Porta-aviões Minas Gerais em Pensacola: a visita de 1996 que trouxe os Sea King SH-3B para a MB
NAeL Minas Gerais fazendo escala em San Juan, Porto Rico, 1996 – Foto: Luis Martini Thiesen
Escala do NAeL Minas Gerais na Flórida marcou uma rara visita de um porta-aviões brasileiro aos Estados Unidos e esteve ligada à incorporação de helicópteros Sea King que reforçariam a capacidade antissubmarino da Marinha do Brasil
Em 1996, o Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais (A11) realizou uma visita a Pensacola, na Flórida, em uma comissão que entrou para a história da Aviação Naval brasileira. A passagem do veterano porta-aviões pelos Estados Unidos teve um objetivo prático: buscar helicópteros Sea King adquiridos junto à Marinha norte-americana para reforçar o 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1).
Segundo o histórico oficial do Comando da Força Aeronaval, os seis exemplares revisados que receberiam a designação SH-3B foram embarcados no Minas Gerais e transportados ao Brasil em 1996, chegando à Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia em junho daquele ano.
A operação resultava de um processo iniciado em 1994, quando a Marinha do Brasil buscou ampliar a frota de Sea King. De acordo com o ComForAerNav, o acordo com a U.S. Navy previa o fornecimento de oito helicópteros SH-3D, dos quais seis células seriam completamente revisadas e equipadas com um sonar mais moderno do que o utilizado nos SH-3A então em serviço no Brasil, enquanto duas seriam destinadas à reposição de peças. Os trabalhos de revisão começaram no Naval Air Depot Pensacola e prosseguiram nas instalações da PEMCO, em Dothan, no Alabama, antes dos voos de aceitação iniciados em fevereiro de 1996.
O recorte de jornal do post, publicado em Pensacola sob o título “Brazilian Carrier Docks”, registra bem o impacto local da chegada do navio brasileiro. A nota relata que moradores se dirigiram à área do Bayfront Auditorium após notar, no centro da cidade, o perfil do Minas Gerais, acompanhado da fragata Liberal, atracado na região de Pensacola. O texto também menciona que o interesse do público era impulsionado pela presença do navio brasileiro na cidade para recolher helicópteros Sea King nas proximidades, além da abertura de visitas ao porta-aviões e à fragata para o público local.
A incorporação dos helicópteros SH-3B teve peso relevante para a Aviação Naval. O Sea King já era um vetor central do HS-1 desde 1970, mas a aquisição de novos aparelhos permitiu reforçar o esquadrão num momento em que a Marinha buscava sustentar, com mais eficiência, as missões antissubmarino. O histórico oficial da força registra que os novos helicópteros receberam a designação SH-3B justamente para diferenciá-los dos demais Sea King já em operação no Brasil.
A visita também teve valor simbólico. O Minas Gerais, ex-HMS Vengeance, era um dos últimos porta-aviões leves oriundos da Segunda Guerra Mundial ainda em serviço e, naquele momento, seguia como peça central da Aviação Naval brasileira. Imagens e registros produzidos durante a passagem por Pensacola mostram o navio com diversos helicópteros em convés.
Do ponto de vista operacional, a viagem a Pensacola ilustra uma época em que a Marinha do Brasil ainda combinava a operação de um porta-aviões veterano com a modernização de sua aviação embarcada de asas rotativas. Os Sea King recolhidos nos Estados Unidos prolongariam por muitos anos a presença do tipo na força, tanto a bordo do Minas Gerais quanto, mais tarde, do São Paulo, antes da substituição pelos helicópteros SH-16 Seahawk.■


Inesquecível Minas Gerais!
Na epoca nós tinhamos Marinha….hoje só Marinheiros!
