Marinha Portuguesa inicia construção do segundo navio logístico AOR+ na Turquia
A construção do segundo Navio Reabastecedor de Esquadra e Logístico da Marinha Portuguesa, o futuro NRP D. Dinis, foi oficialmente iniciada com a cerimônia de corte de aço realizada em Istambul, na Turquia.
O navio faz parte do programa AOR+ — Auxiliary Oiler Replenisher and Logistics Ship — destinado a dotar a Marinha Portuguesa de novas capacidades de reabastecimento no mar, apoio logístico, transporte de carga, comando e suporte a operações navais conjuntas.
A cerimônia marca uma nova etapa do projeto conduzido pela empresa turca STM, contratada principal do programa. O primeiro navio da classe, futuro NRP Luís de Camões, já havia iniciado sua construção com o corte de aço realizado em novembro de 2025, seguido pelo assentamento de quilha em janeiro de 2026.
Com o início da produção do D. Dinis, o programa passa a avançar simultaneamente em duas unidades. A escolha dos nomes reflete referências históricas e culturais portuguesas: o primeiro navio homenageia Luís de Camões, poeta nacional de Portugal, enquanto o segundo leva o nome de Dom Dinis, rei associado ao desenvolvimento marítimo e institucional do país.
O projeto tem forte relevância estratégica e industrial. Para Portugal, os novos navios deverão reforçar a capacidade da Marinha de sustentar operações navais por períodos prolongados, apoiar forças em missões internacionais e ampliar a autonomia logística da esquadra. Para a Turquia, o contrato representa um marco por se tratar de sua primeira exportação de navios militares para um país que integra tanto a União Europeia quanto a OTAN.
Os navios AOR+ terão desenho modular e serão capazes de executar múltiplas missões. Além do reabastecimento de navios no mar, poderão transportar combustível, água, carga geral, contêineres, munições e veículos táticos. A configuração também prevê rampa ro-ro à popa, permitindo o embarque e desembarque de viaturas.
Cada navio terá capacidade para transportar até 20 veículos táticos blindados leves, o que amplia seu emprego em apoio a operações anfíbias, missões conjuntas e ações de projeção regional. A capacidade de transportar carga rodada torna a classe mais versátil do que um navio reabastecedor tradicional.
O desenho também prevê emprego em operações humanitárias, busca e salvamento, evacuação de cidadãos, apoio médico e resposta a crises. Essa flexibilidade é relevante para Portugal, país com responsabilidades marítimas extensas no Atlântico e participação frequente em missões internacionais e de cooperação.
Segundo dados divulgados sobre o projeto, os navios terão cerca de 137 metros de comprimento, deslocamento superior a 11 mil toneladas e velocidade máxima superior a 18 nós. A autonomia será de até 30 dias de operação contínua no mar, com alcance superior a 14 mil milhas náuticas a 14 nós.
A tripulação básica será de cerca de 50 militares, com acomodações adicionais para mais 50 pessoas e capacidade temporária para até 100 passageiros. Essa configuração permitirá ao navio atuar também em missões de evacuação, assistência humanitária ou transporte de pessoal.
Em termos de carga, os AOR+ poderão transportar combustível naval F-76, combustível de aviação F-44, água doce, carga geral, contêineres de 20 pés e munição. O projeto também contempla capacidades de comando e controle, com sistema integrado de comunicações para coordenação de operações navais.
No campo defensivo, os navios deverão contar com sistemas de sensores, sistemas de armas de curto alcance, estações remotamente controladas de 12,7 mm, sistemas de contramedidas e despistadores. Embora sua missão principal seja logística, a configuração permitirá operar em ambiente de maior complexidade e prestar apoio a forças navais em diferentes cenários.
A aviação embarcada também terá papel importante. Os navios incluirão plataforma para operação de helicópteros e veículos aéreos não tripulados, além de hangar para UAVs. Essa capacidade amplia o uso da classe em vigilância, apoio logístico, busca e salvamento e coordenação de operações marítimas.
A STM afirma que o programa segue dentro do cronograma planejado. A empresa pretende lançar os dois navios em 2027 e entregá-los à Marinha Portuguesa em 2028.
Para a Marinha Portuguesa, os futuros NRP Luís de Camões e NRP D. Dinis representarão uma renovação importante da capacidade de apoio logístico naval. Em uma força com responsabilidades que vão do Atlântico Norte ao Mediterrâneo, passando por missões da OTAN, União Europeia e cooperação lusófona, navios desse tipo são essenciais para garantir presença prolongada e autonomia operacional.
