A História Naval e o Cinema: A Nave da Revolta / The Caine Mutiny (1954)

17
The Caine Mutiny (1954)

Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)

A Nave da Revolta é um clássico do cinema, lançado em 1954, estrelado por Humphrey Bogart e dirigido por Edward Dmytryk. O filme, indicado a sete Oscars, é uma história fictícia baseada no livro “The Caine Mutiny”, de Herman Wouk. O livro foi publicado em 1951. Em 1953, o livro foi adaptado para uma peça de teatro e, em 1954, o famoso ator Humphrey Bogart interpretou o instável comandante Queeg no cinema.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o jovem oficial Willie Keith (Robert Francis) é designado para embarcar no navio caça-minas USS Caine.

Naquele momento, o comandante do navio ainda era o Comandante DeVriess.

Pouco tempo depois, após uma viagem, assume o comando o comandante Philip Francis Queeg (Humphrey Bogart). Alguns militares do USS Caine não tinham uma boa apresentação pessoal e não eram muito disciplinados. Na reunião de voga (primeira reunião do comandante após assumir o cargo), o novo comandante informou que seria mais exigente na área disciplinar e que o oficial Willie Keith seria o responsável pela apresentação pessoal dos militares.

Durante uma viagem para realizar um exercício de tiro sobre alvo rebocado, o comandante Queeg dá uma ordem ao timoneiro para guinar o navio para boreste (direita) e se distrai.

Ele estava chamando a atenção do tenente Willie Keith para a apresentação pessoal de um militar. Enquanto isso, mesmo após ter sido alertado pelo timoneiro sobre a continuidade da guinada, o comandante o repreende. O navio continua guinando para o boreste até cortar o próprio cabo de reboque. O comandante não assume o erro cometido e inventa uma versão da perda do alvo, que é deixado à deriva no mar.

Após um período atracado no porto de São Francisco, o navio faz uma nova viagem, cuja tarefa é escoltar lanchas de desembarque com fuzileiros navais durante uma Operação Anfíbia[2].

Durante a operação, o comandante, de forma precipitada, deixa de escoltar as lanchas antes da distância da praia ser determinada. O imediato Steve Maryk acha estranho o comportamento do comandante. O tenente Tom Keefer continua a instigá-lo dizendo que o comandante Queeg pode estar desequilibrado. Outros fatos relativos ao comportamento do comandante continuavam a chamar a atenção da oficialidade.

A busca por morangos supostamente desaparecidos, mas o próprio comandante já sabia o que havia ocorrido; a interrupção de uma sessão de cinema para a tripulação, sem motivo justificável; e o manuseio de duas bolinhas de metal quando o próprio estava tenso.

Estes fatos começam a comprometer o moral da tripulação e a gerar conflitos entre os oficiais, pois há desconfiança quanto à saúde mental do comandante Queeg.

Durante um ciclone no mar (fenômeno meteorológico caracterizado por ventos fortes), Queeg se mostra inseguro. O imediato Maryk, alegando que o comandante está doente, invoca o regulamento da Marinha dos EUA para assumir o comando naquele momento. Todos esses acontecimentos teriam graves consequências.

O imediato Maryk é enviado à Justiça Militar acusado de crime de motim. O advogado de defesa é o oficial Barney Greenwald, que tem um desempenho decisivo no julgamento.

O tenente Keefer, que era imprevisível, não assume a responsabilidade por ter estimulado o imediato a assumir o comando do navio.

Durante o julgamento, o clima no tribunal é de crescente tensão. O advogado de defesa do imediato é o tenente Barney Greenwald. Ele adotou uma linha jurídica de desqualificação do comandante Queeg. À medida que o julgamento se desenvolve, paira no ar a questão de saber se o que ocorreu foi um motim ou uma necessidade real do imediato assumir o comando para não colocar o navio e sua tripulação em risco.

