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USS Halsey Powell (DD-686) navegando em 23 de setembro de 1962

 

Este é o segundo de uma série de artigos do Capitão Stewart detalhando as especificações técnicas, a tripulação e as operações dos contratorpedeiros da classe Fletcher da Marinha dos Estados Unidos

Por Capitão George Stewart, USN (RET)

Meu artigo anterior — leia a Parte 1 aqui — apresentou uma visão geral do altamente bem-sucedido contratorpedeiro da classe Fletcher da Marinha dos EUA. Neste artigo, tentarei descrever como um contratorpedeiro da Segunda Guerra Mundial era tripulado e organizado. Espero que isso ofereça alguma compreensão sobre as funções desempenhadas pelos tripulantes durante a guerra. Minha primeira designação na Marinha foi como Oficial de Máquinas do USS Halsey Powell (DD 686), um contratorpedeiro da classe Fletcher, e minhas experiências nesse navio formam a base desta série sobre os Fletcher.

O Tenente George Stewart, do livro de bordo da viagem de 1958 do USS Halsey Powell.

Esta discussão está centrada na organização do navio como eu a recordo entre 1956 e 1959. Havia algumas diferenças entre a forma como os navios eram organizados em 1956 e como eram organizados durante a guerra. Uma razão importante para essas diferenças foi a maior dependência do radar que se desenvolveu durante a guerra e o estabelecimento do Centro de Informações de Combate — Combat Information Center, ou CIC. Essas diferenças serão descritas ao longo do texto. Note-se que os termos “é” e “era” são usados de forma intercambiável nesta discussão, porque muitas dessas práticas ainda existem hoje.

Os contratorpedeiros da classe Fletcher tinham uma tripulação de guerra de 329 pessoas. Esse número era necessário para permitir a guarnição contínua, 24 horas por dia, dos reparos de canhões, equipes de reparo e outros postos de serviço. A tripulação em tempo de paz era composta por 14 oficiais e 236 praças. Cerca de 12 desses praças eram Chief Petty Officers. A filosofia naval daqueles dias era guarnecer os navios com grande número de pessoas, fazendo pouco uso de controles automáticos ou outros dispositivos economizadores de mão de obra. Grande parte dessa filosofia era uma herança dos tempos dos navios a vela. A filosofia em tempo de guerra era essencialmente a de que “mão de obra era mais barata que tecnologia”.

O Comandante — Commanding Officer, ou CO — de um contratorpedeiro em condições de tempo de paz normalmente é um Commander (Capitão de Fragata) com 15 a 18 anos de serviço como oficial comissionado. Durante a Segunda Guerra Mundial, o comandante frequentemente era um Lieutenant Commander (Capitão de Corveta) com muito menos experiência. Servi sob um Comandante de Esquadrão de Contratorpedeiros em 1963-64 que havia sido Comandante do USS Hazlewood (DD 531), um contratorpedeiro da classe Fletcher, em 1945, como Lieutenant Commander, quando tinha apenas cinco anos de formado pela Academia Naval.

Independentemente da patente, o Comandante era sempre chamado de “Captain”. Ele assumia responsabilidade total pelo navio e tinha autoridade correspondente sobre todos a bordo. Estava sempre de prontidão quando o navio estava no mar. Tinha poderes disciplinares não judiciais sobre todo o pessoal sob seu comando — o chamado “Captain’s Mast” — ou podia convocar uma corte marcial sumária ou especial. Seu superior direto na cadeia de comando era o comandante do esquadrão ou da divisão, que normalmente era um Captain com o título honorário de “Commodore”. Se o navio fosse designado como capitânia, havia acomodações a bordo para o Commodore e seu estado-maior.

O Imediato — Executive Officer, ou XO — é o segundo em comando no navio. Ele funciona como administrador do navio e tem responsabilidade geral por todo o pessoal a bordo. O XO é a pessoa responsável por fazer as coisas acontecerem. Ele promulga o plano do dia e supervisiona praticamente todas as evoluções. Normalmente, não tira quarto de serviço em navegação. Em muitos navios menores, ele costuma acumular a função de navegador do navio. Falaremos mais sobre isso adiante. O XO muitas vezes é o “vilão” residente na praça-d’armas, porque muitos comandantes gostam de jogar o esquema do “bom policial/mau policial”.

