Vittorio Veneto: o icônico cruzador porta-helicópteros da Marinha Italiana durante a Guerra Fria
O Vittorio Veneto (C550) foi um dos navios mais emblemáticos da Marina Militare italiana durante a Guerra Fria. Classificado como cruzador lançador de mísseis e porta-helicópteros, ele representou uma solução tipicamente europeia para um desafio estratégico da época: combinar defesa antiaérea, guerra antissubmarino, comando de força-tarefa e aviação embarcada em uma única plataforma.
Construído nos estaleiros de Castellammare di Stabia, o navio foi lançado ao mar em 5 de fevereiro de 1967 e entrou em serviço em 1969. Batizado em homenagem à Batalha de Vittorio Veneto, confronto decisivo da Primeira Guerra Mundial na frente italiana, o cruzador herdou um nome carregado de significado histórico para a Itália.

O Vittorio Veneto surgiu como evolução direta dos cruzadores porta-helicópteros da classe Andrea Doria. A Marinha italiana havia percebido que as duas unidades dessa classe representavam um avanço importante, mas ainda eram limitadas em deslocamento, em capacidade aérea e em operações em condições meteorológicas adversas. O novo navio deveria ser maior, mais capaz e mais adequado a missões de escolta oceânica.
A solução foi um cruzador de quase 180 metros de comprimento, com deslocamento em plena carga próximo de 9 mil toneladas, convés de voo à popa e hangar interno para helicópteros. Ao contrário de um navio-aeródromo convencional, o Vittorio Veneto não operava aeronaves de asa fixa. Sua aviação embarcada era composta por helicópteros, principalmente voltados à guerra antissubmarino.
Essa configuração refletia as prioridades da OTAN no Mediterrâneo durante a Guerra Fria. A Marinha Soviética ampliava sua presença no mar, e os submarinos tornavam-se uma ameaça central às linhas de comunicação marítima. Para a Itália, situada no coração do Mediterrâneo, era essencial contar com navios capazes de vigiar, proteger e comandar operações em áreas de grande importância estratégica.
O Vittorio Veneto era, portanto, ao mesmo tempo navio de comando, escolta antiaérea, plataforma antissubmarino e porta-helicópteros. Essa combinação o tornava uma unidade de grande prestígio na Marinha italiana, embora também revelasse as limitações típicas de navios híbridos, obrigados a conciliar funções distintas em um único casco.
A principal diferença em relação aos Andrea Doria estava no arranjo das instalações aéreas. O Vittorio Veneto possuía um convés de voo elevado à ré e um hangar abaixo dele, com elevadores para movimentar os helicópteros. Essa solução permitia operar um grupo aéreo maior do que o dos seus predecessores.
Dependendo da configuração, o navio podia embarcar até seis helicópteros pesados SH-3 Sea King ou até nove helicópteros AB-212. Esses meios permitiam ao cruzador ampliar seu raio de ação antissubmarino, lançar torpedos, realizar operações de busca e salvamento, apoiar operações de vigilância e conduzir missões de transporte ou ligação.
Na proa ficava o sistema de mísseis antiaéreos, originalmente baseado no lançador Mk 10 para mísseis Terrier, posteriormente substituídos por Standard SM-1ER. O mesmo lançador também podia empregar foguetes antissubmarino ASROC, reforçando a capacidade de ataque contra submarinos à distância.
O armamento do Vittorio Veneto seguia a tradição italiana de navios muito bem armados para seu porte. Além dos mísseis antiaéreos e ASROC, o cruzador recebeu canhões OTO Melara de 76 mm, sistemas antiaéreos de curto alcance, tubos de torpedo e, após modernização, mísseis antinavio Otomat. Essa combinação conferia ao navio capacidade de defesa em camadas e um poder ofensivo relevante no Mediterrâneo.
Entre 1981 e 1984, o Vittorio Veneto passou por uma modernização significativa. Foram atualizados sistemas eletrônicos, radares e equipamentos de combate, além da instalação de mísseis Otomat e de sistemas de defesa antiaérea de curto alcance DARDO. A modernização manteve o navio relevante em um período de rápida evolução tecnológica.
Durante grande parte de sua carreira, o Vittorio Veneto serviu como navio-almirante da Marinha italiana. Sua presença em exercícios, operações internacionais e missões de representação simbolizava a ambição italiana de manter uma marinha moderna, capaz de atuar em coalizões e defender os interesses do país em áreas marítimas estratégicas.
