Classe Kashin da Marinha Soviética: os primeiros grandes navios de guerra do mundo movidos exclusivamente por turbinas a gás

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BALTOPS '85

Vista da proa por boreste do destróier soviético de mísseis guiados OBRAZTSOVY navegando próximo a navios da força-tarefa que participavam do exercício multilateral da OTAN BALTOPS '85

A classe Kashin, ou Projeto 61, ocupa um lugar singular na história naval da Guerra Fria. No vocabulário oficial da Marinha Soviética, esses navios eram classificados como grandes navios antissubmarino — os Bolshoy Protivolodochnyy Korabl (BPK) — ou, em fases anteriores e variantes, como navios de escolta voltados para guerra antissubmarino e defesa antiaérea. No entanto, por seu porte, perfil de armamento e emprego operacional, acabaram sendo frequentemente descritos em fontes ocidentais como destróieres de mísseis guiados.

Projetados no final dos anos 1950 e colocados em serviço a partir de 1962, os Kashin representaram uma ruptura importante na construção naval soviética. Foram os primeiros grandes navios de guerra do mundo movidos exclusivamente por turbinas a gás, um salto tecnológico que lhes deu alta velocidade, menor peso e um perfil operacional avançado para a época. Também foram os primeiros navios soviéticos concebidos especificamente, com forte ênfase na defesa antiaérea embarcada, num período em que a ameaça dos aviões e mísseis ocidentais crescia rapidamente.

Smetlivyy

Sua configuração refletia exatamente essa dupla vocação. Os navios combinavam lançadores de mísseis superfície-ar, canhões automáticos, foguetes antissubmarino, tubos de torpedo e, em versões posteriores, até mísseis antinavio. Em outras palavras, eram escoltas multifuncionais, mas com prioridade clara para proteger grupos navais soviéticos contra submarinos e aeronaves inimigas. Isso os tornou peças importantes da expansão oceânica soviética nos anos 1960 e 1970, quando a URSS buscava acompanhar e desafiar o poder naval dos Estados Unidos e da OTAN.

No total, 25 unidades da classe e suas variantes foram construídas para a União Soviética entre 1959 e 1973. Algumas seguiram carreira longa, e uma versão modificada serviu de base para os navios da classe Rajput, construídos para a Marinha Indiana. O caso mais célebre de longevidade foi o do Smetlivyy, que permaneceu ativo até 2020, tornando-se, por anos, o destróier mais antigo ainda em serviço no mundo e hoje está preservado como navio-museu.

Vista elevada da proa por bombordo de um navio da classe Kashin Modificada (Projeto 61M)

Historicamente, a classe Kashin simboliza uma fase de transição. Esses navios nasceram quando o combate naval deixava de ser dominado apenas por artilharia e torpedos e entrava de vez na era dos mísseis, sensores modernos e guerra antissubmarino de alta intensidade. Se oficialmente eram “grandes navios antissubmarino”, na prática foram muito mais do que isso: tornaram-se um dos ícones mais reconhecíveis da Marinha Soviética em sua fase de modernização.

 

Classe Kashin / Projeto 61

Características gerais

Tipo Grande navio antissubmarino / destróier de mísseis guiados
Deslocamento 3.400 toneladas padrão,
4.390 toneladas em plena carga
Comprimento 144 m (472 pés)
Boca 15,8 m (52 pés)
Calado 4,6 m (15 pés)
Propulsão 2 × COGAG; 2 eixos;
4 × turbinas a gás M8E, conjunto da unidade M3; 72.000 hp (54.000 kW), chegando a 96.000 hp (72.000 kW)
Velocidade 38 nós (70 km/h; 44 mph) com as 4 turbinas a gás em potência máxima
Alcance 3.500 milhas náuticas (6.480 km; 4.030 mi) a 18 nós (33 km/h; 21 mph)
Autonomia 10 dias
Tripulação 266 a 320
Sensores e sistemas de processamento
  • Radares de busca aérea/superfície MR-300 “Angara”
  • Radiogoniômetro ARP-50R
  • Sonar MGK-335 Platina (Projeto 61M)
  • Sistema de Controle de Informações de Combate Planshet-61
  • Sistema de controle de tiro Pult-61M
Guerra eletrônica e despistadores
  • Sistema radar ESM Krab-11
  • Sistema radar ESM Krab-12
  • Sistema radar ESM MP-401 Start (Projeto 61M)
Armamento
  • 2 × 2 canhões AK-726 de 76 mm (3 pol.)
  • 2 × 2 lançadores de mísseis superfície-ar SA-N-1 “Goa” (32 mísseis)
  • 1 × 5 tubos de torpedo de 533 mm (21 pol.)
  • 2 × 12 lançadores de foguetes antissubmarino RBU-6000
  • 2 × 6 lançadores de foguetes antissubmarino RBU-1000
  • 4 × 1 mísseis antinavio SS-N-2 “Styx” (Projeto 61M)
  • 2 × 4 mísseis antinavio SS-N-25 “Switchblade” (Smetlivyy )
Aeronaves embarcadas 1 × helicóptero da série Ka-25
Instalações de aviação Heliponto

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João Pedro

Para época em que foi lançada, deve ter impressionado a OTAN.

Dalton

Os EUA um pouco antes inovaram com navios ainda maiores de propulsão nuclear como o ^Long Beach^ e o ^Bainbridge^ que escoltaram o primeiro NAe de propulsão nuclear ^Enterprise^ na Operação Sea Orbit até comprei os modelos em metal dos 3 literalmente décadas atrás.
.
Mas energia nuclear era cara demais e a US Navy precisava de números assim apenas mais 7 combatentes de superfície de propulsão nuclear seriam construídos e as turbinas a gás estrearam com a classe Spruance projetados no fim da década de 1960.

Otto Lima

Os CTs da Classe Kashin foram um salto tecnológico para a Marinha Soviética. No início dos anos 60, as escoltas eram essencialmente CTs das Classes Skory, Kotlin, Kildin e Kanin, todos com propulsão a vapor. As duas últimas classes eram essencialmente derivadas da Kotlin, adaptadas para disparar o míssil antinavio de primeira geração SS-N-1 “Scrubber”. Os Kotlin originais e seus antecessores Skory eram CTs com armamento típico da Segunda Guerra Mundial: canhões de médio calibre para engajar alvos aéreos e de superfície, canhões automáticos antiaéreos de menor calibre, torpedos, foguetes antissubmarino e minas aquáticas.