Inteligência dos EUA aponta que Irã mantém forte capacidade de mísseis em Ormuz
Avaliações sigilosas indicam que Teerã recuperou acesso operacional a 30 de 33 sítios de mísseis ao longo do estreito, contrariando a narrativa de Trump de que as forças iranianas foram “devastadas”
Novas avaliações sigilosas da inteligência dos Estados Unidos indicam que o Irã ainda mantém capacidade substancial de mísseis, inclusive na região do Estreito de Ormuz, apesar das declarações do presidente Donald Trump de que a campanha militar norte-americana teria destruído de forma decisiva o poder militar iraniano.
Segundo informações divulgadas originalmente pelo New York Times e repercutidas por veículos internacionais, os relatórios apontam que Teerã recuperou acesso operacional a 30 dos 33 sítios de mísseis localizados ao longo do Estreito de Ormuz. Isso significa que apenas três instalações permaneceriam totalmente inacessíveis, enquanto a maioria poderia voltar a apoiar lançamentos, deslocamento de lançadores móveis ou operações de ameaça contra navios no principal gargalo energético do mundo.
As mesmas avaliações indicam que o Irã ainda possui cerca de 70% de seu estoque de mísseis anterior à guerra e aproximadamente 70% de seus lançadores móveis, além de acesso recuperado a grande parte de suas instalações subterrâneas de armazenamento e lançamento. Segundo o Middle East Monitor, os relatórios se baseiam em imagens de satélite e outras tecnologias avançadas de vigilância, e apontam que cerca de 90% dessas instalações subterrâneas estariam parcialmente ou totalmente operacionais.
A conclusão contradiz frontalmente a narrativa pública da Casa Branca e do Pentágono. Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, vinham afirmando que as forças iranianas haviam sido “dizimadas” após semanas de ataques dos Estados Unidos e de Israel. A nova avaliação, porém, sugere que a infraestrutura militar iraniana, especialmente no domínio dos mísseis, permanece muito mais resiliente do que o governo norte-americano vinha admitindo.
A região de Ormuz é particularmente sensível porque concentra uma parte essencial do comércio energético global. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, os fluxos de petróleo e derivados pelo estreito em 2024 e no primeiro trimestre de 2025 representaram mais de um quarto do comércio marítimo global de petróleo e cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo e derivados. A Agência Internacional de Energia estima que cerca de 20 milhões de barris por dia transitem por Ormuz, além de aproximadamente um quinto do comércio global de gás natural liquefeito.
Do ponto de vista militar, a recuperação desses sítios reforça a capacidade iraniana de ameaçar tanto navios mercantes quanto unidades da Marinha dos EUA encarregadas de impor o bloqueio naval. O risco não está apenas em grandes salvas de mísseis balísticos, mas também no emprego combinado de mísseis de cruzeiro antinavio, lançadores móveis, drones, minas, pequenas embarcações rápidas e guerra eletrônica. Em um corredor marítimo estreito e congestionado, mesmo uma capacidade parcial pode gerar um efeito estratégico relevante.
A inteligência norte-americana também aponta que a capacidade de produção e reposição de mísseis do Irã não teria sido eliminada. Reportagens citam estimativas de que Teerã ainda mantém parte importante de seus lançadores móveis e de seus estoques de mísseis balísticos e de cruzeiro, o que permite ao país manter pressão militar sobre bases regionais, navios de guerra e infraestrutura energética no Golfo.
A divulgação das avaliações ocorre em um momento de crescente desgaste político para a administração Trump. As informações vazadas ampliam as dúvidas sobre a eficácia da campanha militar e a consistência das declarações oficiais. Para críticos, a discrepância entre os relatórios de inteligência e a narrativa presidencial repete um padrão conhecido em conflitos prolongados: governos anunciam a destruição decisiva do inimigo, enquanto avaliações internas apontam para uma capacidade de resistência muito maior.
O impacto estratégico é imediato. Se o Irã ainda controla a maior parte de sua infraestrutura de mísseis em Ormuz, a manutenção do bloqueio naval norte-americano torna-se mais arriscada e custosa. Navios de guerra precisam operar sob ameaça persistente, petroleiros enfrentam seguros mais caros e países dependentes de energia do Golfo tendem a buscar arranjos diplomáticos para garantir passagem segura.
A avaliação também sublinha o dilema militar de Washington. Novos ataques poderiam degradar parte da capacidade iraniana, mas dificilmente eliminariam por completo uma rede de lançadores móveis, túneis, depósitos subterrâneos e sítios dispersos ao longo da costa. Por outro lado, manter forças navais na região sob ameaça contínua aumenta o risco de perdas, de erros de cálculo e de escalada regional.
Para Teerã, a sobrevivência de sua infraestrutura de mísseis tem valor político e militar. Ela permite ao regime afirmar que resistiu à campanha dos EUA e de Israel, sustentar a dissuasão contra ataques futuros e preservar capacidade de pressão sobre o tráfego marítimo. Mesmo sem fechar completamente o Estreito de Ormuz, o Irã pode elevar o custo de operação para navios militares e comerciais.
A principal conclusão das avaliações é que a guerra não retirou do Irã sua capacidade de contestar o controle do Golfo. Ao contrário, os relatórios sugerem que Teerã ainda dispõe de meios suficientes para manter Ormuz sob ameaça crível. Isso coloca em xeque a ideia de uma vitória rápida e decisiva dos EUA e indica que a crise no Golfo permanece longe de uma solução militar simples.■


O Irã vem se preparando para esta guerra há anos, vendo o modus operandi de americanos e iranianos e criando alternativas de defesa. O que eu acho que eles não previram foi o grau de infiltração de espiões dentro do estado, pois Israel conseguiu matar os principais lideres com certa facilidade e rapidez. Por outro lado Bibi manobrou para os americanos entrarem numa aventura sem o devido estudo e preparo prévio, achando que seria suficiente, o que nem de longe se provou correto. Agora resta fechar um acordo com termos que não agradam a Trump, e que no futuro será… Read more »
Os EUA também tem treinado pra essa guerra: devem existir vários estudos e simulações sobre a erradicação das capacidades militares iranianas, incluindo a famosa localidade Bandar Abbas no fundo do estreito, próximo a ilha de Qeshm. Por mais descentralizada que seja a iniciativa de combate pelo lado iraniano, ainda assim não é razoável imaginar que tenham sido preservados 3/4 a 4/5 da capacidade A2AD depois da campanha Epic Fury dos mais de dez mil alvos obliterados. De toda forma, com o auxílio de recursos IA (Maven da Palantir) na integração e análise de fontes variadas de inteligência (satelital, mormente) pra… Read more »
10 mil alvos “obliterados”? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Se o Irã está tão obliterado, pq Trump tem tanto medo de escoltar os navios pelo estreito, não parece uma tarefa pequena para a marinha mais poderosa do mundo?
A USNavy conseguiria, mas o cálculo de custo-beneficio aponta que o problema de liberar o tráfego marítimo por Ormuz não deveria ser suportado apenas pelos ianques. De fato, há dois bloqueios sobrepostos: um do Irã sobre todos e outro ianque sobre o Irã. Mas toda essa discussão é bem inútil: gostaria de saber quem vazou a avaliação CLASSIFICADA (secreta) da CIA pro TNYT/TWP e por quê? Tem muito disso por aí fora ultimamente, lá e cá.
As iscas falsas também contam como obliterados ?
Aé? Parabéns por notarem isto agora… antes tarde do que mais tarde!
Netanyahu:”Trump, vamos lá zoar uns comédias, vai ser fácil e vc ainda vai sair com fama de um grande estrategita militar e ganhar o nobel da paz.”
Passados 4 meses:
Acharam que estavam na Venezuela do Oriente e se deram mal…
Calma, ainda não dá pra dizer que foi um desastre pros ianques ou que foi um sucesso pros iranianos…
EDITADO:
COMENTARISTA BLOQUEADO.
Olha, deve ter até gente no EB sonhando com os mísseis e drones iranianos.
Foi bom para cidadão americano,5 dólares 1 galão de gasolina.
Cidadão americano deixou de trabalhar para ficar comemorando na rua o desastre.
Que mundo você vive kkk.
“Foi bom para cidadão americano(…)”. Desde quando guerras interestatais são movidas pro conforto dos respectivos cidadãos/nacionais? Teu argumento é frágil como um graveto ressequido.
foi um destastre para EUA. vitória tática mas derrota estratégica e diplomática. EUA viraram obrigão inconsquente da turma e já são considerados as maiores ameaças ao mundo, natendo rússia e china.
Obs: Trump enriquece e está bem.
Explicar a complexidade do mundo a partir de analogias estreitas sempre foi prática ficcional. Uma pena que tanto talento não floresça numa abundante messe literária – ou, ao menos, em conteúdo de YT ou blog. Segundo Abby Martin, o maior inimigo da Terra (ao menos do ponto de vista da poluição ecológica/ambiental) são os militares americanos. Homessa, quem diria que inocentes projéteis, mísseis e bombas mais a queima de combustível fóssil por belos blindados, aeronaves e navios seriam tão perenemente nocivos, hein?
Olá, Alex. Só o fato dele estar pedindo ajuda pra Xi já indica que, no plano político, ele não consegue resolver sozinho. E como vc disse antes, o custo-benefício em agir só não compensa. Ele não conseguiu demonstrar liderança sobre seus aliados europeus e comprometeu a confiança entre aqueles do OM. Por mais que ele tenha capacidade militar de realmente destruir o Irã, a coisa não foi um passeio no parque e o caldo entornou. Claro que eles tem mil planos e meios. Mas isso não se mostrou suficiente.Por causa de ideologia, demitiu vários militares competentes e nomeou gente de… Read more »
Olá, Luciano. Exatamente 👍
Explique melhor o que seria a capacidade de destruir o Irã! Olha o prejuízo que os EUA tomaram com a destruição das suas bases . Isso demonstrou a incapacidade americana de se defender. Porta aviões a mil quilômetros da costa iraniana . Um desastre o resgate do piloto . Imagina botas no solo , seria a maior vergonha para o maior poder bélico do planeta . A guerra mudou .
EDITADO:
COMENTÁRIO BLOQUEADO DEVIDO AO USO DE MÚLTIPLOS NOMES DE USUÁRIO.
Nem tanto ao mar, nem tanto aa terra. Verdade que o Irã conseguiu devastar bases ianques na região (confirmando aparentemente o sucesso da promessa persa de expulsar os EUA da região) e com a ameaça suplementar Houthi no Bab El Mandeb deixou a logística capenga ao ponto de precisar colocar o USNS Arctic (T-AOE 8) a caminho pelo Cabo da Boa Esperança junto com o USS George H. W. Bush (CVN-77). Mas tem porta aviões nuclear francês e contratorpedeiro britânico a caminho de Ormuz, o que parece indicar que o problema da capacidade A2AD iraniana não ficará unicamente com os… Read more »
Ah, Itália da bellameloni também está planejando enviar navios pra Ormuz, dizem que inclusive pra MCM, se as condições 🤪😂 permitirem – afinal é muito perigoso navegar onde há hostilidade e minas navais… Pace, paisano!
Falso! Aqui na Itália, ninguém quer tomar parte nessas escaramuças. Há inclusive polêmicas com relação ao uso de bases italianas por parte dos americanos nas operações no Irã. No momento, a Itália tem questões mais urgentes a serem resolvidas. Um eventual envolvimento direto só iria trazer problemas econômicos e políticos. Meloni já disse várias vezes e publicamente: “que a Itália “não está em guerra e não pretende entrar em guerra”.
Verdadeiro: Meloni, tão gata, nunca mudaria de opinião nem mentiria 😎☕.
Capitão Óbvio ataca novamente!
Ou seja, depois de muitas bombas, mísseis, provocações e narrativas nada mudou.
Mudou sim, os americanos evacuaram todas as bases no Oriente Médio e perderam a liberdade de navegação no estreito de ormuz.
Verdade. Mudou… para pior para os estadunidenses.
È muita arrogância achar que iriam destruir o Irã em 45 dias de conflito.
O Irã tem cidades de mísseis espalhados por todo Irã no subsolo, com fábricas de drones, mísseis,munições e outros tipos de armas.
O curioso desse tipo de notícia negativa para Washington e para Trump é que gera bem pouco comentário.
Torcida Trumpete está deprimida e quieta aguardando por good news.
Precisam equilibrar a narrativa pra poder, posteriormente, colocar o Irã como um malvadão e atacá-lo, como Israel faz há anos: Diz que o Irã estava a semanas de ter uma bomba, ataca dizendo que atrasou o programa em 584939 anos, ataca novamente em um ano usando a justificativa inicial. O importante é afirmar que estão vencendo mas sem afirmar que venceram completamente.
Até a inteligência dos EUA desmoraliza o laranjão.
Off-topic mas nem tanto assim, em função do massivo uso de drones nos conflitos recentes:
https://www.tecmundo.com.br/seguranca/412997-japao-cria-drones-de-guerra-feitos-de-papelao-que-voam-a-mais-de-100-kmh.htm
Vejam que interessante algumas das informações da matéria:
“Como o papelão possui menor refletividade ao radar, é mais difícil de ser rastreado que os drones convencionais…”
“A novidade pode ser usada de diferentes maneiras, funcionando como alvo aéreo ou para forçar a ativação de radares inimigos, por exemplo. Ela também serve como proteção para modelos mais valiosos e ajuda a sobrecarregar sistemas de defesa aérea se usada em enxames.”
Mas e se molhar o drone, vai fazer papelão? 🤪 Claro que o papelão será tratado pra resistir a humidade 😎☕
Tem um arquiteto japonês que constrói com papel/papelão faz tempo: Shigeru Ban.
Boa rsrsrs