Royal Navy enfrenta crise de disponibilidade: todos os submarinos de ataque estariam atracados

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HMS-Audacious-Crown-Copyright

Situação expõe gargalos de manutenção, falta de docas nucleares e pressão sobre a frota de submarinos Astute em meio ao aumento da atividade submarina russa

A frota de submarinos nucleares de ataque da Royal Navy atravessa um momento crítico de disponibilidade operacional. Segundo análise publicada pelo Navy Lookout, todos os submarinos da classe Astute atualmente em serviço estariam atracados, sem qualquer unidade em patrulha no momento da publicação.

A situação chama atenção porque os submarinos nucleares de ataque — SSN, na sigla em inglês — são uma das capacidades mais estratégicas do Reino Unido. Eles são empregados em missões de inteligência, vigilância, escolta da força de dissuasão nuclear, proteção de grupos-tarefa navais, operações contra submarinos adversários e ataques de precisão com mísseis de cruzeiro Tomahawk.

A classe Astute é composta por sete submarinos nucleares de ataque. Cinco já estão em serviço ativo — HMS Astute, HMS Ambush, HMS Artful, HMS Audacious e HMS Anson —, enquanto o HMS Agamemnon foi recentemente comissionado e o HMS Achilles segue em construção.

O problema é que, embora o inventário nominal pareça robusto, a disponibilidade real da frota tem sido afetada por atrasos em manutenção, limitações de infraestrutura e gargalos em docas capazes de receber submarinos nucleares.

Capacidade estratégica em risco

Submarino nuclear de ataque classe Astute em corte

A classe Astute é uma das mais avançadas já operadas pela Royal Navy. Cada submarino desloca cerca de 7.400 toneladas, mede 97 metros, pode alcançar 30 nós e tem alcance praticamente ilimitado graças à propulsão nuclear.

Os submarinos são armados com torpedos pesados Spearfish e mísseis de cruzeiro Tomahawk, capazes de atingir alvos terrestres a grandes distâncias. Também são equipados com sonar 2076, um dos sistemas mais sofisticados de detecção submarina em serviço.

Essas características tornam os Astute fundamentais para a capacidade britânica de operar em ambientes contestados. Sem uma frota de SSNs disponível, o Reino Unido perde flexibilidade em missões de escolta de porta-aviões, proteção da dissuasão nuclear, vigilância de submarinos russos, coleta de inteligência e operações de ataque de precisão.

A crise ocorre em um momento de aumento da atividade submarina russa no Atlântico Norte e no entorno de infraestruturas submarinas críticas, como cabos de comunicação, gasodutos e instalações energéticas offshore. Também coincide com a crescente importância do AUKUS, programa no qual o Reino Unido pretende desempenhar papel central no desenvolvimento de submarinos nucleares de ataque de nova geração ao lado dos Estados Unidos e da Austrália.

Um alerta para o futuro SSN-AUKUS

O quadro atual levanta dúvidas sobre a capacidade britânica de sustentar simultaneamente a frota Astute, a construção dos submarinos estratégicos Dreadnought e o desenvolvimento da futura classe SSN-AUKUS.

O problema não está apenas na construção de novos submarinos, mas na capacidade de mantê-los operacionais ao longo de décadas. Submarinos nucleares exigem estaleiros especializados, mão de obra altamente qualificada, cadeias de suprimento nucleares, instalações licenciadas, docas secas e planejamento industrial de longo prazo.

A atual indisponibilidade dos Astute mostra que uma frota numericamente pequena pode perder grande parte de sua utilidade se a infraestrutura de manutenção não acompanhar o investimento na aquisição dos meios.

Para a Royal Navy, a prioridade agora será devolver unidades ao mar, acelerar a recuperação da capacidade de docagem e evitar que a crise de manutenção comprometa a credibilidade da força submarina britânica.

A situação também serve como alerta para outras marinhas que pretendem operar submarinos nucleares: a construção do casco é apenas parte do desafio. A verdadeira medida de poder submarino está na capacidade de manter os navios silenciosamente no mar, prontos para operar, e não apenas atracados em bases e estaleiros.■




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10 Comentários
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Ricardo

Que sirva de (mais um) exemplo para a MB; quem tem um, não tem nenhum…

Moriah

Realmente, se a poderosa Royal Navy entrou em colapso (sim, é isto o que vemos), imagina a nossa combalida Marinha do Brasil, que tem como maior inimigo… Enfim, todo mundo já sabe. Não só a situação da RN é uma lição, a geopolítica hoje é um curso completo para o Brasil de que o status quo pode mudar da noite para o dia em termos históricos.

JuggerBR

Tadinhos, de Império onde o Sol nunca se põe e a Marinha Real, para meia dúzia de navios atracados por falta de verba, falta de recursos para manutenção adequada. Que se lasquem…

Pedro

parece que uma certa marinha do outro lado do oceano atlantico

Moriah

Guardadas as proporções, sim.

Marcelo Freitas

Se está ruim para Royal Navy você imagina para MB que está comprando navio descartados (sucata,desmanche) pela Royal Navy.
Estamos lascados.

Vinicius Momesso

O pior é que ficam ladrando para cima dos russos, mas esquecem que estão longe de ter o mínimo aceitável para se iniciar e sustentar um conflito a curto e médio prazo, seja na Marinha, Aeronáutica e Exército.

Moriah

O inimigo do meu amigo é parecido com o meu… Se a MB tivesse sua real situação exposta da mesma forma, não seria muito diferente. O que impacta aqui é que é a Royal Navy e isso assusta mais britânicos e europeus do que nós, que já estamos “acostumados” com tais limitações orçamentárias…

Osvaldo serigy

Dito isto, logo a frente o Brasil terá um porta aviões da Royal.

Moriah

Só para ele mudar de porto e não de situação.