Patrulheiro francês EV Jacoubet é retirado de serviço após 44 anos na Marine Nationale

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Patrulheiro francês EV Jacoubet é retirado de serviço após 44 anos na Marine Nationale

 

A Marinha Francesa retirou do serviço ativo o patrulheiro de alto-mar Enseigne de vaisseau Jacoubet, encerrando uma carreira de 44 anos marcada por presença naval, patrulhas oceânicas, missões de vigilância e operações internacionais.

Segundo os dados divulgados pela Marine Nationale, o navio percorreu cerca de 1,3 milhão de milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 60 voltas ao mundo, e realizou 30 passagens pelo Canal de Suez ao longo de sua vida operacional. A retirada encerra uma longa trajetória a serviço da França e marca mais um passo no descomissionamento dos antigos avisos transformados em patrulheiros de alto-mar.

O EV Jacoubet, identificado pelo indicativo visual F794, pertence à classe d’Estienne d’Orves, também conhecida como Type A69. Esses navios foram concebidos originalmente durante a Guerra Fria como avisos de escolta e guerra antissubmarino, especialmente voltados para operações em águas costeiras, plataformas continentais e zonas de interesse marítimo próximas.

A classe d’Estienne d’Orves nasceu em um contexto em que a Marinha Francesa precisava de navios relativamente compactos, econômicos e numerosos, capazes de substituir escoltas mais antigas e executar missões de patrulha, presença e proteção das aproximações marítimas. Embora classificados como avisos, esses navios reuniam características de pequenas corvetas oceânicas, com capacidade de operar longe da costa e cumprir tarefas de defesa marítima em cenários de baixa e média intensidade.

Durante a Guerra Fria, a missão principal da classe era a luta antissubmarino em águas rasas, particularmente no Atlântico e em áreas próximas às rotas marítimas estratégicas francesas. A configuração original incluía sonar de casco, armamento antissubmarino, canhão de médio calibre e mísseis antinavio Exocet, oferecendo aos navios uma combinação de vigilância, presença e capacidade de combate superior à de simples patrulheiros.

Com o fim da Guerra Fria e a mudança do ambiente estratégico, a função dos Type A69 foi gradualmente transformada. Muitos perderam parte de seu armamento original mais pesado e passaram a ser empregados como Patrouilleurs de Haute Mer — patrulheiros de alto-mar —, assumindo missões de controle marítimo, combate a tráficos ilícitos, antipirataria, presença naval, fiscalização de zonas econômicas exclusivas, apoio a operações internacionais e cooperação com marinhas parceiras.

O Enseigne de vaisseau Jacoubet foi um dos representantes mais longevos dessa classe. Incorporado à Marine Nationale em 1982, o navio atravessou diferentes fases da política naval francesa: da vigilância antissubmarino da Guerra Fria às missões de segurança marítima, de presença em áreas de interesse estratégico e de apoio a operações multinacionais.

Seu nome homenageia André Jacoubet, aviador naval francês morto durante a Segunda Guerra Mundial. Como os demais navios da classe, o Jacoubet recebeu nome ligado a figuras militares francesas, reforçando a tradição da Marine Nationale de associar suas unidades de combate à memória de oficiais e combatentes de destaque.

Com cerca de 80 metros de comprimento, deslocamento na faixa de 1.200 toneladas e propulsão a diesel, os navios da classe d’Estienne d’Orves foram projetados para operar com tripulações reduzidas, boa autonomia e capacidade de permanecer em patrulha por períodos prolongados. A simplicidade relativa do projeto e sua robustez explicam a longa carreira desses navios, muitos dos quais permaneceram em serviço por décadas.

Ao longo de seus 44 anos de serviço, o Jacoubet atuou em áreas de grande importância estratégica para a França, incluindo o Mediterrâneo, o Atlântico, o Golfo da Guiné e rotas marítimas ligadas ao Canal de Suez. Suas 30 passagens por esse corredor estratégico ilustram a dimensão global de suas missões e a importância dos patrulheiros franceses na proteção dos interesses marítimos nacionais.

A marca de 1,3 milhão de milhas náuticas navegadas também demonstra o ritmo intenso de emprego do navio. Para uma unidade de seu porte, esse número representa uma carreira operacional excepcional, acumulada em missões de patrulha, exercícios, deslocamentos interteatros, operações de presença e participação em iniciativas internacionais de segurança marítima.

Nas últimas décadas, os PHM franceses tornaram-se instrumentos importantes da diplomacia naval da França. Embora menos visíveis que fragatas, porta-aviões ou submarinos nucleares, esses navios cumpriram papel essencial na manutenção da presença francesa em regiões distantes, realizando escalas, exercícios combinados e patrulhas em áreas sensíveis.■

