Battleship Trump class

Impressão artística do battleship classe Trump

O Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decidiu impor restrições à construção do primeiro encouraçado nuclear da futura classe Trump, em meio a dúvidas sobre a maturidade tecnológica do projeto e sobre a capacidade da Marinha dos EUA de iniciar a construção sem repetir erros recentes em grandes programas navais.

Segundo o texto em discussão no projeto de lei de defesa, a construção do primeiro navio da classe só poderá avançar quando a Marinha demonstrar que o projeto atingiu um grau suficiente de maturidade. O alvo central da preocupação do Congresso é o fato do navio ter sido concebido em torno de tecnologias ainda não plenamente operacionais, como canhões eletromagnéticos, lasers de alta potência e outros sistemas de energia dirigida.

O programa, também associado à designação BBG(X), é uma das iniciativas mais ambiciosas da chamada “Golden Fleet” anunciada pelo presidente Donald Trump. A proposta prevê grandes navios de superfície armados com mísseis hipersônicos, um grande número de células de lançamento vertical, armas de energia dirigida e, potencialmente, mísseis de cruzeiro com capacidade nuclear.

O custo estimado do primeiro navio, de aproximadamente US$ 17,5 bilhões, tornou-se um dos principais pontos de resistência no Congresso. Parlamentares argumentam que não faz sentido comprometer recursos dessa magnitude em um casco projetado para receber armas que ainda não demonstraram disponibilidade operacional em escala naval.

A controvérsia ganhou força após declarações do Chefe de Operações Navais, almirante Daryl Caudle, que reconheceu problemas recorrentes da Marinha em iniciar a construção de navios antes que seus projetos estejam suficientemente maduros. Caudle defendeu que novos programas atinjam cerca de 80% de conclusão de projeto antes do primeiro corte de aço ou do início da construção física.

A posição reforçou o argumento de congressistas que veem na classe Trump o risco de repetir problemas enfrentados por programas anteriores, nos quais alterações de projeto, integração tardia de sistemas e tecnologias imaturas resultaram em atrasos, aumento de custos e redução de capacidades.

Os canhões eletromagnéticos, por exemplo, são há anos apresentados como uma possível revolução na guerra naval, capazes de disparar projéteis a altíssima velocidade sem recorrer à pólvora convencional. Na prática, porém, a tecnologia ainda enfrenta desafios relacionados à vida útil dos trilhos, à geração de energia, à cadência de tiro, à integração com o setor naval e à confiabilidade operacional.

Os lasers de alta potência também despertam grande interesse da Marinha dos EUA, especialmente para defesa contra drones, mísseis e pequenas embarcações. No entanto, sistemas dessa natureza ainda precisam superar limitações de potência, alcance, refrigeração, desempenho sob condições atmosféricas adversas e integração aos sistemas de combate dos navios.

A decisão do Congresso não significa o cancelamento do programa, mas estabelece uma importante trava política e orçamentária. Antes de autorizar a construção do primeiro casco, os parlamentares querem garantias de que a Marinha possui um projeto viável, tecnologias suficientemente maduras e um plano realista de custos e cronograma.

A pressão legislativa não se limita ao futuro encouraçado. O mesmo projeto de lei também questiona a fragata FF(X), outro programa recente da Marinha dos EUA. O navio foi concebido como uma solução mais rápida e simples para recompor a frota de superfície, mas recebeu críticas por ter sido apresentado, em sua configuração inicial, sem um sistema de lançamento vertical integrado.

A ausência de VLS é considerada problemática porque limita a capacidade da fragata de empregar mísseis padrão de defesa aérea, ataque terrestre e guerra antissubmarino, reduzindo sua utilidade em cenários de combate de alta intensidade. Críticos argumentam que uma fragata moderna sem VLS pode acabar restrita a missões de menor complexidade, justamente quando a Marinha precisa ampliar sua capacidade de enfrentar ameaças de mísseis, drones, submarinos e navios de superfície.

Os dois casos expõem um dilema recorrente da construção naval militar norte-americana: a tensão entre rapidez, custo, inovação e maturidade técnica. De um lado, a Marinha busca acelerar a renovação da frota diante da expansão naval chinesa e do envelhecimento de seus atuais navios. De outro, o Congresso exige maior disciplina para evitar que programas ambiciosos se transformem em plataformas caras, atrasadas ou tecnicamente incompletas.

A classe Trump foi apresentada como um símbolo de recuperação do poder naval norte-americano, mas agora enfrenta seu primeiro grande obstáculo político. Para os parlamentares, railguns e lasers podem representar o futuro da guerra no mar, mas precisam funcionar antes de justificar a construção de um navio bilionário desenhado em torno deles.

