Brahmos

Jacarta, 8 de julho de 2026 – A Indonésia e a Índia assinaram oficialmente um contrato para o fornecimento do sistema de mísseis de cruzeiro supersônico BrahMos, marcando um avanço significativo na cooperação de defesa entre os dois países e reforçando a presença estratégica indiana no Sudeste Asiático.

O acordo foi anunciado em 7 de julho, durante a visita oficial do primeiro-ministro indiano Narendra Modi a Jacarta, onde se reuniu com o presidente indonésio Prabowo Subianto no Palácio Merdeka. Segundo a Reuters, o contrato foi assinado entre a BrahMos Aerospace, joint venture indo-russa responsável pelo sistema, e o Ministério da Defesa da Indonésia. O palácio presidencial indonésio confirmou o acordo, mas não divulgou detalhes técnicos ou financeiros.

Fontes indianas citadas pela Reuters estimaram o valor do negócio em cerca de US$ 630 milhões. O acordo ocorre após anos de negociações e interesse público de Jacarta pelo sistema BrahMos, considerado uma das principais armas de ataque antinavio e de defesa costeira disponíveis no mercado internacional.

O comunicado conjunto divulgado pelo governo da Índia afirmou que Modi e Prabowo concordaram em ampliar a cooperação em defesa, segurança marítima, indústria militar, exercícios conjuntos, intercâmbio de informações, hidrográfia, capacitação e desenvolvimento tecnológico. O documento também destacou expressamente a cooperação no BrahMos Missile System e um acordo separado envolvendo mísseis ar-ar.

O BrahMos é um míssil de cruzeiro supersônico desenvolvido em conjunto pela Índia e pela Rússia. De acordo com a BrahMos Aerospace, o sistema utiliza um primeiro estágio com propulsor sólido e um segundo estágio ramjet, alcançando velocidade de cruzeiro próxima de Mach 2,8 e alcance de até 290 km na versão divulgada pela empresa. O míssil pode ser empregado contra alvos navais e terrestres e opera segundo o princípio “fire and forget”.

Para a Indonésia, o BrahMos representa um reforço relevante à capacidade de negação de área e defesa marítima. Como maior arquipélago do mundo, o país precisa proteger milhares de ilhas, rotas marítimas estratégicas e pontos de passagem fundamentais entre os oceanos Índico e Pacífico. O sistema poderá ampliar a capacidade indonésia de dissuadir ameaças navais em regiões sensíveis, incluindo áreas próximas ao Mar do Sul da China e aos estreitos que conectam o tráfego marítimo regional.

O contrato também tem importância estratégica para a Índia. Nova Délhi busca consolidar-se como exportadora de sistemas de defesa avançados e ampliar sua influência no Indo-Pacífico por meio da política Act East. A venda à Indonésia segue acordos anteriores do BrahMos com as Filipinas e o Vietnã, formando uma rede crescente de usuários do sistema no Sudeste Asiático.

Além do BrahMos, a visita de Modi resultou em um acordo separado envolvendo o míssil ar-ar Astra, assinado entre a empresa indiana Bharat Dynamics Limited e a companhia indonésia Republikorp. A cooperação em mísseis ar-ar poderá ser relevante para a modernização da aviação de combate indonésia, que opera aeronaves de diferentes origens, incluindo caças russos Su-27 e Su-30.

Os dois países também assinaram memorandos de entendimento em áreas como minerais críticos, agricultura, aço, telecomunicações, segurança marítima e gestão de desastres. O comunicado conjunto destacou que Índia e Indonésia se veem como vizinhos marítimos e parceiros estratégicos, com interesse comum na estabilidade do Indo-Pacífico.■




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3 Comentários
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Macgarem

O indiano bhramos eu compraria, russo nem tanto

Adriano Madureira

É a mesma coisa…

Jean

Não teria o viés geopolítico. E temos que abrir mais frentes de negócios com a Índia. Claro, temos o Mansup quase aí, mas são de classes diferentes e umas 64 unidades deste míssil, mudaria o patamar da M.B. de previsível, para … Não sabido. O que seria muito bom.