China lança míssil balístico por submarino e pede que países não ‘superinterpretem’ teste
Pequim – O governo chinês afirmou nesta segunda-feira (6) que o lançamento de um míssil estratégico por um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy) foi parte de um exercício militar rotineiro previsto no calendário anual de treinamento das Forças Armadas chinesas, rejeitando interpretações de que a ação tenha sido direcionada a qualquer país específico.
A declaração foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante uma coletiva de imprensa em Pequim, após ser questionada sobre o lançamento realizado horas antes no Oceano Pacífico. Segundo a diplomata, a atividade ocorreu de forma segura, profissional e dentro dos padrões internacionais.
“O lançamento não teve como alvo qualquer país ou objetivo específico. Os países relevantes foram informados previamente, em conformidade com as práticas internacionais”, afirmou Mao Ning, acrescentando que Pequim espera que a comunidade internacional “não faça interpretações exageradas” sobre o evento.
De acordo com a agência estatal Xinhua, um submarino estratégico chinês lançou um míssil equipado com uma ogiva simulada em direção a uma área previamente designada no Oceano Pacífico, atingindo com precisão o ponto planejado. O exercício foi descrito pelas autoridades militares como parte do programa anual de treinamento da Marinha chinesa.
Embora Pequim tenha enfatizado o caráter rotineiro da operação, o teste provocou reações de diversos países da região Ásia-Pacífico. Japão, Austrália, Nova Zelândia e Taiwan manifestaram preocupação com o lançamento, argumentando que a ação pode aumentar as tensões regionais e gerar incertezas sobre as intenções estratégicas chinesas.
Analistas de defesa citados por diversos veículos internacionais avaliam que o míssil testado pode ter sido o JL-3, o mais moderno míssil balístico lançado por submarinos atualmente em desenvolvimento pela China. Caso confirmado, o lançamento representa mais um passo na consolidação da tríade nuclear chinesa — composta por vetores terrestres, aéreos e marítimos — e no fortalecimento de sua capacidade de segundo ataque nuclear.

O teste ocorre em um momento de crescente competição estratégica no Indo-Pacífico e poucos dias antes do início de novos exercícios navais conjuntos entre China e Rússia. Além disso, coincide com o aprofundamento da cooperação em defesa entre países da região, incluindo recentes acordos de segurança firmados pela Austrália com nações do Pacífico Sul.
Apesar das críticas, Pequim insiste que a operação foi conduzida de acordo com o direito internacional e que notificou previamente os países potencialmente afetados pela área de impacto do míssil. Para o governo chinês, o lançamento representa uma atividade legítima de treinamento militar e não deve ser interpretado como um sinal de escalada ou ameaça direta a qualquer ator regional.
Análise
O lançamento possui relevância estratégica significativa por demonstrar a crescente maturidade da componente marítima da dissuasão nuclear chinesa. Diferentemente dos testes realizados a partir de plataformas terrestres, os lançamentos de mísseis balísticos por submarinos são considerados uma das capacidades mais complexas de uma força nuclear, pois garantem maior sobrevivência dos vetores estratégicos em caso de conflito.
Ao mesmo tempo, a divulgação pública do teste sugere que Pequim busca demonstrar transparência limitada e confiança crescente em suas capacidades estratégicas, ainda que procure minimizar seu impacto político por meio da narrativa de exercício rotineiro.■



Acho engraçado que a China notificou todos os países relevantes da região sobre o teste, e mesmo assim Japão, Austrália e Nova Zelândia reclamaram. Os EUA fizeram alguns lançamentos no final do ano passado sobre o Caribe e ninguém disse nada.
A China tem todo direito de fazer tais testes o problema é que diferente do ^Caribe^ – costa do Cabo Canaveral que é a área de testes no Atlântico – que você mencionou, a área de testes da China é muito mais ^sensivel^ do ponto geográfico e político, normal que gere ^preocupação^.
Me perdoe, mas nesse lado do Atlântico não reclamam, por que são repúblicas de bananas desde sempre.
Não… Deste lado do Atlântico não reclamamos porque as forças armadas dos USA são nossos aliados e a China não. A Rússia também não reclamou da China, a Coreia do Norte também não, deve ser porque são bananas… Na sua óptica…
Vai pensando que USA é seu aliado vai. Kkkk
Kkkkkk eu fico pensando se isso é pura inocência, ou há algo por trás de um comentário desses…
EUA não tem parceiro e só tem um lado, o deles!