Caso as restrições sejam mantidas no texto final da lei de defesa, a Marinha dos EUA terá de demonstrar maior maturidade de projeto, previsibilidade de custos e viabilidade técnica antes de avançar com o primeiro encouraçado da nova classe. Até lá, o programa seguirá como uma das apostas mais ousadas — e controversas — da atual política naval norte-americana.■




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Nativo

Esse projeto cheira ao guerra nas estrelas do Reagan,nos anos 80 do século passado.

Burgos

Já era esperado 🤷‍♂️
O projeto DDG(X) seria mais realístico, financeiramente falando e até em relação a questão material/tecnologia.
Isso daí é coisa pra quem tem tá sofrendo de delírio ufânico megalomaníaco 🥴
Daqui mais alguns anos já vão começar dar baixa das AB mais antigas (Flight 1)
Tem que pensar em um substituto imediato para iniciar essa substituição 👍

Fernando Vieira

Pois é, eles tem o DDG(X) ali com projeto pronto. Os AB mais novos ainda possuem muito valor militar e, se construírem novos deles, já provados, serão ótimos meios por muitos anos. Aí vai o presidente e propõe essa aberração.

Aliás uma dúvida aqui: O texto da matéria diz “encouraçado nuclear da Classe Trump” mas a imagem mostra turbinas a gás propelidas por motor diesel. O nuclear é porque ele levará armas nucleares?

Alex Barreto Cypriano

Oi, Fernando. BBGN: battleship, guided missiles, nuclear propulsion. Os EUA já tiveram uma frota de cruzadores nucleares (o mais belo de todos, o USS Bainbridge, DLGN/CGN 25, já foi chamado de Fragata ou Destroyer light, Destroyer leader e, finalmente, Cruzador…), cuja desativação foi, segundo o almirante Caudle, CNO, um submarinista, um grande erro da US Navy. Olhei direito na imagem, com lupa, até, mas não consegui ver nenhum indício de turbina a gás propelida por motor diesel… Acho que há uma confusão sobre turbinas a gás: as turbinas a gás queimam diesel (F-76) ou querosene (JP-5) nas suas câmaras de… Read more »

Marcos

No diagrama apresentado no artigo há indicação de “Gas Turbine & diesel powered” indicando propulsão convencional e não nuclear. Também fiquei em dúvida

Alex Barreto Cypriano

A tradução de GT & Diesel powered seria: potência (propulsiva) (gerada) por turbina a gás E (motor) diesel. Portanto, um CoDaG (Combined Diesel and Gas turbine). Esse é um arranjo ultrapassado em favor da propulsão nuclear (independente de ar), como já noticiado. Essas coisas são assim mesmo nos seus primórdios: incertas e em mutação. A única certeza é que essas coisas serão extraordinariamente lucrativas aos fabricantes e escorchantemente caras ao orçamento de defesa (que é pago pelos contribuintes), havendo ou não as coisas em si concluídas.

André Macedo

Se livraram de um elefante branco medonho.

JHF

Daqui a pouco vão substituir por outro que faz dobra.

EduardoSP

Um pouco de sensatez e razoabilidade no meio da bagunça generalizada do governo americano.

Fernando Vieira

Alguém aprendeu a lição da classe Zumwalt.

GBento

Que diferença faz um Congresso que entende de Defesa.

MMerlin

Não so entende mas se importa com elas.
O setor de Defesa está no Core das prioridades do Estado Americano.

JuggerBR

Sabe quando o Trump vai deixar isso quieto? Ninguém vai mexer no barquinho dourado dele…

Comenteiro

Faz um só, ou melhor, pega um semipronto, pinta de dourado, coloca uma figura de proa e pronto. O Trump fica feliz…

Luan

Deixa construir!!!
Que drene recurso esse projeto!

Heli

Poxa, quer dizer que o USS Epstein vai ter de esperar. Se com a Constelation foi a lambança que foi, imagine então com um projeto tão mais complexo.

deadeye

Do que adianta você tem um monte de fragatas Baratas, sem VLS sem sonar de casco e até mesmo SEM torperdos. Nem para escolta ASW iriam servir..

JBorges

Um maluco no poder, que só tem feito coisas em proveito próprio, que tem zero visão geopolítica, que está se lixando para seu próprio país….esse maluco, já um homem velho e doente, vai morrer e deixar uma nação com a importância dos EUA em frangalhos. É a história sendo feita em frente aos nossos olhos…a tão alardeada queda do império americano. Esse navio é só mais um movimento megalômano de um homem que jamais poderia estar onde está…..

Equilibrium

Se um míssil/torpedo acertar esse navio em qualquer ponto, ele explode igual uma bomba nuclear. O Bicho parece um silo ambulante.

GeneralSofá

Se tivesse como apostar que esse navio vai ser cancelado, eu vendia tudo o que tenho, até casa e carro dos meus pais pra agiota, ia todo mundo morar debaixo da ponte, pegava empréstimo no banco, tudo pra colocar na aposta que esse BBG(X) vai ser cancelado.