Chefe da Marinha Real Britânica defende ‘Marinha Híbrida’ na abertura da Combined Naval Event 2026

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Chefe Marinha Real e o Contra-Almirante Matt Stratton, ao lado de um modelo de navio de superfície autônomo

Primeiro Lorde do Mar e chefe profissional da Marinha Real e o Contra-Almirante Matt Stratton, Diretor de Aquisições Navais, conhecem as capacidades marítimas autônomas não tripuladas e de veículos de combate a baixa velocidade (LVC) de próxima geração no Combined Naval Event 2026

Primeiro Lorde do Mar afirma que autonomia, sistemas não tripulados e integração entre plataformas serão decisivos para enfrentar uma nova era de competição entre Estados

A necessidade de acelerar a transformação tecnológica das marinhas ocidentais e preparar-se para um ambiente estratégico cada vez mais instável marcou o discurso de abertura da edição 2026 da Combined Naval Event (CNE), realizada em Farnborough, de 19 a 21 de maio, no Reino Unido. O pronunciamento principal foi feito pelo Primeiro Lorde do Mar e chefe profissional da Marinha Real Britânica, General Sir Gwyn Jenkins, que apresentou uma visão abrangente dos desafios enfrentados pelas forças navais em um cenário de crescente rivalidade entre potências.

Durante sua intervenção, Jenkins afirmou que a chamada “dividendo da paz” obtida após o fim da Guerra Fria tornou-se uma lembrança distante e alertou para o enfraquecimento da ordem internacional baseada em regras. Segundo ele, o mundo entrou em uma nova fase caracterizada pelo aumento da confrontação entre Estados, tendo a guerra na Ucrânia como principal exemplo de conflito de alta intensidade no século XXI.

Ao destacar o papel histórico do poder naval britânico durante as duas guerras mundiais, o comandante recordou uma célebre frase do almirante Sir Dudley Pound, Primeiro Lorde do Mar durante a Segunda Guerra Mundial: “Se perdermos o mar, perderemos a guerra”. Para Jenkins, a realidade estratégica atual exige uma transformação equivalente, baseada no conceito de “Marinha Híbrida”, que combina meios tripulados tradicionais com sistemas autônomos e plataformas não tripuladas.

“Estamos diante de uma bifurcação na estrada e as decisões tomadas agora terão consequências profundas e duradouras”, afirmou o chefe da Royal Navy. Ele também rejeitou críticas ao emprego crescente de autonomia militar, argumentando que as experiências observadas na Ucrânia e no Oriente Médio demonstram que os sistemas autônomos já estão alterando a natureza da guerra contemporânea.

Submarinos continuarão centrais no combate naval

SSN AUKUS

Um dos principais temas debatidos no primeiro dia do evento foi o futuro da guerra submarina. Em uma das apresentações, especialistas defenderam que os submarinos tripulados não perderão relevância com o avanço dos sistemas não tripulados. Pelo contrário, deverão tornar-se ainda mais importantes como centros de comando de redes distribuídas compostas por veículos subaquáticos autônomos.

Os participantes foram informados de que os futuros submarinos nucleares do programa SSN-AUKUS terão capacidade para lançar diferentes tipos de sistemas não tripulados, incluindo plataformas de maior porte operadas por meio de tubos verticais de lançamento. Também foi mencionado que veículos subaquáticos extragrandes (XLUUVs) da Royal Navy poderão, futuramente, empregar armamentos ofensivos, ampliando significativamente o leque de missões dessas plataformas.

Guerra no fundo do mar ganha prioridade nos EUA

USS Idaho (SSN-799) da classe Virginia, recém incorporado

Representantes da Marinha dos Estados Unidos destacaram que a chamada guerra dos fundos marinhos tornou-se uma das áreas de maior crescimento estratégico para Washington. A proteção de infraestruturas submarinas críticas, como cabos de comunicação e sistemas energéticos, foi apontada como prioridade diante da crescente dependência econômica global dessas redes.

Os norte-americanos também enfatizaram a necessidade de manter elevada prontidão operacional e revelaram que a primeira unidade da nova classe de submarinos balísticos Columbia deverá concluir sua estrutura de pressão ainda este ano, entrando em serviço antes do fim da década. Paralelamente, o primeiro submarino da classe Virginia Block V, USS Oklahoma, voltou ao cronograma previsto após atrasos anteriores.

Outro destaque foi o uso crescente de inteligência artificial a bordo dos submarinos da classe Virginia. Segundo os palestrantes, assistentes digitais baseados em IA já estão sendo testados para apoiar operadores e poderão futuramente auxiliar na implementação de programas de manutenção preditiva, substituindo modelos baseados apenas em calendários fixos.

Marinha do Brasil apresenta programas estratégicos

A Marinha do Brasil também esteve representada no evento e apresentou uma visão geral de seus programas de modernização. A exposição destacou a dimensão da área marítima sob responsabilidade brasileira — cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais, além de 60 mil quilômetros de hidrovias navegáveis e uma vasta área de busca e salvamento.

Entre os projetos abordados estiveram os novos navios-patrulha, o futuro navio polar destinado ao Programa Antártico Brasileiro, o programa das fragatas classe Tamandaré e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). O representante brasileiro ressaltou ainda os investimentos realizados em sistemas avançados de gerenciamento de plataforma e na ampliação da capacidade industrial naval nacional.

