Giuseppe Garibaldi

Giuseppe Garibaldi

O Parlamento italiano aprovou em 28 de abril a transferência gratuita do porta-aviões descomissionado Giuseppe Garibaldi (C 551) à Marinha da Indonésia, concluindo um processo legislativo de meses que envolveu debate político, análise de custos e objeções da oposição. O navio de 14.150 toneladas, que serviu como navio-capitânia da Marinha italiana por quase quatro décadas, será entregue à Indonésia até dezembro de 2026 sem custo para Jacarta — numa operação que permite a Roma economizar milhões em manutenção enquanto fortalece laços de defesa com um parceiro estratégico no Indo-Pacífico.

Por que doar em vez de desmontar

A decisão foi essencialmente financeira. Manter o Garibaldi na reserva custava à Itália aproximadamente €5 milhões por ano em 2025, cobrindo energia, segurança, vigilância e manutenção técnica mínima. Desmontá-lo custaria €18,7 milhões e levaria 24 meses, com a possibilidade de que nenhum operador apresentasse ofertas válidas para a aquisição do casco — como já havia acontecido em casos anteriores.

O valor contábil residual do navio é de €54 milhões, mas a avaliação do Ministério da Defesa concluiu que mantê-lo na reserva imporia custos recorrentes sem benefício operacional.

O navio e sua história

O Giuseppe Garibaldi entrou em serviço em 1985 como o primeiro porta-aviões italiano, participou de diversas operações no Mediterrâneo e na costa da África — incluindo missões no Líbano, Líbia e Somália — e foi colocado na reserva em 31 de dezembro de 2024. Em serviço italiano, operava com uma ala aérea de até 16 caças AV-8B Harrier II de decolagem curta e pouso vertical.

A retirada foi motivada por uma combinação de obsolescência de sistemas e degradação estrutural, incluindo sistemas de comando e controle desatualizados e incompatíveis com os padrões digitais e em rede da Itália atual. A introdução de unidades mais modernas com capacidades expandidas, como o LHD Trieste, reduziu significativamente a relevância operacional do navio.

O que a Indonésia fará com o porta-aviões

O navio chegará à Indonésia desprovido de sistemas de combate ofensivos, mas manterá seu convés de voo, propulsão e infraestrutura de comando, tornando-o adequado para conversão em um porta-helicópteros e porta-drones. A Indonésia planeja operá-lo como plataforma de helicópteros e sistemas aéreos não tripulados, além de unidade de comando e controle para operações navais.

Em março de 2025, autoridades indonésias começaram a avaliar o Garibaldi como potencial porta-drones com base em acordos assinados com a Turquia para a produção local de 60 drones navais TB3 e nove sistemas Akıncı.

O pacote mais amplo: €1,5 bilhão em negócios

Além da doação do porta-aviões, o governo italiano busca finalizar a venda de submarinos e aeronaves à Indonésia, em negócios que totalizam até €1,5 bilhão. A operação se insere num contexto mais amplo de cooperação industrial de defesa entre os dois países, incluindo a entrega pela Fincantieri de duas corvetas da classe Thaon di Revel em contrato avaliado em US$ 1,25 bilhão.

“É uma operação razoável. A cooperação militar e industrial traz retornos, inclusive na frente política e em outros dossiês econômicos”, avaliou um analista italiano citado pelo National Interest.

A doação do Garibaldi segue um padrão observado em várias marinhas da OTAN, onde plataformas legadas são reaproveitadas por meio de transferências a parceiros aliados em vez de simplesmente sucateadas. Para a Indonésia, o navio representa um passo incremental mas significativo em direção a capacidades de aviação naval — e potencialmente, seguindo os exemplos da China e da Índia, um trampolim para um programa doméstico de porta-aviões no futuro.■


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33 Comentários
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Sulamericano

Ainda bem que não foi doado para a MB.

Jadson S. Cabral

Ainda bem que ninguém na MB pensou nisso

Gabriel

Devem estar mordidos de inveja uma hora dessas.

Wellington S.

Ainda bem mesmo, seria um elefante branco gastando dinheiro para ser operativo , durar pouco anos e ter o mesmo fim do Nae São Paulo.

Emmanuel

A MB se coçou agora para ter o maior super power overblast porta drone da América Latina.

Fernandão

Uffa! Mais um pouco e a MB levava mais uma sucata. Se já não bastasse as que pegamos dos ingleses.

Fábio CDC

Se não fossem as “sucatas” dos ingleses, a MB estaria bem pior que hoje.

Wellington S.

Sucata vc diz dos franceses como o Nae São Paulo que era francês , agora os ingleses geralmente vendem as belonaves mais operacionais .

rui mendes

A culpa não foi dos Franceses, no caso do porta-aviões e no caso do LPD Inglês, bem como do porta-helicopteros Ocean, estavam os dois , em muito bom estado.

rui mendes

Quando se fala ou escreve, sem fazer a minima noção, dos navios comprados, dá nisso.

eduardo

Mais um Livramento!