Irresponsabilidade da China !!! O Ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, declarou formalmente: “A China realizou o teste poucas horas após nos informar”. Esse curto espaço de tempo entre o aviso e o lançamento real foi o principal motivo de críticas por parte das nações vizinhas, que argumentaram que a janela foi muito estreita para uma atividade militar dessa magnitude. Fontes das informações: Ministério das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Ministério da Defesa do Japão e agências de notícias Associated Press (AP) e AFP. 🫵 OBS: Os EUA notificam formalmente outros países (como a Rússia) no mínimo… Read more »
Não adianta citar direito internacional ou práticas costumeiras por aqui que esse povo só quer saber de escolher lado.
É melhor a Nova Zelândia continuar plantando kiwi. Os chineses lançam foguetes ao espaço toda semana ou mais vezes por semana.
Ainda nesta linha de pensamento. Há camadas distintas a serem consideradas. A primeira é a notificação técnica e operacional do lançamento, o que é praxe entre EUA, Rússia e China, para que o lançamento não seja erroneamente interpretado como um disparo real. A segunda camada é política, as nações notificam o lançamento, emplacam a narrativa de que é um teste rotineiro, reforçam suas intenções pacíficas e bla-bla-bla. A reclamação de algumas nações também faz parte do bla-bla-bla político. A mesma Austrália, Nova Zelândia e Japão ficariam calados se o mesmo teste no pacifico fosse de um Trident da USN. Aí… Read more »
Acho duvidosa a eficácia desse míssil. Não é pontiagudo o suficiente…😂😂😂
Oi Artur tudo bem vc pode duvidar mais tem um porém a china já tem a sua espacial você ainda tem dúvidas ela é a nação do futuro tenho certeza disso,
Mas o alcance deste “bastão” é comprido mais que o suficiente…
O míssil Julang-3 tem um alcance de até 12.000 quilômetros, e alguns acreditam que ele pode chegar a 15.000 quilômetros.
…
“Especula-se que ele tenha capacidade para transportar ogivas waverider do tipo HGV . Nesse caso, o sistema “míssil + ogiva” exibe características de planeio hipersônico. No entanto, HGV se refere apenas à ogiva, não ao míssil completo.”
…
O problema do mundo é esse excesso de interpretação sobre coisas simples de entender.
Ou depende de que lado querem entender? A China agora brinca no play tb!
🚨
Off topic:
O próximo submarino do Canadá será fabricado na Alemanha, depois que Ottawa anunciou sua decisão de comprar uma dúzia de novos barcos Tipo 212CD com motor convencional da ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS).
Acabou de sair a decisão…
Não faz mais do que certo os canadenses! Aos poucos tentar “desamericanizar” suas forças armadas, adquirindo produtos europeus como os submarinos citados, os 6 jatos de vigilância GlobalEye, e se tornou o primeiro estado não pertencente à UE a ingressar no programa de empréstimos e investimentos de defesa europeu SAFE,está a acelerar acordos de cooperação e compras com a Turquia com foco em veículos aéreos não tripulados, sistemas anti-drones e produção de munições.
Quem sabe até sobra algo para a Embraer e o nosso KC-390…
Entendo que é necessário a China notificar seus vizinhos acerca do teste, mas da forma como é colocado, parece frescurinha. SE a China, realmente usou essa expressão: “não super interpretem o teste” é mais uma demonstração de como a China é um tigre de papelzinho de arroz. Ora bolas. Vcs tem o direito e a necessidade de realizar o teste, então escolham palavras mais firmes e adequadas à estatura de sua posição global. Esse comportamento de extremo “polimento” da diplomacia Chinesa, me lembra as insuportáveis entrevistas do técnico Tite, que falava duas horas, misturando auto ajuda, com filosofia de buteco… Read more »
A diplomacia sim é muito polida e indireta, mas internamente os chineses se soltam mais, trecho de um artigo chinês ironizando as reações quanto ao lançamento deste míssil ↓ … “Os Estados Unidos são bastante interessantes. Ao longo dos anos, os seguintes itens foram designados como “ameaças à segurança nacional” pelo Congresso e pelo governo dos EUA (estatísticas incompletas): 1. Huawei e outros equipamentos de comunicação 2. Plataformas de redes sociais como o TikTok 3. Balões meteorológicos 4. Drones DJI 5. ZPMCGuindaste pórtico 6. Vagões ferroviários 7. Veículos elétricos 8. Walkie-talkie 9. Câmera 10. Turbina eólica 11. Painéis solares 12.… Read more »
Brasileirinho querendo ensinar diplomacia pra um dos povos mais bem sucedidos que existem nessa área é foda.
