A tentativa americana de capturar a Ilha Kharg seria a aposta definitiva
Por Andrew Korybko*
Os EUA terão perdido a Terceira Guerra do Golfo se a China ainda puder contar com o Irã como fornecedor de energia confiável e de baixo custo, ao mesmo tempo em que transforma o yuan em uma moeda de reserva global que desafia o petrodólar.
Trump anunciou na segunda-feira que estendeu até sexta-feira o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz — sob a ameaça de destruir sua infraestrutura energética, prazo que deveria expirar naquele mesmo dia —, alegando ter mantido conversas supostamente frutíferas com membros da liderança iraniana não identificados. Ele também declarou que o Estreito seria controlado conjuntamente por ele e pelo aiatolá ao término do conflito, como parte de um acordo. O Irã negou que qualquer conversa tenha ocorrido, mesmo indiretamente via mediação; portanto, não está claro se isso de fato aconteceu.
No dia anterior ao seu anúncio, o The Economist avaliou que “Donald Trump tem quatro opções ruins para a guerra no Irã”: negociar, retirar-se, continuar ou escalar. No entanto, argumentou-se aqui que “as relativamente menos ruins do ponto de vista dos interesses do Trump 2.0 são negociar e escalar — a primeira se seus interesses forem levados ao pé da letra, e a segunda se interesses ulteriores estiverem em jogo.” A diferença está entre manter a ordem mundial e transformá-la radicalmente por meio da provável destruição de toda a infraestrutura energética do Golfo.
O Trump 2.0 pode optar pela primeira alternativa por receio das consequências que a segunda poderia trazer, mesmo que levem tempo para se materializar, mas há dois objetivos que ele precisa alcançar em qualquer dos casos — do contrário, seria praticamente impossível apresentá-los de forma convincente como uma vitória. Esses objetivos são: obter controle indireto sobre as exportações de energia iranianas, de modo a cortar a China do acesso a 13,4% de suas importações de petróleo por via marítima (conforme estatísticas do ano passado) ou utilizar isso como alavanca de pressão; e frustrar a proposta do petroyuan que o Irã lançou recentemente.

O Irã pode congelar e, posteriormente, limitar seu programa de mísseis após repor parte de seu estoque, bem como entregar todo o seu urânio altamente enriquecido à Rússia. Mas se a China ainda puder contar com o Irã como fornecedor de energia confiável e barato enquanto transforma o yuan em moeda de reserva global, os EUA terão perdido. Se o Irã ainda assim se recusar a aceitar as exigências americanas mencionadas — basicamente replicando o modelo venezuelano de “ajuste de regime” (possivelmente com o presidente do parlamento) —, os EUA podem tentar capturar a Ilha Kharg.
O New York Times noticiou recentemente como isso poderia se desenrolar, por meio da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército e/ou da 31ª Unidade Expedicionária dos Fuzileiros Navais. Ainda assim, isso seria a aposta definitiva caso o Trump 2.0 decidisse fazê-lo, dadas as enormes apostas e os custos potencialmente desastrosos envolvidos. Por um lado, se os EUA capturarem e mantiverem o controle de Kharg sem que o Irã destrua o local de onde é exportada a esmagadora maioria de seu petróleo, os americanos poderiam usar a ilha como alavanca nas negociações.
Por exemplo, Kharg poderia ser gerida conjuntamente ou devolvida ao Irã — mesmo que mais tarde — em troca deste entregar à Rússia todo o seu urânio altamente enriquecido, comprometer-se a não vender mais energia à China e abandonar sua proposta de petroyuan. Um alívio de sanções poderia seguir-se como forma de reparação, mesmo que, inicialmente, em etapas, além do compartilhamento das taxas de trânsito pelo estreito sob controle conjunto entre EUA e Irã. Se o Irã destruir Kharg em represália, os EUA destruirão o restante de sua infraestrutura energética — e o Irã destruirá a do Golfo.
Os EUA poderiam se isolar do caos global recuando para o Hemisfério Ocidental, que agora dominam em grande medida após o sucesso de sua estratégia de “América Fortaleza” ao longo dos últimos 15 meses, enquanto seu rival sistêmico, o chinês, e todos os demais no Hemisfério Oriental — exceto a Rússia — sofrem as consequências. O custo mais imediato seria em vidas de soldados, mas o mundo seria radicalmente transformado para sempre, com essa sequência de eventos possivelmente desencadeada pela aposta americana na Ilha Kharg e pela resposta iraniana a ela.■

Com 1 milhao de soldados, a lha tao proxima da costa iraniana estaria vazia…!!!???
Outro ponto, se os iranianos virem a ilha como perdida de qualquer forma? E lançarem tudo que tem lá ao mesmo tempo com os Americanos lá?