A interpretação do ator Humphrey Bogart, o instável comandante Queeg, é excepcional. Durante o julgamento, ele começa a se irritar quando é confrontado pelo advogado, bem como vai demonstrando sua frágil condição em seu depoimento. Finalmente, nega a veracidade de todos os principais fatos ocorridos durante seu comando no mar.

  • A Nave da Revolta / The Caine Mutiny (1954)
  • Diretor: Edward Dmytryk
  • Ator Principal: Humphrey Bogart
  • Disponível: YouTube

Referências / sites consultados


[1] Navio dotado de equipamentos para limpar portos ou outras áreas onde se sabe que o inimigo tenha lançado minas (artefatos explosivos). Atua com a finalidade de detectar, investigar e neutralizar as minas.

[2] A Operação Anfíbia (OpAnf) é uma operação naval lançada do mar, por uma Força-Tarefa Anfíbia (ForTarAnf), sobre uma região litorânea hostil, com o propósito principal de introduzir uma Força de Desembarque (ForDbq) em terra para cumprir missões designadas.


Subscribe
Notify of
guest

17 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Alex Barreto Cypriano

Filmaço com consequências políticas. Fred MacMurray (1908-1991) se especializou em personagens complexos (meio admiráveis, meio desprezíveis) e algo tragicomicos (lembremos de Double Indemnity, 1944, ou o posterior The Apartment, 1960). Uma longa e profícua carreira (atuou em mais de 100 filmes – o gigantesco Bogart atuou em ‘apenas’ 75 filmes). Bem, muito pra falar mas fico por aqui ☕😉

Dalton

Também serei breve, no livro o ^destroyer^ usado como ^varredor^ foi um dos 4 chaminés da época da Primeira Guerra eventualmente convertido durante a Segunda enquanto no filme foi usado um dos construidos pouco antes da Segunda Guerra dos quais alguns também foram convertidos na fase final. . Primeiro assisti o filme e gostei tanto que anos depois comprei um modelo de metal na escala 1/1250 do Destroyer convertido onde o quarto canhão de 5 polegadas foi desembarcado em troca do equipamento necessário para ^caçar minas^ como no filme. . Como normalmente acontece o livro é mais ^profundo^ que o… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Outra diferença notável entre livro e filme foi colocarem o almirante William Halsey no USS Kearsarge CV-33 (um porta aviões classe Essex) quando, a época, ele estava, como relatado no livro de Wouk, no USS New Jersey BB-62 (um encouraçado rápido classe Iowa).
“This is the Navy, here, the real Navy.” – Keefer diz a Maryk e Keith.

Dalton

Pode ser um pouco de implicância da minha parte mas desde a primeira vez que assisti não gostei de ver o indicativo “33” porque sabia que o “Kearsarge” havia sido incorporado apenas em 1946 então achei que poderiam ter escondido esse detalhe e de fato na época em que o filme se passa “Halsey” estava no encouraçado New Jersey , teria preferido que tivessem filmado em um cruzador simulando o encouraçado, mas, admito que a cena ficou melhor 🙂

Alex Barreto Cypriano

Ficou melhor, sim, mestre Dalton. A coreografia da tripulação no convoo é bem convincente e já na época havia a sensação de que porta-avioes eram a plataforma definitiva. O fato do frufru humano se impor como instrumento retorico sobre a impressão opressiva de uma superestrutura salpicada de canhões (algo mais como uma experiência individual e psicologica frente a signo bruto de poder) foi uma necessidade inerente do espetáculo cinematográfico herdeiro da Broadway, exemplificado aqui no tap dance de Eleanor Powell: https://youtu.be/Izcnb_2TlK8?si=OccF223QVyriwv9m Ou neste outro, inclusive sob olhar de Astaire: https://youtu.be/QeyyquKqzVc?si=kZ-xzgr3Tc8ogdwG A coisa mais admirável no espetáculo teatral e cinematografico é… Read more »

Leandro Costa

José Ferrer também estava fantástico. E pouca gente sabe que ele era o pai de Miguel Ferrer, que, entre outras coisas, fez o personagem que idealizou o Robocop no filme original.