Ucrânia apresenta lições da guerra no Mar Negro

O encerramento do primeiro dia trouxe uma das apresentações mais aguardadas do evento, conduzida pelo Snake Island Institute, da Ucrânia. O instituto apresentou uma análise detalhada das operações assimétricas conduzidas contra a Frota do Mar Negro da Rússia desde 2022.

Segundo os especialistas ucranianos, o emprego massivo de drones navais e aéreos transformou o equilíbrio naval no conflito. Plataformas como o USV Magura V5, dotado de alcance de aproximadamente 800 quilômetros, foram apontadas como responsáveis por danos e afundamentos de embarcações russas, além da derrubada de aeronaves por versões equipadas com mísseis antiaéreos.

Entre as principais conclusões apresentadas estiveram a importância da produção em massa de sistemas não tripulados, a superioridade dos custos de drones sobre plataformas tradicionais, a descentralização do comando e controle e a crescente relevância da guerra eletrônica. Os analistas afirmaram que a maioria das perdas de drones ucranianos ocorreu devido a interferências eletrônicas e não por destruição cinética direta, tornando a resistência à guerra eletrônica um requisito essencial para os sistemas do futuro.

A Combined Naval Event reuniu líderes militares, especialistas da indústria naval e representantes governamentais para discutir os rumos da guerra marítima em um ambiente estratégico marcado pela rápida evolução tecnológica e pelo retorno da competição entre grandes potências.■



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14 Comentários
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Alex Barreto Cypriano

“(…) dimensão da área marítima sob responsabilidade brasileira — cerca de 55 milhões de quilômetros quadrados de águas jurisdicionais(…)”. Está faltando uma vírgula no número (como está, área equivale a mais de um décimo de toda a superfície do planeta…).

Alexandre Galante

Valeu, Xará! Erro do estagiário rs. Abs!

lucena

A guerra entre o Irã e os USA e Israel …expos uma fragilidade na marinha dos USA…tida como a mais poderosa pela midia…. deve ser por isso que se fala em marinha hibrida, o Irã demostrou isso. . Ali se pode tirar boas lições …. em uma guerra onde um pais quer bloquear e dominar o litoral de um pais, como quer a marinha estadunidense, esta deve ter certa liberdade de atuar perto do litoral. . O Irã dificultou e negou o seu litoral para a marinha do pais agressor e ao mesmo tempo …minou todo apoio logístico que poderia… Read more »

Jagder

Cada caso é um caso. Em outro cenário, sem um estreito de ormuz da vida, o jogo é outro.

Dalton

Talvez não tenha compreendido bem o que escreveu então desculpe-me se estou escrevendo bobagem. . Um no caso dois C-2A não tem condições de suprir mais de 4000 pessoas a bordo do ^Nimitz^ isso que menos da metade das aeronaves estão a bordo o Almirante e staff não estão os paióis estão vazios ,etc senão haveria 5000, além do ^DDG^ acompanhante com outras 300 pessoas. . O ^Nimitz^ deixou a costa oeste dos EUA com víveres suficientes para chegar a costa leste e um ^NT^ também veio junto então nem haveria necessidade de fazer ^paradas^ . . Enfim os C-2A… Read more »

Leandro Costa

Cara, menos. Parece que está vendo um monte de coisas e não está entendendo o que está acontecendo.

Adriano Madureira

Apesar de ser uma embarcação simples, seu design da sala de comando é bonito…

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Hamom

Automação corta os “custos humanos” presentes e futuros… por “custos futuros” me refiro ao passivo de pensões dos militares aposentados. Nos EUA cancelaram o programa dos ‘OPC classe Heritage’, navios com 4.500 t e com  uma tripulação padrão de 126 pessoas. Fora o custo de US$ 17 bilhões por 25 navios da classe, tem o custo (presente e futuro) de 3.150 tripulantes para todos os patrulhas. Provavelmente vão investir em automação com IA, um navio patrulha poderia cumprir as mesmas missões do Classe Heritage com uma tripulação significativamente reduzida, diminuindo os custos no longo prazo. Não gosto disto, mas esta… Read more »

Dalton

Minha compreensão é de que haverá uma redução do número, não cancelamento da classe Heritage.
.
Os navios que irão substituir são de tamanho médio com grande autonomia alguns operam a partir de bases no exterior então não podem simplesmente ser substituídos por navios menores há necessidade de ambos os tipos.

Hamom

“A Guarda Costeira dos EUA declarou em comunicado à imprensa esta semana ( publicado em 19 de Maio/2026) que está em negociações com a Eastern Shipbuilding para encerrar o projeto de Navio Patrulha Oceânica (OPC, na sigla em inglês) que está sendo construído no estaleiro da empresa na Flórida.” —– Detalhando: “O primeiro navio da Frota de Patrulha Operacional (OPC), o USS Argos, teve sua quilha batida em 28 de abril de 2020 e foi lançado ao mar em 27 de outubro de 2023. O segundo navio, o WMSM-916 USS Chase, teve sua quilha batida em 17 de maio de… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Hamom
Dalton

Sim, mas há outro estaleiro participante já com encomendas que poderá assumir parte do que seria construído.
.
Poderá significar que este estaleiro entregará um número menor do que originalmente se queria levando mais tempo, obrigando extensão de vida dos antigos, mas não necessariamente cancelar toda a classe que é urgentemente necessária.

Hamom

A esperança é a última que morre…

Moriah

Para quem tem problema de mão de obra, é uma boa realmente.

Macgarem

Essa palestra da Ucrania deve ter sido muito boa, provavelmente com Russia e Ira os países que melhor estão aplicando doutrinas de uso de drones.