Marinha Italiana encomenda sistema JPALS para operar F-35B no LHD Trieste
LHD Trieste
Contrato de US$ 12 milhões prevê fornecimento do sistema de aproximação e pouso de precisão até março de 2028, abrindo caminho para a plena integração dos caças de 5ª geração no maior navio de guerra italiano
A Marinha Italiana deu mais um passo para transformar o LHD Trieste em uma plataforma plenamente capaz de operar o caça F-35B Lightning II. A Raytheon recebeu uma ordem de aproximadamente US$ 12 milhões para fornecer ao governo da Itália um sistema Joint Precision Approach and Landing System — JPALS —, além de peças de bordo e kit de instalação e verificação.
O contrato, divulgado pelo governo dos Estados Unidos, prevê a execução dos trabalhos em Largo, Fullerton e Cedar Rapids, nos EUA, com conclusão estimada para março de 2028. O prazo coincide com a expectativa de alcançar a Final Operational Capability — FOC — para a operação do F-35B a bordo do Trieste.
A aquisição do JPALS é uma etapa essencial para a integração do caça de decolagem curta e pouso vertical no navio. O sistema fornece orientação precisa para aproximação e pouso em plataformas navais, mesmo em condições meteorológicas adversas, baixa visibilidade e mar agitado.
Sistema essencial para operações modernas com F-35B
O JPALS é um sistema de aproximação e pouso de precisão baseado em GPS diferencial e navegação relativa ao navio. Ele permite que aeronaves compatíveis recebam dados precisos de aproximação, alinhamento e pouso, reduzindo riscos em operações embarcadas e ampliando a segurança em cenários complexos.
No caso do F-35B, essa capacidade é particularmente importante. Embora a aeronave possa pousar verticalmente, a operação embarcada em navios anfíbios ou porta-aviões leves exige elevada precisão, sobretudo em condições de mau tempo, baixa visibilidade, operação noturna ou mar movimentado.
O sistema já é empregado em porta-aviões e navios anfíbios da Marinha dos Estados Unidos, além de plataformas de nações aliadas que operam ou estão se preparando para operar o F-35B no mar. O porta-aviões italiano Cavour também recebeu o JPALS como parte do processo de certificação para operar o caça de 5ª geração.
Trieste será a segunda plataforma italiana para F-35B

Com a integração do JPALS, o Trieste avançará para se tornar a segunda plataforma da Marinha Italiana apta a operar o F-35B, ao lado do porta-aviões leve Cavour.
O Cavour já concluiu o processo de certificação para operar o F-35B e atingiu a capacidade operacional inicial da aviação embarcada de 5ª geração. O navio segue como principal plataforma de projeção aérea da Marinha Italiana, mas o Trieste ampliará significativamente a flexibilidade operacional de Roma.
Embora classificado como Landing Helicopter Dock — LHD —, o Trieste foi concebido desde o início com capacidade para operar aeronaves STOVL, incluindo o F-35B. O navio possui convés corrido, ski-jump na proa, amplo hangar e instalações compatíveis com operações aéreas intensivas.
Em configuração de porta-aviões, o Trieste poderá embarcar até 20 F-35B, além de helicópteros de apoio. Já o Cavour pode operar um grupo aéreo baseado em F-35B e helicópteros, sendo frequentemente apontado como capaz de embarcar entre 18 e 20 aeronaves, dependendo da configuração adotada.
Dupla capacidade de porta-aviões no Mediterrâneo
A entrada do Trieste no ciclo de integração do F-35B reforça a ambição italiana de manter uma das forças navais mais capazes da Europa. Com o Cavour e o Trieste, a Marinha Italiana poderá dispor de duas plataformas compatíveis com o caça de 5ª geração, algo raro entre as marinhas europeias.
Na prática, isso dará à Itália maior flexibilidade para manter uma plataforma em prontidão enquanto a outra passa por manutenção, treinamento ou missões anfíbias. Também permitirá configurar o Trieste conforme a necessidade: como navio anfíbio, navio de comando, plataforma de ajuda humanitária, hospital embarcado ou porta-aviões leve.
Essa capacidade é especialmente relevante no Mediterrâneo, onde a Itália atua no centro de um espaço estratégico que conecta o sul da Europa, o Norte da África, o Oriente Médio, o Mar Negro e o Atlântico. A combinação de navios anfíbios, aviação embarcada e F-35B amplia a capacidade italiana de responder a crises, reforçar a OTAN e projetar poder em áreas de interesse nacional.
F-35B como núcleo da aviação naval italiana
O F-35B substitui gradualmente os antigos AV-8B Harrier II Plus da Aviação Naval italiana. A versão STOVL do caça de 5ª geração permite operar a partir de navios com ski-jump e convés curto, sem necessidade de catapultas ou cabos de parada.
Além de sua capacidade de ataque, o F-35B atua como sensor avançado, nó de comunicações e plataforma de fusão de dados. A aeronave pode detectar, classificar e compartilhar informações com navios, caças, forças terrestres e centros de comando, funcionando como multiplicador de força para todo o grupo naval.
No ambiente naval moderno, essa função é tão importante quanto o emprego de armamentos. Um grupo naval equipado com F-35B passa a ter maior alcance de detecção, melhor consciência situacional e maior capacidade de operar em ambientes contestados.
Integração até 2028
A previsão de conclusão do contrato em março de 2028 indica que o Trieste deverá passar por uma fase de instalação, integração, testes e certificação antes de alcançar a plena capacidade operacional com o F-35B.
Além do JPALS, a operação segura do caça exige outros sistemas associados, incluindo controle de tráfego aéreo embarcado, comunicações seguras, alinhamento inercial, apoio logístico, manutenção especializada, proteção térmica do convés, armazenamento de combustível e munições, além de treinamento de tripulações e controladores.
A aquisição do JPALS, portanto, não é apenas a compra de um equipamento de pouso. Ela representa a consolidação da transformação do Trieste em uma plataforma de aviação embarcada de 5ª geração.
Quando o processo estiver concluído, a Itália passará a contar com uma capacidade naval rara: dois navios capazes de operar o F-35B, permitindo à Marinha Italiana alternar missões anfíbias e de porta-aviões leve com maior flexibilidade e peso estratégico no Mediterrâneo e em operações da OTAN.■
FONTE: Governo dos EUA / NAVAIR / Raytheon / Fincantieri / Naval News / EDR Magazine




Pelo menos um desses com um esquadrão de kizilelmas pelas cores do Brasil. Algo difícil, principalmente a curto e médio prazo, mas não impossível a longo prazo.