Provavelmente é o que aconteceria…
Parece loucura, mas acho que é exatamente isso que o Trump quer, a resposta a esta ação catastrófica pode desencadear a resposta nuclear e destruir o Irã de uma vez, Trump sempre diz uma coisa na tv e na realidade faz a coisa mais ao contrario possível, vejam as entrevistas que ele concedeu ontem a tv americana dia 24/03 e veja o que vai acontecer nos próximos dias, hoje é quarta feira dia 25/03 se ele invadir a ilha Kharg será no sábado ou domingo próximo, os mercados fechados a queda das ações é menor, aguardemos o desenrolar…
existe limite. a armas nucleares são ele.a partir delas não se sabe o que vem do outro lado.
e vão destruir qual avo? teeran? atear fogo em todo o Oriente Médio e liberar o resto do mundo para usar?
Oba, os EUA lançaram armas nucleares numa grande cidade do Irã por estar indo mal na guerra, agora posso fazer o mesmo na Ucrânia, Rússia!
Show de bola, os EUA usaram no Irã, eu posso usar no Japão see atrapalharem em taiwan, ou em taiwan, China!
Se isso ocorrer é surto total
É justamente disto que estou falando, CAOS total, porque desse jeito abrem caminho para uma nova ordem mundial, Trump quer o controle do mundo nas mãos dele, já está fazendo isso nas américas e está conseguindo, talvez nem seja necessário usar uma arma nuclear grande basta uma arma nuclear tática muitos vão querer negociar e não retalhar o sentido disso é por os países agredidos de joelhos. Exemplo 1 o Irã se rende e EUA e os países aliados do golfo assumem o estreito de Ormuz, paz relativa no golfo. Exemplo 2, Israel vence o hezbolah no Líbano e passam… Read more »
Teriam que ocupar a ilha e um pedaço da costa, se não vão virar um alvo de tudo que é drone e missil Irãniano
E s9mente com mayerial aerotransportado….é ruim….
A Ilha de Kharg é o principal terminal de exportação de petróleo do Irã, responsável por cerca de 90% das suas remessas de bruto para a China. Negociação que levem a governar recursos Iranianos conjuntamente com EUA controlando os recursos de petróleo que vai para a China, não está na pauta Iraniana. Invadir com soldados americanos, ocupando a ilha seria um desastre em termos de estratégia militar. Seriam obliterados, o custo altíssimo. A opção de Trump destruir como prometeu a infraestrutura energética do Iran, a resposta por parte do Iran implicaria um desastre para A.Saudita, e o restante de países… Read more »
Se os iranianos não se renderem e destruir a ilha, e só a China ajudar na reconstrução depois da guerra, pois ela será a maior atingida. Se o alvo de Trump e obvio que seja a China, os chineses deveriam estar armando maciçamente o Irã. Mesmo que os americanos consigam tirar o Irã da equação, e só os chineses substituírem o petroleo iraniano por mais russo. Na minha opinião não faz muito sentido esse ataque contra o Irã para poder prejudicar a China, pois geopoliticamente os EUA sairão mais prejudicados, pois toda a infraestrutura de seus aliados no Golfo será devastada.… Read more »
Se o Irã fornece 14% do petróleo da China, e a Venezuela 4%, quem fornece os outros 82% e quem garante que a China não posso substituir esses 18% pela Rússia?
e essse pedaço da costa também seria alvo de ataques e assim por diante
Pedaço da costa?
Teriam que invadir o país todo, pois o Irã lança mísseis em Israel a mil km, imagina numa ilha a 25km!
Tudo para dar errado.
A ilha fica no alcance até da artilharia convencional.
Não dá para duvidar mais nada vindo do Trump e atual Secretário da Defesa, mas….
A tática atual seria estrangulamento econômico do Irã já pensando no pós- conflito, atingindo a China também.
Mas boa sorte com o desembarque e a sustentação da posição.
Boa sorte? Eu nao desejo isso .
Colega, é sarcasmo.
Eu sei, relaxa!
Eles já combinaram com a China? O quê impede a China de depois reconstruir Irã e fortalecer ele militarmente ddpois da guerra, tipo vocês não querem que o Irã tenha mísseis balísticos e drones com 2 mil km de alcance, beleza; eu ia ajudo a substituir por caças de última geração J-10C com todo o armamento que ele pode levar! E o Irã não irá mais fabricar um míssil em solo, eu fornecimento toda a defesa anti-aerea e fortaleço o exército e marinha de forma convencional em troca de????? Todo o petróleo, todo o urânio do Irã e umas duas… Read more »
Tem muitas variáveis que Trump nao controlaria. Podem até, num assalto aerotransportado tomar a ilha, mas isso com que grau de perdas? Por quanto tempo? Sem suporte logístico naval,sem eliminar completamente a capacidade ofensiva do Irã,seria um atoleiro. Lutando pela sobrevivência, o Irã pode partir para o desespero e minar todo o estreito e sabotar a ilha. O passo seguinte é destruir a infraestrutura petrolifera dos vizinhos que abastecem o mundo. E ai é o caos completo e absoluto das economias mundiais! Concomitante, os Hutis dão a louca e resolvem atacar Bab el-Mandeb! ….e em seguida Trump perde as eleições… Read more »
Isto não vai acontecer , nem pensaram nisto !
