USS Gerald R. Ford retorna a Norfolk após longa missão e passará por reparos no sistema de esgoto

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USS Gerald R. Ford

USS Gerald R. Ford (CVN-78)

O porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford (CVN-78), o mais novo e caro navio-aeródromo da Marinha dos Estados Unidos, retornou a Norfolk, na Virgínia, após uma das mais longas comissões operacionais de um porta-aviões norte-americano desde a Guerra do Vietnã. Com cerca de 4.600 militares finalmente de volta para casa, o navio será submetido a reparos estruturais e a uma atualização considerada urgente em seu problemático sistema sanitário.

Avaliado em aproximadamente US$ 13 bilhões, o Gerald R. Ford realizou uma primeira viagem operacional de oito meses iniciada em janeiro de 2024 e, pouco depois, foi novamente destacado para uma missão que se estendeu por quase 11 meses. O navio deverá entrar em manutenção no Norfolk Naval Shipyard, onde equipes técnicas irão reparar danos causados por um incêndio e implementar melhorias no sistema de coleta e transferência de esgoto.

Um dos focos do trabalho será a recuperação das áreas atingidas por um incêndio iniciado em março na lavanderia do navio. As chamas se espalharam para áreas próximas aos alojamentos, afetando espaços usados por marinheiros para dormir e obrigando parte da tripulação a lidar com condições precárias durante a missão. Reportagens anteriores indicaram que o incêndio provocou ferimentos, danos em beliches e impacto significativo na rotina a bordo.

VÍDEO: Destruição provocada pelo incêndio a bordo do USS Gerald R. Ford

Ao mesmo tempo, a Marinha fará uma atualização no sistema de esgoto do porta-aviões, conhecido como Vacuum Collection, Holding, and Transfer (VCHT). O sistema, inspirado em soluções utilizadas em navios de cruzeiro, emprega tubulações menores e sucção a vácuo para operar os vasos sanitários. Na prática, porém, a tecnologia tornou-se uma das fontes mais persistentes de problemas a bordo dos porta-aviões da classe Ford.

Segundo documentos internos obtidos pela NPR por meio da Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos, técnicos do casco do navio vinham enfrentando dificuldades recorrentes para manter o sistema funcionando durante a missão. As comunicações internas analisadas cobrem o período de março a agosto de 2025, justamente antes e durante a longa comissão que levou o Gerald R. Ford da Europa ao Caribe e depois ao Oriente Médio.

Em um e-mail enviado à tripulação em 18 de março, um suboficial responsável por sistemas mecânicos alertou que uma das falhas mais comuns ocorria em uma mangueira localizada na parte traseira dos vasos sanitários. Quando a peça se soltava, o sistema perdia sucção, o que podia provocar interrupções no funcionamento de banheiros inteiros.

O alerta foi direto: “Precisamos da ajuda de vocês para evitar que nosso sistema VCHT saia do ar e crie condições insalubres”, dizia a mensagem, segundo a NPR.

Os técnicos também relataram a presença de objetos indevidos dentro do sistema, incluindo camisetas, peças de roupa e até um pedaço de corda de cerca de 1,2 metro. A descoberta levou a equipe de manutenção a propor treinamentos para orientar os marinheiros sobre o uso correto dos banheiros a vácuo.

O problema é agravado pelo desenho do sistema. Em sua configuração atual, uma falha em uma válvula ou componente em determinada área pode derrubar todos os banheiros de um setor inteiro do navio. Em alguns casos, segundo mensagens internas citadas pela NPR, uma única falha poderia afetar todos os sanitários posicionados na proa ou popa do porta-aviões.

Agora, com o navio de volta a Norfolk, a Marinha pretende instalar uma solução semelhante à aplicada anteriormente no USS George H.W. Bush, outro porta-aviões que enfrentou problemas em seu sistema a vácuo. A atualização deverá subdividir melhor o sistema, de modo que uma falha em um banheiro não comprometa uma grande área do navio.

O problema já era conhecido antes mesmo do Gerald R. Ford completar sua entrada em serviço. Um relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso norte-americano, já havia destacado em 2020 os desafios do sistema sanitário da classe Ford. Entre os pontos mais controversos está a necessidade de realizar lavagens ácidas periódicas para manter as tubulações desobstruídas, procedimento que pode custar cerca de US$ 400 mil por aplicação.

