Filipinas fecham acordo para receber cinco navios de escolta japoneses da classe Abukuma

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JS Abukuma

Manila, 8 de julho de 2026 – As Filipinas chegaram a um amplo acordo com o Japão para adquirir cinco destróieres de escolta da classe Abukuma, atualmente em serviço na Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF) e prestes a serem retirados de operação. A decisão representa uma das maiores transferências planejadas de navios de combate japoneses aposentados para uma marinha estrangeira e marca novo avanço na política de exportação e transferência de equipamentos de defesa de Tóquio.

O anúncio foi feito em Manila pelo secretário de Defesa filipino, Gilberto Teodoro Jr., que afirmou que os dois governos já haviam essencialmente concluído o entendimento, restando apenas detalhes administrativos. Segundo Teodoro, os navios deverão ser entregues em um prazo de dois a três anos.

A transferência representa um aumento significativo em relação ao objetivo inicial da Marinha das Filipinas, que buscava obter ao menos três navios da classe. As embarcações serão avaliadas individualmente antes de sua incorporação, e Manila também estuda investimentos em infraestrutura de atracação e apoio para receber os novos meios.

A classe Abukuma é formada por seis navios de escolta comissionados entre 1989 e 1993. Com cerca de 2.000 toneladas de deslocamento padrão, 109 metros de comprimento e velocidade máxima aproximada de 27 nós, os navios foram projetados principalmente para defesa costeira, guerra antissubmarino e missões de escolta.

Apesar de não possuírem mísseis de defesa aérea de área nem hangar para helicópteros, os navios ainda oferecem capacidades relevantes para operações litorâneas. Seu armamento inclui canhão de 76 mm, sistema de defesa aproximada Phalanx CIWS, mísseis antinavio Harpoon, lançador antissubmarino ASROC e torpedos leves.

Para a Marinha das Filipinas, a chegada dos Abukuma poderá representar um reforço rápido de volume de força em um momento de crescente pressão sobre suas águas jurisdicionais. A frota filipina vem sendo modernizada com fragatas e corvetas, mas ainda carece de número suficiente de navios para cobrir sua extensa zona econômica exclusiva e o arquipélago de mais de 7.600 ilhas.

As negociações vinham sendo aceleradas desde maio, quando o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, e Teodoro concordaram em promover a transferência de equipamentos de defesa, incluindo os Abukuma e aeronaves TC-90. A aposentadoria dos navios japoneses deve começar por volta do ano fiscal de 2027, à medida que a JMSDF substitui unidades mais antigas por fragatas modernas da classe Mogami.

O acordo ocorre em meio ao aprofundamento da cooperação estratégica entre Japão e Filipinas, ambos aliados dos Estados Unidos e cada vez mais preocupados com a expansão marítima da China. Tóquio e Manila já ampliaram exercícios conjuntos, acordos de acesso recíproco, apoio em radares de vigilância costeira e cooperação em segurança marítima.

A transferência também tem peso político para o Japão. Após décadas de restrições severas impostas por sua política pacifista do pós-guerra, Tóquio vem flexibilizando gradualmente as regras de exportação de defesa. Em abril de 2026, o país suspendeu a proibição de exportação de armas letais, abrindo caminho para acordos mais robustos com parceiros regionais.

Segundo a Reuters, uma das soluções estudadas por Tóquio para viabilizar a transferência é tratar a instalação de equipamentos e sistemas de comunicação solicitados pelas Filipinas como parte de um projeto de desenvolvimento conjunto, permitindo compatibilizar a operação com as regras japonesas de exportação de defesa.

Do ponto de vista operacional, os Abukuma não substituem fragatas modernas de defesa aérea ou navios de grande porte, mas oferecem à Marinha filipina uma solução de curto prazo para patrulha armada, escolta, guerra antissubmarino costeira e presença naval. Em um ambiente marcado por disputas no Mar do Sul da China, a aquisição reforça a estratégia filipina de ampliar rapidamente sua capacidade de controle marítimo e dissuasão.■

Destróier de escolta classe Abukuma
Destróier de escolta classe Abukuma
Principais características da classe Abukuma
Característica Dados principais
Tipo Contratorpedeiro de escolta
Operador original Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF)
Unidades construídas 6 navios
Navios da classe Abukuma, Jintsu, Oyodo, Sendai, Chikuma e Tone
Entrada em serviço Entre 1989 e 1993
Deslocamento 2.000 toneladas padrão / cerca de 2.550 toneladas carregado
Comprimento 109 metros
Boca 13,4 metros
Calado 3,8 metros
Propulsão Sistema CODOG, com 2 turbinas a gás Kawasaki/Rolls-Royce SM1A, 2 motores diesel Mitsubishi S12U-MTK, 2 eixos e hélices de passo controlável
Potência Aproximadamente 27.000 PS / cerca de 26.650 shp nas turbinas a gás, mais 6.000 hp nos motores diesel
Velocidade máxima 27 nós
Tripulação Cerca de 120 militares
Armamento antissuperfície Até 8 mísseis antinavio RGM-84 Harpoon em lançadores Mk 141
Armamento antissubmarino Lançador óctuplo Type 74/Mk 16 para foguetes ASROC e 2 lançadores triplos HOS-301 de 324 mm para torpedos leves
Canhão principal 1 canhão OTO Melara de 76 mm/62
Defesa aproximada 1 sistema Phalanx CIWS de 20 mm
Sensores principais Radares OPS-14, OPS-20 e OPS-28C, sistema de direção de tiro FCS-2 e sonar de casco OQS-8
Guerra eletrônica Sistemas ESM NOLR-6B e interferidor OLR-3, além de lançadores de despistadores Mk 137 SRBOC
Aviação embarcada Não possui hangar nem convoo para helicóptero
Missões principais Escolta costeira, patrulha armada, guerra antissubmarino, guerra antissuperfície e defesa de áreas marítimas litorâneas