O erro foi aumentar o número de marinheiros antes de ter os navios para embarcá-los…
Mas a Marinha não é só navios, tem a DHN, tem os Distritos Navais, Grupamentos de Patrulha, Escolas de Aperfeiçoamento, Escola Naval, Colégio Naval, Controle de Tráfego Maritimo, etc
Sim, mas quando teve o PAEMB (na época do PROSUB), havia um planejamento para aumentar o número de navios da MB, por exemplo, as escoltas de 18 para 30, os submarinos diesel elétricos de 5 para 15, os navios patrulhas de 20 para 40, 12 navios patrulha oceânico, 2 porta aviões, etc. Então começaram abrir os concursos para ter pessoal para essa nova Marinha, mas aí veio um crise econômica entre 2014-2016, os poucos projetos que saíram foram as corvetas que viraram as fragatas Tamandarés e o primeiro lote do prosub de 4 scorpenè, com isso ficamos com muitos marinheiros… Read more »
Pessoal uma dúvida, eu vi pessoal de renome de canal na internet dizendo que não precisamos de porta aviões, que porta aviões é uma arma ofensiva, isso me fez questionar…um porta aviões com seus esquadrões embarcados fornece proteção da frota quando essa esta em deslocamento, e pode sim projetar poder sobre terra, mas um navio doca multipropósito tem muito mais características ofensivas do que um porta aviões o que deixa essa linha de pensamento não tão verdadeira assim. Onde quero chegar é quanto uma frota é mais segura quando há atuação de esquadrões de superioridade aérea e ataque antinavio embarcado… Read more »
Rafael, isso é uma baita caixa de Pandora hehehehe Nós podemos debater inúmeros pontos de vista pró e contra o uso de Porta-Aviões em matéria de doutrina naval, estratégia, etc. Pessoalmente, eu não sou um dos que acredita que o porta-aviões seja exclusivamente uma arma ofensiva. Acho eles flexíveis o suficientes para cumprir mais papéis. Sim, uma força de superfície fica mais segura com um porta-aviões em apoio, mesmo que seja um navio menor. Pode-se utilizar aeronaves para defesa aérea, encontrando o inimigo longe da frota, pode-se aumentar a consciência situacional da frota com o uso de aeronaves de vigilância… Read more »
O Leandro resumiu o que havia de mais importante penso eu, mas, não entendi do porque você considerar um ^navio doca^ com características mais ofensivas do que um NAe tipo um ^Wasp^ vs ^Getald Ford^ ?
Acredito que, por causa da capacidade de transportar fuzileiros e veículos para que estes efetuem desembarque, estabelecimento de cabeças de praia ou operações de infiltração. Atividades claramente ofensivas.
Imagino que seja esse o raciocínio, mas Porta aviões também são bastante ofensivos e de projeção de poder. Muito embora sejam ótimas armas defensivas pois permite que o conflito ocorra antes de chegar ao seu território.
Foi isso mesmo…esses navios são capazes de entregar e sustentar um TO na praia.
Só depois do NAe ^amaciar^ o adversário.
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Um classe Wasp por exemplo transporta apenas um destacamento de 6 F-35B e se mais forem embarcados as demais aeronaves principalmente para transporte de pessoal e equipamento terão que ser desembarcadas descaracterizando sua principal função.
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Um ^Gerald Ford^ não apenas tem mais aeronaves de caça e ataque como também de reconhecimento combinados com paióis com capacidade para mais de 2000 toneladas de
munição e combustível de aeronaves suficiente para gerar centenas de surtidas antes de um reabastecimento.
Depende…um NDM Juan Carlos I equipado com esquadrões de ARP poderia ocupar bem menos espaço de hangar que um F-35B, fora toda bagagem logística que um avião desses exige….ao invés de usar 6 F35B você poderia usar uns 12/18 ARP, embora tenha carga bélica inferior comparado 1×1, um ARP tem autonomia muito maior sobre o alvo e isso tem redefinido conceitos.
Como você mesmo disse…para garantir isso, o porta avioes precisa garantir superioridade aérea sobre o teatro de operações, e depois que abriu a porteira, passa a boiada toda….rs
Mas…se o ^Juan Carlos I^ embarcar tantos ^ARP^ – o AV-8B ainda está ativo – o número de helicópteros também iria diminuir sacrificando a principal função que é desembarcar meios também pelo ar. . O maior ^Wasp^ com apenas 6 F-35B ainda transporta 10 ^Osprey^ 4 helicópteros pesados e outros mas poderia embarcar entre 16 e 20 F-35 B mais 2 MH-60S e mesmo combinando algum tipo de ^ARP^ também desde que todas as demais aeronaves fossem desembarcadas. . De qualquer forma seja um ^Wasp^ ou outro navio de assalto anfíbio qualquer não possuem as ^caracteristicas ofensivas^ de um NAe… Read more »
Depende do objetivo que deseja, depende do adversário, não precisa citar capacidades se não soubermos o cenário, um Wasp desse seria um monstro para a maioria dos países da América Central ou da África por exemplo. Os EUA tem feito muito isso ultimamente, ataques de precisão para não colocar tropa pesada em solo (esquadrões atacando alvos junto com misseis de cruzeiro), afinal o povo americano não quer ver seus filhos em solo estrangeiro por uma guerra prolongada e dispendiosa novamente…lembre-se, Obama foi contra indicação dos militares e fez questão de colocar fuzileiro em solo para comprovar que tinham de fato… Read more »
Meu caro, um ARP, por melhor que seja, ainda não substitui um caça tripulado.
