Destróieres dos EUA deixam Ormuz sob fogo iraniano, mas episódio expõe limites da escolta naval no Golfo
USS Mason (DDG-87)
Trump afirma que três navios norte-americanos não sofreram danos e que forças iranianas foram destruídas; analistas veem o ataque como sinal de que Teerã pode tornar inviável a escolta regular de petroleiros no Estreito de Ormuz
Três destróieres da Marinha dos Estados Unidos deixaram o Estreito de Ormuz sob fogo iraniano, em mais um episódio de escalada militar na principal rota mundial de escoamento de petróleo. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), os navios USS Truxtun (DDG-103), USS Mason (DDG-87) e USS Rafael Peralta (DDG-115) foram alvo de mísseis, drones e embarcações rápidas enquanto transitavam pela passagem marítima em direção ao Golfo de Omã. Nenhum ativo norte-americano teria sido atingido.
O presidente Donald Trump afirmou, em publicação na Truth Social, que os três destróieres “transitaram com sucesso” para fora do Estreito de Ormuz “sob fogo” e que não houve danos aos navios. Segundo ele, os atacantes iranianos sofreram “grandes danos”, com pequenas embarcações destruídas, mísseis abatidos e drones neutralizados no ar. Trump disse ainda que os navios voltariam a integrar o bloqueio naval norte-americano, que chamou de “muro de aço”.
O CENTCOM informou que as forças norte-americanas responderam com ataques de autodefesa contra instalações militares iranianas ligadas ao ataque, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, centros de comando e controle e infraestrutura de inteligência, vigilância e reconhecimento. A operação ocorreu em meio a uma trégua frágil entre Washington e Teerã, que permanece formalmente em vigor apesar dos novos choques.
Embora Washington apresente o episódio como uma vitória tática, a ação iraniana reforça dúvidas sobre a viabilidade de escoltas regulares a navios mercantes no Estreito de Ormuz. O ataque não precisou afundar ou danificar os destróieres para produzir efeito estratégico: bastou demonstrar que qualquer comboio escoltado pela Marinha dos EUA pode ser submetido a mísseis, drones, enxames de pequenas embarcações e fogo de assédio de baixa intensidade.
Na prática, isso aumenta o risco para armadores, seguradoras e operadores comerciais. Mesmo que os destróieres norte-americanos consigam se defender, navios-tanque civis próximos poderiam ser atingidos por engano, fragmentos, drones desviados, mísseis antinavio ou ataques destinados a saturar a defesa do grupo. Em um ambiente como Ormuz, onde a distância entre a costa iraniana, os portos do Golfo e as rotas comerciais é curta, a simples presença de navios militares norte-americanos junto a petroleiros pode transformar o comboio em alvo.
O Estreito de Ormuz tem importância estratégica desproporcional. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo e derivados passaram pela rota em 2024, volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos de petróleo. Uma interrupção prolongada teria impacto direto sobre preços de energia, fretes marítimos, seguros e cadeias globais de suprimento.
O episódio também evidencia a lógica assimétrica adotada pelo Irã. Em vez de buscar um confronto naval convencional com a Marinha dos EUA, Teerã pode recorrer a meios mais baratos e numerosos: drones de ataque unidirecional, mísseis costeiros, lanchas rápidas, minas, guerra eletrônica, interferência de GPS e ataques de oportunidade. Mesmo quando esses meios são interceptados, seu emprego contínuo eleva o custo político, operacional e econômico da presença norte-americana.
Para que uma escolta naval funcione em Ormuz, os EUA precisariam manter forte cobertura aérea, capacidade permanente de guerra eletrônica, inteligência em tempo real, defesa antimísseis de prontidão máxima e rotas cuidadosamente planejadas para reduzir a exposição à costa iraniana. Ainda assim, o risco não desaparece. A cada trânsito, Teerã pode calibrar a intensidade da pressão sem necessariamente cruzar o limiar de uma guerra total.
A declaração de Trump, ao chamar os líderes iranianos de “lunáticos” e ameaçar uma resposta “muito mais violenta” caso Teerã não aceite um acordo rapidamente, reforça o tom de confronto. Mas também sugere que a Casa Branca reconhece a dimensão política do problema: se o objetivo era demonstrar que os EUA podem manter Ormuz aberto sem grandes custos, o ataque mostrou que o Irã ainda dispõe de meios para contestar essa liberdade de navegação.
O resultado imediato foi ambíguo. Militarmente, os destróieres norte-americanos atravessaram o estreito sem danos, e os EUA afirmam ter destruído ameaças iranianas. Estrategicamente, porém, o Irã mostrou que consegue transformar cada escolta em uma crise potencial, elevando os custos para navios comerciais e parceiros regionais, especialmente os Emirados Árabes Unidos, que poderiam sofrer consequências diretas caso ataques errantes ou retaliações atinjam infraestrutura em seu território.