O navio também desempenhou um papel importante como plataforma de comando. Seu porte, comunicações e capacidade de aviação embarcada o tornavam adequado para liderar grupos navais, coordenar operações de escolta e apoiar missões multinacionais. No contexto da Guerra Fria, esse tipo de capacidade era essencial para uma marinha de porte médio inserida na estrutura da OTAN.
O Vittorio Veneto permaneceu como principal unidade de prestígio da esquadra italiana até a entrada em serviço do Giuseppe Garibaldi, em 1985. O Garibaldi representou um novo salto conceitual, pois era capaz de operar aeronaves V/STOL, inaugurando a era da aviação embarcada de asa fixa na Itália. Nesse sentido, o Vittorio Veneto foi uma ponte entre os cruzadores porta-helicópteros e os navios-aeródromos italianos modernos.
A carreira operacional do navio atravessou a fase final da Guerra Fria e os anos turbulentos do pós-Guerra Fria. Em 1997, participou da Operação Alba, missão multinacional liderada pela Itália para estabilizar a Albânia durante uma grave crise interna. Na ocasião, o Vittorio Veneto atuava como navio de comando da força naval.
Durante essa missão, o navio encalhou próximo ao porto de Vlorë, na Albânia, em meio a más condições meteorológicas. O incidente não provocou danos graves nem vítimas, mas marcou um episódio constrangedor na carreira de uma das unidades mais simbólicas da frota italiana.
Após a década de 1990, com o avanço da idade e a entrada em serviço de navios mais modernos, o Vittorio Veneto passou a desempenhar funções cada vez mais secundárias, incluindo atividades de treinamento. Em 2003 foi colocado na reserva e, em 29 de junho de 2006, oficialmente desarmado.
Por muitos anos, houve propostas para preservar o navio como museu, o que teria permitido manter viva a memória de uma das unidades mais importantes da Marinha Italiana do pós-guerra. No entanto, o projeto não avançou. Em 2021, o antigo cruzador deixou Taranto rebocado para a Turquia, onde foi desmontado em Aliaga.
O fim do Vittorio Veneto causou tristeza entre entusiastas navais e antigos tripulantes. Para muitos italianos, o navio representava uma fase de afirmação tecnológica e estratégica da Marina Militare Italiana, além de um período em que o país buscava maior protagonismo naval no Mediterrâneo.

| Cruzador Porta-Helicópteros Vittorio Veneto (C550) – Principais Características | |
|---|---|
| Categoria | Dados principais |
| Nome | Vittorio Veneto |
| Indicativo visual | C550 |
| Tipo | Cruzador lançador de mísseis porta-helicópteros / cruzador antissubmarino |
| Marinha | Marina Militare – Marinha Militar Italiana |
| País | Itália |
| Estaleiro | Cantieri Navali di Castellammare di Stabia, Nápoles |
| Batimento de quilha | 1965 |
| Lançamento | 1967 |
| Entrega / entrada em serviço | 1969 |
| Situação final | Colocado em reserva em 2003; desarmado em 2006; posteriormente enviado para desmontagem |
| Missão e conceito operacional | |
| Missão principal | Guerra antissubmarino, defesa antiaérea de área, comando de força-tarefa e apoio a operações navais no Mediterrâneo |
| Conceito | Navio híbrido, combinando mísseis antiaéreos, capacidade antissubmarino, sensores de longo alcance e grupo aéreo embarcado de helicópteros |
| Origem do projeto | Evolução ampliada dos cruzadores porta-helicópteros da classe Andrea Doria |
| Navio-irmão planejado | Italia, cancelado antes da construção |
| Dimensões e deslocamento | |
| Comprimento | 179,6 m |
| Boca | 19,42 m |
| Calado / imersão | 4,7 m segundo dados da Marina Militare; cerca de 6 m em algumas fontes abertas |
| Deslocamento | 7.500 t em plena carga segundo a Marina Militare; algumas fontes internacionais citam cerca de 9.550 t em plena carga |
| Convés de voo | Convés de voo à ré, projetado para operações de helicópteros antissubmarino |
| Hangar | Hangar interno sob o convés de voo, com elevadores para movimentação dos helicópteros |
| Propulsão e desempenho | |
