Conceito do Type 83

Conceito do Type 83

 

A Royal Navy deverá substituir o planejado destróier Type 83 por uma nova classe de navios de combate híbridos, conhecidos como Common Combat Vessels (CCVs), em uma mudança importante na estratégia naval britânica. A decisão integra o novo Defence Investment Plan (DIP) do Reino Unido e marca a transição da Marinha Real para o conceito de Hybrid Navy, combinando navios tripulados e sistemas não tripulados.

Pelo novo plano, o Reino Unido pretende adquirir ao menos seis CCVs, que atuarão como plataformas de comando e controle para sistemas autônomos operando no ar, na superfície e abaixo d’água. Esses navios deverão substituir, no futuro, a atual frota de destróieres Type 45, mas com uma abordagem diferente da originalmente prevista para o Type 83.

O Type 83 vinha sendo considerado como sucessor direto dos seis Type 45, dentro do programa Future Air Dominance System (FADS). A nova orientação, porém, abandona a concentração de capacidades em poucos navios grandes e caros, priorizando uma arquitetura distribuída, apoiada por drones, sensores remotos e plataformas autônomas.

Segundo o Ministério da Defesa britânico, os CCVs serão projetados para fornecer a mais avançada capacidade de defesa aérea marítima do Reino Unido e deverão manter os estaleiros britânicos ocupados por décadas. As primeiras unidades são esperadas a partir do início da década de 2030.

O secretário de Defesa, Dan Jarvis, afirmou que os novos navios darão aos marinheiros britânicos plataformas híbridas “projetadas e construídas para as ameaças crescentes” enfrentadas pelo país. A proposta é que esses navios funcionem como centros de comando para uma rede de meios tripulados e não tripulados, ampliando alcance, resiliência e poder de fogo sem depender exclusivamente de grandes combatentes de superfície.

Na arquitetura anunciada, os CCVs deverão operar ao lado de oito fragatas Type 26 e cinco fragatas Type 31, além de uma nova família de plataformas não tripuladas. Entre elas estão os Type 91, descritos como plataformas não tripuladas de mísseis; os Type 92, voltados à detecção submarina; os Type 93, veículos submarinos não tripulados de grande porte; e os Type 94, plataformas não tripuladas de sensores.

A mudança acompanha uma aposta mais ampla do Reino Unido em drones, autonomia e guerra em rede. O Defence Investment Plan prevê £5 bilhões para drones e sistemas autônomos, além de investimentos em inteligência artificial, redes digitais de targeting e munições de longo alcance.

O anúncio ocorre em meio a pressões orçamentárias e a uma tentativa do governo britânico de conciliar modernização militar com restrições fiscais. Veículos britânicos relatam que os planos para o Type 83 e para as fragatas Type 32 deixaram de constar como prioridades financiadas no novo plano, dando lugar a sistemas híbridos, mais distribuídos e potencialmente menos custosos.

A Royal Navy também deverá receber novos equipamentos para sua força de comandos. O Ministério da Defesa anunciou mais de £500 milhões para drones, embarcações rápidas de inserção de comandos e tecnologias de comunicações, targeting em rede e drones de ataque. Desse total, cerca de £100 milhões serão destinados a tecnologias transformacionais para a Commando Force.

A reorientação para uma marinha híbrida reflete lições recentes de conflitos modernos, nos quais drones, sensores distribuídos, plataformas de baixo custo e sistemas autônomos passaram a desempenhar papel crescente. Para o Reino Unido, o objetivo é criar uma força naval mais adaptável a cenários de alta ameaça, especialmente no Atlântico Norte, no Báltico, no Indo-Pacífico e em áreas onde navios de grande porte possam ficar vulneráveis a mísseis, submarinos e enxames de drones.

A decisão, no entanto, também levanta dúvidas. Ainda não está claro qual será o desenho final dos CCVs, seu deslocamento, sistemas de combate, sensores, armamento, custo ou cronograma detalhado de entrada em serviço. Também permanece em aberto se os navios serão uma evolução de projetos existentes, como as fragatas Type 26 e Type 31, ou uma classe inteiramente nova.

O abandono do Type 83 representa uma das maiores mudanças recentes no planejamento de superfície da Royal Navy. Em vez de buscar um destróier de defesa aérea tradicional para substituir os Type 45, Londres passa a apostar em uma força naval distribuída, na qual navios tripulados comandam uma constelação de plataformas autônomas.

