Irã ameaça bloquear estreito de Bab al-Mandeb e expandir guerra marítima caso EUA invadam a ilha de Kharg
Ilha de Kharg
21 de março de 2026 — O Irã elevou drasticamente o tom das ameaças neste sábado, alertando que uma eventual invasão americana à ilha de Kharg — principal hub de exportação de petróleo iraniano no Golfo Pérsico — desencadearia uma escalada “sem precedentes”, com possível bloqueio do estreito de Bab al-Mandeb e ataques em cadeia a infraestruturas energéticas em toda a região. O aviso coloca sobre a mesa a possibilidade de uma crise marítima global ainda mais grave do que a já provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
A ameaça: dois estreitos fechados ao mesmo tempo
Segundo a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma fonte militar iraniana advertiu que, se Washington concretizar seus planos de invasão a Kharg, o Irã responderá com medidas “sem precedentes em comparação com os desenvolvimentos das últimas três semanas de conflito”.
Entre as opções descritas pela fonte, está o bloqueio do estreito de Bab al-Mandeb — passagem entre o Iêmen e Djibouti que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico, por onde transitam cerca de 4,2 milhões de barris de petróleo por dia —, além de novos ataques a instalações energéticas na região.
Analistas apontam que a geografia de Bab al-Mandeb torna o estreito particularmente vulnerável: em seu ponto mais estreito, o canal mede apenas 26 quilômetros de largura, o que o torna facilmente monitorável e atacável a partir das costas iemenitas. Ao contrário de Ormuz, não existe uma rota terrestre alternativa comparável para substituir o trânsito pelo Mar Vermelho.
Um bloqueio simultâneo dos dois estreitos deixaria a economia global em colapso logístico, forçando navios a contornar o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul — uma rota muito mais longa e cara.
Kharg: a “joia da coroa” que Washington quer tomar
A administração Trump estuda planos para ocupar ou bloquear a ilha de Kharg a fim de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. Localizada a cerca de 24 quilômetros da costa iraniana no Golfo Pérsico, a ilha processa 90% das exportações de petróleo bruto do Irã.
Em 13 de março, Trump anunciou que as forças americanas haviam “totalmente obliterado” alvos militares em Kharg, mas poupado a infraestrutura petrolífera da ilha — ameaçando, porém, atacá-la também caso o Irã continuasse a bloquear a passagem de navios pelo estreito de Ormuz.
A fonte iraniana citada pela Tasnim alertou que os EUA seriam incapazes de manter o controle da ilha em caso de ataque e poderiam enfrentar baixas “sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial”.
O risco de invadir: análise militar
Especialistas em defesa têm alertado para as enormes dificuldades táticas de uma operação terrestre em Kharg. A ilha fica a 800 quilômetros do Estreito de Ormuz e a apenas 24 quilômetros da costa iraniana. Tomar a praia exigiria transpor uma via marítima atualmente considerada perigosa para a Marinha americana. Com navios de assalto anfíbio se aproximando, as forças iranianas poderiam minerar o estreito e as águas ao redor da ilha, enquanto atacam com embarcações-drone baseadas em terra.
Contexto: guerra energética sem precedentes
O conflito, que entrou neste sábado em sua quarta semana, já provocou uma grave crise energética global. Os Houthis do Iêmen também poderiam intensificar a pressão sobre os preços do petróleo ao perturbar o estreito de Bab al-Mandeb, o que forçaria os EUA a operar simultaneamente em múltiplos teatros marítimos.
Em declaração conjunta neste sábado, 22 países condenaram o Irã pelos ataques ao tráfego comercial marítimo e à infraestrutura de energia civil, exigindo o fim imediato das ações que bloqueiam o estreito de Ormuz. Entre os signatários estão o Reino Unido, a França, a Alemanha, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e os Emirados Árabes Unidos.