Porta-aviões é uma arma de projeção de força e creio que não precisamos desse meio, visto que a nossa extensa costa atlântica já é um imenso e insubmergível porta-aviões. Além disso, porta-aviões exige escoltas, logística onerosa e permanente e todo um quadro operacional que pode ser neutralizado com apenas algumas baixas pontuais. Enfim, é coisa para quem pode usar, não basta ter apenas para “dar mêdo”. Sempre lembro do porta-aviões argentino 25 de Mayo na guerra das Malvinas. Devido a precária manutenção, ausência de escoltas e sistemas desatualizados, teve que passar a guerra “escondido” num porto argentino. E após a… Read more »
Mundico, mas eu argumento que, em tese, se o 25 de Maio estivesse plenamente operacional, não precisasse ter ‘sorte com os ventos,’ o mesmo poderia sim ter dado muito trabalho aos Ingleses e isso seria uma ação defensiva, projetando poder em cima de uma frota com o intuito de defender território conquistado pelos Argentinos.
Bem, a intenção era essa, pelo menos. Da mesma forma que a batalha entre porta-aviões mais famosa de todos os tempos, a Batalha de Midway, foi exatamente a mesma coisa. Foi uma batalha defensiva para os Americanos.
Correto, mestre Leandro….o case do 25 de Mayo argentino foi exemplar….seu papel era defender e se opor a uma força aeronaval adversária.
Cumpriu com êxito todos os objetivos exceto e ironicamente o mais importante, que era lançar e fazer decolar o ataque. Mas ele zarpou, navegou, localizou e interceptou os britânicos primeiro…
Não logrou êxito por falta de manutenção e não conseguia mais alcançar o desempenho de quando foi construído.
O nosso problema é pensar em defesa nacional só relacionada a nossa costa e ao nosso território, é nessa que muitos falam “quem vai nos atacar? Bolívia? Paraguai?…” defesa vai muito além disso, vai de encontro aos nosso interesses no atlântico sul, nos rotas de navegação mundo a fora, nas nossas rotas comerciais… e isso exige FFAA muito mais capazes do que pensar só aqui no nosso território longínquo
O Brasil sabe de onde podem vir os ataques….mas se omite de dizer para evitar problemas… Nossa fronteira seca e marítima combinada, é a maior do mundo….estamos cercados por mar de um lado e 10 países de outro…a exemplo do conflito atual, bases hostis de lançamento de ataque ou projeção podem ser instaladas em qualquer um destes países….é aí a necessidade de uma marinha oceânica…ter inclusive a capacidade de pinçar países limítrofes que ofereçam risco ou emprestem seu território a terceiros para oferecer risco… É a terceira maior quantidade de divisas terrestres no mundo e a terceira maior litoral do… Read more »
Dr. Mundico..com especialistas ou não…a metáfora de porta avioes serem projeção de força é um erro abissal… TODA Arma projeta força e pretende obter o controle daquilo que está ao seu alcance…veja que está sim é a máxima verdadeira…é aplicável a qualquer arma manual ou automática, aérea, naval ou terrestre. Porta aviões foram usados em inúmeras vezes, como equipamento de defesa, cobertura ou escolta…no apogeu…os EUA chegaram a ter 70 porta aviões de uma única vez…é somente menos de 30% deles eram de esquadra classe Essex….a grande maioria eram porta aviões leves ou convertidos, destinados a escolta dos respectivos grupos… Read more »
Já adianto que sou contra, mas não quero entrar no mérito, pois o assunto é polemico. O que o Brasil deve debater antes de adquirir uma arma é pensar em nossa hipótese de guerra, quem seria o inimigo e como se opor a ele, imaginar o cenário mais realista, imitar puramente os outros não é o melhor caminho..