Se ajuda um pouco também, amigo.
A China não é um dos povos mais bem sucedidos na diplomacia. Na verdade, historicamente a China é um dos países mais mal sucedidos nessa área. Passaram à brilhar depois de terem dinheiro e poder. Aí é mole! Antes disso eram zero à esquerda.
Sua afirmação é muito exagerada. É fato que os chineses passaram maus bocados durante a época das chamadas “humilhações”, mas não é como se fossem irrelevantes nessa área antes disso. Se vc pegar, por exemplo, algumas das dinastias medievais, vai ver que eles tinham relações benéficas com vários povos do mundo conhecido (com destaque aqui para a dinastia Tang). A própria existência da Rota da Seda só possível, em certa medida, devido as realções diplomáticas que eles desenvolveram com os povos nômades que habitavam as regiões por onde ela passava e tb com a vizinhança mais organizada. É óbvio que… Read more »
Não é muito exagerada. É fato. Se você comparar as relações diplomáticas entre os reinos que haviam na Era do Bronze, você vai ver que esse mesmo tipo de relação trocas comerciais e alianças, tanto de conveniência quanto mais duradouras, etc., eram absolutamente normais. Estou falando de milhares de anos antes da era medieval. A China nunca foi um exemplo nesse sentido. Foi apenas mais um. E eles não duraram tanto tempo assim, né? Pode-se dizer que a falha miserável da China em ser relevante dentro de sua própria região, tornou as invasões e fracionamento de seu território basicamente difíceis… Read more »
Mas ciclos de decadência e ascenção são comuns a toda civilização duradoura. Se você quer analisar se um povo “presta” ou não nessa área, assim como em qualquer outra, vc não pode simplesmente pegar um recorte temporal e tratar ele como regra e, a partir disso, tirar conclusão generalistas. É algo que não faz o menor sentido. Se a gente usasse, por exemplo, essa mesma lógica que vc propõe em relação aos chineses para outros povos, chegaríamos à conclusão de que, na verdade, nenhum realmente é bom em diplomacia, já que todos tb tiveram períodos de decadência e invasões em… Read more »
Meu recorte temporal vem desde a Era do Bronze, o início da escrita. E o seu?
“Porém, infelizmente a China adora rasgar tratados e convenções que ela mesma assinou e ratificou e usando de seu poder econômico, quer efetivamente substituir o sistema internacional por outro que lhe seja ainda mais favorável.”
…
Aí você deu uma descrição perfeita dos EUA, desde sua fundação… basta trocar “China” por “EUA” que teu texto fica perfeito.
Não estou falando dos EUA, mas da China. Se quiser que eu liste tratados que os EUA quebraram desde sua fundação eu posso pesquisar. Tenho certeza que foram muitos. Recentemente eu consigo lembrar de relativamente poucos. Acho que, neste momento, os EUA pecam apenas por não ratificarem a UNCLOS. Seria muito mais vantajoso para eles, até porque eles já a obedecem como lei consuetudinária. No momento em que os EUA viraram as costas para o sistema ONU (2003) e deu um precedente de abandono do multilateralismo que eles mesmos ajudaram à instaurar, a coisa foi ladeira à baixo. Primeiro com… Read more »
O número de pessoas que passam o pano para as ações dos EUA aqui é sempre impressionante.
Estão passando pano para os EUA em uma matéria sobre a China? uow!
O número de pessoas passando pano para qualquer coisa que a China faz só porque, na visão deles, vai contra os EUA, é impressionante.
“Calma querida, não é nada disso que vc está pensando…” disse o sujeito pego na cama com outra mulher. Isso não sobre infidelidade conjugal.
A China só está assumindo que os EUA faziam. Pressão econômica e militar.
Quem gritar,perde espaço no mercado consumidor chinês, o laranjão sentiu essa pancada no espinhaço.