Com as ameaças iranianas se expandindo para além de Ormuz e a possibilidade de uma invasão terrestre americana cada vez mais discutida em Washington, o conflito no Oriente Médio caminha para uma nova e perigosa fase — com potencial de afetar o fornecimento global de energia em escala ainda maior do que a já vista.■

Que o Irã seja o fim das bases americanas no Oriente Médio.
Um fato curioso é que as grandes potências tem muita dificuldade em sair de guerras, pois não podem ser vistas como “derrotadas”. É o bilionário que vai jogando e perdendo, quanto mais perde, mais joga.
Isso sim vai ter um potencial de escalar a guerra, se morre muitos soldados americanos em alguma ação podem ser que os americanos avancem com muito mais força para se vingar.
24km de distância do continente vai chover missel e drones ali todos dias.
Obrigado Irã por mostrar ao mundo que nem todos os povos aceitam ser colonia dos EUA
É incrível como o seu comentário tem 7 dislikes. 7 pessoas adorariam que o Brasil fosse colônia americana. Impressionante o nível que o Brasil chegou.
Além da colonização física, o pós-modernismo liberal também colonizou mentes, foi um processo muito bem feito de guerra cognitiva.
É não tem jeito, só posso parabenizar o Irã.
O Irã avisou.
Tenta a sorte que o azar é certo.
O Irã mostrou o caminho,única maneira de fazer frente a uma agressão de uma potência estrangeira é a construção de uma família de misseis com estoque de milhares de mísseis pra mostrar para o agressor que o agressor terá baixas devastadoras.
Concordo, mas isso também depende muito do país. Para China, Rússia, Irã e Coreia do Norte, por exemplo, a tática de empregar mísseis baratos em grande quantidade pode ser bastante interessante, visto que esses países estão relativamente próximos de ativos fixos extremamente importantes dos Estados Unidos e de seus aliados. Dessa forma, conseguem ameaçar ou até destruir infraestrutura crítica em suas regiões; no caso do Irã, no Oriente Médio; da Rússia, na Europa; e da China e da Coreia do Norte, no Leste Asiático. No entanto, para o Brasil, a realidade é diferente. Não há alvos de infraestrutura crítica, dentro… Read more »
Muito bom mas contra os EUA que está sendo considerado como possível adversário por muitos não havendo uma invasão que poderia trazer para a costa brasileira o sempre citado ^Carrier Strike Group^ seria complicado. . Ao invés viriam ,bombardeiros como o B 21 e submarinos com 40 ^Tomahawks^ além de duas dúzias de torpedos (Virginia Block V) na próxima década estes últimos situados a mais de 1000 quilômetros com muitos alvos valiosos e vulneráveis ao longo da costa. . Cenário improvável mesmo que para apenas forçar mudança de governo e não vejo nenhum outro país com apetite para uma guerra… Read more »
O Irã vai mesmo expulsar os ianques das arábias? Humm, sei não, viu? Falam que os árabes deviam expulsar os ianques porque estes os envolveram numa guerra indesejada e os abandonaram aa própria sorte. Argumento dramaturgico onde o que conta é a bile e a vaidade (coisa que emociona moleque gamer). Mas o fato é que, com caos e o escambau, os EUA já estão a vender bilhões de dólares em equipamentos militares pros árabes melhor se defenderem, assim como o Irã, com bloqueio do chokepoint/checkpoint, está exportando o dobro do petróleo que exportava antes do fatídico 28/02. Miopia se… Read more »
Se os EUA quiserem realmente derrubar o Irã, vão ter que colocar Marines em todas essas pequenas ilhas iranianas e (aceitar as baixas, que terão) além disso iniciar uma campanha de bombardeio do Irã, usando seus B-52 e todos os bombardeiros disponíveis. Liberar a coleira de Israel para que eles possam eliminar todo o auto escalão político e militar do Irã, e financiar grupos dentro do próprio Irã.
eles têm feito quase tudo isso