Primeiro submarino desenvolvido por Taiwan será entregue à Marinha no segundo semestre
Hai Kun
Hai Kun, também conhecido como Narwhal, é o primeiro submarino convencional construído localmente e peça central da estratégia de dissuasão contra a China
O primeiro submarino desenvolvido e construído em Taiwan deverá ser entregue à Marinha na segunda metade de 2026, após concluir uma nova etapa de testes de mar sem apresentar problemas técnicos significativos.
A informação foi dada pela CSBC Corp., empresa responsável pela construção do submarino, durante reunião com acionistas. Segundo o presidente da companhia, Chen Cheng-hung, o navio segue em fase de ajustes finos e verificação funcional, mas permanece dentro do cronograma atualizado para entrega ainda este ano.
Batizado Hai Kun, ou Narwhal, o submarino representa um marco para a indústria de defesa taiwanesa. É a primeira unidade do programa Indigenous Defense Submarine — IDS —, criado para reduzir a dependência externa de Taiwan em uma área considerada crítica para sua segurança.
Testes após atrasos
O Hai Kun já havia realizado testes de mar e, em janeiro, completou seu primeiro teste submerso, em águas rasas, ao largo de Kaohsiung, no sul de Taiwan. A embarcação passou por avaliações de navegação, propulsão, sistemas de bordo e operação submersa, etapas necessárias antes da aceitação final pela Marinha.
O programa enfrentou atrasos em relação ao cronograma original. A entrega já havia sido prevista para antes, mas foi postergada em razão da complexidade técnica do projeto, restrições de acesso a tecnologias sensíveis e pressões externas associadas à oposição da China ao desenvolvimento militar taiwanês.
Mesmo assim, a CSBC afirma que o submarino não encontrou obstáculos técnicos relevantes nos testes mais recentes, o que abre caminho para sua entrega na segunda metade do ano.
Submarinos como arma de dissuasão
Para Taiwan, submarinos convencionais têm papel estratégico desproporcional ao seu número. Em caso de crise no Estreito de Taiwan, eles poderiam ser empregados para dificultar operações anfíbias chinesas, ameaçar navios de superfície, proteger rotas marítimas e complicar o planejamento naval do Exército de Libertação Popular.
A China possui uma marinha muito maior, com porta-aviões, destróieres modernos, submarinos convencionais e nucleares, além de crescente capacidade de guerra anfíbia. Diante dessa assimetria, Taiwan aposta em sistemas capazes de aumentar o custo de uma eventual operação chinesa, incluindo mísseis móveis, drones, minas navais, defesas costeiras e submarinos.
O Hai Kun se insere nessa lógica. Mesmo em número limitado, submarinos diesel-elétricos operando próximos à costa e em águas conhecidas podem representar uma ameaça significativa para forças de superfície adversárias.
Programa prevê até oito unidades
O programa IDS prevê a construção de até oito submarinos. O Hai Kun é o protótipo e servirá como base para as unidades seguintes. Taiwan espera ter ao menos dois submarinos de construção local operacionais nos próximos anos, ampliando gradualmente sua força submarina.
Atualmente, a Marinha taiwanesa opera uma pequena frota de submarinos, incluindo unidades antigas adquiridas dos Países Baixos na década de 1980 e submarinos ainda mais antigos usados principalmente para treinamento.
A construção local é vista em Taipei como uma necessidade estratégica. Durante anos, Taiwan tentou adquirir submarinos no exterior, mas encontrou obstáculos diplomáticos, já que a China pressiona governos e empresas estrangeiras a não fornecerem sistemas militares sensíveis à ilha.
Tecnologia estrangeira e construção local
Embora o Hai Kun seja apresentado como submarino desenvolvido localmente, o programa contou com apoio tecnológico estrangeiro em áreas críticas. Segundo informações divulgadas anteriormente, o submarino utiliza sistema de combate da Lockheed Martin e deverá ser armado com torpedos pesados Mk 48, de origem americana.
O projeto também envolveu cooperação discreta com especialistas e fornecedores estrangeiros, refletindo a dificuldade de Taiwan em desenvolver, sozinha, todos os subsistemas necessários para um submarino moderno.
Ainda assim, a construção do casco, a integração industrial e parte significativa do desenvolvimento foram conduzidos em Taiwan, o que representa um avanço importante para a autonomia da ilha em defesa naval.
Pressão chinesa
Pequim considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para obter a reunificação. O governo taiwanês rejeita as reivindicações chinesas e tem intensificado seus investimentos em defesa diante do aumento das atividades militares chinesas ao redor da ilha.
A China já criticou publicamente o programa submarino taiwanês, classificando-o como inútil diante da tendência de reunificação. Para Taipei, porém, o Hai Kun é uma das peças mais importantes de uma estratégia de negação marítima.
A entrega do submarino no segundo semestre, caso confirmada, terá forte valor militar e simbólico. Militarmente, dará à Marinha de Taiwan uma nova capacidade em um domínio essencial. Politicamente, demonstrará que a ilha conseguiu avançar em um dos projetos de defesa mais complexos de sua história recente, apesar do isolamento diplomático e da pressão chinesa.
Marco para a indústria de defesa taiwanesa
O Hai Kun não transforma, sozinho, o equilíbrio naval no Estreito de Taiwan. Mas sua entrega marcará a entrada de Taiwan em um grupo restrito de países capazes de construir submarinos convencionais modernos.
O desafio seguinte será transformar o protótipo em uma classe operacional, com produção em série, manutenção sustentável, treinamento de tripulações e integração efetiva à doutrina naval taiwanesa.
Se o programa avançar conforme planejado, os submarinos autóctones poderão se tornar uma das principais ferramentas de dissuasão de Taiwan nas próximas décadas, especialmente em um cenário no qual a superioridade quantitativa chinesa continuará crescendo.
FONTE: Focus Taiwan/CNA, Taipei Times, Reuters, AP



Submarinos modernos como esse e baterias na costa operando o míssil antinavio supersônico HF-3 representam ameaça considerável para as forças de superfície chinesas numa futura invasão.
Mesmo que façam ataques aéreos preventivos, não conseguiriam destruir todos.
se as Inteligenciasaliadas aviserem antes, todos zarpam e conseguem fugir, enquanto não forem destruídos serão uma ameaça enorme
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Esse submarino mostra como Taiwan tem capacidades que muitos podem subestimar e, se tiver tempo antes de uma invasão de outros chineses, não duvidaria ver o país seguir para um subnuclear.
Não duvido que eles conseguiriam (já lidam seriamente com energia nuclear há mto tempo), mas considerando que o raio de ação seria só ali em volta da ilha e junto com os vizinhos imediatos, um submarino nuclear faria menos sentido do que vários submarinos convencionais com as tecnologias mais avançadas (baterias de lítio ou AIP)
Depois do programa sul coreano de construção de submarinos, este seria um outro programa a ser analisado pela MB.