Hormuz map

Tampa, Flórida – O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou que suas forças concluíram, em 7 de julho, uma nova rodada de ataques ofensivos contra o Irã, atingindo mais de 80 alvos com munições de precisão. Segundo Washington, a operação foi uma resposta imediata aos recentes ataques atribuídos ao Irã contra navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Hormuz, uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo para o comércio de energia.

De acordo com o CENTCOM, os alvos incluíram sistemas de defesa aérea iranianos, redes de comando e controle, radares costeiros, capacidades de mísseis antinavio e mais de 60 embarcações pequenas do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica nas proximidades do estreito. O objetivo declarado foi degradar a capacidade iraniana de continuar atacando o comércio internacional no corredor marítimo.

A ação ocorreu após ataques contra três navios comerciais: o M/T Al Rekayyat, de bandeira das Ilhas Marshall; o M/T Wedyan, de bandeira saudita; e o M/T Cyprus Prosperity, de bandeira liberiana. O CENTCOM classificou os ataques como uma violação perigosa do cessar-fogo e uma ameaça à liberdade de navegação.

O caso mais grave envolveu o Al Rekayyat, um navio-tanque de GNL do Catar, atingido por um projétil perto da entrada do Estreito de Hormuz, ao largo de Omã. Segundo a Reuters, o impacto provocou incêndio na praça de máquinas, mas a carga de gás natural liquefeito permaneceu intacta e toda a tripulação foi evacuada com segurança.

O petroleiro saudita Wedyan também foi danificado durante a travessia do estreito, embora seu operador tenha informado que a embarcação permaneceu em condição de navegabilidade, com a carga segura e sem feridos entre os tripulantes. O terceiro navio citado pelas autoridades norte-americanas foi o Cyprus Prosperity, de bandeira liberiana.

A escalada elevou o nível de alerta para a navegação na região. O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, aumentou o nível de ameaça no Estreito de Hormuz de “substancial” para “severo”, após os ataques contra os navios. A Organização Marítima Internacional também recomendou que as travessias pelo estreito sejam evitadas enquanto a segurança das tripulações não puder ser garantida.

O impacto no tráfego marítimo foi imediato. Dados de rastreamento citados pela Reuters indicaram que apenas quatro petroleiros atravessaram o estreito nas primeiras horas de quarta-feira, contra uma média de 125 a 140 navios por dia antes do início do conflito com o Irã em 28 de fevereiro. Pelo menos quatro navios de petróleo e gás chegaram a retornar ou suspender a tentativa de passagem pela região.

A resposta norte-americana também teve desdobramentos econômicos e diplomáticos. Washington revogou uma licença temporária que permitia ao Irã vender petróleo, concessão que havia sido feita em junho como parte de um esforço para reduzir tensões e reabrir o tráfego no estreito. A decisão ocorreu no mesmo dia em que os ataques a navios reacenderam dúvidas sobre a solidez do cessar-fogo entre Washington e Teerã.

O Irã reagiu duramente. Segundo a Reuters, o alto comando militar iraniano acusou os Estados Unidos de praticarem um “ato flagrante de agressão” e prometeu uma “resposta esmagadora”, ao mesmo tempo em que advertiu que não aceitará interferência norte-americana na gestão do Estreito de Hormuz.

O episódio aprofunda a instabilidade em uma região por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás. A alta do risco de navegação e a possibilidade de novos ataques ou represálias ameaçam ampliar a pressão sobre os mercados de energia, as rotas logísticas globais e a presença militar dos EUA e de seus aliados no Golfo.

Do ponto de vista estratégico, os ataques norte-americanos buscam reduzir rapidamente a capacidade iraniana de negar ou condicionar a passagem pelo Estreito de Hormuz. Ao atingir radares costeiros, sistemas de comando, defesas aéreas, mísseis antinavio e embarcações rápidas da Guarda Revolucionária, Washington procura limitar os instrumentos usados por Teerã em operações de coerção marítima.

A operação, porém, também aumenta o risco de uma nova espiral de retaliações. Embora os EUA afirmem que suas forças permanecem preparadas para responsabilizar o Irã por violações do acordo, Teerã sinaliza que responderá militarmente à ação. Com isso, o Estreito de Hormuz volta ao centro da disputa estratégica entre os dois países, combinando guerra naval, pressão econômica, segurança energética e competição pelo controle de uma das rotas marítimas mais críticas do planeta.■




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