Frequentemente, um oficial subalterno era designado como Oficial Administrativo ou Secretário do Navio, acumulando a função de Oficial da Divisão X. O pessoal do escritório do navio, como Yeoman (YN), Personnelmen (PN) e o Postal Clerk (PC) do navio, era designado para essa divisão.

A força de Master at Arms do navio se reporta diretamente ao Imediato. São suboficiais graduados que funcionam como a polícia do navio. Em um navio pequeno, essa geralmente é uma função colateral. A bordo do Halsey Powell, o Chief Boatswain’s Mate também atuava como Chief Master at Arms.

O Hospital Corpsman (HM) do navio também normalmente se reportava diretamente ao Imediato. A bordo de um contratorpedeiro, o Chief Hospital Corpsman — HMC, chamado de “Doc” — era o único militar da área médica designado, embora houvesse um médico do esquadrão que embarcava na capitânia e estava disponível para aconselhamento. Durante a Segunda Guerra Mundial, essa especialidade era chamada de “Pharmacist’s Mate”.

O Navegador é responsável por determinar a posição do navio e fazer recomendações ao comandante quanto ao rumo de ação apropriado. Ele é auxiliado pelo pessoal da especialidade Quartermaster (QM). Em alguns navios, um oficial subalterno é designado como navegador. Mas em contratorpedeiros e navios menores, o Imediato frequentemente acumula a função de navegador. Durante meus dois períodos como XO, servi como navegador.

Uma das razões para isso era que me mantinha envolvido no quadro operacional. Além disso, como minha principal experiência era em máquinas, isso serviu como excelente preparação para o comando. Em contratorpedeiros da época da Segunda Guerra Mundial, a navegação era feita por métodos celestes, marcações visuais de objetos em terra ou radiogoniômetro. Com a introdução do radar, outro método útil tornou-se disponível quando o navio estava dentro do alcance radar da costa. Os radiogoniômetros acabaram sendo substituídos pelo Loran A. Naturalmente, os navios de hoje são equipados com GPS, Electronic Chart Display — ECDIS — e outros equipamentos mais avançados.

Abaixo desse nível, o navio era organizado em departamentos. Havia três grandes departamentos operacionais: Operações, Artilharia e Máquinas. A bordo de contratorpedeiros, todos eram cargos de Lieutenant (Tenentes). No entanto, em 1956 havia uma escassez aguda de Lieutenants na Marinha e, portanto, cada navio recebia apenas um, que invariavelmente era designado como Oficial de Operações e Oficial de Quarto Sênior. Isso tornava necessário preencher os cargos de Oficial de Artilharia e Oficial de Máquinas com promoções internas a bordo — “fleet-ups” — geralmente no posto de Lieutenant (jg). Isso teria grande impacto em minha própria carreira na Marinha. Essa prática não existe mais hoje. Um contratorpedeiro de esquadra normalmente terá os três principais cargos de chefia de departamento preenchidos por um Lieutenant Commander ou por um Lieutenant bastante experiente.

Os chefes de departamento se reportavam ao XO para todos os assuntos administrativos relacionados aos seus departamentos. Sempre se enfatizava que o XO também deveria ser mantido informado sobre questões operacionais. No entanto, os chefes de departamento respondiam diretamente ao Comandante por todos os assuntos puramente operacionais relativos a seus departamentos.

O cargo de Oficial de Operações não existia especificamente no início da Segunda Guerra Mundial. A necessidade de um departamento separado responsável pela coleta, exibição e disseminação de informações de combate e inteligência tornou-se evidente à medida que o uso do radar aumentou e o Centro de Informações de Combate — CIC — foi estabelecido como o centro nervoso do navio. Assim, as funções do Oficial de Comunicações, do Oficial do CIC e do Oficial de Material Eletrônico — Electronic Material Officer, ou EMO — foram todas colocadas sob o Oficial de Operações. As Comunicações anteriormente eram um departamento independente, e os reparos eletrônicos pertenciam ao Chefe de Máquinas.

Em 1956, o Oficial de Operações havia evoluído para o principal conselheiro do Comandante em assuntos operacionais. Ele era responsável por ler e interpretar todas as ordens de operação — OP-Orders — e determinar o que o navio deveria fazer em seguida. O cargo normalmente era atribuído a um Lieutenant com quatro ou cinco anos de serviço no mar. Como Oficial de Quarto Sênior, tinha a responsabilidade pelo treinamento e pela designação de oficiais subalternos e, em alguns casos, de CPOs, para postos de quarto em navegação e no porto. No Halsey Powell, nosso Oficial de Operações também era designado como navegador, embora essa não fosse uma prática universal a bordo de contratorpedeiros.