Classe d’Estienne d’Orves / Type A69 – Principais Características
Categoria Dados principais
Classe d’Estienne d’Orves
Designação Type A69
Tipo original Aviso / escolta de patrulha com capacidade antissubmarino
Classificação posterior na França Patrouilleur de Haute Mer – PHM / patrulheiro de alto-mar
País de origem França
Marinha operadora original Marine Nationale
Estaleiro principal DCN / Arsenal de Lorient
Período de entrada em serviço Décadas de 1970 e 1980
Número construído 20 unidades, incluindo navios destinados à França e unidades exportadas ou transferidas
Concepção e missão
Missão original Guerra antissubmarino em águas costeiras, escolta, patrulha oceânica e vigilância das aproximações marítimas
Função na Guerra Fria Proteção de áreas marítimas sensíveis, escolta costeira e apoio à defesa contra submarinos em regiões de interesse francês
Função posterior Patrulha de alto-mar, presença naval, segurança marítima, combate a tráficos ilícitos, antipirataria, vigilância e cooperação internacional
Conceito de projeto Navio compacto, austero, robusto e econômico, com capacidade de operar em missões prolongadas de presença e patrulha
Dimensões e deslocamento
Deslocamento padrão Aproximadamente 1.100 toneladas
Deslocamento carregado Aproximadamente 1.270 toneladas
Comprimento total Cerca de 80 m
Comprimento entre perpendiculares Cerca de 76 m
Boca Cerca de 10,3 m
Calado Cerca de 5,3 m, conforme configuração e fonte
Propulsão e desempenho
Propulsão 2 motores diesel SEMT Pielstick 12 PC 2 V400
Potência Aproximadamente 12.000 bhp
Eixos 2 eixos propulsores
Velocidade máxima Cerca de 23 a 24 nós
Alcance Cerca de 4.500 milhas náuticas a 15 nós, conforme dados públicos
Autonomia Adequada a missões prolongadas de patrulha e presença naval
Tripulação
Complemento Cerca de 90 militares, variando conforme configuração e fase de serviço
Perfil de operação Tripulação relativamente reduzida para um navio oceânico armado, favorecendo baixo custo de operação
Sensores e sistemas
Radar de vigilância aérea e superfície Radar de busca aérea/superfície, com variações conforme modernizações e navio
Radar de navegação Radar de navegação para operação costeira e oceânica
Direção de tiro Sistema de controle de tiro associado ao canhão principal
Sonar Sonar de casco para missão antissubmarino na configuração original
Guerra eletrônica Equipamentos de apoio eletrônico e sistemas de contramedidas, variando conforme modernizações
Contramedidas Lançadores de despistadores/chaff e sistemas de autoproteção em algumas configurações
Armamento original típico
Canhão principal 1 canhão de 100 mm CADAM
Defesa antiaérea aproximada Canhões automáticos de 20 mm, conforme configuração
Mísseis antinavio 2 mísseis MM38 Exocet na configuração original de combate
Armamento antissubmarino Tubos lança-torpedos de 550 mm para torpedos antissubmarino na configuração original
Metralhadoras Metralhadoras leves ou pesadas adicionadas em configurações posteriores de patrulha
Observação Parte dos navios perdeu ou teve reduzido o armamento antinavio e antissubmarino após a conversão para patrulha de alto-mar
Aviação embarcada
Helicóptero Não possui hangar nem convoo orgânico para operação regular de helicópteros
Capacidade aérea Classe concebida como navio compacto de superfície, sem aviação embarcada orgânica
Navios e operadores
Operadores França, Argentina e Turquia, entre outros destinos de transferência/exportação
Unidades francesas Incluíram navios como d’Estienne d’Orves, Amyot d’Inville, Commandant de Pimodan, Commandant Ducuing, Commandant Birot, Commandant Bouan e Enseigne de vaisseau Jacoubet
Argentina Operou unidades conhecidas como classe Drummond
Turquia Recebeu navios ex-franceses, operados como classe Burak
Evolução e substituição
Reclassificação francesa Os navios remanescentes foram reclassificados como patrulheiros de alto-mar, refletindo a mudança de missão após a Guerra Fria
Missões recentes Segurança marítima, presença naval, patrulha oceânica, combate a ilícitos no mar e apoio a operações internacionais
Substituição Os Type A69 estão sendo gradualmente substituídos por novos Patrouilleurs Hauturiers da Marine Nationale
Legado Classe austera, durável e versátil, que passou de escolta antissubmarino da Guerra Fria a patrulheiro oceânico de presença e segurança marítima
Fontes abertas: Marine Nationale, SeaForces, GlobalSecurity e dados públicos sobre a classe d’Estienne d’Orves / Type A69

VEJA TAMBÉM:

Os avisos A69 classe d’Estienne d’Orves


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9 Comentários
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Dretor

Taca fogo se nao a MB vai querer comprar

Bernardo

Ia fazer essa piada, mas vocês foram mais rápidos hahaha

Brito

Vai que é sua MB..

Max Henrique

Já esperava que os cara ia comentar isso kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Patriota

Boa noite a todes,
Basta uma mão de tinta de estará em estado de novo!
Mais uma excelente oportunidade para a MB, onde seria muito útil para patrulhar a Baia de Guanabara.
Material de qualidade refinada e de bom gosto, como tudo que vem da França: não me deixam mentir os vinhos, os champanhes, queijos artesanais, os perfumes, os porta-aviões (alô SP), os artigos de alta-costura, as bolsas, os macarons, as mulheres, etc…
Há braços 

Aislan

Excelente opção para nossa valorosa Marinha do Brasil. Poderá passar por uma modernização de uns 10 anos no Arsenal de Guerra do RJ e depois ficar amarrado na Base Naval do RJ sem poder sair por falta de verba para comprar combustível e comida. Contém ironias e verdades….

Salomon

Que grande oportunidade para o Brasil!

Burgos

Se não me falha a memória a Argentina também já deu baixa no dela também.
Foi até publicado no naval 👍

De Sa

É uma aula e ensinamento aos almirantes, fins armarem os nossos Patrulhas adequadamente. Se não tem verba para Fragatas, corveta se destroyers. Que se façam 4 patrulhas por uma corveta Tamandaré. E armadas igual esse patrulheiro Francês, mísseis, torpedos e torpedos. + O radar da IACT com alcance de 480 km + MANSUP estendido de 450 km. Imaginem 40 Patrulheiros hiper armados…… Fora drones embarcados e armados….