| Caldeiras | 4 caldeiras Ansaldo-Foster Wheeler |
| Turbinas | 2 grupos turborredutores Tosi |
| Eixos | 2 eixos com hélices pentapás |
| Potência | 73.000 hp |
| Velocidade máxima | Cerca de 30 a 32 nós, conforme a fonte |
| Autonomia | Aproximadamente 5.000 milhas náuticas |
| Tripulação | Cerca de 557 militares, incluindo aproximadamente 53 oficiais |
| Sensores e sistemas eletrônicos | |
| Radar de busca aérea 3D | AN/SPS-52 |
| Radar de busca aérea de longo alcance | SPS-768 / RAN-3L |
| Radar de busca de superfície | SPQ-2 |
| Controle de tiro de mísseis | 2 radares SPG-55 para guiagem dos mísseis Terrier / Standard |
| Controle de tiro de artilharia | Radares Orion 10X e Orion 20X |
| Radar de navegação | 1 radar de navegação |
| Sonar | AN/SQS-23 de casco, para busca e ataque antissubmarino |
| Sistema de combate | SADOC 1, posteriormente atualizado para SADOC 2 |
| Guerra eletrônica | Sistemas ECM/ESM, TACAN e lançadores de despistadores SCLAR |
| Armamento original | |
| Mísseis antiaéreos | 1 lançador duplo Mk 10 para mísseis RIM-2 Terrier |
| Arma antissubmarino de longo alcance | Capacidade de lançamento de foguetes/mísseis antissubmarino ASROC pelo lançador Mk 10 |
| Artilharia | 8 canhões OTO Melara de 76 mm/62 em reparos simples |
| Torpedos | 2 lançadores triplos de torpedos leves de 324 mm |
| Armamento após modernização | |
| Mísseis antiaéreos | Mísseis Standard SM-1ER, substituindo os Terrier |
| Mísseis antissubmarino | RUR-5 ASROC |
| Mísseis antinavio | 4 lançadores para mísseis Otomat Mk 2 / Teseo |
| Defesa de ponto | 3 reparos duplos OTO Melara DARDO de 40 mm/L70 |
| Artilharia secundária | 8 canhões OTO Melara de 76 mm/62 mantidos como defesa antiaérea e de superfície |
| Torpedos leves | 2 lançadores triplos de 324 mm para emprego antissubmarino |
| Grupo aéreo | |
| Configuração oficial citada | 6 helicópteros AB-212/ASW ou 4 SH-3D Sea King |
| Capacidade máxima citada em fontes abertas | Até 9 helicópteros leves AB-204/AB-212 ou até 6 helicópteros pesados AB-61/SH-3D |
| Tipos associados | Agusta-Bell AB-204, AB-212 ASW e Sikorsky/Agusta SH-3D Sea King |
| Funções aéreas | Guerra antissubmarino, busca e salvamento, vigilância marítima, ligação, transporte e apoio a operações navais |
| Instalações de aviação | Convés de voo à ré, hangar interno e dois elevadores para movimentação das aeronaves entre o hangar e o convoo |
| Avaliação histórica | |
| Papel na frota italiana | Foi uma das principais unidades da Marina Militare durante a Guerra Fria e serviu por longo período como navio-almirante da esquadra |
| Pontos fortes | Boa combinação de defesa antiaérea, guerra antissubmarino, helicópteros embarcados, sensores avançados para a época e capacidade de comando |
| Limitações | Projeto híbrido sem aeronaves de asa fixa, dependência de propulsão a vapor e necessidade de modernizações para manter relevância operacional |
| Legado | Serviu como ponte entre os cruzadores porta-helicópteros Andrea Doria e os navios-aeródromos italianos posteriores, como Giuseppe Garibaldi, Cavour e Trieste |
| Fontes abertas: Marina Militare, Naval Encyclopedia, GlobalSecurity, Navalanalyses e bases navais especializadas. Dados podem variar conforme a configuração do navio antes e depois das modernizações. | |












Lindo, os italianos sabem até hoje construir belos navios, vide a Classe Carlo bergamini
Que navio lindo! Literalmente uma “belonave”. Não é só Ferrari, os caras sabem fazer navio bonito (vide os Littorio).
Eu tinha uma ideia maluca a respeito desse navio, clona-lo no Brasil.
Com a chegada das FCN e a consequente baixa dos “Gearing” e “Allen Summer” na MB, a versão maluca seria construída usando a planta motriz, armamento e sensores desses navios desativados.
Assim seria possível manter algum elemento aéreo embarcado, na forma dos diversos helicópteros de nossa Aviação Naval, qndo das diversas indisponibilidades do NAeL “Minas Gerais”.