Type 212CD

Halifax, Canadá – O governo canadense selecionou a alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) como fornecedora preferencial para iniciar negociações destinadas à construção da próxima frota de submarinos da Royal Canadian Navy (RCN). O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 6 de julho, pelo primeiro-ministro Mark Carney, na Base das Forças Canadenses em Halifax, na Nova Escócia.

O programa, conhecido como Canadian Patrol Submarine Project (CPSP), prevê a aquisição de até 12 submarinos modernos para substituir a envelhecida frota da classe Victoria, composta por quatro unidades adquiridas de segunda mão do Reino Unido no fim da década de 1990. Segundo o governo canadense, apenas um dos quatro submarinos atuais está em condição de navegação, enquanto a frota existente deverá permanecer em operação até meados ou fim da década de 2030.

Carney classificou o CPSP como a maior aquisição de defesa da história do Canadá e afirmou que a nova frota será essencial para proteger as águas e o litoral canadense, especialmente diante da crescente importância estratégica do Ártico. O Canadá possui o maior litoral do mundo e enfrenta um ambiente de segurança em rápida transformação, com a região ártica aquecendo quase três vezes mais rápido que a média global, segundo o comunicado oficial do governo.

A proposta escolhida pela Ottawa envolve o submarino Type 212CD, desenvolvido no âmbito da parceria entre Alemanha e Noruega. De acordo com o governo canadense, a plataforma apresenta assinaturas acústica e magnética extremamente baixas, capacidade para patrulhas no Ártico, vigilância submarina, apoio a forças especiais e plena interoperabilidade com a OTAN.

A decisão representa uma vitória importante para a indústria naval alemã e para a estratégia europeia de defesa. A TKMS superou a sul-coreana Hanwha Ocean, que concorria com uma versão do submarino KSS-III Batch-II. Caso as negociações com a TKMS fracassem, o Canadá poderá designar a Hanwha como fornecedora preferencial e abrir uma nova rodada de negociações.

Pelo cronograma anunciado, o Canadá pretende concluir a contratação até o fim de 2027, com os quatro primeiros submarinos entregues em 2034, antes do prazo inicialmente previsto. Segundo a Associated Press, os governos da Alemanha e da Noruega ofereceram ao Canadá a possibilidade de acesso antecipado a posições na linha de produção, o que permitiria acelerar a entrada em serviço das primeiras unidades.

Reforço para o Ártico e para a OTAN

A escolha da TKMS ocorre em um momento de aumento dos investimentos canadenses em defesa e de maior pressão dentro da OTAN por capacidades militares concretas. Carney anunciou a decisão pouco antes de seguir para a cúpula da Aliança Atlântica na Turquia, onde os aliados discutem o aumento dos gastos militares e a adaptação da organização ao novo ambiente estratégico.

O Canadá afirma ter atingido a meta de 2% do PIB em gastos de defesa pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria. Carney também prometeu elevar os investimentos militares para 5% do PIB até 2035, com 4% já previstos no orçamento até 2030, segundo a Associated Press.

Do ponto de vista geopolítico, a decisão aproxima ainda mais Ottawa da Europa. Autoridades alemãs afirmaram à Reuters que uma vitória da TKMS abriria caminho para uma cooperação estratégica de longo prazo entre Canadá, Alemanha e Noruega, com “dimensão transatlântica” em um momento de tensões comerciais e políticas entre Ottawa e Washington.

Uma frota para três oceanos

Para a Marinha canadense, a nova geração de submarinos terá papel central na vigilância e dissuasão nos três oceanos que banham o país: Atlântico, Pacífico e Ártico. O governo canadense afirma que os futuros submarinos deverão permitir detectar, rastrear, dissuadir e, se necessário, derrotar ameaças em áreas marítimas críticas para a soberania nacional e para a segurança coletiva da OTAN e do NORAD.

A opção por submarinos convencionais, e não nucleares, também explica a ausência de concorrentes norte-americanos na disputa. Segundo a Associated Press, empresas dos Estados Unidos não participaram da licitação porque a indústria naval norte-americana está concentrada na construção de submarinos de propulsão nuclear, enquanto o Canadá buscava unidades convencionais diesel-elétricas.

Impacto industrial

Além do aspecto militar, Ottawa destacou o impacto econômico do programa. O CPSP será conduzido pela Defence Investment Agency e integrado à nova Estratégia Industrial de Defesa do Canadá. O governo afirma que o projeto deverá gerar empregos qualificados, fortalecer cadeias de suprimento nacionais e ampliar a participação da indústria canadense em atividades de construção, manutenção e suporte ao longo do ciclo de vida da frota.

