USS Bonefish (SS-582)

Em 24 de abril de 1988, o submarino USS Bonefish (SS-582) sofreu um incêndio devastador enquanto operava submerso durante um exercício ao largo da costa da Flórida, em um dos acidentes mais graves da história recente da força submarina norte-americana. Diante da rápida propagação do fogo, o navio conseguiu emergir, mas a situação a bordo se deteriorou a ponto de o comandante ordenar o abandono da embarcação.

O Bonefish navegava a cerca de 160 milhas da costa leste da Flórida quando o incêndio atingiu a área das baterias, um setor crítico em submarinos convencionais. Após emergir, a tripulação deixou o navio no mar e foi resgatada por meios navais e aéreos mobilizados na operação. Dos 92 tripulantes, 89 foram salvos, mas três marinheiros morreram em decorrência do acidente, que também deixou vários feridos.

O episódio teve forte impacto simbólico para a Marinha dos Estados Unidos. O Bonefish, da classe Barbel, era amplamente associado ao fim da linhagem dos submarinos diesel-elétricos da força, numa época em que a US Navy já havia migrado quase por completo para a propulsão nuclear. O incêndio de 1988 praticamente encerrou a carreira operacional do navio: os danos foram considerados severos demais para justificar reparos, e o submarino acabaria desativado poucos meses depois, em setembro daquele ano.

O acidente naval do Bonefish tornou-se um marco histórico. Ele expôs os riscos inerentes à operação de submarinos convencionais e entrou para a memória da força submarina americana como o dramático ocaso de uma geração de navios que havia servido durante a Guerra Fria. O casco seria posteriormente retirado do registro naval e desmontado, encerrando de forma trágica a trajetória de um submarino que simbolizava o fim de uma era.

Em termos técnicos, a classe Barbel representou o ápice dos submarinos convencionais da Marinha dos EUA: eram submarinos de ataque diesel-elétricos com casco hidrodinâmico em forma de gota de lágrima (teardrop hull), casco duplo em aço HY-80, um único eixo, cerca de 66,8 metros de comprimento, 8,8 metros de boca e deslocamento em torno de 2.150 toneladas na superfície e 2.640 toneladas submersos; a propulsão combinava três motores diesel Fairbanks-Morse e dois motores elétricos General Electric, permitindo velocidade de aproximadamente 14 nós na superfície e 18,5 nós em imersão, com alcance na faixa de 14 mil milhas náuticas a 10 nós; a classe tinha profundidade de teste superior a 700 pés, tripulação de cerca de 77 homens e armamento principal formado por seis tubos de torpedo de 533 mm na proa, com capacidade para até 22 torpedos, além de sensores como os sonares BQS-4 e BQR-2.■


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7 Comentários
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Fábio CDC

Era uma máquina impressionante para o seu tempo, realmente. O similar Yankee do formidável Oberon britânico, suponho.
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Acredito firmemente que a US Navy se arrependeu amargamente de abandonar os SSK. Além de perderem um vetor barato de construir, operar e manter, caso comparado com os monstros nucleares, também perderam um produto de exportação. Eu francamente gostaria de vê-los retornar a projetar e construir novamente os SSK… Quem sabe algum dia?

Dalton

Não houve arrependimento senão seria ao menos comentado de forma mais significativa porque construir e manter submarinos convencionais ^roubaria^ recursos para os nucleares e não há o suficiente deles.
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Há um certo acordo entre EUA e aliados que os que possuem convencionais como o Japão por exemplo para suplementar os nucleares e vice versa assim o Japão pode manter um número significativo de avançados convencionais (acima de 20) e os EUA podem concentrar-se nos nucleares.

Desmistificador

Para o tipo de uso que os Americanos tem na força submarina, um diesel eletrico é altamente inferior do que um nuclear de ataque.

Marcelo

Os americanos perderam um mercado grande para seus submarinos diesel elétrico para os aliados da Otan.
Imagina quantos submarinos diesel elétrico americano estaria operando hoje nos países aliados .

Dalton

Com exceção de 4 submarinos construídos para o Peru na década de 1950 o que os EUA fizeram foi vender muitas sobras da Segunda Guerra, muitas modernizadas no padrão “Guppy” dos quais o Brasil recebeu 7 unidades no início da década de 1970.
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A Guerra Fria levou a uma padronização pelos “nucleares¨” não havia condições dentro de tudo o que já se estava gastando nem interesse pelo convencional mesmo para exportação e os 3 Barbel foram os últimos dos poucos construídos após 1945.

BVR

Interessantíssima essa história. Parabéns ao PN por “desenterrar” eventos como este. As vzs ficamos com a impressão de que nunca houve nada de trágico, ou catastrófico, na trajetória das marinhas (ou outras forças e instituições) dos outros países. Que eles foram lá, construíram, aperfeiçoaram e chegaram à maturidade material/tecnológica sem percalços e perdas – se bem que neste caso já era um projeto estabelecido. Enfim, espero que o PN qdo estiver garimpando encontre situações como a desta matéria – não necessariamente trágicas; mas que colaboram para a compreensão de um quadro mais geral – que enriquecem quem as lê. PS.… Read more »

Glaucus Lima

Os americanos ainda sabem construir submarinos convencionais? Acho que não, porque eles mudarm muito da década de 80 para cá. Novas tecnologias de baterias foram criadas, etc. Teriam muito trabalho até conseguirem de novo maestria em projetar sub convencionais.