Há 85 anos, o HMS Hood afundava em três minutos e desencadeava a caçada ao Bismarck
Cruzador de Batalha HMS Hood
Há 85 anos, nas águas geladas do Estreito da Dinamarca, entre a Islândia e a Groenlândia, a Marinha Real britânica sofreu uma de suas maiores tragédias. Na manhã de 24 de maio de 1941, o cruzador de batalha HMS Hood, símbolo do poder naval britânico no período entre guerras, foi destruído pelo encouraçado alemão Bismarck em menos de três minutos. Dos 1.418 homens a bordo, apenas três sobreviveram.
O Hood não era apenas mais um navio de guerra. Com cerca de 860 pés de comprimento, deslocamento superior a 42 mil toneladas — ou cerca de 47 mil toneladas em plena carga — oito canhões de 15 polegadas e velocidade superior a 30 nós, ele foi durante duas décadas a imagem pública da Royal Navy. Conhecido como “The Mighty Hood”, era o navio que representava o Império Britânico em visitas internacionais, revistas navais e publicações populares.
Na primavera de 1941, porém, o gigante já demonstrava sinais de envelhecimento. Seu projeto remontava à Primeira Guerra Mundial e uma grande modernização, prevista antes da guerra, havia sido adiada com o início do conflito. O principal problema estava em sua proteção horizontal: como muitos cruzadores de batalha de sua geração, o Hood era vulnerável a projéteis que caíssem em ângulo elevado sobre o convés blindado.
Naquela manhã, o Hood e o recém-comissionado HMS Prince of Wales interceptaram o Bismarck e o cruzador pesado Prinz Eugen, que tentavam romper para o Atlântico Norte na Operação Rheinübung, com o objetivo de atacar o tráfego mercante aliado. Às 5h52, o vice-almirante Lancelot Holland ordenou a abertura de fogo. Sua intenção era reduzir rapidamente a distância para diminuir o ângulo de queda dos projéteis inimigos e proteger o ponto fraco do Hood: o convés.

A decisão, embora taticamente compreensível, não foi suficiente. Poucos minutos depois do início do combate, um projétil de 15 polegadas do Bismarck atingiu o Hood. A explicação tradicional, amplamente aceita, é que o disparo penetrou a blindagem e detonou os paióis de munição da popa, provocando uma explosão catastrófica. Uma coluna de chamas subiu sobre o navio, que se partiu e desapareceu rapidamente nas águas do Atlântico Norte.
O choque foi profundo. A perda do Hood não foi apenas militar, mas psicológica. O navio mais famoso da Royal Navy havia sido destruído diante dos olhos do Prince of Wales, em uma batalha que durou poucos minutos. Segundo a Royal Navy, a notícia transmitida em duas palavras — “Hood sunk” — causou incredulidade e comoção entre oficiais e marinheiros britânicos.
Apenas três homens sobreviveram: o sinaleiro Ted Briggs, o marinheiro Bob Tilburn e o guarda-marinha Bill Dundas. Eles foram resgatados depois de permanecerem por cerca de duas horas na água gelada, cercados por destroços e óleo combustível. A HMS Hood Association registra que o navio levou 1.415 homens para o fundo, deixando apenas esses três sobreviventes.
A vitória alemã, porém, teve custo. Durante o mesmo combate, o Prince of Wales conseguiu atingir o Bismarck. Um dos impactos danificou tanques de combustível, obrigando o encouraçado alemão a abandonar sua missão no Atlântico e buscar um porto seguro na França ocupada. O navio passou a deixar um rastro de óleo, facilitando sua perseguição.
A resposta britânica foi imediata. O primeiro-ministro Winston Churchill teria resumido a ordem em termos diretos: destruir o Bismarck. A Royal Navy mobilizou todos os meios disponíveis para caçar o encouraçado alemão, em uma das perseguições navais mais célebres da Segunda Guerra Mundial.

O desfecho ocorreu três dias depois. Em 26 de maio, aviões torpedeiros Fairey Swordfish do porta-aviões HMS Ark Royal atacaram o Bismarck em condições meteorológicas difíceis. Um torpedo atingiu a popa e travou o leme do encouraçado, deixando-o incapaz de manobrar adequadamente. O navio alemão passou a navegar em círculos, vulnerável à aproximação das forças britânicas.