Trumpalhão já começou a culpar outros.
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-responsabiliza-conselheiro-de-seguranca-por-planos-de-guerra-em-chat/
ero meu: https://www.naval.com.br/blog/2026/03/24/a-tentativa-americana-de-capturar-a-ilha-kharg-seria-a-aposta-definitiva/#comment-513417
este é o link
Caro Curisco, vi hoje a postagem de um sargento da 82 divisão paraquedista dos eua, dizia que não só a ilha kharg é alvo mas tambem a ilha de larak onde a guarda revolucionaria e a marinha do irã mantem um centro de controle e passagem do estreito de ormuz, ai fui olhar no google maps e no marine traffic, o grupo de batalha do uss boxer esta a menos de 400 km da ilha de larak bem na entrada do golfo persico, amanhã a noite o grupo de batalha do uss tripoli chega no mesmo lugar, então presumo que… Read more »
“o grupo de batalha do uss boxer esta a menos de 400 km da ilha de larak bem na entrada do golfo persico.”
Danilo
O USS Boxer LHD 4 juntamente com o USS Portland LPD 27 e o USS Comstock LSD 45, zarpou na sexta-feira passada de San Diego…..ainda está beemm longe do Oceano Índico.
Caro Franz A. Neeracher,
Posso ter olhado errado os dados do ais e do imo das embarcações ou invertido os dados, fato curioso que conferindo os dados no marine traffic a muitos navios na região da fronteira entre irã e paquistão estão com nomes duplicados ou dados que não batem com as fotos apresentadas.
Abraço.
Guerra? Que guerra? Os EUA suspenderam as sanções sobre o petróleo iraniano. Tomada de Kharg com o quê? 5 mil fuzileiros, 40% indo de classe América? E pra passar os ARGs pelo estreito já minado? Era mais fácil capturar os dois petroleiros que o Irã envia pra China por dia, mas sem sanção não há desculpa pra isso. A saída do sinistrado Ford cortou pela metade as potenciais 240 decolagens diárias disponíveis para explodir com precisão qualquer coisa; o afastamento do Lincoln do litoral iraniano dificulta ainda mais as missões pela necessidade de reabastecimento. Como está a frota de Stratotanker… Read more »
Ele vai é acabar recuando, e dizendo que ganhou. Típico.
Mas ele ganhou.
Ganhou aquilo que Maria ganhou na horta !
Os caras que nunca foram em uma guerra, querendo ensinar os estrategistas norte-americanos. É uma piada.
Ocultar a putaria da elite mundial no caso Epistem e a corrupção endêmica do gabinete de Netanyahu esta se saindo cada vez mais caro em vidas e perdas para a economia mundial.
Isso! E ainda gerar alguns milhões pra especuladores amigos com informações privilegiadas conveniente vazadas!
O primeiro desafio será passar pelo estreito e chegar até a ilha Kharg; depois, desembarcar e permanecer na ilha…
E vem o Trump chamar os europeus de “covardes” por não enviarem navios para abrir o estreito. É patética a situação do Trump nesse momento.
Não necessariamente os navios entrarem no Golfo, mas fuzileiros navais poderiam ser enviados através de aeronaves como o MV-22 dependendo do que poderia ser feito para diminuir a capacidade iraniana talvez os próprios iranianos destruissem as instalações na ilha o que não seria bom para ambos os lados. . Algum país do Golfo poderia permitir que tropas do exército utilizando embarcações também participassem inclusive ocupando outras ilhas próximas. . Não que ache que vá acontecer mas deve haver uma alternativa , ao menos em teoria que mantenha os navios de desembarque/assalto distantes da entrada do Golfo. . E como os… Read more »
Mas com que índice de baixas, Dalton? O custo político já está grande, imagine qdo algumas centenas de caixões aparecerem numa foto no noticiário do horário nobre! Fora, como vc disse, que o Iran pode chutar o pau da barraca e destruir Kharg e ainda avariar seriamente as plantas produtoras dos vizinhos!
Acho absurda, temerária, a possibilidade de escalar o conflito nessa direção!
Imagina o V-22 chegando glorioso numa ilha cheia de soldados iranianos com Iglas no ombro mirando para eles!
Não acho que os americanos seriam burros o bastante de mandarem tropas em V-22 para território hostil sem uma preparação desse território antes.