A decisão também consolida o modelo “Build-Partner-Buy”, no qual o Canadá busca combinar aquisição de capacidades militares avançadas com parcerias industriais e estratégicas com aliados confiáveis. No caso dos submarinos, a escolha da TKMS insere o Canadá em uma arquitetura já compartilhada por Alemanha e Noruega, dois aliados próximos dentro da OTAN.

Dimensão estratégica

A seleção da TKMS marca uma inflexão importante na política naval canadense. Pela primeira vez, o país caminha para adquirir uma frota nova de submarinos em escala compatível com suas responsabilidades marítimas e com o crescente valor estratégico do Ártico.

Embora o contrato ainda dependa da fase final de negociação, a decisão sinaliza que Ottawa pretende transformar sua capacidade submarina em um pilar de dissuasão, vigilância e presença naval avançada. Em um cenário de competição entre grandes potências, rotas árticas mais acessíveis e maior atividade submarina russa e chinesa, a futura frota 212CD poderá se tornar um dos principais instrumentos de soberania marítima do Canadá nas próximas décadas.■




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19 Comentários
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Carlos Pietro

Parabéns pela escolha.

A C

Algumas considerações:

  • Essa decisão mostra que o Canadá está mais do que nunca com o olhar atento à Europa.
  • Nesse sentido, a proposta da Coreia apenas serviu para melhorar a proposta alemã
  • O governo canadense mostra que as decisões agora têm pressa para serem tomadas. Nada parecido com a negociação dos F-35, que, aliás, o contrato está sendo renegociado quanto à quantidade de aeronaves adquiridas (por enquanto, 16).

Antes que comentem: o Canadá não está disposto a ter subs nucleares. Sendo assim, os EUA nunca foram uma opção desde o início.

deadeye

Quanto ao F-35 ao parece existem coversas, que vão parar em 16 e vão adquirir outra aeronave complementar.

Luís Henrique

Estão discutindo aumentar a frota para 140 ou 144 caças. Anteriormente tinham fechado a compra de 88 F-35A, mas apenas parte foi paga por enquanto. Agora analisam um aumento da frota para no mínimo 100 com 60 F-35A + 40 Gripen, ou algo em torno de 144 caças adquirindo os 72 Gripen E propostos pela SAAB (para ter produção completa no Canadá, o que promete gerar 9 MIL empregos) e reduzindo os F-35 de 88 para cerca de 72. E alguns falam que se o Canadá realmente chegar em um orçamento militar de 4% do PIB em 2030, como desejado,… Read more »

Bruno Vinícius Campestrini

Outra opção que também foi levantada é reduzir a compra de F-35 (se fala em 60) e embarcar no GCAP. Sem compra de Gripens nesse cenário.

Last edited 2 meses atrás by Bruno Vinícius Campestrini
Heli

Alguém sabe dizer se a França chegou a concorrer com o Barracuda?

Dalton

O Canadá mostrou interesse por alguns modelos incluindo o ^Barracuda^ , mas no fim apenas os alemães e sul coreanos foram considerados.

Heli

Perguntei porque esse processo veio logo depois da Austrália desistir do projeto francês. Que no meu ver, era um bom submarino, apesar do maior deslocamento.

Rubens

12 são um número respeitado de submarinos, parabéns Canadá.

Cap Orville

Um dos submarinos com design mais elegantes da atualidade

Luís Henrique

Com 15 Destroyers Classe River (Type 26 com AEGIS/Spy7, SM-2, ESSM e RAM) + 12 Submarinos Type 212 CD, colocam a marinha canadense no top 10 mundial facilmente.

Heli

Se duvidar, vai ficar maior que a RN.

Moriah

Ótima decisão. Agora é resolver a questão dos caças. O Canadá 🍁 tem que estar em dia com a patrulha submarina, pois sua falha foi manter a velha frota que chegou no nível crítico atual.

A C

A questão dos caças ainda pode demorar um pouco para ser resolvida. Por certo é uma das cartas do jogo durante a atual negociação do CUSMA.

Macgarem

Para mim Mark Carney é provavelmente o melhor presidente de um país democratico do ocidente.

Fez um discurso muito impactante em Davos.

Rodrigo de Souza

Off topic: marinha do Brasil adia o submarino nuclear para 2038

Wellington

Alguém fecha essa torneira de uma vez por todas, por favor !

E na boa, vamos chegar em 2038 e nada sub nuclear.

Toda essa grana torrada ao longo de décadas daria pra ter essa frota de 12 submarinos convencionais tranquilamente, mas não, o sonho continua.

Last edited 2 meses atrás by Wellington
Andromeda1016

O Charles de Gaulle conhecia bem o Brasil

Andromeda1016

Hummmmm …. parece que esta história não está acabada …. e há rumores de que estão ocorrendo conversas para eventual problema da Alemanha em fechar contrato com o Canada.