Persian-Gulf

Forças militares dos Estados Unidos realizaram na segunda-feira novos ataques no sul do Irã, descritos pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM) como ações de “autodefesa” destinadas a proteger tropas americanas de ameaças representadas por forças iranianas.

Segundo o capitão Tim Hawkins, porta-voz do CENTCOM, os alvos incluíram posições de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que estariam tentando instalar minas marítimas. Hawkins afirmou que o Comando Central “continua a defender suas forças enquanto exerce contenção durante o cessar-fogo em curso”, mas não informou quais navios americanos teriam sido ameaçados, onde estavam posicionados ou os locais exatos dos ataques.

De acordo com uma autoridade militar americana, mísseis iranianos ameaçaram parte dos quase 24 navios da Marinha dos Estados Unidos destacados no Golfo de Omã e no Mar da Arábia. O grupo inclui dois porta-aviões e suas escoltas, responsáveis por impor um bloqueio a embarcações que tentam entrar ou sair dos portos iranianos. Os ataques americanos teriam ocorrido nas proximidades de Bandar Abbas, importante porto e base naval iraniana no Estreito de Ormuz.

O episódio ocorre em um momento particularmente sensível. Negociadores iranianos chegaram ao Catar para conversações destinadas a encerrar a guerra, enquanto o presidente Donald Trump afirmou que Washington e Teerã estariam próximos de um entendimento que poderia reabrir o Estreito de Ormuz e aliviar uma das maiores crises energéticas da era moderna.

Apesar do cessar-fogo estar em vigor há cerca de seis semanas, forças americanas e iranianas já haviam se envolvido em outros incidentes menores. A nova rodada de ataques, porém, ameaça comprometer um acordo ainda frágil e expõe a persistência da capacidade militar iraniana, apesar da campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel ao longo de 38 dias.

Segundo avaliações confidenciais de inteligência repassadas a autoridades americanas no início deste mês, o Irã recuperou o acesso à maior parte de seus sítios de mísseis, de lançadores móveis e de instalações subterrâneas. Embora a Marinha convencional iraniana tenha sido amplamente destruída, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ainda mantém centenas de pequenas lanchas rápidas capazes de lançar minas no estreito.

Um dos pontos de maior preocupação para as autoridades americanas é a constatação de que o Irã teria restabelecido o acesso operacional a 30 dos 33 sítios de mísseis situados ao longo do Estreito de Ormuz. Essas instalações poderiam ameaçar navios de guerra dos EUA e petroleiros que transitam pela estreita passagem marítima, por onde, antes da guerra, escoava cerca de um quinto do petróleo consumido diariamente no mundo.

As avaliações indicam que, dependendo do grau de dano sofrido por cada instalação, os iranianos ainda conseguem utilizar lançadores móveis armazenados nos complexos para deslocar mísseis a outras posições. Em alguns casos, também haveria capacidade de disparo direto a partir de plataformas existentes nas próprias bases.

Autoridades militares americanas também expressaram preocupação com os baixos estoques de mísseis de longo alcance e munições pesadas dos Estados Unidos, justamente os armamentos necessários para destruir instalações subterrâneas iranianas reforçadas. Diante dessa limitação, o Pentágono teria optado por empregar munições mais leves, com o objetivo de bloquear as entradas dos complexos, em vez de destruí-los por completo. Os iranianos, no entanto, teriam demonstrado maior capacidade do que o previsto para desobstruir esses acessos.

Segundo as mesmas avaliações, o Irã ainda manteria cerca de 70% de seus lançadores móveis e aproximadamente 70% do estoque de mísseis que possuía antes da guerra. Esse arsenal inclui mísseis balísticos capazes de atingir países da região e uma quantidade menor de mísseis de cruzeiro, que podem ser usados contra alvos terrestres e marítimos de menor alcance.

Antes de Trump anunciar que os Estados Unidos e o Irã estariam próximos de um acordo, planejadores militares americanos estavam preparados para retomar uma campanha intensa de bombardeios contra posições iranianas ao longo do Estreito de Ormuz, incluindo instalações de mísseis, com o objetivo de reduzir a capacidade de Teerã de controlar a passagem marítima.

Desde o início do bloqueio naval, em 13 de abril, quase duas dezenas de navios da Marinha dos EUA e dezenas de aeronaves de ataque americanas têm operado na região do Mar da Arábia. Segundo o CENTCOM, a operação já redirecionou 100 embarcações, desabilitou quatro e permitiu a passagem de 26 navios com ajuda humanitária.■



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Leandro Costa

Essas ações contradizem a declaração de Trump de que estão perto de assinar um acordo sobre o Estreito de Ormuz. Soma-se a esses ataques o aperto no blolqueio naval por parte da USN.

Otto Lima

Mal comparando, antes dos Acordos de Paris, os EUA lançaram as Operações Linebacker I e II contra o Vietnã do Norte, no último trimestre de 1972. Os EUA até conseguiram forçar o Vietnã do Norte a assinar esses acordos, mas não evitaram a derrota na Guerra do Vietnã, pois o Vietnã do Norte aproveitou o cessar-fogo para se reequipar e organizar a ofensiva final contra o Vietnã do Sul, que veio a ocorrer em março e abril de 1975. E sem a ajuda econômica e militar dos EUA, o Vietnã do Sul sucumbiu.