Na manhã de 27 de maio de 1941, os encouraçados HMS King George V e HMS Rodney, acompanhados por cruzadores e destróieres, abriram fogo contra o Bismarck. O navio alemão resistiu a intenso bombardeio e a múltiplos torpedos antes de afundar. Mais de 2.200 homens estavam a bordo; pouco mais de uma centena sobreviveu.
Imagens reais do Bismarck atirando no HMS Hood na Batalha do Estreito da Dinamarca, em 24 de maio de 1941. Observe os projéteis britânicos perto e longe de Bismarck. Imagens aprimoradas em 4K 60 fps com efeitos sonoros adicionados
A destruição do Bismarck não apagou a perda do Hood, mas encerrou a crise naval que abalara o Reino Unido. Em apenas 72 horas, a Royal Navy havia transformado uma tragédia nacional em uma demonstração de determinação operacional. A caçada ao Bismarck tornou-se um dos episódios mais conhecidos da guerra no mar.
O episódio também marcou uma transição histórica. O duelo entre grandes navios de superfície ainda carregava o prestígio da era dos encouraçados, mas a aviação embarcada demonstrava sua importância decisiva. Foi um biplano torpedeiro, lento e aparentemente obsoleto, que imobilizou um dos mais poderosos encouraçados do mundo e permitiu sua destruição.
O HMS Hood permanece até hoje como um símbolo da coragem e da vulnerabilidade das grandes esquadras da primeira metade do século XX. Seu afundamento foi uma tragédia humana, uma lição de projeto naval e um dos momentos mais dramáticos da Batalha do Atlântico.■


Admito que trata-se de matéria já tratada aqui antes no passado e que também não pode competir com a matéria sobre o AF-1 execrado outra vez 😃
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Mas, para não passar em branco uma matéria muito bem escrita e resumida fica a homenagem aos bravos marujos alemães e britânicos e por mais ridículo/maluco que pareça todo mês de maio retiro os modelos que tenho do Bismarck e do Hood da gaveta e os coloco ^para respirar^.
Tenho o modelo do Bismarck e do Missouri na estante, nunca comsegui encontar nem o hood , nem o Yamato, mandei ate cartinha para Xuxa , ela iria sortear um modelo do Yamato mais não ganhei kkkkkk vi uma vez o litorio veneto, mas os Encouraçados Italianos nunca me chamaram a atenção.
Os modelos que tenho mais de 200 são de metal escala 1/1250 e centenas na escala menor 1/2400 frutos de uma obsessão pelo menos o dólar era barato então.
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Tenho ^italianos^ também e não sabendo se foi erro de digitação seu, não havia um ^litorio veneto ^ e sim um chamado ^Littorio^ rebatizado ^Italia^ e outro o ^Vittorio Veneto^. ^Tutto buona gente^😃
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Foi mal, e esse danadinho mesmo o Vittorio Veneto, os meus são plastimodelismo 1/ 800.
“Os modelos que tenho mais de 200 são de metal escala 1/1250 e centenas na escala menor 1/2400 frutos de uma obsessão pelo menos o dólar era barato então.” cara parabéns pela bela coleção.
Obrigado…mas…se pudesse voltar no tempo não teria ido tão longe e durante anos a frustração e sentimento de culpa foi tão grande que nem mesmo abria as gavetas e gradualmente voltei a aceita-los mais ou menos.
Eu entendi.
Mais de certa forma e um legado, e peço desculpas.
Esse Yamato que ela iria sortear era aquele que ia pro espaço e tinha a arma de ondas, né? Pronto, só os pensionistas do INSS vão entender esse papo.
Cruzador Espacial Yamato, Patrulha Estelar, passava na TV Manchete.
Não, era o Yamato navio mesmo, não era a argo como o navio ficou conhecido por aqui , lembro que quase fui reprovado por causa da patrulha estelar, ia ter prova justamente do dia que ia ao ar o episódio que eles começaram a enfrentar o cometa império , foi uma luta pra conseguir falta e pra minha surpresa aquela era apenas a primeira parte kkkkkkkkkkk
Pois é, tenho um amigo que é louco pra encontrar o modelo do Yamato, ou até de outros grandes navios japoneses, mas é muito raro
No ali baba, já vi um plati do Fuso , e do Bismark lá , também encontrei o Nagato, mais quando fui comprar o produto não estava mais disponível , tem muita gente que curti. o nome da empresa e Revell modelos;
42 mil toneladas, o Hood era bem pesado para um cruzador, praticamente o mesmo peso do Bismarck (41700 toneladas)
Fazendo 33 nós. Com BPF, caldeiras e vapor. Imagino como deviam ser as máquinas dessa coisa.