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25 Comentários
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Andromeda1016

O Japão com muita saudade de seu passado belicoso …. os dinossauros da política japonesa se mexem para devolver a relevância da guerra ao repertório político do pais, e para isso cutucam a China para que a “ameaça” se mexa e seja a ameaça que eles precisam. Com os gringos se preparando para começar a tocar os tambores de guerra contra a China, o Japão não quer perder a chance de ser o aliado principal deles no conflito que está se desenrolando na Ásia. Das duas uma, ou ainda tem muita gente lá querendo morrer na glória de uma guerra… Read more »

Leandro Costa

E a China desrespeitando leis marítimas das quais ela própria é signatária, desrespeitando tribunal de arbitragem internacional o qual ela mesma declarou que acataria e, assim desrespeitando águas territoriais de outros países, você não menciona, né?

Assim sendo, sem esse contexto, realmente as ações de Japão e Filipinas parecem belicosas ao invés de serem uma reação natural e extremamente previsível às ações da própria China.

Andromeda1016

Sim. Você está certo. É a ameaça da uma nova guerra do ópio que está assustando a China e ela age de forma truculenta para se precaver contra isso. Isso é claro, mas entendo que diferente dos gringos que não querem essa nova guerra a todo custo, os japoneses a desejam muito mais que os gringos, e dão sinais de que farão o possível para que a guerra ocorra, ou pelo menos a tensões aumentem por causa dela.

Leandro Costa

No Mundo bizarro, talvez.

Andromeda1016

Porque? Porque ela faz mangás bonitinhos logo é incapaz de fazer guerras? Conhece a história deste país?

Leandro Costa

Conheço. Ao mesmo tempo estamos vendo o Japão mudar drasticamente a cultura, e foram expostos à algo inédito na História.

O Japão ganhou imesuravelmente mais com softpower do que em toda a sua História de uso de hardpower anterior. A mudança no comportamento Japonês em matéria de posicionamento geopolítico mudou com o crescimento e empoderamento Chinês e as ações resultantes disso, e não ao contrário.

Fernando Vieira

Pô, o que eles querem? Há um vizinho do Japão se posicionando como superpotência, eles certamente não esqueceram o passado, após Taiwan, o alvo da China vai ser o Japão. E eles querem que o Japão não faça nada? Eu não acho que o Esquadrão Relâmpago Changeman seja capaz de deter um ataque chinês, embora tenham derrotado as tropas de Gozma. O Japão nem tem escolha, a China já está muito a frente deles, a solução é ter um aliado a altura (eles tem) e estarem prontos para, ao menos oferecerem perdas tão relevantes ao inimigo que esse pense duas… Read more »

Jean

Esse aliado a altura que eles tem iria esquecer qualquer acordo rápido e dizer que está guerra não é deles. Afinal a China não é um Iran da vida. E Taiwan pertence a China, ela comprou e pagou para o próprio Japão. Espero que não tentem recuperá-la a força, caindo num erro semelhante ao da Rússia. Tudo que existe em Taiwan, a China pode replicar em seu próprio território. Com o tempo, os Chips e tudo mais. Quanto a questão estratégica da primeira cadeia de ilhas, não faltam portos na África onde os SSBN chineses podem aguardar em tempos de… Read more »

Andromeda1016
Last edited 2 meses atrás by Andromeda1016
Leandro Costa

Quando IA tiver diploma em relações internacionais, me avisa que eu debato com ela o quanto ela quiser.

Até lá eu prefiro a minha própria avaliação multidisciplinar.

