Coreia do Norte testa mísseis de cruzeiro e artilharia em novo destróier ‘Kang Kon’ antes da entrada em serviço

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Kang Kon (6)

A Coreia do Norte realizou, em 3 de julho, novos testes de avaliação do sistema de combate do destróier Kang Kon, navio da classe Choe Hyon, em mais uma demonstração do esforço de Pyongyang para transformar sua Marinha em uma força capaz de lançar mísseis estratégicos a partir de plataformas de superfície.

Segundo a agência estatal KCNA, citada pela Reuters, o líder norte-coreano Kim Jong-un supervisionou o disparo de um míssil de cruzeiro estratégico e a avaliação de sistemas de armas do navio, incluindo canhões navais, canhões automáticos, sensores de detecção de alvos e meios de guerra eletrônica. Kim ordenou que o processo de testes seja concluído “com responsabilidade” e que o navio seja incorporado à Marinha em até dois meses.

O Kang Kon é o segundo destróier conhecido da classe Choe Hyon, uma nova geração de navios de aproximadamente 5.000 toneladas que representa o salto mais ambicioso da Marinha Popular da Coreia nas últimas décadas. A embarcação havia sido danificada em 2025 durante uma tentativa fracassada de lançamento no porto de Chongjin, episódio que provocou forte reação de Kim Jong-un. O navio foi posteriormente reparado e relançado.

Míssil de cruzeiro lançado pelo Kang Kon

A Associated Press informou que os testes envolveram o disparo de míssil de cruzeiro com capacidade nuclear, além do emprego do canhão principal, armas automáticas contra pequenas embarcações não tripuladas e sistemas de guerra eletrônica e detecção de alvos. A avaliação faz parte da estratégia de Kim para desenvolver uma Marinha com capacidade nuclear, em paralelo à expansão de mísseis balísticos e de cruzeiro, submarinos e novos navios de superfície.

A classe Choe Hyon tornou-se pública em 2025 e teve seu primeiro navio comissionado em junho de 2026, em Nampo. O Choe Hyon, navio líder da classe, é descrito por analistas como o maior navio de guerra já incorporado pela Coreia do Norte e o primeiro combatente de superfície norte-coreano moderno equipado com sistema de lançamento vertical e radares de varredura eletrônica em configuração semelhante à de destróieres contemporâneos.

O novo teste do Kang Kon indica que Pyongyang pretende acelerar a formação de uma pequena flotilha de grandes combatentes de superfície. Kim já defendeu a construção de dois destróieres de 5.000 toneladas por ano ao longo de cinco anos e também mencionou planos para navios ainda maiores, de 10.000 toneladas, o que representaria uma mudança significativa para uma Marinha historicamente composta por meios costeiros, submarinos convencionais, patrulheiros e embarcações leves.

Um detalhe observado nas imagens divulgadas chama atenção: a artilharia de defesa aproximada instalada nas laterais do navio parece excepcionalmente densa para padrões modernos. A disposição indicada nas fotos inclui três metralhadoras simples retráteis de 14,5 mm, cinco estações remotas com metralhadoras duplas de 14,5 mm e um canhão de 30 mm em configuração de CIWS.

Essa combinação sugere uma preocupação elevada com ameaças assimétricas, especialmente drones, munições vagantes e embarcações de superfície não tripuladas (USVs).. Em conflitos recentes, como no Mar Negro, drones aéreos e navais passaram a representar ameaça real contra navios de guerra, levando várias marinhas a reforçar sensores, armas de curto alcance e sistemas de reação rápida.

Em abril, a Coreia do Norte já havia realizado disparos de mísseis estratégicos e antinavio a partir do Choe Hyon, em testes destinados a verificar a eficiência do sistema integrado de armas e treinar as equipes de lançamento. Na ocasião, Pyongyang afirmou que os mísseis atingiram seus alvos com precisão, enquanto analistas sul-coreanos levantaram a possibilidade de assistência tecnológica russa no desenvolvimento dos novos navios.

A expansão naval norte-coreana ocorre em um momento de maior cooperação entre Pyongyang e Moscou, em meio à guerra na Ucrânia e ao isolamento internacional dos dois países. Embora não haja confirmação pública detalhada sobre transferência de tecnologia naval russa, especialistas citados pela AP consideram possível que apoio externo esteja ajudando a Coreia do Norte a avançar mais rapidamente em áreas como desenho naval, sensores, propulsão e integração de mísseis.

VÍDEOS: Testes do sistema de armas do destróier Kang Kon

Do ponto de vista estratégico, o Kang Kon amplia o número de plataformas potenciais para lançamento de mísseis de cruzeiro norte-coreanos. Isso complica o planejamento de defesa da Coreia do Sul, do Japão e dos Estados Unidos, pois adiciona vetores móveis no mar ao já extenso arsenal terrestre de Pyongyang.

Ainda assim, a entrada em serviço de um grande navio de guerra não significa automaticamente capacidade de combate plena. Para operar de forma efetiva, a classe Choe Hyon precisará demonstrar confiabilidade de propulsão, comando e controle, defesa aérea, guerra eletrônica, reabastecimento, treinamento de tripulações e integração com outros meios navais e aéreos.■

NOTA DO PODER NAVAL: Na imagem abaixo, uma ilustração bem-humorada feita em Inteligência Artificial brincando com a capacidade anti-drones navais do destróier Kang Kon.




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23 Comentários
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Raphael

Uma dúvida. Lançar um míssel de cruzeiro na vertical em vez de lançar na horizontal ou em ângulo, não gasta muito mais combustível?