Essas lavagens não podem ser feitas durante o desdobramento operacional, o que torna o retorno ao estaleiro uma oportunidade para realizar a limpeza profunda e corrigir falhas acumuladas durante a missão.

Apesar das críticas, a Marinha dos Estados Unidos minimiza a gravidade dos problemas. O chefe de Operações Navais, almirante Daryl Caudle, afirmou durante o retorno do navio que sistemas sanitários de qualquer embarcação militar podem apresentar dificuldades e que o ponto central é a capacidade da tripulação de responder rapidamente às falhas.

“A questão não é se isso acontece, mas quando acontece. Como atacamos o problema, corrigimos e colocamos o sistema de volta em operação?”, disse Caudle. Segundo ele, a equipe do Gerald R. Ford demonstrou competência para lidar com essas situações.

O USS Gerald R. Ford é o primeiro navio de uma nova classe de porta-aviões nucleares projetada para substituir gradualmente os navios da classe Nimitz. Ele incorpora tecnologias avançadas, como catapultas eletromagnéticas, novos elevadores de armas, maior geração de energia elétrica e sistemas automatizados destinados a reduzir a tripulação e aumentar o ritmo de operações aéreas.

No entanto, desde sua construção, o navio também tem sido marcado por atrasos, sobrecustos e problemas técnicos. A classe Ford foi concebida para representar um salto tecnológico na aviação naval norte-americana, mas a maturação de seus sistemas tem se mostrado mais complexa e cara do que o previsto.

O retorno a Norfolk abre uma nova fase para o porta-aviões. Para a Marinha, a manutenção será uma oportunidade de corrigir falhas acumuladas, recuperar áreas danificadas e preparar o navio para futuras missões. Para críticos no Congresso e observadores militares, os reparos serão mais um teste da capacidade da Marinha de transformar o navio mais caro de sua história em uma plataforma plenamente confiável para operações prolongadas.■


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lucena

Existe um forte boato …rsrs..que o magnifico USS Gerald R. Ford (CVN-78), com todo o seu esplendor …entrou pelo cano.

Dr. Mundico

Bem que eu avisei, tem que usar tubos e conexões Tigre.

Hamom

Vai ficar pelo menos um ano no estaleiro.
Esgotos problemáticos, sistema de supressão de incêndio falhando,
isto daria título pra uma música: “Shit On Fire”

(Não confundir com a música de Bruce Springsteen – I’m On Fire)

Last edited 1 mês atrás by Hamom
Burgos

É assim mesmo !!!
Só navegando/operando e desdobrando mundo afora que se faz o equipamento e pessoal treinado para suas devidas funções se perfaçam em alto mar 👍
Quem não tem Marinha que conte História 😏🤷‍♂️
ou não tem Porta aviões 🥴🤔

Sergio Machado

“ É assim mesmo !!!
Só navegando/operando e desdobrando mundo afora que se faz o equipamento e pessoal treinado para suas devidas funções se perfaçam em alto mar 👍”
Aí chega na hora H da finalidade fim, posto em combate real da no pé e fica a 1000 km do TO a fim de evitar ser alvejado por drones e mísseis de um país sem Marinha.
Meio carinho só para locação de Top Gun.

Burgos

Um navio desse porte não precisa entrar no meio do TO mesmo até pq é um porta aviões, quem vai fazer o trabalho sujo são os caças e não o PA e se vc tá falando do Irã eles tinham Marinha sim, mas todos foram alvejados e afundados, não sobrou nada 🤷‍♂️
Agora os Iemenistas estão dando trabalho mesmo 👍

Sergio Machado

Se for para as aeronaves pousarem no mar, é possível. Porque 1000 km esta no limite do F18 embarcado, até acima dependendo do perfil de missão. E superior ao raio de combate do F35.
Quanto a irrelevante Marinha Iraniana, continua a patrulhar Ormuz.
Esse “toda destruída” é dos mesmos autores de “eles não possuem mais mísseis” e “destruímos 60% dos lançadores”.
Conversa fiada dos EUA.