Andromeda1016

Deixa eu desenhar para você: o Japão está a três décadas em estagnação econômica e nada que ela faça consegue resolver isso. No passado a guerra da Coreia tirou o país da miséria pós guerra e tem políticos dentro do país que anseiam por uma nova guerra na Ásia para que um “novo milagre econômico” resolva a estagnação econômica deles. Nestes termos a eles interessa que os conflitos na região se acirrem e isso resulte em benefício econômico para eles. A renúncia à proibição de venda de armas, a doação de armas a países em conflito com a China, as… Read more »

Leandro Costa

Vou tentar explicar para você aonde você está cometendo um erro crasso na sua ‘análise’ fidelíssima da situação atual lá. Você pegou UM fato, isolou ele de contexto, isolou ele de qualquer condicionante e o usou para basear toda a sua tese. Não tem como isso dar certo. Mas fazendo um exercício simplista, até porque não tenho tempo para perder com bobagem desse tamanho, se coloca no lugar do Japão. O Japão não tem abundância de recursos naturais. É uma ilha geograficamente colada na China, que partilha uma História absolutamente conturbada com a China. Vive de comércio exterior, aonde é… Read more »

andromeda1016

Seu comentário é baseado em maniqueismo barato baseado em conhecimento superfluo da situação. Tudo o que você explicou cobre apenas uma parte dos diversos interesses que pesam sobre a região. Existe um motivo pelo qual nenhum dos paises do extremo oriente (China, Rússia, as duas Coreias, Japão e Taiwan) se consideram inimigos ou amigos definitivos, escolhendo um ou outro extremo conforme os interesses que defendem. Neste contexto, a visão simplista de que o Japão é apenas uma vítima e a China é a eterna vilã, mostra o quão limitado é teu conhecimento sobre o que ocorre por lá.

Leandro Costa

Bem, vocë é que está colocando palavras na minha boca. Nunca disse que o Japão é bom ou que a China é má. Estou descrevendo fatos, usando um ponto de vista que você convenientemente ignorou para justamente mostrar que o Japão é mau. Outro fato, é que eu nunca usei ‘bom’, ‘mau’, ou ‘vilão’ nos meus posts. Isso veio de vocë. O que me leva à concluir que o maniqueísta é você, separando ‘bons’ de ‘maus’ e ‘mocinhos’ de ‘bandidos’. É tão claro que ofusca. E percebe-se que você está tentando inverter a narrativa e jogar esse adjetivo no meu… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Leandro Costa
Jean

A história do Japão é justamente a fonte de seus problemas atuais. De país do futuro, a um país preso ao passado.

Andromeda1016

Sim. Mas como isso não está nos mangás e nos animes muita gente ainda acredita que se trata do país do futuro. Enfim, como dizem por ai, o sapinho acha que o brejo que habita é um oceano, ignorando os oceanos de verdade. Guerra do ópio é um assunto tão atual hoje quanto o foi há quase dois séculos atrás, mas os “entendidos” acham que tudo mudou e o passado só existe no museus, quando ele ainda exerce grande influencia dentro dos gabinetes dos políticos.

Leandro Costa

Como os tempos mudam… em casos como esse, felizmente…

carvalho2008

Dá-lhe, mestre vovozão….

Burgos

Pois é 👀
O Marco Antônio tá sumido 🤷‍♂️

Marco Antônio

Burgos, estou no trabalho, fico com pouco tempo, só estou lendo o enunciado, para não perder os assuntos.

Marco Antônio

Meus meninos, acredito que seria ótima como patrulha oceânica, bem armadas, cairiam como uma luva. (Vovozao).

DANIEL ALVES E SILVA

A guerra política chegou em página de bate papo Naval… As pessoas ficaram loucas. Ah, mas o Japão quer uma guerra com a China. Ah, mas a China está ameaçando seus vizinhos. As pessoas não entenderam até hoje que não tem mocinho ou vilão em geopolítica e muito menos inimigos eternos. A China era aliada dos EUA, Inglaterra, França e Rússia (URSS) contra Japão, Alemanha e Itália. Hoje, o Japão é aliado dos EUA. Os EUA, França e Inglaterra fazem parte da OTAN. A Rússia aliada da China, mas ninguém confia realmente em ninguém. E nossos cidadãos se degladiando nas… Read more »

Daniel

Interessante que eles também estão adotando uma modernização semelhante ao que estamos fazendo por aqui. Com litorais tão extensos, não adianta ter alguns poucos navios modernos. É necessário que sejam em grande quantidade.

Espero que a MB se permita elevar o nível das Tamandarés para um modelo Mk. 2 mais próximo de uma A200. Afinal, a classe é uma adição bem vinda, mas ainda é apenas uma corveta “tunada”. 😁

Jean

Olha vale mais o armamento do que o deslocamento (que nem é tão diferente da Meko 200).

Acho que o projeto da A. Tamandaré ficou muito bom, mas era mais sensato ter feito logo 04 + 04 Meko 200 com propulsão CODAD (04 motores).

Jean

Estes navios já não tem mais serventia para o Japão, mas para as Filipinas vão bem por mais 10 a 15 anos. Acho que países com marinhas de primeira linha, deveriam revender seus navios com meia vida útil por um bom valor, e manter sua indústria naval funcionando sempre. Um exemplo seria um acordo Itália – Brasil, onde as Fragatas Emílio Bianchi fossem sendo revendidas ao Brasil (sim negócio governo a governo, com pagamento em permuta) assim que completem digamos 17 anos. Pois com essa idade, elas começam a deixar de ser interessantes para a M.M. mas continuam a ter… Read more »