Rafael

Se um dia a MB quiser ter um PA que seja algo mais ou menos desse tamanho.
Compacto e eficiente.
Não precisamos de um que tenha 300 metros e 50.000 toneladas.

Gilmar Leal

Sequer precisamos de um…

Guilherme Leite

Para a realidade financeira da MB, o ideal é ela ir de porta drones, temos o Atlantico que é uma ótima plataforma, mas incompleta pela falta de uns Vipers.

Dalton

Compacto…sim, eficiente, depende, por exemplo não pode operar com o F-35B um grande salto tecnológico sobre o ^Harrier^. . Se for para operar apenas ^drones^ não se encaixará na definição tradicional de ^PA^ algo reservado atualmente para EUA, China, França Reino Unido e Índia os demais não passam de Navios de Assalto Anfíbio ou anti submarinos com pequena capacidade de operar asas fixas. . O ^Garibaldi^ é muito pequeno não a toa a Itália o substituiu pelo maior Cavour, os britânicos 3 classe Invincible de 20.000 toneladas por 2 muito maiores e a França não satisfeita com o ^CdG^ de… Read more »

A6MZero

Não acho necessário mas entendo o ponto, quem sabe uma versão similar ao Izumo em vez do Garibaldi, algo pequeno modular com capacidade para operar alguns F-35 ou drones pesados …

Mas mantenho que pra mim é só uma ideia, e a MB tem que focar no básico primeiro antes de devaneios desse tipo.

Rafael Gustavo de Oliveira

Gosto do Juan Carlos I, ali se opera de forma eficiente o que quiser…..
F-35, drone, embarcações de desembarque na praia, helicópteros, praticamente um canivete Suíço.

Gabriel

E 6 décadas

Dom Lazier

Gosto do modelo Italiano, Trieste

Paulo

O.que a MB precisa ter é mais meios com deck e hangar para Helis de ataque e Drones EVTOL, como o Nauru 3000 D multifunção de 1,5 ton de deslocamento. Hoje a MB só possui hangar nas FCT, NAM Atlântico e NDM Bahia( Não estou contando as FCN e as corvetas). O.NDM Oiapoque tem deck grande, mas não tem hangar, o que limita sua utilização. Pensa- se em produzir no AMRJ uma classe de NPaocs derivada da classe Amazonas, só que aumentadas para caber um deck amplo com hangar. Haveria um natural reforço no armamento dessa classe, extrapolando um pouco… Read more »

Fernando XO

Prezado, navio com essa proposta de configuração não é NPaOc…

Leo

Os caras tem uma tara com os navios patrulha armados com mísseis, não tem uma matéria ou vídeo no YouTube sobre o assunto que não tem um comentário desse

Santamariense

Caro XO, esse cidadão tem ideia fixa em drones. Ele só fala nisso. Deve ser comissionado pelas empresas brasileiras do ramo.

Fernando XO

Prezado Santamariense, nós precisamos “acordar” para essa questão de drones, seja para o seu emprego, seja para a defesa contra eles… meu ponto foi quanto a uma sugestão de NPaOc que parece mais um escolta… é tipo querer fazer um monte e não ser bom em nada… cordial abraço…

Marcelo Andrade

Famoso barato que sai caro. Um navio de 40 anos!!! Italianos Tutto gente boa!!!! kkkk

Santamariense

Ninguém obrigou os indonésios a aceitarem o navio. Na realidade, foram eles que foram atrás de adquirí-lo.

Dagor Dagorath

O que a MB precisa são de escoltas, patrulhas e mais submarinos, se tiver orçamento. Deixa os devaneios de Top Gun para quem pode.

J L

É isso mesmo, agora falta contratar um segundo lote de submarinos para dar tranquilidade na manutenção e ter sempre cobertura naval.

Alberto

Parabéns para a Indonésia pela aquisição da sua versão “Sao Paulo”, escolheram aprender pela dor

Last edited 1 mês atrás by Alberto
Dalton

Não dá para comparar com o ^Sao Paulo^ muito maior com duas catapultas a vapor, maquinário de retenção de aviões, propulsão complexa tripulação maior e mais antigo também. . Além do que havia a ambição ao menos nos primeiros anos após a aquisição de que seria utilizado por apenas 15 anos quando então estaria já em adiantada fase de construção o substituto é o que revistas antigas contam. . No caso da Indonésia irá operar de maneira mais ^suave^ com helicópteros e drones para missões inclusive de cunho humanitário sem a pressão de ter algo mais capaz depois como no… Read more »

Marinho

A China tambem recebeu um da Russia, e a conta desse ja tem 4.

Se for para apenas usar pode sair caro, se for para fazer engenharia reversa pode sair bem baratinho.

Dr. Mundico

Excelente negócio, doaram um navio livrando-se de altas despesas e abriram as portas para futuras vendas de navios, equipamentos, manutenção e treinamento.

Laska

Podiam ter daodo ao Governo do estado da Bahia para ser usado com ferry boate na travessia Salvador Itaparica, estamos precisando, KKKKKKKKK