O Departamento de Operações normalmente era dividido em três divisões, cada uma chefiada por um Oficial de Divisão, normalmente um Ensign ou Lieutenant (jg).

Divisão OC

Era chefiada pelo Oficial de Comunicações. Esse oficial era responsável por todas as formas de comunicações externas, tanto por rádio quanto visuais. Ele também normalmente era designado como custodiante das publicações classificadas e das instalações de criptografia. Todos os oficiais da praça-d’armas tinham de cumprir sua vez no serviço de criptografia, que envolvia entrar na sala de criptografia, preparar a máquina criptográfica inserindo um conjunto de rotores correspondente à data e à hora e datilografar a mensagem. Eu detestava esse serviço até nosso desdobramento ao Extremo Oriente em 1958, quando fui o decodificador de uma mensagem informando que o desdobramento de seis meses havia terminado e ordenando nosso retorno a San Diego. As especialidades subordinadas ao Oficial de Comunicações eram:

Radioman (RM) – Responsável por todos os meios eletrônicos de comunicações externas. Os métodos disponíveis incluíam rádio de voz, teletipo e a antiquada chave de Código Morse.

Signalman (SM) – Esses militares tiravam quarto na ponte de sinais. Eram responsáveis pelas comunicações visuais entre navios por luz intermitente, içamento de bandeiras ou semáforo.

Quartermaster (QM) – A única razão pela qual essas pessoas eram designadas para essa divisão a bordo do Halsey Powell era o fato de o Oficial de Operações também ser o navegador. Quartermasters desempenham uma variedade de funções na ponte. Além de prestar assistência ao navegador, mantêm o Diário de Convés enquanto o navio está navegando e coordenam várias outras funções da ponte. Frequentemente, as funções de timoneiro ao entrar e sair do porto ou durante reabastecimento em andamento são atribuídas a um Quartermaster.

Divisão OI

Era chefiada pelo Oficial do CIC, auxiliado pelo Oficial de Material Eletrônico — EMO. Essa divisão incluía:

Radarman (RD) – Esta era uma nova especialidade criada durante a Segunda Guerra Mundial. Os RDs tiravam quarto no Centro de Informações de Combate — CIC. O CIC incluía repetidores de radar, rádios de voz, equipamentos de guerra eletrônica, mesas de plotagem, instalações de registro etc. Havia instalações para coleta, exibição, avaliação e disseminação de informações e para fazer recomendações apropriadas ao comando — e, em alguns casos, ao controle de armas. Durante operações rotineiras de navegação, o CIC era responsável pela navegação radar, pelo acompanhamento de contatos de superfície de rotina e por fazer recomendações apropriadas ao Oficial de Serviço no Convés. Nessas condições, era designado um Oficial de Quarto do CIC — CIC Watch Officer, ou CICWO. Essa função normalmente recaía sobre os três Ensigns mais modernos da praça-d’armas. Eu não gostava dessa prática e sempre me certifiquei de que oficiais mais experientes fossem designados para essas funções quando eu próprio me tornei comandante.

Electronics Technician (ET) – Esses marinheiros eram responsáveis pela manutenção de todos os equipamentos de comunicações externas, navegação e radar. Não tiravam quartos regulares, mas eram as pessoas chamadas quando algo deixava de funcionar corretamente. Durante a Segunda Guerra Mundial, essas funções pertenciam ao Chefe de Máquinas. Mas, em 1956, já eram mais apropriadamente atribuídas ao Departamento de Operações.

Nota: mais tarde, o nome da especialidade Radarman (RD) foi alterado para Operations Specialist (OS).

Oficial de Artilharia

O Oficial de Artilharia — ou “Gun Boss” — era responsável pela operação e manutenção de todo o armamento do navio, além de todos os assuntos relacionados à marinharia de convés. Em anos posteriores, com o advento dos mísseis, o título desse cargo tornou-se “Weapons Officer”. O Departamento de Artilharia a bordo do Halsey Powell incluía três divisões: Primeira Divisão — Convés; Segunda Divisão — Canhões; e Divisão Fox — Controle de Tiro, Sonar e Armamento Antissubmarino.