Diogo de Araujo

Olha não sei se faz sentido mas quanto mais alto menor a resistência do ar e maior a economia de combustível, então quanto mais rápido ele atingir o vértice da parábola melhor.

Diogo de Araujo

Outra coisa acho tbm é que diminui o risco de acidentes

Heli

Existe uma secção própria para isso, chamada de booster, e ela é descartada poucos segundos após o lançamento, logo após o míssil atingir uma maior velocidade.

Camargoer.

O combustível gasto deve fornecer energia para dois termis 1) energia cinética (velocidade inicial) e 2) energia potencial (altura).

Então tanto faz se ele foe lançado horizontalmente, inclino ou vertical. O que vai determinar o gasto energético será a velocidade e a altura de operação.

O míssil pode ser lançado horizintalmente ou verticalemtne. Se a velocidade for a mesma, o custo energértico cinético será o mesmo

É importante lembrar da lei da conservação da energia.

edmar

A vantagem do lançamento vertical reside no fato de disparar em qualquer direção sem ter que virar, no caso, o navio

Bosco

O míssil emprega no lançamento de um míssil de cruzeiro subsônico a partir da superfície um booster descartável que consiste em um motor foguete de combustível sólido. Já a fase de cruzeiro emprega querosene como combustível para alimentar um motor turbojato. Em havendo algum ganho de alcance caso fosse lançado numa posição inclinada esse ganho seria irrelevante em relação ao alcance nominal já que a fase de lançamento não consome o combustível empregado na fase de cruzeiro. Portanto, o método de lançamento vertical possibilita que muitos mais mísseis sejam levados por um navio do que se adotasse lançadores inclinados, sem… Read more »

Diogo de Araujo

Show Bosco e Camargoer

Bosco

Já lançar um míssil balístico ou um míssil semibalístico, que empregam motores foguetes de combustível sólido, aí sim há uma redução significativa do alcance no caso de se empregar o método de lançamento a quente, mas que é considerado suportável essa redução do desempenho para que mais mísseis possam ser acondicionados. Já o método de lançamento vertical a frio , onde o míssil é ejetado por força pneumática para fora do lançador e se põe em direção ao alvo por conta de “atuadores” a reação (foguetinhos de controle de atitude) , essa redução de desempenho não ocorre. O lançamento a… Read more »

Hamom

No último vídeo contei 12 mísseis sendo lançados , se não houver “truques de filmagem”, para um teste é um gasto de recursos que não lembro exemplos de outras marinhas fazendo o mesmo com tantos mísseis de cruzeiro de uma só vez…

Parece mais teste do sistema russo de foguetes TOS-1A…

Alfredo Araujo

Nem em vídeos de conflitos, eu vi um lançamento tão “numeroso” de misseis, de um mesmo vessel…

Cristiano ciclope

Depende do que está se do testado, e com quê objetivo!
1:estão testando velocidade e confiabilidade do lançamento total?
2- tem por objeto propaganda?
Um lançador de foguetes pode mandar 4 de 32 foguetes para testar sistemas, más fica mais bonito, todos!

Alfredo Araujo

Não é foguete… Dá p ver que o projétil “toma rumo” após o lançamento.
Foguete é balístico e não é lançado verticalmente

Igor

Cadê aquela turma que afirmava categoricamente que o navio não passava de maquete e propaganda?

Victor Carvalho

Queimei a língua, kkkkkk! E o pior é que o bichão é bonito, só não curti essa cor cinza, escura demais. Tá bonito, e muito bem armado para o seu deslocamento. Contei aqui, 74 células VLS (muito míssil) + dois lançadores quádruplos de mísseis antinavio, três canhões de defesa de ponto (CIWS) sendo um deles um Pantsir-M com oito mísseis de defesa antiaérea de ponto, um canhão principal de respeito + vários menores antidrone e dois lançadores duplos de torpedo. É… já ultrapassou (e muito) o poder de fogo de qualquer navio de combate europeu da atualidade. O negócio é… Read more »

Cassini

Enquanto isso no Brasil….

Desculpa, não resisti. É que me intriga como uma nação bem mais miserável do que a nossa consegue estar à frente em tantos ramos tecnológicos.

YUFERFLLO

Bem mais a frente é relativo é mais que eles gastam mais dinheiro em algumas coisas por não ter outra coisas para fazer, além da obvia ajuda da China e da Russia, um exemplo que se o Brasil quisesse ter o mesmo nível de capacidade de mísseis(tirando a parte da ogiva nuclear por conta de tratados) poderiamos chegar e os superar em uma década, na parte tecnologica já estamos superiores, um dos problemas é mais dinheiro sendo investido para isso

Last edited 2 meses atrás by YUFERFLLO
Marcelo Andrade

Fácil, não tem que prestar contas pra ninguem, o páis é dele. A China ajudando. Não tenho nenhuma inveja desse lugar!

Marco Ribeiro

Imagens de realização de testes de armas em águas fechadas (próxima a um porto e área urbana) e ninguém se questiona?!? Isso não existe em lugar nenhum do mundo.

PauloR

As sanções ocidentais só estão arranhando a Coreia do Norte. O país vem se desenvolvendo muito rápido, carros estão tomando as ruas ao ponto de ocorrer congestionamento, prédios sendo erguidos e até mesmo bairros sendo reconstruido com arquitetura moderna. Em breve o país vai engrenar e humilhar o ocidente

Marcelo Andrade

Eita, “é falta de remédio!” Inclusive tem muita gente migrando para l´! rsrsrsrs

Renato de Mello Machado

kkkkkkkkkk tem até estacionamento por lá agora.

Adriano Madureira

E esse gordinho? É o Kim Jong-two” dele?

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