Desde muito Garotinho, nos anos 80’s, Eu já colecionava Revistas de Aviação e de Defesa. Principalmente à Tecnologia e Defesa, a Flap Internacional, Voar, Motor 3, dentre outras. Internet nem era sonho ainda. Sempre me perguntava, O porque à Marinha do Brasil, com o seu Estaleiro no Rio de Janeiro, até então, nao tinha feito um projeto rápido para retirar e trocar toda aquele Sistema de Propulsão de Caldeiras a vapor Super antigas, comumente usadas desde a Segunda Guerr Mundial, do Minas Gerais, que consumiam muito combustível e um Fumace horrível. Com a ajuda de estaleiros Nacionais e ou Internacionais,… Read more »
O problema dessa solução é que as catapultas de ambos os navios operavam usando o vapor gerado pelas caldeiras do sistema de propulsão, tanto que na modernização proposta do São Paulo previam a troca da propulsão para motores diesel e elétricos e a manutenção de algumas das caldeiras para gerar vapor para a operação das catapultas.
a orçamento da reforma do São Paulo foi uma ficção para não se fazer e levar a cabo…
O Nae SP poderia dentre outras otimizações incrivelmente mais baratas, simplesmente adotar uma ski jump….e ser convertido para Catobar para stobar….e isto não é uma discussão sobre qual é melhor….é sobre o que é possivel em termos de custo benefício mantendo real valor militar…a China assim o fez, a India assim o fez, os Russos idem….e com algo muito pior…stovl…com apenas harriers….os britanicos provaram a viabilidade com resultados extremamente positivos…não precisava de catapulta….
Meu caro, respeito sua opinião, mas esquece essa história de SH-3 revitalizado. Não tem o menor sentido.
Prezados, não sei ao certo, mas não nessa comissão que um Tracker se perdeu, os dois tenentes “da frente” se safaram e o sargento “de trás”, não conseguiu abrir o teto? Ficaram 24hs e procurando e desistiram.
Saudades do Minas! Dias de sol, dias de chuva, quentes e frios, eu amava subir a bordo do NAeL que sempre abrilhantava e tirava da orla de Santos a sua atração momentaneamente, por culpa de A Tribuna, por culpa da TV… fazia encher o cais com filas intermináveis, mas era como hoje ainda fazia o turistas atrás de praia em Guarujá. Mas, lá no porto, a praia era quando o Minas abria as portas…
Esse sim serviu com distinção já o São Paulo só envergonhou.
Esses porta aviões menores não seriam mais vantajosos no sentido de uma marinha poder tê-los em maior quantidade? E assim poder estar em mais lugares “ao mesmo tempo”…
O problema é a limitação dos meios que ele pode carregar e lançar.
Você diz no tamanho do caça embarcado? Ou no quesito número de caças por navio?
Os dois, o Minas Gerais já tinha dificuldade de lançar os A4, o São Paulo tinha algumas limitações para meios modernos, o Rafale chegou a ser testado nele, mas tinha que levar menos combustível e/ou armamentos, as catapultas era curtas e subdimensionadas, os elevadores pequenos. Fala-se que o NAe Charles de Gaulle já apresenta algumas limitações
Mestre In(0), sim.
Recursos são finitos e portanto, não há como NINGUEM possuir elevado número de super carriers….
Tomemos o exemplo máximo americano, no qual no auge da guerra WWII, hegou a possuir 70 porta aviões, mas somente 1/3 deles eram de grande porte…a maioria eram leves focados em escolta e que se combinados entre si, podiam realizar ataques de grande volume…
A questão é sempre ter ou possuir o casamento ideal do modelo do avião para o modelo do navio…
O Brasil só teve grandes navios pra bajulação política, os encouraçados classe Minas Geraes na política do Café com Leite, o porta aviões Minas Gerais pra apaziguar a relação do poder executivo (Juscelino) com as Forças Armadas que já vinham querendo tomar o poder desde o suicídio de Getúlio.
Como disseram aqui, época que o Brasil tinha mais navios e hoje temos mais marinheiros.
Este sim deveria ter virado Museu!!!
Eu acredito que um caminho que o Brasil poderia trilhar é dos NAe STOBAR, são mais baratos de adquirir e manter, tem limitações, mas algumas tecnologias atuais podem ajudar como uma versão do Bell MV-75 AEW&C
Correto…tal como Russia, China, Índia e principalmente Inglaterra comprovaram a eficácia operacional do modelo stobar
Triste que esse navio não tenha virado um Museu.
Muitos anos de vida para quem teve a honra de servi a bordo do Mingão, eu tive esse previlegio de 1988 à 2001, Fui o ultimo Supervisor ET de bordo.Bravo Zulu a todos que serviram a borda da Belo Nave. Só ficou Saudades da era: Super Operativa.
Se não me engano um destes Sea king que o Minas Gerais foi buscar hoje esta preservado no Museu Asas de um Sonho em Itu-SP
Sim, o N-3030 é um desses 6 SH-3B.