Primeira Divisão

A Primeira Divisão era chefiada pelo First Lieutenant. Essa divisão era responsável por todas as evoluções de marinharia de convés, como fundeio, amarração, operação e manuseio de embarcações e, por último, aparência externa. Durante a Segunda Guerra Mundial, o First Lieutenant atuava como chefe de departamento e também era responsável pelo controle de avarias. Mas, em 1956, essa responsabilidade havia sido transferida para o Chefe de Máquinas. O First Lieutenant provavelmente era mais criticado que qualquer outro oficial, porque tudo o que seu pessoal fazia era prontamente visível, e a maioria dos comandantes e imediatos se preocupava muito com a aparência externa, às vezes em excesso. A Primeira Divisão fornecia a maioria dos militares que tiravam quarto na ponte e das guarnições dos canhões. As especialidades designadas à divisão incluíam:

Boatswain’s Mates (BM) – Esta era geralmente considerada a especialidade de praças mais antiga da Marinha, uma tradição provavelmente transmitida desde os tempos da vela. Esperava-se que o Chief Boatswain’s Mate — BMC — fosse o marinheiro mais capaz a bordo. Frequentemente, ele recebia funções adicionais como Chief Master at Arms — o principal policial do navio. Os demais BMs graduados geralmente recebiam seções individuais do navio para manter. Essa era uma designação muito prestigiosa, e esses Petty Officers geralmente exerciam bastante autoridade sobre os marinheiros mais modernos e sem especialidade da divisão.

Seaman/Seaman Apprentice (SN/SA) – Isto requer alguma explicação. Esses marinheiros geralmente eram chamados de pessoal “sem especialidade” e podiam ser designados para funções em qualquer uma das divisões que não fossem de máquinas. A maioria era designada para a Força de Convés. Todos os marinheiros inicialmente frequentavam o Boot Camp, onde tinham a graduação de Seaman Recruit — SR. Após a formatura no Boot Camp, eram designados como Seaman Apprentice. Depois de um ano a bordo, eram promovidos ao grau de Seaman — SN —, a partir do qual podiam “strike for”, isto é, candidatar-se ou encaminhar-se para outra especialidade. Alguns SAs eram enviados para escolas avançadas de uma especialidade específica e chegavam a bordo como “Designated Strikers”, como GMSN, RMSN etc. A maioria dos “Non-Designated Strikers” era designada para a Força de Convés, onde passava boa parte do tempo tirando quartos na ponte em navegação, participando de evoluções de marinharia ou raspando tinta. Aqueles marinheiros que escolhiam o caminho de máquinas eram designados Fireman Recruit, Fireman Apprentice e Fireman. Seguiam exatamente o mesmo percurso, mas eram designados apenas para o Departamento de Máquinas.

Segunda Divisão

A Segunda Divisão era chefiada pelo Oficial de Artilharia Assistente. Os marinheiros dessa divisão eram responsáveis pela operação e manutenção de todo o armamento do navio e pelo armazenamento da munição, exceto torpedos e armamento antissubmarino. A única especialidade nessa divisão era Gunner’s Mate (GM). Como o navio tinha oito reparos de canhões e apenas cerca de uma dúzia de Gunner’s Mates, a maior parte do pessoal que guarnecia os canhões e os paióis era, na verdade, composta por marinheiros de convés. Pelo menos um GM era designado para cada reparo como Mount Captain, e outro ficava encarregado das operações de carregamento. O Chief Gunner’s Mate — GMC — normalmente atuava como solucionador de problemas itinerante.

Divisão Fox

Essa divisão era chefiada pelo Oficial de Controle de Tiro ou pelo Oficial Antissubmarino, dependendo de quem fosse o mais antigo. Ela continha uma variedade de especialidades, incluindo:

Fire Control Technician (FT) – Responsável pela operação e manutenção de todos os sistemas de controle de tiro do navio, incluindo radar de controle de tiro, computador e sistemas de transmissão elétrica.

Torpedoman (TM) – Responsável pela operação e manutenção dos torpedos, cargas de profundidade e Hedgehogs do navio.

Sonarman (SO) – Responsável pela operação e manutenção do sonar do navio.

Oficial de Máquinas

Essa era minha designação. O Chefe de Máquinas tem responsabilidade pela operação da planta de máquinas do navio, geração e distribuição elétrica, maquinaria auxiliar e comunicações internas. Após a Segunda Guerra Mundial, também assumiu do First Lieutenant a responsabilidade pelo controle de avarias e pela manutenção do casco abaixo dos conveses.