Impressionante como a frota de superfície da Alemanha, por mais bem treinada que fosse, sempre tinha azar ao enfrentar os britânicos, mesmo quando eles criavam planos que tentavam transpassar o óbvio problema numérico.
A Marinha alemã é o Cebolinha e a Marinha Britânica a Mônica.
KKKkkkk ótima comparação
Se o Suffolk e o Norfolk tivessem se aproximado para dividir o fogo e forçar manobras do Prinz Eugen e do Bismark dando mais tempo ao Hood e ao Prince of Wales para se posicionarem melhor, o desfecho poderia ter sido diferente.
De qualquer modo, a aviação naval mostrou que era o futuro. Um obsoleto Swordfish a 140 km/h enfrentando uma chuva de projeteis anti aereos do Bismarck conseguiu colocar um torpedo no leme do navio. Meses após era a vez do Prince of Wales encontrar seu destino na Malasia contra a aviação japonesa. O comandante do navio britanico que morreu no ataque japones, John Leach, era pai de Henry Leach, que por sua vez, 38 anos depois, se tornou chefe de operações navais (First Sea Lord), tendo reunido a frota que retomou as Malvinas… Familia de guerreiros.
Conta que Henry Leach estava mostrando as fotos de família para seu filho Junior Leach:
– Este sou eu, na luta contra Galtieri.
Passando uma página mostra:
– Aqui é meu pai, seu avô, John Leach, que lutou contra Hitler e contra Hiroito.
O garoto apenas acompanha, vendo o pai virar mais uma página:
– E esse é meu avô, Gordon Leach, que lutou contra o Kaiser.
O filho olha para o pai e pergunta:
– Papai, o que tem na nossa família que não se dá bem com ninguém?
Um absurdo cometido foi tentar cravar em Leach e no ^Prince of Wales^ a marca de covardia, mas o navio não tinha todos os canhões funcionando e havia sido apressadamente incorporado.
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Apesar disso conseguiu acertar o ^Bisnarck^ a ponto de diminuir sua velocidade e faze-lo perder precioso combustível.
Absurdo mesmo. O navio não estava pronto ainda, havia tecnicos civis a bordo calibrando e regulando equipamentos, enfrentou fogo de duas unidades pesadas alemas e resistiu a muitos impactos diretos. A maior parte dos oficiais morreu a bordo. Creio que se estivesse plenamente operacional teria acertado mais vezes no Bismarck.
Na Malasia, Leach afundou com o navio, esperava cobertura aérea, a RAF nunca veio.
Nunca foi covarde.
Não teria sido um erro lançar o Bismark e o Prinz Eugen sem apoio de uma frota,para enfrentar a marinha britânica,por mais poderoso que o Bismark fosse?
Sim, foi um grande erro. Hitler prometeu apoio aéreo mas ele não veio.
Não foi a primeira vez que o alto comando alemão prometeu apoio aéreo pra uma operação extremamente delicada e não conseguiu cumprir a promessa.
Honestamente desconheço até pela pequena quantidade de navios de guerra e depois que foram transferidos para a Noruega ficou bem mais difícil dar apoio pelas distâncias, tempo normalmente ruim, etc.
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Em compensação a Operação Cérbero esta sim bastante ^delicada^ foi um grande sucesso de cooperação em que pese a obsessão de Goering de ter controle quase que absoluto sobre tudo que voasse não permitindo uma aviação naval significativa.
O objetivo era replicar o sucesso do ano anterior dos encouraçados Scharnhorst e Gneisenau contra navios mercantes não enfrentar navios de guerra, a marinha alemã havia aprendido a lição com o ^Graf Spee^.
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Porém o Bismarck foi descoberto e mantido sob observação constante até a chegada do Hood e Prince of Wales.
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A partir do momento que provou ser impossível prosseguir após a destruição do Hood o objetivo passou a ser alcançar segurança na França mas o ^Bismarck^ estava além da proteção dos bombardeiros alemães que só conseguiram afundar um retardatário ^destroyer^ cujo nome nunca esqueci , ^Mashona^.
Olha 👀
Lendo o texto renderia um belo filme documentando essa história 👍