Mísseis Tomahawk ou se quiserem deixar a ilha inteira, ações de sabotagem e guerrilha dos SEALs.
Fernando, acho que não enviariam tropas em uma espécie de ‘encouraçado de desembarque’ se não houver preparação de terreno antes.
Acho que o máximo que se pode fazer é inserir um pessoal Seal/UDT para fazerem reconhecimento e balizarem áreas de desembarque. Esse pessoal pode ser inserido de diversas formas, aviões, helicópteros, RHIB’s, etc.
Mas desembarque de pessoal? Vai voar muito chumbo aonde quer que seja antes de qualquer coisa pousar.
Parece ser mais fácil o Trump convencer a liderança do Irã a dividir o controle do estreito com ele… Ou o Drácula doar sangue rsrsrss
Acho que não foi levada em consideração que a ilha parece extremamente difícil de ser ocupada e permanecer lá. Muito perto da costa iraniana, pequena e sem proteção natural.
Façam uma comparação com a ilha das serpentes ocupada pelos russos que apesar de menor, está a ~35km da costa, sem proteção natural. Fico imaginando ataques permanentes de drones e mísseis, mortos americanos chegando ao USA e Trump olhando, como está, para as eleições de meio de mandato em novembro nos Estados Unidos.
Veja bem, pelo poderio militar e tecnológico dos EUA: só alguém insano apostaria que o Irã conseguiria impedir uma invasão à Ilha. Se os EUA realmente tomarem a ilha, não tenho dúvidas de que o Irã irá mover todo o esforço que tiver para destruí-la(bem provável que agora mesmo, tenham colocado explosivos até nas privadas). Nesse cenário, por mais bem preparada que seja a divisão de paraquedistas e fuzileiros, haverá baixas e mesmo que o número de baixas sejam pequenas: 1-500 isso vai emputecer(perdão pelo calão) ainda mais os eleitores dos EUA e com certeza Trumpalhão perde a câmara dos… Read more »
Já acho que talvez Kharg não seja o alvo.
Penso o mesmo……o Yemen me vém na cabeça.
Franz, vejo algumas possibilidades. Yemen sendo uma delas, garantir o Bab El-Mandeb, o que viria acompanhado de investimentos para um bypass do Golfo em si, o que levaria tempo. Pode ser que a dupla Larak e Qeshm sejam os alvos. A dupla é o ‘pedágio’ Iraniano do Golfo Pérsico. Claro que são especulações nossas. Podem muito bem atacarem Kargh/Kharg/Whatever. Qualquer um desses alvos pode ser uma finta para ataque à outro alvo. Claro que no caso de Kargh o buraco é mais embaixo devido à localização dentro do Golfo em si. Teriam que passar por Ormuz antes e nada disso… Read more »
Duvido que vá acontecer. As democracias ocidentais se tornaram altamente sensíveis a perda de vidas humanas, incluindo a de soldados. Uma ação dessa é de altíssimo risco tático e estratégico.
Com todo o respeito à experiência que os foristas possam ter, mas acho que a Casa Branca, CIA, Pentágono já pesaram bem os prós e contras de tomar essa ilha. Há ainda algo que muitos se esforçam pra não levar em conta ou por ignorância ou deliberadamente: IA É razoável admitir que a versão que eles tem acesso (que já sabemos é 2 gerações à frente dos modelos públicos) é capaz de elaborar e classificar todos os cenários possíveis. Se decidirem tomar a ilha não será apenas pela ilha em si…mas porque é um degrau de uma estratégia maior, independente… Read more »
Phac, com todo o respeito, acho que mesmo sem IA, eles estudaram profundamente os prós e contras de muita coisa ali na área, sabiam o dimensionamento de forças necessários para diversas ações. E mesmo assim erraram. Não tinham meios navais suficientes na área para manterem o Estreito de Ormuz em funcionamento. Não se sabe se foi um erro de cálculo do Trump em não deixar claro suas intenções para os comandantes militares ou se foi um erro dos militares em falharem em deixarem explícito ao Presidente as limitações das ações com a quantidade e tipos de meios disponíveis na região,… Read more »
Não existe modelo matemático algum no mundo capaz de prever o desenrolar de um conflito como esse. Na prática, existe um número incontável de variáveis caóticas que tornam qualquer análise desse tipo feito por IA mais um exercício de previsão probabilística generalista do que qualquer outra coisa. Decisões humanas imprevisíveis, erros de comando, medo, coragem, informações incorretas sobre o terreno e até improviso quebram completamente a lógica que seria necessário para gerar uma previsão confiável. Se o objetivo é ficar analisando cenários pra descobrir o futuro, é mais fácil procurar um cartomante, porque não existe nenhuma IA escondida no porão… Read more »