O incidente em Ormuz reforça uma disputa de resistência, na qual os Estados Unidos tentam provar que podem impor um bloqueio e proteger o tráfego marítimo. O Irã tenta demonstrar que nenhum navio passará pela região sem risco. Nesse cálculo, a vitória não depende necessariamente de afundar um destróier, mas de convencer o mercado, os aliados regionais e as companhias marítimas de que transitar sob escolta norte-americana pode ser perigoso demais.■


então…apareceram as “fragatas”….rrsrsrs….
Fazer bloqueio naval contra cachorro morto (Venezuela) é fácil.
Agora contra o Irã tem que retirar os navios porque si não vira coral.
Enfim, vocês viajam bem. Se não for superioridade absoluta sem contestação é inferioridade americana, lol. É claro que é um espaço assimétrico, sempre foi.
Qual será a solução?
Invasão por terra e controle de toda a costa iraniana, até uma distância de 150km território adentro ou um acordo com o Irã.
Bora lá…….facinho de realizar….
Acho que os dois perderam o lider máximo nos primeiros minutos
Essa confusão tá parecendo que vai longe 🥴
Nada no Oriente Médio é simples.
Porém estou aguardando, com balde de pipoca, a “guerra de torcidas e narrativas” entre os antigos defensores do Trump, os novos defensores do Trump e os defensores do Irã (alguns com mais de um pseudônimos para reforçar suas ideias).
Stand-up comedy purinha.
É divertido ver a briga de torcidas, mas chegou a um ponto que pra mim perdeu a graça. Tem vezes que eu acho que estou lendo a seção de comentários do G1, não da Trilogia Forças de Defesa.
Exato! Ainda leio algumas matérias da triologia, mas perdi a vontade em postar comentários.
Normalmente isso acontece com quem só quer ler o que pensa. É por isso que existe essa coisa de polaridade. A trilogia está de parabéns. Não ligo de ser negativado. O contraditório é importante para expandir a percepção de realidade.
Por que não agrada a o teu lado da torcida, né?
Concordo Fernando, por isso minha postagem anterior, meio que ironizando a situação.
Quem acompanha a Trilogia a muito tempo (meu caso) aprendeu muito com comentários embasados de entusiastas, que mostravam muito conhecimento dos assuntos debatidos. E os debates eram acirrados.
Atualmente, possivelmente devido a divisão ideológica que foi propositalmente provocada no Brasil (interesse de quem?), quase tudo virou uma “guerra de torcidas e narrativas”, ao ponto de tentarem ridicularizar entusiastas “consagrados”, que basicamente comentam em cima de análises técnicas.
Como você comentou, quase que virou a seção de comentários do G1, Uol, etc, só faltam as “bandeiras”.
Pois é, já aprendi muito com especialistas aqui nos primórdios. Pra um entusiasta leigo como eu, isso era ouro! Agora 99% dos comentários são pura briga de torcida. É triste!
Por causa de ideologia, o povo agora briga até por causa de sandália e detergente. Por que não brigaria por assuntos mais complexos, como a geopolítica do Oriente Médio?
A IA agora pode ensinar a todos em um bom nível. As dúvidas técnicas podem ser feitas para a IA
Saudades de quando as discussões eram técnicas, neutras e objetivas. Culpa da triologia em parte no entanto, que deixou certos nicks poluirem o espaço de discussão até não sobrar nada.
Esses Nicks assistem 30 segundos para entrar no blog como você e geram mais fluxo de rede para remunerar o blog. Você pode buscar informações técnicas do que quiser na IA com um nível de informação maior que aqui
A pipoca está subindo de preço por causa disso. Você também está pagando
A ideia de escolta armada para petroleiros passarem por Ormuz é ridícula, obvio que mesmo os Arleigh Burke correm riscos, quanto mais um imenso petroleiro desarmado. Na prática atualmente o bloqueio de Ormuz é imposto pelos EUA, porque o Iran deixa passar desde que paguem uma taxa, coisa que para os armadores é perfeitamente administrável. E os EUA não deixam que este “livre transito sob pedágio” aconteça, por duas razões: 1- Não querem que o Iran se recupere de seus ataques. 2- Querem manter o bloqueio para forçar os compradores que se abastecem no Oriente Médio, sejam forçados a comprar… Read more »
Sem o controle dos territórios da costa, é simplesmente inviável….até morteiros tem alcance de uns 13 km…justamente onde são forçados a passar…
Justamente.
Sem a ocupação territorial do Irã, não tem como controlar a passagem do estreito apenas pelo mar.
Guardadas as devidas proporções, o controle territorial foi a estratégia de Israel ao ocupar a Faixa de Gaza e o Sul do Líbano, para limitar a ação do Hamas e Hezbollah.
Não creio que os EUA tenham a disposição militar e financeira para uma invasão terrestre e nem o Irã vai provocar muito, para não dar motivo.
