Minas navais iranianas

Washington, 24 de março de 2026 — A inteligência americana identificou que o Irã colocou pelo menos uma dezena de minas submarinas no Estreito de Ormuz durante a quarta semana do conflito, utilizando dois modelos de fabricação própria: a Maham-3 e a Maham-7. A revelação, feita pela CBS News com base em avaliações de inteligência obtidas de funcionários sob anonimato, eleva ainda mais a tensão na região e complica as negociações em curso para o encerramento das hostilidades — ao mesmo tempo em que os preços do petróleo oscilam perto de US$ 101 por barril e o galão de gasolina nos EUA subiu cerca de um dólar desde o início da guerra.

O que diz a inteligência americana

Funcionários americanos que tiveram acesso a avaliações de inteligência disseram à CBS News que as minas atualmente empregadas pelo Irã no estreito são a Maham-3 e a Maham-7, ambas de fabricação iraniana. Um segundo funcionário indicou que o número pode ser ligeiramente inferior a uma dezena.

A implantação se deu de forma encoberta, o que agrava a ameaça à navegação: o Irã ainda retém entre 80% e 90% de seus pequenos barcos e lançadores de minas, o que significa que poderia, em tese, colocar centenas de minas na passagem estratégica.

Os dois tipos de minas: sofisticadas e difíceis de detectar

A Maham-3 é uma mina naval de fundeio que utiliza sensores magnéticos e acústicos para detectar embarcações próximas sem contato físico, podendo ser ativada a uma distância de aproximadamente três metros. Um temporizador eletrônico controla quando a mina entra em operação, e seus sensores podem ser configurados por meio de entradas codificadas.

A Maham-7, apresentada pela primeira vez em uma exposição de armamentos em 2015 e conhecida como “mina de aderência”, é uma arma naval ainda mais elusiva. Trata-se de uma mina de alto explosivo compacta, projetada para repousar no fundo do mar, que utiliza sensores acústicos e magnéticos de três eixos para detectar embarcações. Sua forma foi especialmente projetada para dispersar as ondas de sonar, dificultando a detecção por sistemas de varredura de minas.

Resposta americana: mais de 40 embarcações destruídas

A reação militar dos EUA foi imediata e contundente. O presidente Trump exigiu a remoção imediata das minas, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que, por determinação de Trump, o CENTCOM estava “eliminando navios de lançamento de minas inativos no Estreito de Ormuz — destruindo-os com precisão implacável”.

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que o Departamento de Guerra destruiu mais de 40 navios lança-minas para impedir o Irã de perturbar o livre fluxo de energia, acrescentando que vários países ao redor do mundo concordaram em colaborar no esforço.

O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, disse que o CENTCOM continua caçando e destruindo ativos navais, incluindo mais de 120 embarcações e 44 lançadores de minas, e que os ataques continuarão, com destaque para os strikes na Ilha Kharg, onde o Irã mantém instalações de armazenamento e lançamento de minas.

Negociações em curso, mas Teerã nega conversar

Simultaneamente ao confronto naval, uma janela diplomática permanece aberta — ainda que frágil. O presidente Trump afirmou que seu enviado ao Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner se engajaram em negociações com Teerã, levando-o a recuar temporariamente da ameaça de “obliterar” as usinas de energia do Irã e a conceder um prazo de cinco dias para avanços diplomáticos.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, porém, negou que houvesse negociações diretas. A mídia estatal iraniana acusou Trump de tentar ganhar tempo.

Impacto econômico e ameaças de expansão do bloqueio

O bloqueio do estreito está causando estragos na economia global. Cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz antes do início da guerra, em 28 de fevereiro. Os preços domésticos da gasolina nos EUA subiram, em média, cerca de um dólar por galão desde então.

E o Irã deixou claro que pode ampliar ainda mais o bloqueio. O Conselho de Defesa iraniano avisou que qualquer tentativa de atacar as costas ou ilhas do país levaria à colocação de minas em todas as rotas de acesso e linhas de comunicação no Golfo Pérsico — efetivamente colocando toda a região em situação semelhante à atual no Estreito de Ormuz “por um longo período”.

Com o estreito bloqueado, as negociações em impasse e minas invisíveis ao fundo do mar, a via aquática mais crítica do mundo continua como o principal campo de batalha desta guerra — e como o maior obstáculo para qualquer acordo de paz.■


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EduardoSP
JuggerBR

Só mais um escândalo para o Trump lidar, uma típica terça feira…

Augusto Cesar

E muita canalhice vindo dessa atual administração americana.

O que os EUA (e o Ocidente como consequência) se tornou? um mafioso lunático no comando da Casa Branca manipulando os mercados e ganhando dinheiro (ele é os caras que financiam ele) em volta do caos que eles mesmo criaram.

Roosevelt (os dois) e Lincoln provavelmente teriam vergonha vendo o que o pais deles se tronou.

TeoB

Essa estratégia de minagem é muito eficiente lá pela geografia que obriga a passagem pelo ao estreio, um litoral de mar aberto é mais difícil de fazer o controle dessas minas, imagino uma situação onde deveríamos negar o mar a uma frota estrangeira o processo seria muito mais complexo, minas pero da costa atrapalhariam a pesca que é fonte de renda para muitas pessoas, e minar grandes porções de mar é bem complicado na prática. para nós seria mais viável imagino eu minar alguns pontos estratégicos e ter uma grande salada de misseis e drones para negar o mar a… Read more »

Macgarem

Mesmo se chegarem a algum acordo vai ter um tempo até tirar todas minas do estreito e tudo se normalizar.

O jeito é estocar comida que o bagulho vai ficar louco.

Cristiano GR

Na reportagem fala em menos de 1 dezena de minas. Um pessoal bem treinado tira em 2 dias eu acredito.

Mas no RS as colheitadeiras de arroz estão parando por falta de óleo Diesel.

Marcelo

Cada um se defende como pode.

Macgarem

Irã soltou os daleks no estreito

Carvalho2008

Eles poderiam minar todo o golfo de um lado a outro e poderiam deixar uma faixa estreita muito estreita dr apenas 4 km de corredor lambendo tpdo o seu litoral lambendo as barrancas de sua costa…isto permitiria a eles fazer um controle de quem passa…nao haveria como EUA limpar de risco tod9 o litoral iraniano….poderia surgir um missil cruzeiro de qualquer barranco

Augusto Cesar

Ue, mas o falastrão não falou que tinha destruído toda a marinha iraniana?

O que esperar de um presidente que coloca um amigo e parentes próximos pra tentarem resolver a bagunça que ele mesmo criou.

Paulo Costa

Submarinos podem lançar minas,não sei quais os tipos