De USS Sarsfield a ROCS Te Yang: como Taiwan levou ao limite o potencial dos destróieres da classe Gearing
Poucos navios ilustram tão bem a capacidade da Marinha da República da China (Taiwan) de extrair o máximo de plataformas antigas quanto o futuro ROCS Te Yang (DDG-925). Antes de servir por quase três décadas na esquadra taiwanesa, o navio nasceu como USS Sarsfield (DD-837), um destróier da classe Gearing da Marinha dos Estados Unidos, comissionado em 31 de julho de 1945, ainda nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial.
Após servir sob bandeira americana até 1977, o USS Sarsfield foi desativado e transferido para Taiwan em 1º de outubro daquele ano. Já em janeiro de 1978, a embarcação foi incorporada pela Marinha da República da China com o nome Te Yang (DD-925), iniciando uma nova fase de sua carreira em um contexto estratégico muito diferente daquele para o qual havia sido concebida.
O caso da Te Yang ajuda a entender uma característica marcante da marinha taiwanesa durante a Guerra Fria e o pós-Guerra Fria: a capacidade de reaproveitar navios americanos de gerações anteriores e mantê-los relevantes por meio de sucessivos programas de modernização. No caso dos antigos Gearing transferidos pelos Estados Unidos, Taiwan os reuniu no que ficou conhecido localmente como classe Yang, submetendo-os a extensos programas de atualização Wu Chin I, II e III.
Foi justamente na modernização Wu Chin III que a Te Yang atingiu sua forma mais avançada. Em dezembro de 1989, o navio foi submetido a essa atualização e reclassificado como DDG-925, passando da condição de destróier convencional para destróier de mísseis guiados. Mais tarde, em dezembro de 1994, recebeu a integração dos mísseis antinavio Hsiung Feng II, reforçando ainda mais seu poder de combate.
O programa Wu Chin III foi um dos exemplos mais notáveis de revitalização de navios veteranos da Segunda Guerra Mundial. Segundo descrições técnicas amplamente citadas, os destróieres dessa fase tiveram praticamente todo o armamento antigo removido e substituído por uma combinação muito mais moderna, com mísseis superfície-superfície Hsiung Feng II, lançadores de mísseis antiaéreos Standard SM-1 em contêineres, canhão OTO Melara de 76 mm e Phalanx CIWS. O sistema ASROC e os tubos triplos de torpedo foram mantidos. O resultado era uma plataforma de casco antigo, mas com um sistema de armas muito mais adequado às exigências do final do século XX.
Diante da necessidade de manter uma marinha numerosa e funcional sob forte pressão da China continental, a República da China procurou maximizar o uso de cada casco disponível. Em vez de descartar rapidamente os velhos destróieres herdados dos Estados Unidos, a marinha taiwanesa prolongou sua vida útil por meio de modernizações profundas, transformando navios concebidos para outra era em ativos ainda úteis para a defesa do estreito, a escolta e missões de presença naval.
A Te Yang permaneceu em serviço até 1º de abril de 2005, quando foi desativada em Kaohsiung. Os sistemas de armas dos navios classe Gearing modernizados foram removidos e transferidos para as fragatas da classe Chi Yang (fragatas da classe Knox).
Quatro anos depois, em janeiro de 2009, o navio foi rebocado para o porto de Anping, em Tainan, onde passou a ser preservado como navio-museu.■

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Legal, mas essa ideia já não cola mais pra marinha do bostil. Chega de peças de museu recuperadas do lixo de outros países.
Agora é a era das ToT’s, da TKMS para navios de superfície e do Naval Group, para submarinos.
Taiwan teve algum acesso ao complexo militar industrial norte americano, para poder modernizar seus contra torpedeiros.
Apesar de muita estridência da mulher dragão, aka PRC.
Nós nos contentamos com transferências de tecnologia, que não nos asseguram a capacidade de construir e equipar no país, um casco completo de proa a popa.
Os nossos rodaram até 1998 quando o D 26 foi de baixa o D25 foi antes por estar mais desgastado e sofreu um alboroamento de um navio mercante quando amarrado a boia efetuando faina de munição 😰
Eram navios robustos, e com boa estanquidade e de baixa manutenção e queimavam combustível barato.
Servi 6 anos e 10 meses no “Bruxo”.💪⚓️
Por gentileza, o que seria combustível barato?
Grato.
Navio com propulsão a caldeira/vapor não queima Óleo Diesel ele queima uma espécie de borra do petróleo misturada com um óleo refinado quase que pro Diesel bem mais barato que Diesel chamavam de Navy especial na época esse óleo era terrível 😰 Aonde ele cai grudava de tal maneira que parecia um betume e fedia pra caramba 🥴 Os Classes Garcia que tiveram na MB tinham uma caldeira diferente (queimava por turbilhamento) e eram de alta pressão 1200 Lbs diferente dos Gearing que eram de 600 Lbs . Os Garcias queimavam o combustível mais caro (parecido com os da turbina… Read more »
O combustível que você está falando é o bunker. Ele é quase asfalto. Precisa ter um outro óleo junto para ter menos viscosidade e fluir. Ele puro só flui se estiver acima de 70°. Muitos navios mercantes usavam esse combustível. Está caindo em desuso por ser muito poluente. Uma curiosidade: A Refinaria de Betim (REGAP) produz (ou produzia) esse produto. Ele era embarcado em vagões que iam para o porto de Vitória. Era uma operação muito nojenta. Eu tive a oportunidade de entrar em um tanque que armazenou isso. A bota ficava colada no fundo do tanque. E olha que… Read more »
Sim Fernando;
O Bunker era mais espesso que o Navy especial nessa situação que vc falou 👍
No Navy especial era perceptível o cheiro do óleo diesel e era menos espesso que o Bunker 🥴
E confere a informação quanto ao desuso do Bunker
Examinei a foto ampliada do Destroyer e não visualizei sistemas Phalanx citado no texto, que supostamente deveria existir em número mínimo de 2 unidades, podendo talvez ser posicionados a frente e atrás, ou um de cada lado. Algum sabe onde fica esse sistema de curto alcance nesse navio?
Havia apenas 1 situado em uma plataforma entre o convés de vôo e a popa que foi removido quando da conversão para navio museu além de outras modificações que o descaracterizaram de quando estava em serviço.
Pois é caro Dalton, vi que colocaram dois MK30 de 127mm no navio museu, ficou bem estranho. Bem diferente do original.
A foto abaixo mostra onde ficava o CIWS Phalanx: