Armada Espanhola FLOTEX-26 - 2

Manobra reúne navio-aeródromo, navios anfíbios, fragatas, submarino e tropas de desembarque para testar a capacidade de resposta da Espanha em cenários de média e alta intensidade

A Armada Espanhola iniciou o exercício FLOTEX-26, sua principal atividade anual de adestramento avançado, destinada a avaliar a capacidade das forças navais do país de operar em cenários complexos e defender os interesses estratégicos da Espanha no mar e a partir dele.

Realizado entre os dias 11 e 22 de maio nas águas do Golfo de Cádiz, Mar de Alborán e Estreito de Gibraltar, o exercício reúne uma ampla força-tarefa naval e anfíbia, envolvendo meios de superfície, submarinos, tropas de fuzileiros navais e capacidades de guerra multidomínio.

Segundo a Armada, o objetivo é gerar, avaliar e certificar uma força naval capaz de atuar em operações de média e alta intensidade, verificando simultaneamente o grau de prontidão dos estados-maiores e das unidades da Frota.

Força naval de grande porte

O exercício é conduzido pelo Quartel-General Marítimo de Alta Disponibilidade da Armada e conta com a participação do Grupo Anfíbio e de Projeção, da 41ª Esquadrilha de Escoltas, da Força de Contramedidas de Minagem, do Tercio de Armada e da Flotilha de Submarinos.

Entre os principais meios mobilizados estão o navio de assalto anfíbio Castilla (L-52), que atua como navio-capitânia da força naval, o navio de projeção estratégica Juan Carlos I (L-61), o navio anfíbio Galicia (L-51), além das fragatas Victoria (F-82), Reina Sofía (F-84) e Almirante Juan de Borbón (F-102).

A força também inclui o submarino Galerna (S-71), o navio de apoio logístico Patiño (A-14), os caça-minas Turia (M-34) e Duero (M-35), o navio de ação marítima Relámpago (P-43) e diversas embarcações auxiliares.

No componente anfíbio participam elementos do 2º Batalhão de Desembarque do Corpo de Fuzileiros Navais espanhol, apoiados por veículos blindados e embarcações de assalto, além das embarcações de desembarque LCM-1E do Grupo Naval de Praia.

Crise fictícia e operações multidomínio

O cenário criado para o FLOTEX-26 simula uma crise em uma área considerada de interesse nacional para a Espanha. Durante o exercício, as forças participantes executam operações de controle marítimo, projeção de poder naval, desembarques anfíbios, guerra antissubmarino, defesa aérea, guerra de minas e apoio logístico.

Em visita às unidades destacadas na região da praia de Retín, o Almirante da Frota espanhola acompanhou uma demonstração dinâmica de desembarque anfíbio e destacou a importância do exercício para manter a prontidão operacional da Armada.

Segundo o oficial, o FLOTEX-26 constitui uma ferramenta fundamental para assegurar que a Marinha mantenha elevada capacidade de resposta, permitindo gerar e empregar rapidamente uma força naval capaz de proteger os interesses nacionais e contribuir para a dissuasão de potenciais ameaças.

Ambiente eletromagnético contestado

Um dos aspectos mais relevantes da edição deste ano foi a inclusão de cenários envolvendo degradação e negação de sinais de navegação por satélite.

Durante a visita ao navio-capitânia Castilla, autoridades acompanharam um exercício de interferência deliberada em sinais GPS contra unidades em operação no mar, reproduzindo desafios cada vez mais comuns nos conflitos contemporâneos.

A atividade reflete a crescente preocupação das marinhas ocidentais com ameaças relacionadas à guerra eletrônica e à vulnerabilidade de sistemas de navegação e comando dependentes de satélites.

Capacidade de resposta rápida

A Armada destacou que o exercício demonstra sua capacidade de mobilizar, em curto prazo, uma força naval equilibrada e credível, apta a atuar em diferentes tipos de cenários operacionais.

Além do treinamento tático, o FLOTEX-26 busca validar procedimentos de comando e controle, integração entre meios tripulados e não tripulados, coordenação conjunta e sustentação logística de operações prolongadas.

Para a Espanha, exercícios desse porte desempenham papel fundamental na manutenção da prontidão operacional, na proteção dos interesses marítimos nacionais e no fortalecimento da estabilidade regional em um ambiente estratégico cada vez mais complexo.■

 


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6 Comentários
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BVR

Tá aí uma marinha com quem a MB poderia tentar estreitar contato ao ponto de gerar exercícios combinados, até agregando vizinhos da AS – devido ao apelo do idioma. Não digo treinar com frequência, mas um exercício bienal ou trienal. Não é tão “badalada” quanto a dos Eua, Inglaterra, França e Alemanha; mas é tão Otan quanto elas. E não que seja fixação por Otan, contudo é a maior aliança militar do mundo e fora os Eua sozinho, é a única força ocidental que poderia causar algum problema sério ao Brasil na amazônia azul. China, Rússia, Japão, Turquia e Austrália… Read more »

Angus

Me chamou a atenção o capitanea ser o L-52 e não o L-61 Juan Carlos.

O L-52 possui melhores estruturas, sensores e equipamentos para ser o centro de comando e coordenar as operações, em comparação com o L-61?

Dalton

O ^L 52^ diferentemente do ^irmão^ ^L 51^ passou por modificações para melhor operar como capitania e tem feito este trabalho no passado, então nem sempre um navio maior como o ^L 61^ é mais adequado e/ou pode dedicar-se mais a outras funções.

Cristiano ciclope

Se entendi bem a composição da FT, são 3 ou 4 escoltas?
Se for, a nossa marinha ter 4 ou 6 fragatas Tamandaré para escoltar o Atlântico, o Bahia, o Oiapoque e um navio de apoio, até que não está mal!
Obs. A previsão e de termos de 8 á 12 fragatas classe Tamandaré, imaginando que 2 ou 4 estejam em manutenção, teríamos de 6 a 8 em operação!

Last edited 2 meses atrás by Cristiano ciclope
Dalton

O texto menciona 3 ^escoltas^ mas não significa necessariamente um padrão, para este exercício foi o conseguido, para outras missões ainda mais no caso europeu navios de outras nações podem ser adicionados dependendo do caso. Para este exercício também foi possível reunir os 3 principais ^navios anfíbios ^ algo que nem sempre é possível e não é sustentável . . E além de manutenções um ^escolta^ pode estar em treinamento portanto não certificado e há missões outras além de escoltar unidades de maior valor então 6 ^Tamandaré^ não é tão bom assim, a marinha espanhola tem mantido 12 ^escoltas^ em… Read more »

Profa Elisa geopolitica

Será que tem alguma sucatinha para repassar pra MB?