Essa “troca de carinho” é muito mais para agradar determinado público interno.
Quem é que vai ter coragem de cair pra dentro ?
Se já levou uma surra dos barbudinhos de havaianas e Ak-47 no Afeganistão você imagina o que vai acontecer no Irã.
Se estudar a história do povo afegão, vai descobrir que eles surraram muita gente, e não só os americanos, utilizando roupas e armamentos simples.
Se estudar a história do povo iraniano, vai saber que eles tem a mesma história de resistência do Afeganistão a invasões estrangeiras, sendo que o Irã é muito maior!
Se não invadir todo o irá, mudar o regime e ocupar o país por pelo menos 20 anos, pois ficaram 10 anos no Afeganistão e não deu em nada, não adianta!
Acredito que o no caso do Afeganistão foi a idéia de forçar “uma democracia” num lugar onde esse tipo de regime é praticamente alienígena. Houve uma oportunidade para restaurar a monarquia Afegã, a qual o líderes dos clãs (ou tribos) reconheciam a autoridade, mas preferiram colocar um democracia que ninguém reconhecia/compreendia. Quando o governo perdeu o apoio americano direto, ele caiu, ninguém quis defendê-lo.
Tocou no que interessa, quanto custou a escolta de dois destróier disparando as defesas ao máximo e com apoio aéreo para atravessar dois navios?
Se a repostas for, mais que 2 milhões de dólares que o Irã cobra de pedágio, os armadores vão preferir pagar o pedágio ou não arriscar a travessia!
Para o Irã basta garantir que o estreito seja perigoso. Muito difícil os EUA ganharem essa no braço. Vai ter que ser por diplomacia, porém ultimamente me parece que esta quase não existe.
Titio do Norte acha que está lutando contra alguns rebeldes por aí.
Escoltar navios sob bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz, no quintal Irã sem levar chumbada? Não precisa ser especialista pra saber que o resultado ia ser muito ruim para o titio do norte.
O que importa se o estreito vai ser aberto ou não, não é a postagem do Trump. E sim se as seguradoras de navio vão correr o risco, mesmo com escolta de arriscarem. E ao que parece, a maioria não vai.
Calculo de custo benefício: um escolta armada levando míssil em cima por navio escoltado e podendo perder um ou mais navios, não vale a pena, eles precisam passar 140 navios por dia por lá, imagina o custo disso!
Quem vai pagar por isso e arriscar a perda de navios civis?
Uma coisa e um destróier se defender de ataque, e defender um petroleiro atrás dele outra e fazer o mesmo com 140 navios por dia!
2026 até sendo um ano dificil para o Trump e a USNavy kkk
Ira botando 3 destroyes para “correr”.
Que guerra mais idiota! Ninguém ganhou nada com isso além de fabricantes de armas e investidores que vivem de especulação financeira. Aliás, alguém aqui viu a notícia de um sargento americano que foi preso por usar a informação de que Maduro seria capturado para ganhar 400 mil dólares em bet? Nessa operação do Irã teve muita gente ganhando dinheiro usando informação privilegiada pra fazer trade. Agora, de ganho real, para o povo, teve o quê? Aumento de combustíveis e de vários produtos. Exportações brasileiras de frango, porco e produtos para aquela região tbm estão sofrendo. Vamos ver o tamanho do… Read more »
Decide Trump, vai defender ou não os navios? Porque mandar os DDG pro canal pra saírem correndo quando a reação iraniana aparece, não dá…
A vida real não é igual os filmes de HollyWood, onde eles ganham todas as batalhas com facilidade.
Que tunda estratégica que os EUA estão tomando. É histórica.
Na realidade foi uma tunda previsível. Foram avisados, mas a soberba e a arrogância cega.
Fico imaginando uma fragueta Tamanduá lá por aquelas águas, se um Arleigh Burke não dá conta, dada a saturação absurda de alvos hostis, a nossa fraquinha e mal armada não duraria nem 1 minuto. Não foi feita pra guerra.
As nossas gravatinhas dso conta do quê elas devem escoltar, no caso os nossos navios de assalto anfíbio: Atlântico, Bahia e o Oiapoque; desde que seja uma Tamandaré de casa lado desses navios, no caso 6 Tamandarés bastam para defesa anti-missil já que os mísseis atacam pelos lados dos mavios, já para defesa anti-submarino, mais duas a distância, uma a frente do grupo e outro atrás, com sonar rebocado, dão conta num a configuração de escolta pesada! Agora escoltar navios mercantes esquece, na guerra fria se trabalhava com 16 navios escoltados por 4 navios ao redor e esperando a perda… Read more »
Na configuração que você propôs para defesa do Atlântico, Bahia e Oiapoque, precisaríamos de 8 fragatas, mas a MB espera ter 6 em operação e duas no estaleiro, então, ainda assim, não seriam suficientes para defender esse grupo de assalto.
Falar é fácil… queremos imagens laranjão.