Coreia do Norte incorpora o destróier ‘Choe Hyon’, maior navio de guerra já construído pelo país
Navio de 5 mil toneladas marca nova fase da Marinha norte-coreana e reforça ambição de Pyongyang de desenvolver uma força naval com capacidade estratégica
A Coreia do Norte incorporou oficialmente à sua Marinha o destróier Choe Hyon, primeiro navio de sua classe e a maior embarcação de guerra já construída pelo país. A cerimônia de comissionamento ocorreu em 23 de junho, no porto de Nampo, na costa oeste norte-coreana, com a presença do líder Kim Jong-un.
O navio, identificado pelo numeral 51, desloca cerca de 5.000 toneladas e representa um salto significativo para uma força naval historicamente concentrada em meios costeiros, submarinos convencionais, lanchas rápidas, corvetas, embarcações de patrulha e plataformas assimétricas.
Segundo a mídia estatal norte-coreana, o Choe Hyon passou por uma série de testes operacionais antes de ser entregue à frota. Kim Jong-un declarou que a incorporação do navio simboliza uma mudança no papel, no status e no alcance operacional da Marinha Popular da Coreia.
Destróier multipropósito com mísseis guiados
O Choe Hyon é descrito como um destróier multipropósito de mísseis guiados, concebido para missões de defesa aérea, ataque antinavio, guerra antissubmarino e ataque contra alvos terrestres. Imagens divulgadas por fontes norte-coreanas e analisadas por especialistas indicam a presença de lançadores verticais, mísseis antinavio, sistemas de defesa de ponto, radar de busca e sensores modernos para o padrão histórico da frota norte-coreana.
Pyongyang afirma que o navio pode empregar mísseis de cruzeiro e outros armamentos de longo alcance. A mídia estatal também associou o novo destróier à chamada “nuclearização” da Marinha norte-coreana, expressão usada pelo regime para indicar a integração de meios navais à estratégia de dissuasão nuclear do país.
A capacidade real do navio, no entanto, ainda é objeto de cautela entre analistas estrangeiros. Embora o Choe Hyon represente visualmente um avanço expressivo, permanecem dúvidas sobre a maturidade de seus sensores, sistemas de combate, integração de armas, treinamento de tripulação e capacidade de operar de forma sustentada em mar aberto.
Kim quer dois navios de 5.000 toneladas por ano
Durante a cerimônia, Kim Jong-un afirmou que a Coreia do Norte deve construir dois navios de guerra de 5.000 toneladas por ano nos próximos cinco anos. O objetivo declarado é acelerar a modernização da Marinha e superar aquilo que o próprio líder norte-coreano descreveu como uma fraqueza histórica do poder naval do país.
Kim também mencionou a necessidade de desenvolver navios de maior deslocamento, incluindo plataformas de 10.000 toneladas, classificadas por Pyongyang como “estratégicas”. No vocabulário militar norte-coreano, o termo frequentemente está associado a sistemas de armas com potencial nuclear ou de ataque de longo alcance.
A meta, se cumprida, representaria uma expansão sem precedentes da frota de superfície norte-coreana. Entretanto, a capacidade industrial do país, as restrições impostas por sanções internacionais e a complexidade de integrar sensores, armas e sistemas de comando em navios modernos colocam dúvidas sobre o ritmo real do programa.
Segunda unidade e acidente no lançamento
O Choe Hyon é o primeiro navio operacional de uma nova classe de destróieres norte-coreanos. Uma segunda unidade, chamada Kang Kon, também faz parte do programa, mas sofreu um acidente durante procedimento de lançamento, quando a embarcação parcialmente adernou e ficou danificada.
Segundo relatos recentes, o Kang Kon foi posteriormente recuperado e reparado, devendo seguir para testes e eventual incorporação. O episódio expôs os riscos técnicos enfrentados por Pyongyang ao tentar acelerar a construção de navios maiores e mais complexos do que os tradicionalmente operados pela Marinha norte-coreana.
Apesar do acidente, o regime tem usado o programa como vitrine de modernização militar, exibindo os novos navios em cerimônias públicas, visitas de Kim Jong-un e testes de armamentos.
Sinal estratégico para Coreia do Sul, Japão e EUA
A incorporação do Choe Hyon ocorre em um momento de crescente tensão na Península Coreana e no Indo-Pacífico. A Coreia do Norte tem ampliado testes de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, sistemas hipersônicos e plataformas de lançamento diversificadas, incluindo submarinos e agora navios de superfície de maior porte.
Para Seul, Tóquio e Washington, o novo destróier adiciona uma dimensão marítima à ameaça norte-coreana. Um navio de superfície equipado com mísseis de longo alcance poderia ampliar a flexibilidade operacional de Pyongyang, ainda que sua sobrevivência em um conflito de alta intensidade contra forças sul-coreanas, japonesas e americanas seja questionável.
A Marinha norte-coreana sempre foi considerada o ramo mais limitado das Forças Armadas do país. A entrada em serviço do Choe Hyon indica que Kim Jong-un pretende alterar esse quadro, dando à frota um papel mais relevante na estratégia de dissuasão, na defesa costeira avançada e na capacidade de ataque regional.
Possível apoio russo sob observação
Autoridades sul-coreanas e analistas ocidentais têm levantado a possibilidade de que a Coreia do Norte tenha recebido assistência externa, especialmente da Rússia, em áreas como projeto naval, sensores, integração de sistemas ou tecnologias de mísseis. Moscou e Pyongyang estreitaram significativamente sua cooperação militar nos últimos anos, em meio à guerra na Ucrânia e ao isolamento internacional de ambos os países.
Ainda não há confirmação pública de que o Choe Hyon tenha incorporado diretamente tecnologia russa, mas a velocidade do avanço naval norte-coreano despertou atenção entre serviços de inteligência e especialistas em defesa.
Mesmo que a plataforma ainda apresente limitações operacionais, sua incorporação tem forte valor político e estratégico. Para Kim Jong-un, o novo destróier simboliza a tentativa de transformar uma marinha costeira em uma força capaz de operar com maior alcance, maior poder de fogo e maior integração à doutrina nuclear do regime.
Com o Choe Hyon, a Coreia do Norte entra em uma nova etapa de sua modernização naval. O impacto militar concreto dependerá da capacidade de Pyongyang de produzir novas unidades, treinar tripulações, manter os navios operacionais e integrar seus sistemas de armas de forma confiável. Mas, do ponto de vista simbólico e estratégico, a mensagem já foi enviada: o regime quer levar sua dissuasão também para o mar.
FONTE: KCNA / USNI News / Reuters / AP / CSIS




Pessoal se armando no mundo todo e o b… só quer saber de cachaça e futebol.
E tem coisa melhor, menino?
A vida é uma só.
Só quem se arrisca merece viver o extraordinário.
Pintura ao estilo dos navios russos.
Navio bonito e pintura elegante. De onde eles conseguiram o canhão? Canhão naval é uma tecnologia complexa feira por poucos.
Provavelmente produção ou exportado da china ou Rússia.
A Coreia do norte pode se dar ao luxo de de construir uma fábrica ou linha de montagem quase artesanal para fabricar 20 canhões se ela achar que precisa e não tiver comi comprar; são comunistas, isolados e sob uma ditadura, não precisam se preocupar com escala de produção para redução de custo e preço para venda ao exterior!
Olha, eu tiro o chapéu para a estratégia norte coreana. Questionem-se os métodos, mas os fins militares são notáveis.