O avanço da construção do segundo navio confirma que o programa AOR+ entra em fase industrial consolidada. Ao mesmo tempo, reforça a aproximação entre Portugal e Turquia no setor naval, em um projeto que combina necessidades operacionais portuguesas com a crescente ambição da indústria turca de defesa no mercado europeu.■
| Marinha Portuguesa – Navio Reabastecedor de Esquadra e Logístico AOR+ | |
|---|---|
| Categoria | Características principais |
| Tipo | Navio Reabastecedor de Esquadra e Logístico / Multi-Purpose Auxiliary Oiler Replenishment – AOR+ |
| Usuário | Marinha Portuguesa |
| Função principal | Apoio logístico conjunto, reabastecimento no mar e transporte de cargas sólidas e líquidas para plataformas de superfície em tempo de paz e de guerra |
| Perfil operacional | Navio versátil de apoio logístico, comando e controle, apoio médico, operações anfíbias, ajuda humanitária, evacuação de cidadãos, busca e salvamento, operações com helicópteros e sistemas não tripulados |
| Dimensões principais | |
| Comprimento total – LOA | 137,00 m |
| Comprimento na linha d’água – LWL | 128,76 m |
| Boca | 19,10 m |
| Calado de projeto | 6,70 m |
| Deslocamento | 11.000 toneladas |
| Desempenho | |
| Velocidade máxima com propulsão diesel | Mais de 18 nós |
| Velocidade máxima com propulsão elétrica | Mais de 6 nós |
| Velocidade de cruzeiro | 14 nós |
| Alcance | Mais de 14.000 milhas náuticas a 14 nós |
| Autonomia | Até 30 dias de operação contínua no mar |
| Tripulação e acomodações | |
| Tripulação básica | 50 militares |
| Acomodações adicionais | Espaço para mais 50 pessoas |
| Acomodação temporária | Até 100 passageiros temporários |
| Capacidade total citada | 100 pessoas em operação normal, com capacidade temporária adicional conforme a missão |
| Capacidades de missão | |
| Reabastecimento no mar | Capacidade de Replenishment At-Sea para apoio a navios de superfície |
| Comando e controle | Capacidade de coordenação de operações navais e apoio à força-tarefa |
| Apoio logístico | Transporte de combustíveis, água doce, carga geral, contêineres, munição e veículos |
| Apoio médico e sanitário | Capacidade para suporte médico, evacuação sanitária e apoio em crises humanitárias |
| Operações anfíbias | Apoio logístico e transporte de viaturas para operações anfíbias e expedicionárias |
| Ajuda humanitária | Emprego em assistência humanitária, resposta a desastres e evacuação de cidadãos |
| Busca e salvamento | Capacidade de apoio a missões SAR com meios orgânicos e aviação embarcada |
| Projeção regional de poder | Suporte a forças navais em missões prolongadas e operações combinadas |
| Capacidades de carga | |
| Combustível naval F-76 | 4.000 m³ |
| Combustível de aviação F-44 | 350 m³ |
| Água doce | 650 m³ |
| Carga geral | 700 m³ |
| Contêineres | 6 contêineres de 20 pés |
| Munição | Capacidade para transporte de munições |
| Veículos | Até 20 veículos táticos blindados leves |
| Aviação embarcada e sistemas não tripulados | |
| Helicópteros | Plataforma de pouso para operações com helicópteros |
| UAVs | Capacidade de operação com veículos aéreos não tripulados |
| Hangar | Hangar dedicado para UAVs |
| Funções aéreas | Apoio logístico, vigilância, busca e salvamento, ligação, evacuação e apoio a operações navais |
| Sensores e sistemas de combate | |
| Sensores | Conjunto de sensores avançados para apoio a operações navais e defesa aérea |
| Sistemas de armas | Sistemas de armas avançados para defesa de ponto e apoio à proteção da força |
| Defesa aérea | Os navios apoiarão prioritariamente operações de defesa aérea |
| Funções de guerra naval | Capacidade de participação nas principais funções de guerra naval |
| Armamento e autoproteção | |
| CIWS | Sistemas de armas de defesa aproximada |
| Estações remotamente controladas | Sistemas de armas remotamente controlados de 12,7 mm |
| Contramedidas | Sistemas de chaff e despistadores/decoys |
| Proteção da força | Capacidades defensivas para operação em ambiente naval complexo |
| Avaliação operacional | |
| Papel estratégico | Reforço da autonomia logística da Marinha Portuguesa e ampliação da capacidade de sustentação de forças navais em operações prolongadas |
| Versatilidade | Combina reabastecimento, transporte de carga, apoio médico, comando e controle, operações anfíbias, aviação embarcada e missões humanitárias |
| Emprego provável | Missões nacionais, operações da OTAN, apoio a forças expedicionárias, resposta a crises, evacuação de cidadãos e assistência humanitária |
| Fonte: dados técnicos divulgados para o projeto AOR+ / NRE+ da Marinha Portuguesa. | |



Nesse navio que a MB deveria focar ao invés de querer pegar navios-tanque da Transpetro para fazer transferência de óleo no mar…
Eu diria mais, desde a muito que e desejável e salutar , haver uma maior colaboração entre as marinhas de ambos os países , em projectos de aquisição e construção conjunta tais como: navios patrulha costeiro e oceanicos, navios reabastecedores e por último navios polivalentes de desembarque e de apoio logístico.
Pelo menos 1 para nossa MB, por favor…
Um projeto que eu gostaria de ver a MB participando.
Um navio de 11 mil toneladas é muito pequeno para as necessidades da Marinha do Brasil. O ideal seria algo na faixa de 30 mil toneladas, semelhante aos navios de apoio e projeção utilizados pela Marinha Britânica. Porém, antes mesmo de pensar em meios maiores, o principal problema da Marinha Brasileira é a falta de capacidade logística. Hoje possuímos navios-aeródromo para helicópteros e em breve teremos um robusto navio de desembarque, mas continuamos extremamente limitados pela escassez de navios-tanque modernos, com casco duplo e capacidade de sustentar longos períodos de operação no mar. Na prática, a esquadra tem dificuldades para… Read more »
Sim no geral concordo plenamente, mas tambem e bom lembrar que quanto mais compacto e mais auto protecções tiverem os navios, melhor está defendido , agora que cada vez mais o campo de batalha , e cada vez mais transparente, agora que a arte de fazer uma guerra moderna e cada vez mais robotizada e disrupta. E por fim e bom lembrar que a propulsão de navios e não só e cada vez , mais híbrida , logo menos consume de combustível e também não deve faltar muito para o aparecimento do motor a hidrogênio.
está aí um país que poderia ser um parceiro promissor!
Sua BID é diversificada em vários setores, e vem em ascendência há algum tempo, mas nossos militares parecem Toupeiras com antolhos…