Camargoer.

Bogart e sensacional.

Um dos meu prediletos é “O tesouro de Sierra Madre”… agora, ele e a Katherine Hepburn em “A rainha da África” é um espetáculo, O mais engração é que foi o único Osca de Boggart. K.H já mostra sinais de uma doença que causava tremor nas mães e na cabeça, mas ela tinha menos de 50 anos. Algo que eu gosto muito neste filme é que tanto quanto Bogart quanto Hepburn praticamente estão sem maquiagem, o que dá um tremende efeito no filme

Alex Barreto Cypriano

Dois filmes excelentes, mestre Camargoer. Caramba, mestre, cinema já foi legal um dia…

Camargoer.

Olá Alex,

Eu nem mais menciono Casablanca porque eu sei os diálogos em ingêes e em português de cor. Casablanca, Totoro, Spartacus (kirk dougras), Ghandi e Layrence da Arábia assisto regularmente, até mais que uma vez por ano.

Faz tempo que estou esperando um filme novo que me surpreenda.
Os filmes japoneses são sempre bons.

De memória, meu favoritos são “Encontros e desencontros”, “Shall we dansu (japonês)” e, acredite, Jojo Rabbit..

Jojo Rabbit é um dos melhores filmes que ja vi.

Last edited 1 mês atrás by Camargoer.
Ozawa

Não esperem cenas de batalhas navais de tirar o fôlego, ao contrário, são fainas monótonas passadas em uma embarcação propositadamente auxiliar … O navio diminui para que a atuação dos atores sobressaia e que atuações ! Humphrey Bogart, especialmente, está “voando baixo” ou “navegando a toda força” para ser mais adequado ao enredo … É um típico filme dos anos 50: ritmo lento, roteiro denso e atuações soberbas, bem ao nível dos atores e diretores em Hollywood na sua era de ouro! Um filme que fura a bolha de entusiastas navais e merece (precisa) ser assistido por qualquer um que… Read more »

Leandro Costa

Excelente filme!

Acho que o remake recente é legalzinho, mas não chega nem perto do original.

Camargoer.

Teve refilmagem?
Por que insistem isso? Sempre estraga

Burgos

Off topic:
Fica a indicação pro Comte Reale de mais um seriado no Prime vídeo (ficção) baseado em uma obra de Mangá: Missão silenciosa.
Um submarino da a Força Marítima de Autodefesa colide com um submarino americano, matando 76 pessoas a bordo, incluindo seu comandante, Shiro Kaieda. Mas a tripulação sobrevive. O acidente é uma fachada para levar a tripulação para o Seabat, submarino construído em segredo pelos governos japonês e americano. Mas Kaieda carrega o Seabat com mísseis nucleares e, repentinamente, se amotina e foge.

Sérgio Vieira Reale

Muito obrigado!

Cosmo

Muito bom esse “old school”! Temas navais como comando e lealdade, hierarquia e disciplina, regulamento e decisão retratados a bordo de um caça-minas durante a 2GM. Não acho que Bogart combine com uniformes, mas é sem dúvida um grande ator. As cenas navais são ótimas. No final, vê-se que, mesmo para cortar na própria carne, o sistema possui muitas reservas e dificuldades.

Fábio Mayer

Filmaço! A interpretação de Boggart é espetacular, demonstra a sutileza do stress e da tensão que acompanha o comandante do navio, um homem comum atormentado pelas suas enormes responsabilidades, sejam pessoais, como miitar, sejam com sua tripulação, sejam ainda com sua missão.

Já assisti este filme umas 10 vezes e não me canso de repetir.

Tio Velho Comuna

Filme bom, esforçado e mostra Bogart em seu auge de atuação. Mas em minha opinião o filme que é sinônimo do gênero(navios militares na segunda guerra) é esse aqui: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-52880/ . Aliás, até um episódio da saudosa Jornada na Estrelas, do capitão Kirk e do Dr. Spock se baseou nesse filme