Se bem-sucedida, a nova abordagem poderá transformar a forma como a Royal Navy conduz defesa aérea, guerra antissubmarino, vigilância e ataque marítimo. Se falhar, poderá deixar uma lacuna sensível na substituição dos Type 45, justamente em um momento em que a demanda por defesa aérea naval cresce diante de mísseis hipersônicos, drones de ataque e ameaças saturantes.

A aposta britânica é que o futuro da guerra naval não estará apenas em navios maiores e mais armados, mas em redes de plataformas tripuladas e não tripuladas capazes de operar de forma integrada. Com os CCVs, a Royal Navy pretende acelerar essa transição e redefinir seu papel em uma era de combate marítimo híbrido.■




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13 Comentários
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Iran

Acho a ideia bem interessante. E é legal ver que por mais que o Reino Unido tenha decaído MUITO, eles ainda estão na vanguarda do desenvolvimento e emprego de novas doutrinas navais, sinceramente, desejo sorte á Royal Navy.

Brunox

navio híbrido deles = nenhum, vai do jeito que tá mermo e é isso aí!

Akhinos

Mais uma presepada, tem um grande especialista da Royal Navy que tem um canal no youtube que cantou essa bola tem alguns meses já. Provavelmente vão ser cortadas algumas type 26 também.

Esse mito de que os britânicos são uma grande potência não tem o mínimo sentido.

ln(0)

Por que? Em vez de outro destróier, um navio do tipo Andalu turco ou uma versão maior daquele patrulha/porta drone português não seria uma opção melhor? Dado que Royal Navy está tendo dificuldades para manter, operar e colocar pessoal em seus navios.

Moriah

Ao ler, imaginei o projeto português em versão longa de 130 m, mas também num casco de uns 90 m ou 100 m com as funcionalidades descritas, como uma reprodução futurista das antigas classes de fragatas do pós-guerra, como Type 12 em diante. A BMT tem um projeto modular, mas de 110 m.

Jabulani Teimoso

Belo alvo aquela “carenagem” acima do passadiço. Kkkk

Heli

Pelo seu raciocínio, então as dos Arleigh Burke, e porque não dizer as Álvaro de Barzan, também seriam belos alvos.

Marcelo Freitas

A época de inventar a roda com o dinheiro do contribuinte britânico esta chegando ao fim.
Os contratos estão diminuindo e os pedidos também.
A indústria militar britânica esta encolhendo e vai ficar dependente cada dia mais de vendas para o exterior.

Adriano Madureira

Ah,e os jovens da geração Z não querem virar bucha de canhão em guerras promovidas pelos velhotes e seus interesses ocultos…

E se não tiver rede social, aí ferrou…

JuggerBR

Em aeronaves não tripuladas temos visto bastante evolução, mas em drones aquáticos aparentemente esta evolução segue mais lenta. A Inglaterra tenta manter suas capacidades gastando menos, mas na prática tem cada vez menos capacidade. O Império já faz parte do passado. O presente e futuro são como satélite dos americanos, enquanto estes quiserem…

Alex Barreto Cypriano

“Nada do que foi será/ de novo do jeito que já foi um dia/ tudo passa, tudo sempre passará/ (…) não adianta fugir/ nem mentir pra si mesmo (…)” E os chucrutes já abandonaram a F-126 (têm minha simpatia). O ponto em comum é que o ímpeto de ‘investir’ nos respectivos CIMs vem atrelado, como nunca deixa de alertar a imprensa, com ‘desinvestir’ em gastos ‘sociais’ (incluído aí as infraestruturas), a velha receita austera aplicada aos retardatários agora chegou nos avançados – a mensagem é clara pra quem souber ler: o Estado se tornou apêndice da economia de ficção rentista… Read more »

curioso

É isso aí. Versão pós-tudo de um velho dito: farinha pouca, o pirão dos financistas/rentistas primeiro.

curioso

E viva os portugas, que viram e saíram modestamente na frente.

Dois pontos interessantes:

1. A ideia básica parece ser a de mesclar funções e capacidade navais tradicionais com um navio de vigilancia atulhado xe drones e bicbos-espiões de.todo tipo.
Ou seja, há muito espaço pra inventar e experimentar nesses novos desenhos.
Quem se habilita? (além de tugas, britanicos, holandeses e turcos de certa forma)

2. Os holandeses da Damen já estão firmes nos dois primeiros porojetos da nova onda (anunciados, pelo menos). Gente esperta e.sacudida.

Last edited 2 meses atrás by curioso