Eu duvido muito, Alexandre. Os EUA faz guerra de modo diferente da Rússia e a menos que o mundo esteja completamente de cabeça pra baixo , não há nenhuma condição das forças militares iranianas aguentarem mais duas semanas. Se vão derrubar o regime , aí eu não sei, mas com certeza toda a máquina militar iraniana estará neutralizada. Se isso não acontecer podemos então rasgarmos tudo o que sabemos sobre guerra, armas , doutrinas, treinamentos, equipamentos, etc. porque nada irá mais fazer sentido e as forças armadas de um país serão absolutamente inúteis e desnecessárias já que o resultado de… Read more »

Alexandre Costa

Bosco, para o Irã é muito fácil impedir a navegação no estreito. Eles não precisam de uma super força tarefa de prontidão na região. Basta garantir que cruzar por ali seja arriscado o suficiente para que nenhuma seguradora assuma o risco. Eles podem fazer isso com drones, mísseis, minas, lanchas kamikazes. A situação me parece mais complicada do que simplesmente obliterar as forças iranianas. E a questão do dólar vem justamente daí, como certamente você já sabe, da compra de petróleo dos países do golfo em dólar. E ainda tem o agravante que o Irã está deixando navios para a… Read more »

Alexandre Costa

“Se isso não acontecer podemos então rasgarmos tudo o que sabemos sobre guerra, armas , doutrinas, treinamentos, equipamentos, etc.” Apesar de a Rússia ter demonstrado grande incompetência, o conflito da Ucrânia deixou muito claro que os drones mudaram o combate para sempre. Eu sei que você é assíduo apoiador dos EUA e o que eles representam, não estou aqui para julgar ou questionar isso, mas eu acho que seu desprezo pela Rússia o fez não enxergar o óbvio, fazendo com que você acreditasse que um exercito mais competente não teria problemas com este novo cenário. Essa guerra vai se arrastar… Read more »

Bosco

O Ìbis Sport Club pode eventualmente ganhar um jogo ou outro contra o Flamengo mas se em 100 jogos ele ganhar 51 é porque alguma coisa muito errada está acontecendo com o Universo e podemos todos fugir para as montanhas porque o fim estará próximo.

Profa Elisa geopolitica

Perfeito seu comentário. Todo dia uma notícia dessas, no sentido de dizer que os EUA estão em apuros, estão falidos, acabando, forcas armadas baguncadas, até vaso sanitário entupido de porta avioes vira manchete de derrocada da marinha americana. E impressionante como a dissonância cognitiva e viesse ideológico de muitos que escrevem aqui avalizam notícias estúpidas assim. E seguem os americanos, ops, “estadunidenses” dominando cada vez mais economica e militarmente. Agradeçam aos EUA pela tecnologia e liberdade que temos de escrever nossas besteiras aqui.

Alexandre Costa

O seu comentário demonstra uma total falta de argumentos. A julgar pelo seu nome aqui, eu esperava mais.

Hcosta

em tese quem parte, paga…

NEMOrevoltado

Claro, vamos agradecer pelos americanos resolverem um problema que eles mesmos começaram.

André Macedo

Deixa eu ver se eu entendi: O próprio Trump afirmou que atacou o Irã por um “pressentimento”, transformou a área numa zona de guerra e agora os outros tem que ajudar pra fazer o mínimo? Kkkkkkkkkkk a parte boa desse comentário é que mostra bem a lógica dos EUA, pra ajudar cada um de nós vai doar 90% do salário pra grande causa americana dos nossos heróis.

Last edited 5 meses atrás by André Macedo
João Vitor

Desculpa aí mas a sua opinião é cínica ao extremo , vc sabe muito bem que Estados Unidos e Israel partiram pra mais esse massacre sozinhos e a responsabilidade é integralmente deles.

André E.

Operação de desminagem de um canal de 30km com o inimigo cheio de mísseis e drones? Não vai rolar.

Carlos Alberto Vieira Filho

Mais uma evidência de que a operação não teve planejamento, agora o Irã dita o ritmo da guerra e determina as estratégias, até aqui ele mostrou capacidade de restringir o tráfego de acordo com seus interesses…mas com os EUA tudo é possível…

Glaucus Lima

Descupem o texto longo. Trump inicia uma guera, a mando de Netanyahu, alegando a necessidade de destruição da capacidade nuclear Iraniana. Algo que segundo Trump teria sido “obliterado” nos ataques de 21/06. Também não é por causa da democracia: os principais aliados dos americanos na região são donos de seus países, onde não tem eleição, congresso, etc. a exemplo EAU, Catar, Arábia Saudita, entre outros. Para evitar a morte de iranianos contrários ao regime também não foi, basta ver o genocídio que Israel fez na Palestina com apoio de Trump e os USA é o país na história da humanidade… Read more »

Glaucus Lima

Voltando o tema da reportagem. Como os USA estão mal com guerra de minas.

Dalton

E há e/ou houve motivos para isso já que a doutrina dominante é a projeção de poder distante do território dos EUA não havendo preocupação com suas próprias costas no Atlântico e Pacífico. . O ^ LCS ^ foi pensado para melhorar a situação quando entre os possíveis adversários estava justamente o governo iraniano porém o surgimento da China como uma séria rival militar e atrasos no programa ^LCS^ e do módulo específico para varredura de minas que ainda necessita de ajustes piorou a situação. . Seja como for nunca se terá um número suficiente de ^navios varredores^ ainda mais… Read more »

Tutu

Interessante. A MB deve ficar de olho nessa situação, uma vez que a nossa visão da futuro na guerra de minas é muito parecida com esse conceito do MCM. Só que iremos usar uma plataforma menor e menos modular que os LCS, os NAPA 500 modificados.

Aéreo

Este cenário de interdição de Ormuz tem pelo menos 40 anos que é analisado. Tempo suficiente para os EUA terem um plano exequível em situações de crise, e esta crise já está desenhada desde 2024 e tempo também para o Irã, que possui alguma base de indústria de defesa, ter desenvolvido minas inteligentes que possam ser lançadas de forma inerte em um cenário pré crise, ativadas em um cenário de crise e desativadas em cenários de desescalada. Não é nenhuma tecnologia muito sofisticada perto por exemplo das tecnologias de mísseis balísticos que o Irã desenvolveu.

Artemis

A utilização destes LCS tem jeitinho de improviso , soltar e recolher mini submarinos é uma luta , o casco é frágil em relação a um navio nascido especificado, os caras esqueceram de um as divisão super importante e agora dá-lhe improviso , eu daria 3 destinos a estes barcos : Transfiria para a Filipinas, transformaria em porta mísseis AA e os colocaria nas margens dos grupos tarefas , ou venderia para um sucateiro !