C-2A Greyhound faz último pouso embarcado e encerra seis décadas de serviço na US Navy
O C-2A Greyhound, um dos aviões mais tradicionais da aviação naval norte-americana, realizou seu último pouso embarcado previsto em um porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos, encerrando uma trajetória de cerca de seis décadas no serviço de Carrier Onboard Delivery (COD).
A operação final ocorreu em 25 de junho de 2026, a bordo do porta-aviões USS Nimitz (CVN-68), com aeronaves do Fleet Logistics Support Squadron 40 (VRC-40) “Rawhides”. O avião identificado como C-2A BuNo 162159, modex 40, é apontado como o responsável pelo último pouso enganchado e pela última decolagem por catapulta do tipo a partir de um porta-aviões da US Navy.
O momento marcou o encerramento de uma era na logística embarcada norte-americana. Desde sua entrada em serviço, em 1966, o Greyhound foi responsável por transportar passageiros, correspondência, peças sobressalentes, motores e cargas prioritárias entre bases em terra e grupos de porta-aviões no mar. Embora menos conhecido que caças e aeronaves de ataque, o C-2A tornou-se peça essencial para manter a aviação embarcada abastecida e pronta para operar.
Derivado do E-2 Hawkeye, o Greyhound herdou a configuração de asa alta e os motores turboélice, mas recebeu uma fuselagem mais larga e uma rampa traseira de carga. Essa combinação permitia operações rápidas em conveses de voo, com capacidade para transportar carga, passageiros, pacientes em evacuação médica e componentes críticos, incluindo peças volumosas para aeronaves embarcadas.
Segundo dados da Marinha dos EUA, o C-2A era impulsionado por dois motores Allison T56-A-425 de 4.600 shp cada, tinha velocidade máxima aproximada de 343 nós, teto operacional de 30 mil pés e alcance de cerca de 1.000 milhas náuticas. A aeronave podia operar com uma tripulação de quatro pessoas e era projetada especificamente para o exigente ciclo de lançamento por catapulta e recuperação por cabo de parada.


A importância do Greyhound foi comprovada em todas as grandes fases recentes da aviação naval dos EUA. A aeronave apoiou grupos de porta-aviões durante a Guerra Fria, as operações Desert Shield e Desert Storm, a Operação Enduring Freedom e inúmeras missões de rotina, resposta a crises e apoio humanitário.
Para muitos marinheiros e militares embarcados, o C-2A era mais do que um cargueiro. O avião representava a ligação física entre o navio e o mundo exterior. Em seus porões e assentos viajavam correspondência, peças urgentes, novos tripulantes, equipes técnicas, feridos evacuados e militares retornando para casa após longos períodos no mar.
A retirada do Greyhound também encerra a era dos aviões logísticos embarcados de asa fixa lançados por catapulta e recuperados por cabos de parada. Sua missão passa agora ao CMV-22B Osprey, aeronave de rotores basculantes que pode decolar e pousar verticalmente como um helicóptero e voar como turboélice em cruzeiro.
A transição, porém, não ocorreu sem sobressaltos. A aposentadoria do C-2A foi temporariamente retardada após a paralisação de parte da frota V-22 em 2024, o que obrigou a Marinha a manter o veterano Greyhound em operação por mais tempo. O episódio reforçou a reputação da aeronave como plataforma confiável e ainda indispensável em momentos de incerteza logística.
Com o retorno gradual do Osprey às operações, os últimos Greyhounds puderam cumprir suas missões finais. A expectativa é que a maior parte das aeronaves remanescentes siga para armazenamento no 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group (AMARG), na Base Aérea de Davis-Monthan, no Arizona, enquanto algumas células poderão ser preservadas para museus, treinamento ou fins históricos.
O último pouso embarcado do C-2A encerra uma das carreiras mais discretas, mas também mais importantes da aviação naval dos Estados Unidos. Durante 60 anos, o Greyhound não foi o avião mais veloz, nem o mais armado, nem o mais famoso do convoo. Mas poucos foram tão necessários.
Com seu último engate no cabo de parada e sua última decolagem por catapulta, o Greyhound deixa o serviço como um verdadeiro cavalo de batalha da logística naval — o avião que, por seis décadas, manteve os porta-aviões americanos conectados ao restante do mundo.■
NOTA DA REDAÇÃO: O diploma abaixo foi recebido pelo editor do Poder Naval, Alexandre Galante, depois de pousar no USS Carl Vinson, a bordo de uma aeronave COD (Carrier Airborne Delivery) C-2 Greyhound, em 2010.


Foi, por muito tempo, o burro de carga da US Navy e agora vai receber o merecido descanso.
O aviao ja tava na fila da previdência social a anos, finalmente o fiscal da marinha carimbou o documento do senhor greyhound.
Que grande oportunidade para o Brasil!
Pra que?
Uma substituição necessária, o CMV-22B Osprey carrega mais carga e voa mais longe do que o C-2 Greyhound. … Ainda relacionado aos porta-aviões da US Navy: “Segundo uma reportagem do site militar americano Stars and Stripes, publicada em 26 de junho, registros judiciais anonimizados e resultados de investigações militares divulgados recentemente revelam que, em março de 2023, um marinheiro de 22 anos morreu ao cair de seu alojamento na Base Naval de Yokosuka, no Japão. A autópsia detectou LSD (dietilamida do ácido lisérgico), uma substância alucinógena, em seu organismo. Essa morte desencadeou uma investigação abrangente do Serviço de Investigação Criminal da… Read more »
Só que o C-2 era mais seguro, eu não gosto muito desses V-22, dão muitos problemas!
A MB lambe os beiços e esfrega as mãos para adquirir algumas células semi-velhas e manter a desculpa da necessidade da aviação naval desdentada…
Não sei de onde vc tirou isso?
Demorou mas o INSS liberou a aposentadoria
Já agora, que aconteceu aos Grumman S-1 / C-1 Trackers que nâo foram modernizados / acabados para a MB?
Esses deviam ser distribuidos pelos museus e universidades do Brasil…
Esse contrato foi cancelado há tempos
Dinheiro jogado fora. E foi bastante.
Vendo essa matéria, me veio a memória: Oque aconteceu com nossos
KC-2 Turbo Trader?