Burgos

Tanques suplementares são para isso mesmo, dobrar a autonomia das Anvs 👍
Pelo visto não sabe nada de Guerra inocente 😏

Last edited 1 mês atrás by Burgos
Sergio Machado

Cara, a ideia é brilhante. Ficar a 1000 km da hot zone e usar tanques extras. Mas o take off máximo do F18 embarcado é 26 ton. Pesando ele 20 ton, o altamente capacitado analista afirma que é sô por tanques de quase 2 ton cada e abrir mão da carga de armas, sendo que a missão é ataque ao solo e defesa aérea. Mas ainda tem que alijar os tanques antes de aproximar-se do alvo, dado o aumento brusco do RCS. Ou o estrategista experiente sugere combater com tanques presos à fuselagem? Será que além não compromete a manobrabilidade… Read more »

Burgos

Nem falei de F35 e os F18 são configurados para combate/bombardeios específicos também não é isso tudo que vc tá falando para de drama 👍 Como falei anteriormente um Porta aviões não precisa ficar no TO e tem outra, a Força Aérea dos EUA tem Bombardeiros com autonomia para fazer o serviço, vai lá faz e se manda na volta para base e um abastecedor aéreo abastece os bombardeiros e pq a Marinha dos EUA vai se escornar com problema de raio de autonomia e um Porta aviões vai se enfiar sem necessidade nenhuma em TO se tem opções de… Read more »

LucianoSR71

Um monstro desses que custa 13 bilhões de dólares e o esgoto o ‘derruba’ – isso me lembra da piada sobre a disputa p/ decidir quem seria o chefe do corpo humano: – As pernas disseram: nós seremos os chefes, pois sem nós o corpo não poderá procurar alimentos. – Os olhos disseram: nós seremos os chefes, pois sem nós o corpo não saberá p/ onde ir procurar alimentos. – A boca disse eu serei o chefe, pois sem mim o alimento não entrará no corpo. – Os braços e as mãos disseram: nós seremos os chefes, pois sem nós… Read more »

Eduardo

Kkk já tinha ouvido está KKK; agora a realidade é uma só : pra ficar um meio ou até mais tempo parado p/ reparos nos banheiros e lavanderia , sinceramente deve ter levado uma sova do Ira ; está história está bem mal contada chega ser cômico se não fosse uma realidade atual deste porta aviões !

Salim

Em 2024 missão de 8 meses, agora 11 meses no mar sendo a maior permanência no mar após guerra Vietnam. Concordo, péssimo. Cada comentário que aparece.

LucianoSR71

Se vc está criticando o meu comentário (fiquei em dúvida se era realmente pra mim ou p/ o Eduardo), vc não entendeu a minha brincadeira – por mais que algo seja sofisticado, complexo e caro sempre pode haver um calcanhar de Aquiles, uma coisa que não se dá muita importância pode prejudicá-lo seriamente – por exemplo, quantas corridas de F-1 foram perdidas por falhas em componentes que custavam poucos dólares? A lembrança da antiga piada é justamente nesse sentido, o simples fato de a m.. não ser eliminada por dias derruba o indivíduo, só aí entendemos a importância desse processo.

Salim

Caro Luciano, não crítico ninguém, as vezes um comentário ou uma ideia, se todos fossem iguais não teria evolução no entendimento do assunto. As vezes dou uma cutucada para ficar mais dinâmico.. Neste caso estou reforçando seu comentário que mostra a oposição de alguns que criticam em detrimento fatos. Na F1 final corrida o carro Prost terminava impecável, porém quem chegava na frente era o Senna. Grande abraço.

marcio

meu deus é cada comentario, um navio fica 9 meses no mar em serviço, devemos ter a melhor marinha do mundo né.

Alex Barreto Cypriano

Apesar de tudo, ele mandou bem. Gostaria de saber como a revisão do design da classe, em curso, propõe corrigir e aprimorar o funcionamento do navio.

GOES

Cheio de especialistas mesmo
Kkkkkkk
Disse tudo irmão
Enquanto isso temos uma marinha que nem preciso comentar né?
Com o que? 4 caças de 40 anos atrás fazendo mockup em shopping

Dalton

Este ^desdobramento^ foi de 11 meses sendo que a US Navy considera 7 meses como ^ideal^ e o ^Ford^ foi preparado em menos de um ano e meio para este segundo após um primeiro de quase 9 meses.

Paulo Lahr

Foi TOCO!

Alex Barreto Cypriano

Foi não. Nem drone, nem ASM ou ASBM pois qualquer um deles deixaria sinais externos de penetração até as regiões mais profundas do navio, como lavanderias e acomodações. Em todos os casos, com detonação que fragmentaria mobiliário, divisórias, anteparas… O arranjo interno dos serviços e acomodações nos Ford é diferente daquele nos Nimitz.