Last edited 2 meses atrás by Otto Lima
curisco

e outra… qual objetivo dos EUA? porque até aqui nenhum. na melhor hipótese forçar um acordo nuclear que o Irã JÁ tinha aceito e vinha sendo cumprido em em 2019 o próprio Trumpalhão saiu

Marcos

O objetivo é a China amigo… Aos americanos pouco importa que árabes e persas se digladiem pelo oriente médio. Os EUA estão preocupados é com a ascensão da China e querem ter o controle energético do gigante asiatico.

curisco

então continuam pisando na jaca

Joao

Como no Vietnã, a abordagem do assunto para se definir os objetivos não foi boa. No Vietnã, o vietnamita não lutava por comunismo x capitalismo. Era a continuação da sua Guerra de Independência. Escolheram o apoio da URSS no início, pq os franceses tratavam o povo pior do que os comunistas tratavam quem não os apoiavam. Esperavam, sinceramente e fortemente, o apoio americano, com base no discurso da IIGM. Isso é dito em registro histórico pelo staff do Gen Giap. Os EUA preferiram apoiar a França, por conta da necessidade de seu apoio na OTAN. Apoiaram o Vietnã do Sul,… Read more »

Leandro Costa

Otto, os objetivos tanto de Linebacker I quanto II foram muito bem definidos. E diga-se de passagem, foram alcançados. Aqui, o objetivo de ‘assinar um acordo’ e usar força para limitar as opções Iranianas não parece estar surtindo efeito. Até por causa da natureza desta Guerra, que é diferente. Seria necessário um aumento expressivo no quesito força, e provavelmente o uso de pessoal em terra para garantir uma falta real de opções aos Iranianos. Trump está vacilante no uso de força militar, até porque provavelmente acreditou no cenário mais otimista (e provavelmente surrealista) possível quando iniciou toda essa jornada lá… Read more »

Joao

Manobra de Força, para “convencimento”.

curisco

Trump perdidaço.

Sem dúvida ampla superioridade militar. inconteste. mas o que vale é a vitória estratégica e dentro de casa.

Nilo

Até eu estou perdido.
Em outros anos quando se falava de bandido, ladrão, o Brasil era considerado o paraíso, roubava no EUA, roubava na Europa os pilantras se escondiam no Brasil, hoje, este ano só vejo notícias: o pilantra acabou de sair do Brasil, foi para EUA, foi para Europa, foi para a Itália. E como o mundo é feito de solidariedade, ninguém larga a mão de ninguém, as vezes vão para Argentina, Bolívia, Paraguai.

curisco

troca de tapa não impede pazes.

problema é que tanto Irã quanto Eua precisam sair como ‘vitoriosos’ para público interno.

E Irã leva vantagem nessa por ser um regime autoritário. basta manter a estrutura de poder que não é personalista. é um sistema.

Já o Trump, apesar de não gostar, vive numa democracia. e a rejeição dele está arrastando republicanos junto (apesr de que ele e sua família estão faturando como nunca)

Otto Lima

Democracia fajuta essa que elegeu Trump.

curisco

os devotos de São Trump ainda acham que ele sabe o que faz

Marcos

E alguma não o é?

Macgarem

Toda semana pelo menos 1 dia ele diz isso

Hcosta

e sabe qual é o efeito dessas contradições?
a subida e descida repentina no preço do barril…

temos de pensar num contexto de ganância, não de geopolítica…

JHF

Bingo

Leandro Costa

Exato. Ganância ao invés de Geopolítica é a definição ideal mesmo.

Marcelo

Todos os paises se armando com armamento para evitar sofrer um bloqueio naval estrangeiro.
https://www.planobrazil.com/2026/05/26/paquistao-avanca-na-fase-ii-de-baterias-de-defesa-costeira-com-missil-p-282-smash/

Leandro Costa

Sim. Até porque se eles se armarem com pirulitos a coisa pode ficar feia.

Gabriel

Poxa vida , americanos sendo dissimulados e apunhalando pelas costas, quem poderia imaginar ??? Estou surpreso.

Burgos

Fato que esta confusão parece que está longe de terminar e pode descambar para uma 3ª Guerra mundial pois já está começando a sufocar as economias da Europa e Ásia e principalmente dos Países que não tem nada a ver com isso (Considerados Neutros).
Alguém (País) vai meter o “dedo no gatilho” e não vai mais soltar.👀

Heli

Na Globo, noticiaram que esses foram ataques em resposta, preventivos. Em resposta a quê?
Nosso jornalismo é uma piada de mal gosto.

silvom

noticiou que essa foi a justificativa apresentada pelos EUA para estes ataques, não inventaram isso, só noticiaram

Adriano Madureira

“EUA realizam novos ataques no sul do Irã durante cessar-fogo e elevam tensão no Estreito de Ormuz”.
Esses Iranianos realmente são muito estúpidos em acreditarem nesses cessar-fogos Americanos.
Mas as vezes alguns só aprendem levando porrada mesmo…