Se alguma vez houvesse dúvida sobre quem era responsável por determinado equipamento no navio, ele pertencia ao Chefe de Máquinas. Ele também era responsável pela coordenação de revisões em estaleiro ou períodos de manutenção ao lado de um tender. Seus principais assistentes eram o Main Propulsion Assistant — MPA — e o Damage Control Assistant — DCA. Seu escritório era chamado de “Log Room”, e ele designava um jovem marinheiro inteligente como “Log Room Yeoman” para ajudar com a papelada.

Os maquinistas eram sempre chamados de “Snipes”. Esse termo teve origem na Marinha Britânica, quando um almirante visitante disse que a praça de máquinas de um encouraçado se parecia com um “snipe marsh” — um brejo de narcejas.

O Main Propulsion Assistant — MPA — na verdade supervisionava duas divisões, B e M. As especialidades designadas a essas divisões eram as seguintes:

Boiler Technician (BT) – Esse era um nome elegante para o que era chamado de “Water Tender” na antiga Marinha movida a carvão. A especialidade BT era responsável pela operação e manutenção das caldeiras do navio e de todos os equipamentos associados nas duas praças de caldeiras. Normalmente, metade dos marinheiros dessa divisão era designada para cada compartimento. Um Petty Officer era designado como “Oil King”. Ele era responsável por todas as operações de transferência de combustível, além de testes químicos e tratamento da água das caldeiras do navio. Normalmente, ele não tirava quarto e geralmente recebia pelo menos um assistente em tempo integral. Todos os registros de tratamento da água das caldeiras e uso de combustível eram mantidos em um escritório chamado “Oil Shack”. A especialidade BT era considerada uma das mais quentes e sujas da Marinha.

Machinist’s Mate (MM) – Essa especialidade era responsável pela operação e manutenção de todos os equipamentos nas duas praças de máquinas principais. As condições de trabalho eram semelhantes, mas não tão ruins quanto nas praças de caldeiras. Normalmente tínhamos dois ou três Chief Machinist’s Mates — MMC — designados. Chief ou Petty Officers de primeira classe dessa especialidade normalmente eram designados para funções de Engineering Officer of the Watch — EOOW — na Praça de Máquinas de Vante, onde eram diretamente responsáveis pela operação da planta de máquinas durante seu quarto.

Fireman (FN) e Fireman Apprentice (FA) – Esses homens sem especialidade eram designados a critério do Chefe de Máquinas.

O Damage Control Assistant — DCA — era responsável pela Divisão R. Era uma divisão muito diversificada, composta por várias especialidades.

Shipfitter (SF) e Damage Controlmen (DC) formavam o grupo de Controle de Avarias do navio. Esse grupo era responsável por todos os acessórios gerais do casco, como portas e escotilhas estanques, fechamentos do sistema de ventilação, encanamento geral etc. Normalmente, esse grupo tinha um ou mais soldadores qualificados designados. O grupo também era responsável por todos os equipamentos de combate a incêndio e esgotamento.

Machinery Repairman (MR) era responsável pela Oficina de Máquinas. Normalmente, ele era o único operador de torno qualificado a bordo.

O Auxiliary Group, ou A Gang, era composto por Machinist’s Mates (MM) e Enginemen (EN). Os Enginemen eram especialistas em motores diesel, responsáveis pelos motores das embarcações e pelo gerador diesel de emergência. A A Gang cuidava do aparelho de governo, dos sistemas de aquecimento e ventilação — hoje também ar-condicionado —, maquinaria de convés, equipamentos da lavanderia e da cozinha, sistemas de refrigeração e provavelmente algumas outras coisas das quais me esqueci.

Electrician’s Mates (EM) – Eram responsáveis por todo o sistema elétrico e de distribuição do navio, incluindo todos os equipamentos de força e iluminação.

Interior Communications Electricians (IC) eram responsáveis por todos os equipamentos de comunicações internas, incluindo telefones, sistemas de indicação e alarme, sistemas de fonoclama e a girobússola do navio.

Oficial de Abastecimento

O Oficial de Abastecimento também tinha status de chefe de departamento. Ao contrário dos demais oficiais da praça-d’armas, que eram todos oficiais de linha geral, o Oficial de Abastecimento normalmente era um Lieutenant (j.g.) ou Ensign do Corpo de Abastecimento. Os oficiais de abastecimento eram todos chamados de “Pork Chops”, por causa do formato de sua insígnia. Esse oficial não tirava quartos em navegação. Mas tinha grande responsabilidade. As áreas sob sua competência incluíam serviço de alimentação, lavanderia, loja do navio, pagamentos, consumíveis e peças sobressalentes. Ele era diretamente responsável por todos os gastos de fundos do governo. As especialidades do Departamento de Abastecimento incluíam:

Storekeeper (SK) – Responsável por garantir que as quantidades necessárias de peças sobressalentes e consumíveis estivessem a bordo e por manter os registros exigidos.

Commissaryman (CS) – Eram os cozinheiros do navio. Obviamente, eram as pessoas com maior probabilidade de receber críticas dos outros tripulantes por seus esforços — ou pela falta deles. O CS responsável pelas provisões secas e pelos paióis refrigerados era chamado de “Jack of the Dust”.

Ship Servicemen (SH) – Atuavam como lavadeiros e operavam a loja do navio e a barbearia.

Disbursing Clerk (DK) – Auxiliava o Oficial de Abastecimento no desempenho de suas funções de pagador.

Stewards (SD) – Administravam o rancho da praça-d’armas e prestavam serviço de valete aos oficiais. Naqueles dias, eram quase todos filipinos. Essa especialidade foi desde então eliminada, e essas funções agora são desempenhadas por Culinary Specialists designados para o rancho da praça-d’armas.

Os oficiais navais são obrigados a pagar por suas próprias refeições. O rancho da praça-d’armas era administrado como um pequeno negócio, e cada oficial precisava pagar uma conta mensal de rancho de cerca de 25 a 35 dólares, muito dinheiro naqueles dias. Todas as provisões da praça-d’armas tinham de ser compradas do rancho geral ou de outras fontes em terra. O cargo de Tesoureiro do Rancho rodava entre os oficiais subalternos. No entanto, o Oficial de Abastecimento atuava como rancheiro permanente, posição na qual frequentemente recebia muitas críticas. Normalmente, ele se sentava na extremidade oposta da mesa da praça-d’armas em relação ao Comandante, onde era conveniente para todos olharem feio para ele.

Essa organização soa muito complexa para quem está de fora. Mas é preciso reconhecer que um navio de guerra deve permanecer no mar por períodos prolongados e precisa funcionar como uma pequena comunidade autossustentável. Os grupos individuais de especialidades são muito especializados. Mas isso é particularmente necessário em tempo de guerra, porque simplifica bastante o programa de treinamento.

Navios civis sempre tiveram tripulações muito menores e fizeram uso muito maior de automação e dispositivos economizadores de mão de obra. Um Liberty Ship ou um petroleiro T-2 da mesma época tinha uma tripulação de cerca de 40 pessoas, além de uma guarda armada naval.

A Marinha está se esforçando muito para alcançar o restante da sociedade, e cada vez mais se faz uso de computadores e controles automáticos. Mas ela ainda tem um caminho a percorrer para alcançar seus contemporâneos da Marinha Mercante.


George W. Stewart foi capitão da Marinha dos Estados Unidos. Formou-se em 1956 pela Massachusetts Maritime Academy. Durante sua carreira naval de 30 anos, comandou dois navios e serviu por um total de oito anos em comissões de inspeção de material naval, período durante o qual conduziu provas e inspeções a bordo de mais de 200 navios de guerra. Desde sua passagem para a reserva, em 1986, trabalhou na indústria de projeto naval, onde se especializou no desenvolvimento de projetos conceituais de sistemas de propulsão e geração de potência, alguns dos quais entraram em serviço ativo. Ocupou o cargo de Chief Marine Engineer na Marine Design Dynamics. Faleceu em 7 de janeiro de 2017.

FONTE: Naval Historical Foundation

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4 Comentários
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Dalton

Excelente achado !

GUPPY

Verdade, prezado Admiral Dalton, excelente achado!

Daniel

Eu sei que organização doa navios da nossa Marinha é uma adaptação do padrão Americano. Mas é muito interessante que tirando o pessoal das caldeiras, a maioria das nossas “profissões” de bordo ainda são as mesmas da época da 2GM. A organização administrativa é praticamente a mesma também

Cosmo

Muito bom esse conteúdo! A tradução técnica também está boa. A organização de um navio de guerra é algo muito interessante, até fascinante quando atinge os níveis de complexidade como relatado aqui. Aprende-se também como a evolução tecnológica afeta e reorganiza todas as ocupações do pessoal de bordo. E claro, o Sr. Mestre segue sempre sendo o Sr. Mestre, guardião das tradições! Obrigado por compartilhar.