Atirador

E por acaso divulgaram essas fotos ? Se divulgaram, tem certeza de que não são antigas ? muito estranho um porta aviões deixar a área de manobras no meio de um conflito por um incêndio na lavanderia

Alex Barreto Cypriano

Foto? Que foto? …

Dalton

Como regra após cerca de 10 anos – o ^Ford^ foi incorporado em 2017 – há necessidade de uma manutenção em dique seco ^D(PIA)^ como por exemplo ocorreu com o NAe anterior ao ^Ford^ o ^Bush^ que foi menos intensamente utilizado nos primeiros 10 anos e 18 meses foram necessários para deixa-lo 100%.

Roosevelt

Convenhamos, camisetas, pedaços de cordas e outros não fazem parte do que se pensa nesses sistemas. Será que parte da tripulação pensa que nos esgotos dos PA’s tem trituradores como nas pias deles? É algo de muito ridículo mas muito comum inclusive em indústrias daqui do Brasil. O se ao antigos utra coisa, eles fabricam porta aviões há décadas e resolvem mexer no que está quieto. Tem mesmo que haver tanta tecnologia inclusive de sucção nisso aí? não é a Artemis né? Elevadores de armas com sistemas magnéticos, precisa disso mesmo? Se os antigos sistemas sempre foram eficazes só imagino… Read more »

Leandro Costa

Roosevelt, todo novo avanço em tecnologia cobra seu preço inicial de adequação, ajustes finos, etc. Em teoria, essas coisas foram pensadas para aumentar a eficiência geral do navio, seja no caso dos novos elevadores para elevarem o número de surtidas que o navio seria capaz de lançar, seja no sistema de esgotamento, que talvez demandasse menos pessoal para fazer manutenção, ou que a manutenção seria facilitada de alguma forma.

É normal que no início ocorram problemas. Anormal foi a duração do deployment do navio em si, o que tende à agravar os problemas.

Esse ciclo sempre acontece.

Dalton

Além do que o Leandro escreveu pesa o fator China que não para de inovar. . Não basta simplesmente manter o que era eficaz no passado e continua no presente, mas pensar no futuro e mesmo catapultas a vapor são fonte de problemas que requerem mais manutenção, pessoal e exigem mais da estrutura dos aviões quando lançados. . Diante de um rival como a China e mesmo potenciais adversários mais fracos que também estão atualizando suas forças armadas um novo tipo de NAe era necessário, uma Ala Aérea mais eficiente e uma doutrina não apenas focada no bombardeio de alvos… Read more »

EduardoSP

Às vezes o pessoal resolve complicar o que funciona e acaba criando problemas que não seriam necessários.
A mesma coisa com o sistema de visão remota do KC 46. Há setenta anos a lança do reabastecedor é comandada por um tripulante na parte de trás do aparelho. Resolveram colocar o tripulante na cabine e criaram um sistema de câmeras e sensores para permitir ele operar à distância. Resultado: anos de atraso no desenvolvimento, custos adicionais enormes e aparelhos com limitações de operação. Custava manter o tripulante operando deitado lá atrás?

Leandro Costa

Operamos o sistema bancário com registros em papel durante séculos e funcionava muito bem. Por quê diabos informatizamos tudo para ficarmos vulneráveis à ataques de hackers, problemas de sistema que me impossibilitam de sacar dinheiro… Pix então, nem se fala! Qualquer errinho e bum! Já era. Fora a facilidade de você se tornar refém para fazer transferências para contas de criminosos… Um horror! Tragam os papéis de volta!

Alex Barreto Cypriano

A digitalização veio com a promessa de praticidade e universalidade pro indivíduo aderente mas na realidade é, pra elites, um instrumento de controle, vigilância e punição/exclusão dos indexados. Aliás, como fazia o papel na era analógica. A grande diferença é a rapidez digital e a sua aceitação, não apenas voluntária mas entusiastica, como natural, vantajosa, infalível. Um verdadeiro monkey wrench, para o bem e para o mal, nessa época de contração da vida sob a expansão da esfera econômica.

Leandro Costa

<inserir emoji de cocô aqui>

Jabulani Teimoso

Vocês já viram a dieta dos estadunidenses, é tenebrosa, não tem sistema de esgoto que dê jeito. Kkkk

Felipe

Deixaram o Dimitri fumar na lavanderia, deu nisso…